3. GAYRĐMENKULLERĐN DEĞERĐNE ETKĐ EDEN FAKTÖRLER
3.3.1 Konutların Değerini Etkileyen Kriterler
As estratégias de visitação, conforme descrito acima, são situadas como estudo do meio ligado especiicamente aos “territórios negros” na cidade de São Paulo, onde a paisagem é bastante complexa e foi constituída em um processo histórico que materializou diferentes propostas tecnológicas e ideológicas no espaço. Há construções em taipa de pilão, pau-a-pique, tijolos (desde o século XIX principalmente), concreto armado etc., constituindo conjuntos arquitetô- nicos ou edifícios isolados de estilo colonial, eclético, modernista, entre outros. Em determi- nadas regiões, é possível observar, lado a lado, elementos que foram constituídos ao longo de séculos e que foram mantidos por motivos variados. É no seio dessa complexidade da paisa- gem urbana que devemos compreender os territórios negros na cidade de São Paulo.
Eles são caracterizados por elementos especíicos (algum tipo de relação efetiva com as popu- lações negras na cidade), e abrangentes (eles estão dispostos na paisagem urbana dividindo espaço com outros territórios). Assim, pensar na conexão entre o especíico e o mais amplo é bastante proveitoso na observação aqui proposta. E, mais que isso, não devemos pensar em um território negro homogêneo, delimitado rigidamente e cristalizado ao longo do tempo. Ao contrário, ele é caracterizado pela variedade, diferente da própria noção norte-americana de “gueto”, fortemente ligada à ideia de homogeneidade (CLEMENTE & SILVA, 2014, p. 87-8). Entretanto, a caracterização de espaços de segregação que está na base da compreensão dos guetos é um elemento que nos ajuda a reletir sobre os territórios negros em São Paulo. É interessante pensa-los a partir de um repertório comum, mas também de certas especiici- dades (SILVA, 1997, p. 143). Em primeiro lugar, eles não são exclusivamente compostos por negros, o que também é indicado pela constante interação com populações de origem italiana e portuguesa em várias regiões da cidade de São Paulo no início do século XX. Além disso, eles podem ser especíicos quanto ao seu caráter urbano ou rural e, ainda, regional, dada a natureza das dinâmicas da região, estado ou cidade nos quais ele se organizou; ou seja, es- ses territórios negros não são necessariamente “uniformes” (JESUS, 1999, p. 155). Ainda, os territórios negros são caracterizados por tipos variados: escolas de samba, quadras de dança, terreiros, igrejas e times de futebol, ligados consistentemente à atuação de populações negras são considerados territórios negros (PORTA et al., 2004, p. 62).
PARA REFLETIR
1. O que é um território negro?
2. Como o estudo do meio pode ajudar a pensar nos territórios negros da cidade de São Paulo?
A constituição de territórios negros em São Paulo, logo depois do inal da escravidão, foi marcada pela segregação racial em meio urbano (CARRIL, 2006, p. 80). Negros dividiam es- paço com italianos e portugueses em bairros como a Barra Funda, disponibilizando-se como mão-de-obra básica em armazéns de café; o que também pode ser percebido em regiões como
condições parcas, habitando cortiços e porões (ROLNIK, 1997, p. 75; GODOI, 1998, p. 72 e 77). Nesse sentido, percebe-se que há, por um lado, a própria identiicação dos territórios negros como elemento de agregação e, por outro, como exemplos de segregação (QUINTAS, 1995, p. 56); sendo eles também frequentemente associados à ideia de discriminação (HER- CULANO & PACHECO, 2006, p. 41-3).
Assim, a forte inserção de comunidades negras em bairros de São Paulo originalmente relacio- nados à inserção de comunidades brancas indica algo da variedade da inserção desse grupo. Por exemplo, na Barra Funda (onde nasceu o bloco carnavalesco de Dionísio Barbosa), a co- munidade de portugueses foi paulatinamente permeada por negros que buscavam trabalho em armazéns de café e na estação ferroviária. Um processo análogo ao da ocupação da região do Bixiga (onde se desenvolveria a escola de samba Vai-Vai), no qual a penetração da população negra se deu posteriormente à ixação da comunidade de imigrantes italianos.
Assim, regiões como a do Bixiga e da Barra Funda, mas também do Cambuci, da Sé, dos Lava- pés e da Santa Iigênia, podem ser consideradas territórios negros (CARRIL, 2006, p. 80), de composição variada, como visto, e caracterizadas por parcas condições habitacionais e trabalho informal – alguns dos elementos que indicam a segregação na paisagem da cidade. E, mesmo internamente, é possível observar certa hierarquia socialmente imposta. No caso do Bixiga, por exemplo, onde uma consistente presença da população negra remonta à primeira metade do século XX (CASTRO, 2008 e BRUNO, 1986, p. 152), o museu local (Museu Memória do Bixiga), registra quase exclusivamente elementos da presença italiana (o próprio site do museu é apre- sentado em inglês, português e italiano), e pouco da presença negra histórica no bairro (apare- cem apenas objetos da escola de samba Vai-Vai), uma evidente seleção de memória.
Algumas dessas características que estruturavam esses territórios negros no início do século XX são ainda bem consistentes, como sua expressão urbana, delimitação em espaços de pobre- za e discriminação social. Assim, deve-se pensar nos territórios negros atuais em São Paulo, nos quais é possível observar expressões como o hip-hop e saraus da periferia (CLEMENTE & SILVA, 2014, p. 90-1,99-101), considerando o processo histórico. Ou seja, a seleção de espaço que constantemente estruturou os territórios negros em São Paulo, deslocando populações negras de espaços que se tornavam interessantes para as elites, está intimamente ligada às atuais dinâmicas que estruturam territórios negros atualmente, seja em espaços como o Largo do Paissandú, em uma região cuja degradação é constantemente objeto de notícias pela im- prensa, e também nas periferias nas quais atualmente se instalam em grande quantidade po- pulações negras. Nesse contexto, dinâmicas especíicas como relexões sobre esse alheamento em canções e criações visuais no seio do movimento hip-hop e mesmo os saraus da periferia, situam discussões sobre o racismo, discriminação etc., mas também sobre o orgulho da cultura especíica que se organizou nesses espaços.
PARA REFLETIR
1. Na cidade de São Paulo, onde é possível encontrar territórios negros?
2. Os territórios negros são exclusivos?