• Sonuç bulunamadı

1. GİRİŞ

1.5. KONUT VE ÇEVRESEL KALİTE MEMNUNİYETİNE YÖNELİK

1.5.1. Konu ile İlgili Yurt İçinde Yapılan Araştırmalar

Os procedimentos de análise constituem parte fundamental do método da sociologia clínica. Aqui importa menos a objetividade dos acontecimentos, os fatos em si, do que como tais fatos foram apreendidos pelos sujeitos em questão. Nas narrativas de vida utilizadas pela psicanálise, as referências factuais e objetivas são um aspecto periférico frente aos aspectos simbólicos e subjetivos que tais fatos representam. Na sociologia clínica,

A narrativa é então tomada como modo intersubjetivo de produção de conhecimento onde os aspectos subjetivos e objetivos estão entrando em uma nova relação dialética, complexa. Os aspectos subjetivos e objetivos são assim profundamente questionados, se interpenetrando, se confrontando em uma história verídica, ainda inacabada entre protagonistas de uma prática social, história que é também prática de vida. (Rhéaume, 2010, p. 64)

Rhéaume percebe que o procedimento da análise é um momento fecundo para que sejam verificados quais são os aspectos objetivos e subjetivos de determinada narrativa e de que maneira eles se entrelaçam. A narrativa, então, deve ser entendida como um processo intersubjetivo que contém elementos importantes para a análise da prática social.

Ao realizar a análise do discurso dos sujeitos a respeito da vergonha, Gaulejac afirma que “convém separar os diversos elementos, objetivos e

subjetivos, conscientes e inconscientes, reais e fantasísticos, para compreender as influências recíprocas dos elementos sociais e do funcionamento psíquico na gênese do sentimento de vergonha” (Gaulejac, 2006, p. 173). Ao analisar essa questão, Gaulejac percebe que as carências simbólicas – ligadas ao meio social e à pobreza – quando combinadas com feridas narcísicas e faltas afetivas, davam vazão, mais facilmente, ao sentimento de vergonha.

Desse modo, não se pode desprezar a importância dos aspectos objetivos do relato, mas também se deve ter bastante atenção aos elementos subjetivos que o perpassam. Como bem percebe Levy, “a narrativa faz parte da história; o sentido que o sujeito dá aos acontecimentos de que se lembra, trabalhado pelo tempo e as provações, é dele uma dimensão essencial”. (Levy, 2001, p. 95).

Seguindo a orientação metodológica de Michel Legrand (1993), busquei, primeiramente, a partir do material bruto, fazer uma categorização inicial de alguns dos principais elementos de análise. Para tanto, contei com o suporte do programa Nvivo, o que possibilitou a decomposição das narrativas em diversas partes, as quais se apresentaram muitas vezes sobrepostas. Estas sobreposições me ajudaram a perceber alguns aspectos que se entrecruzavam e que, eventualmente, se repetiam.

No tratamento dos dados, primeiramente, dividi as passagens em dois grandes blocos de categorias, um que se referia às categorias “biográficas” e outro que se referia às categorias “não biográficas”. As categorias biográficas são aquelas relacionadas aos acontecimentos e aos períodos de tempo relatados pelos sujeitos, sejam eles curtos ou longos. Os acontecimentos remetem normalmente às mudanças, ou a algumas situações particularmente significativas relatadas pelos narradores. Tais mudanças podem estar relacionadas à trajetória institucional – nascimento, escola, casamento, trabalho etc. –, a acidentes biográficos – crises, fracassos, doenças, luto – e às mudanças ocorridas ao longo da carreira de militância – iniciação, socialização, defecção etc.. As narrativas também muitas vezes abordam períodos mais ou menos longos que se caracterizam por certa continuidade e constância. Esses

períodos relatados também são importantes para a análise tanto do contexto social quanto dos sentidos dados a esses períodos.

No entanto, a narrativa é dinâmica e muitas vezes a constância e a mudança se misturam, se sucedem tão rapidamente que a categorização torna-se muito frágil. Por outro lado, o que objetivamos foi construir uma base histórico-temporal que permitisse o relato das experiências e de suas significações. As experiências foram analisadas a partir daquilo que elas significaram para o sujeito: transgressão, fracassos, humilhações, sucesso, aprendizagem etc..

O que nos traz ao segundo conjunto de categorias, que nomeamos de

não biográficas. Essas categorias foram mais relacionadas aos sentimentos

que se fizeram presentes no momento dos relatos das experiências – culpa, frustração, desilusão, inferioridade, vergonha, revolta, orgulho, gratidão, sensação de dever cumprido, segurança etc. – e aos conjuntos de

predisposições e de capitais requeridos nas situações relatadas. Além disso,

também buscamos destacar as estruturas sociais objetivas que estavam presentes e que compunham os cenários e os ambientes relatados: escola, classe social, mercado, trabalho, organização, família, redes de sociabilidade etc..

Com o cruzamento entre esses dois conjuntos de categorias, conseguimos perceber em quais momentos determinados sentimentos se faziam mais presentes, em que situações determinados capitais ou predisposições eram requeridos e como as estruturas sociais confrontadas pelos sujeitos se articulavam do ponto de vista sincrônico e diacrônico. Essa percepção possibilitou uma reflexão acerca das hipóteses levantadas e de sua pertinência frente à realidade estudada.

Em um segundo momento, nos distanciando um pouco dessa estrutura de categorização fechada e pouco flexível, voltamos às referências teóricas utilizadas de modo a perceber a pertinência das categorias utilizadas para compreender as trajetórias sociais e sua singularidade. Conforme defende Legrand,

A interpretação não é tratamento. A interpretação transforma a hipótese concreta em uma hipótese teorizada. Ou seja, a interpretação formula as hipóteses explicitamente; ela as sistematiza; ela elucida por si mesma seus referenciais conceituais; ela as discute e as aprofunda; ela possibilita que as hipóteses possam ultrapassar a história e o caso singular, e tornem-se, potencialmente, constitutivas de uma teoria geral. (Legrand, 1993, p. 209).

A partir desse procedimento de interpretação dos dados, pudemos analisar os relatos de vida à luz não apenas das categorias da sociologia clínica, mas a partir de uma abordagem propriamente clínica, que levasse em consideração a reflexividade dos sujeitos envolvidos e a implicação do pesquisador.

Benzer Belgeler