5. BİREYSEL EMEKLİLİK ARACILARI SINAVI (e-BEAS)’NA İLİŞKİN TEMEL ESAS VE
5.5 Konu Muafiyeti
O Iraque, que vinha desenvolvendo uma política nacionalista, pretendia ocupar um território que era uma antiga reivindicação sua, e com isso estava disposto a priorizar os seus próprios interesses em detrimento daquilo que estava ao agrado do grande capital internacional. Esta política levou aquele país a aproveitar o delicado contexto geopolítico mundial para levar adiante suas ambições nacionalistas.
As reivindicações do Iraque contra o Kuwait – pequeno protetorado britânico rico em petróleo, no topo do golfo Pérsico, independente desde 1961 – eram antigas e constantemente reafirmadas. Só levaram a guerra quando o golfo Pérsico deixou de ser um quase automático ponto explosivo de confronto das superpotências. Antes de 1989, é certo que a URSS, principal fornecedora de armas ao Iraque, teria desencorajado vigorosamente qualquer aventureirismo de Bagdá naquela área (HOBSBAWM, 1995, p. 249).
A guerra foi oportunista, aproveitando o ensejo deixado pela suposta crise pela qual o poder norte-americano estaria passando por não mais possuir o pretexto necessário para manter as intervenções que vinha empreendendo ao longo do século. Saddam Hussein, presidente iraquiano, até então um forte aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio, que recebia armamentos e treinamento dos agentes especializados norte- americanos, agora tinha a intenção de levar adiante um nacionalismo que afetava diretamente o equilíbrio político local. A tentativa de anexação do Kuwait foi justificada como um ato em defesa do Iraque, pois aquele país seria uma entidade artificial, parte do legado colonialista que havia repartido o mundo árabe para atender melhor as ambições metropolitanas, fazendo com que o petróleo do Kuwait viesse a trazer benefício não só a este próprio país, mas também às potências industrializadas que se expandiram imperialmente. Pode parecer uma justificação cínica para se empreender tal guerra, mas, se a compararmos com os motivos que os Estados Unidos usam para levar adiante suas guerras, estes não poderiam intervir nas pretensões de Saddam Hussein sem estar sendo incoerentes com relação a seus próprios critérios. Logo Saddam foi barrado, pois os interesses hegemônicos não poderiam deixar o vírus do nacionalismo e
da autonomia infectar outros países, principalmente se isso implicasse em prejuízos aos interesses ocidentais.
Os interesses de Washington estão sempre trazendo à tona novas formas de dar continuidade às suas ofensivas imperiais. A maneira de levar adiante as suas ambições, engendrada na Guerra Fria, continuou a vigorar de forma eficiente. Desta forma, a eficácia das motivações que levam os EUA a impor sua supremacia, é renovada. Pensava-se que o fim da URSS traria o fim das justificativas políticas que subordinavam os outros países do bloco capitalista ao poderio norte-americano, sendo sua liderança solapada. Houve, então, a necessidade de alguns ajustes para o poderio político estadunidense conseguir se renovar.
O aspecto humanitário e moral passa a ser valorizado e os direitos humanos de matriz liberal se tornam mais preciosos para a defesa dos interesses hegemônicos. Este é um forte instrumento nas mãos dos EUA para consolidar uma imagem moralmente louvável e reforçar seu discurso ao propor que algum país do Terceiro Mundo deve ser retaliado. Em nome do respeito aos direitos fundamentais, a guerra contra o Iraque, em 1991, foi empreendida. É certo que, apesar de não mais possuir seu pretexto favorito para manter suas interferências no resto do mundo, havia uma certeza de, que, ao atacar o Iraque ou qualquer outro país, os EUA iria enfrentar um poder de resistência menor, já que nenhuma outra potência antagônica dispunha de meios de oposição. Com a derrocada da URSS, a necessidade de alguns deslocamentos de estratégia se fizeram essenciais para a continuidade dos planos de intervenção em favor da hegemonia norte- americana. Terminada a Guerra Fria, continua-se mobilizando forças contra aqueles considerados inimigos, sempre em “legítima” defesa.
As intervenções humanitárias iriam construir a tônica na política externa norte- americana durante toda a década de noventa. Podia-se perceber, então, o quanto o imperialismo vinha se manifestando de forma cada vez mais intensa nas últimas décadas, passando a tomar contornos visivelmente unilaterais e unidimensionais. Dentre os principais fatores que proporcionaram a expansão da influência do poder hegemônico, estaria: a globalização impulsionada pelo mercado, nos moldes neoliberais, que acaba por promover a expansão da cultura estadunidense, juntamente com os seus produtos e mercadorias. Paralelamente a isso, o colapso dos Estados Nacionais na realização dos seus próprios interesses também é algo importante a ser
lembrado, pois o Consenso de Washington, pilar central do neoliberalismo, os torna incapazes de manter sua soberania sobre os assuntos internos, submetendo-os às deliberações de organismos externos e alheios aos seus interesses, como o FMI e o Banco Mundial, instituições que possuem estreitas relações com os Estados Unidos. De fundamental importância para a compreensão deste processo, também é o fim do equilíbrio global, com o colapso da União Soviética, equilíbrio este que, mesmo estabelecido de uma forma perversa, na base da proliferação de armas nucleares, indiscutivelmente evitava uma grande concentração de poderes colocados nas mãos de uma única superpotência (HOBSBAWM, 2007, p. 55-58). Estes elementos podem ser citados como as mais fortes bases em que se sustentava a hegemonia dos EUA no fim do século XX, frente ao resto do mundo. Podemos, ainda, destacar certos elementos que representam continuidade com o imperialismo do século XIX, mais evidentemente notório no que diz respeito à legitimidade do expansionismo imperial, que, guardadas as devidas proporções, continua reiterando a sua autoproclamada legitimidade, lastreada na idéia de que o Ocidente é o repositório de valores que devem ser defendidos e difundidos, uma vez que representa um nobre ideal de avanço civilizacional e de progresso humanitário. Não à toa, os séculos XIX e XX, tendo em voga tais critérios que regem as relações entre os países, foram os mais truculentos da história em termos de perdas humanas, em decorrência do fato de se colocarem em prática tais projetos universalizadores, justificadores das ações aqui analisadas.
Não iria demorar tanto tempo até que os Estados Unidos formulasse novamente um bom manancial de justificativas para intensificar, de forma ferina, o seu controle sobre o mundo, algo que se deu já no princípio do século XXI, quando sobe ao governo norte-americano o presidente George W. Bush. Junto com ele, toda aquela elite neoconservadora, já referida, passa a ter ainda mais espaço nas instâncias de poder, e a pressão para que a supremacia norte-americana venha a se impor de uma maneira mais intensa. Apesar da manutenção das intervenções e da hegemonia militar, o fim da Guerra Fria fez com que os EUA perdessem o seu estofo para continuar mantendo o policiamento do mundo estritamente sob suas mãos.