3. KONUT FİNANSMAN SİSTEMİNİN HUKUKSAL YAPISI
3.2 Tüketicinin Korunması Hakkında Kanunda Yapılan Değişiklikler
3.2.11 Konutun teslimi
No período que antecede a aprovação da Constituição de 1988, o movimento negro mantém-se organizado e passa a realizar vários encontros que culminaram com a elaboração de propostas para a intervenção da Assembléia Nacional Constituinte (ANC). Desses encontros, têm destaque o Primeiro Encontro Estadual “O negro e a Constituinte”, que aconteceu em Minas Gerais, em 1985 e a Convenção Nacional “O negro e a Constituinte”, em Brasília no ano de 1986. Nesta última, estiveram reunidos dirigentes de sessenta e três Entidades do Movimento Negro, de dezesseis estados brasileiros, com um total de cento e oitenta e cinco inscritos. Dentre outras reivindicações estavam àquelas referentes à alteração dos currículos de todos os níveis de ensino com a inclusão das temáticas História da África e História do Negro no Brasil (SANTOS, 2005).
A partir dessas discussões, foi elaborado um documento sintetizando todas as propostas apresentadas nos encontros regionais que ocorreram em várias unidades da Federação. Documento este entregue ao então Presidente da República, José Sarney e posteriormente ao Presidente da Assembléia Nacional Constituinte, o deputado Ulisses Guimarães, numa audiência pública realizada no dia 03 de dezembro de 1986 (RODRIGUES, 2005).
O Regimento Interno da Constituinte determinou que haveria espaço para discussão da temática racial. No entanto, a partir da realização dos trabalhos, o que se percebe é que esta discussão mostra-se bastante limitada. A sistemática dos trabalhos dividia os parlamentares em oito comissões temáticas e 24 subcomissões temáticas, cada qual responsável pela regulamentação de um tema diferente. A Subcomissão de Negros, Populações Indígenas, Pessoas Deficientes e Minorias seria a responsável pela discussão desta temática, o que demonstra este aspecto limitador, pois esta “[...] amplitude de temáticas na mesma subcomissão, [...] acabou por restringir a discussão da questão racial a dois encontros formais” (id. ibid., p. 254), e ainda esta subcomissão “[...] não apresentou o número de componentes mínimo, não tendo realizado as reuniões iniciais por falta de quorum” (ibidem.), demonstrando o total desinteresse dos membros da ANC pelas questões relacionadas aos negros.
A autora supracitada destaca a participação dos interlocutores que estiveram presentes nas discussões e representando os interesses da comunidade negra, como Benedita da Silva, Luiz Alberto Caó, Edmilson Valentim e Paulo Paim. Desses trabalhos resultou a
aprovação de um anteprojeto que se aproximava das propostas apresentadas pelo movimento negro, reafirmando o papel da escola como uma instituição que tem a responsabilidade de promover a valorização da diversidade e buscar combater o racismo e todas as outras formas de discriminação.
Assim, os integrantes desses movimentos entendiam como fundamental para a garantia do respeito e reconhecimento da sua cultura a inclusão no currículo oficial de ensino, nos três níveis da educação brasileira, conteúdos referentes à África e ao negro no Brasil, como também a valorização da história e cultura indígena. Nas propostas apresentadas a CF/1988, estava também a garantia de:
[...] estímulos fiscais para que a sociedade civil e o Estado tomassem medidas concretas de caráter compensatório, a fim de implementar aos brasileiros de ascendência africana o direito à isonomia nos setores de trabalho, remuneração, educação, justiça, moradia, saúde etc. (RODRIGUES, 2005, p. 255).
Medidas essas necessárias para a garantia do acesso e permanência de crianças e jovens negros à educação formal e possibilidades de ingresso no ensino superior. Segundo esta autora, as propostas do Movimento Negro apresentadas e aprovadas na Subcomissão sofreram descaracterização e diluíram-se na Comissão Temática e posteriormente, na Comissão de Sistematização.
É dentro desse contexto que é aprovada a Constituição de 1988, transformando o racismo em crime a ser punido. A criminalização do racismo, apontada na CF (1988), representa uma importante conquista dos movimentos negros. No entanto, no que se refere à área educacional, a CF mostra-se reducionista quando assinala a necessidade da inclusão de temáticas voltadas para a pluralidade racial no currículo escolar, “[...] mas retirou as propostas de obrigatoriedade do estudo da cultura e história da África dos currículos nos três níveis de ensino e a proposta de reformulação dos currículos de História do Brasil” (RODRIGUES, op. cit., p. 55). Henrique Cunha Júnior, professor e militante do movimento negro, nos fornece um depoimento sobre os embates deste período:
O período foi de intenso combate entre as esquerdas brancas e o movimento negro. Nas reuniões plenárias, o movimento negro sempre foi relegado a segundo plano, em nome da unidade da classe trabalhadora. Muitos negros votavam contra as posições dos movimentos negros em nome desta unidade. Em nome da consolidação de um partido dos trabalhadores, e de uma central única dos trabalhadores (DEPOIMENTO, 2007).
legislação complementar e indicava a LDB como o lugar para o detalhamento das propostas relacionadas a este assunto (RODRIGUES, 2005). No entanto, no texto da LDB o que se demonstrou foi omissão com relação à importância da obrigatoriedade da inclusão de conteúdos específicos que dessem conta da real participação do negro na construção da história do nosso país, assunto que será analisado no tópico a seguir.
Convém ressaltar ainda que é somente em 1995 que o Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, admite oficialmente na história brasileira a existência da discriminação racial contra negros. Fato este que dá início ao processo de discussão tendo como foco as relações raciais (SANTOS, 2005). No entanto, é somente em 2000 que o então Presidente da República cria em 08 de setembro por meio de decreto o Comitê Nacional para a Preparação da Participação Brasileira na III Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata em atendimento à resolução 2000/14 da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas. Este comitê tinha como objetivos prestar assessoria ao Presidente da República garantindo à participação brasileira nas negociações internacionais e regionais anteriores à Conferência Mundial e levar até a sociedade civil, principalmente por meio de seminários, oportunidades de esclarecimento e aprofundamento dos temas a serem discutidos na Conferência Mundial.
Assim, é a partir da Conferência Mundial contra o Racismo, a Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata, realizada na cidade sul africana de Durban, no período de 30 de agosto a 07 de setembro de 2001 que o governo brasileiro passa a se comprometer politicamente com a luta contra o racismo.