Os dados utilizados para a realização desta pesquisa são mensais, compreendendo o período de janeiro de 2002 a dezembro de 2008, e suas respectivas fontes foram:
As vendas de gasolina C pelas distribuidoras, em metros cúbicos, preços médios da gasolina A ao produtor (R$/litro), preço médio da gasolina C (R$/litro), preço médio do álcool hidratado (R$/litro) os dois últimos, referentes ao praticados pelas
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distribuidoras, foram todos obtidos junto à Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis- ANP. Esses dados referem-se aos prevalecentes no Brasil e regiões.
As séries de preços do álcool anidro combustível (R$/litro) nas usinas e destilarias dos Estados de São Paulo e Alagoas26 foram obtidos junto ao Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada – CEPEA.
A série referente às vendas de automóveis e comerciais leves que utilizam a gasolina como combustível, no mercado atacadista interno, é proveniente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores – ANFAVEA. Devido a indisponibilidade de dados mensais de vendas de automóveis por tipo de combustível em nível regional, para todo o período em análise, utilizou-se os dados do Brasil como proxy para as regiões brasileiras.
Assim como no trabalho de Schunemann (2007), o índice de base fixa mensal sem ajuste sazonal da produção física industrial foi utilizado como proxy da renda. Esta variável foi obtida junto ao site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE27.
Para a estimação dos modelos, todas as séries de preços foram deflacionadas pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE. As informações referentes às parcelas de mercado das empresas distribuidoras de gasolina C que atuam em nível regional foram obtidas junto a ANP (2009). As estatísticas descritivas das principais variáveis utilizadas nesse trabalho são apresentadas na Tabela 3.
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Os preços do Estado de São Paulo foram utilizados como representativos para o Brasil, Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Já os preços do Alagoas representaram o Norte e Nordeste.
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A justificativa para a utilização dessa variável, foi para se evitar problemas de ajustamento nos modelos, pois as séries do PIB e das vendas de automóveis e comerciais leves no atacado apresentaram correlação bastante elevada. Inicialmente estimou-se o modelo estático utilizando-se a variável produto interno bruto ou também o produto interno bruto per capita como variável deslocadora nas equações de demanda. Todavia, foi necessário substituí-los pelo fato de os resultados não apresentarem coeficientes com sinais consistentes como esperado pela teoria econômica. Verificou-se elevado coeficiente de correlação entre o PIB e as vendas de automóveis e comerciais leveis a gasolina.
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Tabela 3 - Estatísticas descritivas das variáveis envolvidas na estimação dos modelos estático e dinâmico para a determinação do grau de poder de mercado das distribuidoras de gasolina C, Brasil e regiões, 2002 a 2008
Região Estatísticas PG QG PA Z Y PZ w1 w2 Média 2,34 1959,95 1,35 53094 111,8 123768 0,95 1,64 Mínimo 2,05 1578,29 0,93 11446 87,85 24952 0,5 1,28 Brasil Máximo 2,63 2399 1,99 106603 138,3 248872 1,4 1,82 Desv-Padr 0,13 146,22 0,22 30283 12,28 70125 0,18 0,09 Média 2,30 979,59 1,19 53094 111,8 122044 0,95 1,64 Mínimo 2,04 818,38 0,3 11446 87,85 24494 0,5 1,28 Sudeste Máximo 2,59 1125,53 1,8 106603 138,3 245087 1,4 1,82 Desv-Padr 0,12 60,3053 0,23 30283 12,28 69429 0,18 0,09 Média 2,39 404,79 1,40 53094 111,8 127215 0,95 1,638 Mínimo 2,09 325,02 0,95 11446 87,85 25296 0,5 1,28 Sul Máximo 2,78 517,35 2,09 106603 138,3 263066 1,4 1,82 Desv-Padr 0,13 34,96 0,23 30283 12,28 72618 0,18 0,09 Média 2,36 288,36 1,59 53094 111,8 124279 1,09 1,61 Mínimo 2,01 218,2 1,23 11446 87,85 25525 0,83 1,29 Nordeste Máximo 2,62 386,49 2 106603 138,3 246033 1,55 1,78 Desv-Padr 0,13 31,67 0,19 30283 12,28 69278 0,16 0,09 Média 2,44 100,51 1,7325 53094 111,8 128953 1,09 1,61 Mínimo 2,12 68,28 1,32 11446 87,85 26097 0,83 1,29 Norte Máximo 2,72 147,89 2,29 106603 138,3 257388 1,55 1,78 Desv-Padr 0,12 18,10 0,22 30283 12,28 72753 0,16 0,09 Média 2,39 186,71 1,43 53094 111,8 126189 0,95 1,64 Mínimo 2,07 144,72 1,01 11446 87,85 25868 0,5 1,28 Centro - Máximo 2,66 221,74 2,28 106603 138,3 251711 1,4 1,82 Oeste Desv-Padr 0,13 15,85 0,25 30283 12,28 70530 0,18 0,09 Fonte: Dados da pesquisa.
Nota: PG: preço da gasolina C; QG: vendas de gasolina C; PA: preço do álcool hidratado; Z: vendas de automóveis e comerciais leves no atacado; Y: índice de base fixa mensal sem ajuste sazonal da produção física industrial; interação entre preço da gasolina C e vendas de automóveis e comerciais leves no atacado; W1: preço do álcool anidro e, W2: preço da gasolina A.
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4 - RESULTADOS E DISCUSSÃO
Neste capítulo são apresentados os resultados e a discussão originários dos objetivos propostos no presente trabalho. Primeiramente, realizou-se a análise da delimitação do mercado relevante dos combustíveis líquidos, gasolina C e álcool hidratado, que são utilizados especialmente no abastecimento de veículos leves. Para tanto, além da estimação das elasticidades-preço da demanda e cruzada28, foram utilizadas técnicas de cointegração, a estimação da decomposição da variância e testes de causalidade de Granger entre as séries de preços.
Apesar de a presente pesquisa enfocar a identificação do grau de poder de mercado das distribuidoras de gasolina C, avaliou-se a possibilidade de substituição entre os dois combustíveis líquidos, gasolina C e álcool hidratado. O elevado grau de substitubilidade entre os produtos pode limitar, de certo modo, o exercício de poder de mercado. Por outro lado, a elasticidade-preço direta é relevante para a determinação da capacidade de exercício de poder de mercado, pois, quanto mais inelástica ela for, maior a capacidade de elevação de preços. Portanto, espera-se que possivelmente, os resultados encontrados a partir das estimativas das elasticidades possam dar subsídios as discussões posteriores a respeito do parâmetro de conduta estimado no segmento de distribuição de gasolina C.
Na seqüência, utilizou-se o modelo desenvolvido por Bresnahan (1982) para identificar o grau de poder de mercado existente no segmento de distribuição de gasolina C. Tal abordagem permitiu obter estimativas do parâmetro de conduta médio de curto prazo. O grau de competição do setor foi avaliado também a partir de um
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Tais elasticidades somente puderam ser obtidas nas próximas seções, a partir da estimação dos modelos estáticos e dinâmicos estimados.
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modelo dinâmico baseado no trabalho de Hjalmarsson (2000). A abordagem dinâmica permitiu a identificação do parâmetro comportamental sob uma perspectiva de longo prazo. Por último, mensurou-se os impactos do grau de poder de mercado vigente sobre o bem-estar social. É importante mencionar previamente que as estimativas relacionadas às elasticidades, em geral, referem-se aos impactos do segmento de distribuição, que representa a penúltima etapa da comercialização de combustíveis sobre o mercado consumidor.
4.1. Delimitação do mercado relevante dos combustíveis líquidos, gasolina C e