ŞİHÂB’ÜL AHBÂR HADÎSLERİ
KONUŞMA-SOHBET
Nesta seção, apresentaremos os elementos da infraestrutura textual, isto é, os elementos do plano global do texto, dos tipos de discursos, das sequências global e local convencionais que eventualmente o organiza. Além disso, estão incluídos nesse nível os mecanismos de textualização, que possibilitam a coerência entre os diversos segmentos que constituem o texto (coesão e conexão). É importante esclarecer que partimos de uma abordagem que considera que a organização de um texto e as escolhas lexicais estão estreitamente ligadas ao contexto de produção e ao gênero em questão, de acordo com as formações sociodiscursivas do enunciador, o que significa que não partimos de uma abordagem estrutural que levaria em conta apenas os elementos linguísticos, sem considerar o
contexto e o gênero. De acordo com essa visão, apresentamos os elementos que constituem a organização dos textos.
Em primeiro lugar, a infraestrutura textual, que é constituída, primeiramente, pelo plano geral que se refere à organização do conjunto do conteúdo temático. Por exemplo, o plano geral de uma dissertação de mestrado ou uma tese, geralmente, é constituído por: introdução, pressupostos teóricos, metodologia, resultados das análises e conclusões. Cada uma dessas partes tem seus conteúdos e objetivos específicos (MACHADO, 2003). O trabalho da análise do plano global não termina com a identificação dos temas, mas é necessário um trabalho posterior para interpretar o conjunto dos resultados identificados. Em relação ao agir, o plano global pode permitir uma primeira identificação dos tipos principais de agir que são organizados por esse plano, as fases da tarefa tematizada no texto ou, ainda, os principais actantes postos à cena do texto. Por exemplo, foi a identificação do plano global que possibilitou observar, em textos prescritivos de instâncias governamentais, três tipos de agir que aparecem sucessivamente no texto: agir prescrito, agir anterior ao prescritivo e um agir posterior ao prescritivo (MACHADO; BRONCKART, 2009, p. 56).
Em segundo lugar, os tipos de discurso, originários dos mundos discursivos mencionados na seção anterior, podem ser compreendidos como modos fundamentais de estruturação linguística que se combinam nos textos (CHARAUDEAU; MAINGUENEAU, 2008, p. 468), sendo constituídos, em princípio (com poucas exceções), por segmentos diferentes, independente do gênero a que pertença. Por exemplo, uma dissertação de mestrado pode ser constituída por um segmento principal que expõe a teoria do autor e por segmentos intercalados que relatam a cronologia da constituição das teorias concorrentes. É no nível desses segmentos que podemos identificar configurações de unidades linguísticas específicas (subconjuntos de tempos verbais, pronomes, advérbios etc.) que constituem o nível superficial dos tipos de discurso, relacionado às categorias de pessoa, espaço e tempo.
Para compreender os tipos de discurso propostos, faremos referência, sobretudo, a Fourcade e Bronckart (2007) e a Bronckart (1999) e ao que foi discutido na seção anterior, quando necessário. Relacionadas aos mundos discursivos mencionados, esse autor propõe as quatro categorias: implicação, autonomia, disjunção, conjunção, resultantes das diferentes possibilidades do enunciador de estabelecer relações com os valores dos três espaços que constituem o contexto – pessoa, espaço, tempo - como veremos.
Em todo ato de enunciação, há um enunciador e um co-enunciador (real ou imaginado) que são situados em um tempo e espaço específicos, inseridos em um contexto sociossubjetivo (lugar social; enunciador/co-enunciador e seus papéis sociais; objetivo), discutido anteriormente. Esse enunciador se apropria da língua a partir do conteúdo temático (ou referente), que pode ser definido como o conjunto de informações que são explicitamente apresentado no texto. São essas informações, semiotizadas, que organizam o texto em um mundo discursivo, criado pela atividade de linguagem (BROCKART, 1999, p. 97). O enunciador, ao mobilizar esses conhecimentos, pode construir o mundo discursivo como distantes ou coincidentes ao mundo ordinário, ou seja, da ação de linguagem em curso. No primeiro caso, quando há distância, as representações mobilizadas como conteúdo referem-se a fatos passados (ordem da história de Benveniste), futuros ou puramente imaginários, sendo que sua organização deve ancorar-se em uma origem espaço-temporal que especifica a disjunção esperada. Nesse caso, os fatos organizados a partir dessa ancoragem são então narrados, pertencentes ao mundo da ordem do narrar (BRONCKART, 1999, p. 153). Essa distância é marcada pelo sistema de tempos verbais e refere-se ao eixo da disjunção (separação) ao mundo ordinário. Quando o enunciador cria um mundo discursivo havendo concomitância temporal ou coincidência em relação aos conteúdos com o mundo da interação em curso, o autor denomina mundo da ordem do expor, referindo-se ao eixo da conjunção.
Em relação ao eixo do mundo da ordem do expor, o enunciador pode criar um mundo discursivo em que os parâmetros do contexto de produção (enunciador, co-enunciador, tempo e espaço) estejam diretamente implicados, contendo marcas da situação de ação de linguagem com a presença de determinados elementos linguísticos, por exemplo, a presença de dêiticos pessoais (eu, você, nós, a gente etc.), dêiticos temporais (hoje, amanhã, ontem, na semana passada etc.) e dêiticos espaciais (lá, ali, aqui, perto etc.). Nesse sentido, Bronckart (1999) propõe o tipo de discurso discurso interativo, como no exemplo a seguir.
99C.: os temas né que estão aí dentro daquele congresso... ver aonde você vai encaixar ali eu não lembro isso eu já li mas eu não lembro como o prazo
é até dia 15 de novembro eu vou fazer isso quando eu voltar dia 2 dia 3 eu
já estou aqui... (Instrução ao sósia, Unicamp, 29/out./08)
Nesse exemplo, observamos presença de elementos dêiticos temporais que remetem à situação de produção. Esse texto, oriundo de nossa geração de dados, foi produzido no dia 29 de outubro de 2008, assim, de acordo com o contexto, os dias 02 e 03 referem-se a novembro de 2008, marcas essas que remetem à situação de produção, implicando o enunciador no
texto. Ao lado desses dêiticos temporais, há os pessoais eu e você (e a desinência pessoal dos verbos), indicando que o enunciador implica no texto. Por sua vez, os tempos verbais (presente, futuro perifrástico, imperativo) colocam o conteúdo do texto como concominantes ou conjunto ao momento de produção. Esse conjunto de elementos, referentes ao eixo implicação/conjunção, dá origem a um segmento de discurso interativo.
Quando não há a presença elementos dêiticos (pessoal, temporal e espacial), mas o conteúdo é colocado como conjunto ao momento de produção a partir dos sistemas verbais, temos o caso do discurso teórico, como no exemplo a seguir.
106M.: Tem o caso daquele que tem consciência, e procura ajuda e...e se
esforça e supera. Quem se empenha acaba superando. E tem o caso, quer
dizer, também tem o caso daquele que se empenha mas ele tem um limite. Então, ele não consegue. Aí esses não conseguem terminar. (Instrução ao sósia, USP, 20/ago./08)
Nesse exemplo, por um lado, não observamos marcas que remetem ao contexto de produção do texto, indicando, por isso, um segmento autônomo em relação à situação de produção; por outro, o tempo verbal no presente genérico indica que os conteúdos são colocados como conjuntos ao momento de produção. A ausência de marcas que remetem ao contexto de produção, aliada aos tempos verbais que colocam o conteúdo concominante ao momento de produção, origina o tipo de discurso discurso teórico, pertencente ao eixo autonomia/conjunção.
Quando não há concomitância ou coincidência dos conteúdos com a interação em curso, temos o caso do mundo discursivo da ordem do narrar (narração, para Benveniste, 1989). Da mesma forma, o enunciador pode se remeter, ou não, à situação de produção a partir de elementos dêiticos (pessoal, temporal e espacial). No exemplo, a seguir, temos um caso de segmento do mundo da ordem do narrar.
146C.: [GEL26] foi aqui no IEL27 é na Unicamp... dois mil e cinco foi em....
São Carlos... em dois mil e quatro foi um drama porque foi a novidade nunca tinha sido informatizado sempre era no papel daí nós mudamos em dois mil e quatro nós informatizamos... (Instrução ao sósia, Unicamp, 29/out./08)
Nesse exemplo, observamos a presença de elementos dêiticos pessoal (nós; desinência verbal em mudamos), espacial (aqui), que remetem à situação de produção, havendo a
26 Grupo de Estudos Linguísticos do Estado de São Paulo. 27 Instituto de Estudos da Linguagem.
implicação do enunciador no texto. Ao lado dessas marcas, observamos tempos verbais que colocam os fatos narrados como distantes temporalmente (ou disjuntos) do momento de produção (pretérito perfeito e imperfeito). O conjunto desses elementos, pertencentes ao eixo implicação/disjunção, constitui um segmento de tipo de discurso relato interativo.
Por sua vez, quando não há coincidência dos conteúdos com a interação em curso e o enunciador não se remete à situação de produção, o mundo discursivo construído pertence ao eixo autonomia/disjunção, originando o tipo de discurso narração, como no exemplo a seguir, extraído de Bronckart (1999, p. 163)
Um dia, um mágico inventou uma máquina de fabricar cometas. Ela se parecia um pouquinho com a máquina de cortar caldo, mas, ao mesmo tempo, era diferente e servia para fazer todas as espécies de cometa à escolha [...].
Nesse segmento, extraído de um romance, não há marcas (pessoal, temporal, espacial) que remetem à situação de produção, o que mostra um segmento autônomo (independente da) em relação ao ato de produção e, ao mesmo tempo, a referência textual remete para um tempo passado (tempos verbais no pretérito, por exemplo), disjunto do momento de produção. O conjunto desses elementos constitui um segmento de tipo de discurso narração.
Esses tipos de discursos podem ser identificados com base em suas características linguísticas específicas (tempos verbais, pronomes, advérbios etc.), sendo que sua identificação possibilita detectar as figuras de ação, tais como propostas por Bulea (2007), relacionadas às representações construídas pelo trabalhador sobre suas atividades, como veremos mais adiante (MACHADO; BRONCKART, 2009, p. 56).
No interior do plano global do texto podem aparecer as sequências, conceito esse formulado por Adam (1992), em virtude das variações das tipologias de texto surgidas com as gramáticas de texto. Retomando e reformulando criticamente o conceito cognitivo de sequências proposto por Adam (1992), Bronckart (1999, p. 217) considera que elas seriam uma das formas de planificar o conteúdo, tendo outras formas possíveis (esquematizações e
scripts28). O autor distingue seis tipos de sequências: narrativas, explicativas, argumentativas,
28 Para Bronckart (1999, p. 238), os scripts pertencem ao mundo da ordem do narrar quando os acontecimentos e/ou ações constitutivos da história são apenas dispostos em ordem cronológica, sem que a organização linear registre qualquer processo de tensão, como ocorre nas sequências narrativas. Eles são considerados o grau zero da planificação dos segmentos do mundo da ordem do narrar. As esquematizações, por sua vez, são organizadas não em uma sequência convencional, mas se realiza em outras formas de esquematizações constitutivas das lógica natural (definição, enumeração, enunciado de regras etc.), podendo ser consideradas o grau zero da planificação dos segmentos do mundo da ordem do expor.
descritivas, injuntivas, dialogal.29 No nível semântico-pragmático, as sequências constituem as formas canônicas de o produtor construir o mundo discursivo, narrando-o, descrevendo-o etc. de acordo com as suas representações sobre o contexto de produção. Nesse sentido, seu estatuto é fundamentalmente dialógico. Em relação ao nível morfossintático, elas se constituem em um número n de fases, geralmente marcada por unidades linguísticas típicas de cada uma delas, possibilitando a sua identificação (MACHADO, 2005). A organização dos conteúdos em forma de sequências, ou outras formas, está relacionada à experiência sócio- histórica do enunciador, inserido em uma determinada formação sociodiscursiva, o que possibilita a utilização das sequências, visando às representações dos efeitos pretendidos.
A Tabela 4.1, a seguir, de Machado (2005), possibilita observamos as relações entre as sequências, as representações dos efeitos pretendidos e as suas fases correspondentes.
29 Para maiores detalhes sobre os tipos de sequências e as outras formas de planificação, indicamos Bronckart (1999) e Machado (2005).
TABELA 4.1 – Sequências, representações dos efeitos pretendidos e fases correspondentes Sequências Representações dos efeitos pretendidos Fases
Descritiva Fazer o destinatário ver em detalhe elementos de um objeto de discurso, conforme a orientação dada a seu olhar pelo produtor
Ancoragem Aspectualização Relacionamento Reformulação
Explicativa Fazer o destinatário compreender um objeto de discurso, visto pelo produtor como incontestável, mas também como de difícil compreensão para o destinatário
Constatação inicial Problematização Resolução
Conclusão/Avaliação
Argumentativa Convencer o destinatário da validade de posicionamento do produtor diante de um objeto de discurso visto como contestável (pelo produtor e/ou pelo destinatário)
Estabelecimento de: – premissas
– suporte argumentativo – contra-argumentação – conclusão
Narrativa Manter a atenção do destinatário, por meio da construção de suspense, criado pelo estabelecimento de uma tensão e subsequente resolução Apresentação de: - situação inicial - complicação - ações desencadeadas - resolução - situação final Injuntiva Fazer o destinatário agir de um certo modo
ou em uma determinada direção
Enumeração de ações temporalmente subsequentes
Dialogal Fazer o destinatário manter-se na interação proposta
Abertura
Operações Transacionais Fechamento
Fonte: Machado (2005).
No exemplo, a seguir, trazemos um segmento constituído de sequência injuntiva, que tem como característica a enumeração de ações temporalmente subsequentes e como efeito pretendido fazer o destinatário agir de um determinado modo, como em um manual de instrução ou numa instrução ao sósia, como no trecho a seguir.
224C.:30 posso eu estar interpretando de um jeito... 225P.: daí você vai e...
226C.: eu vou...
227P.: vai estar relendo para confirmar...
228C.: você levanta vai na estante procura o livro se você tem se você não tem você tem que... deixar para ler outra hora você marca eu marco em algum lugar que vou ter que procurar aquele material depois para reler conferir né?
229P.: procurar o livro
230C.: procurar o livro e conferir (Instrução ao sósia, Unicamp, 29/out./2008)
Nesse exemplo, sobretudo, em 228C, observamos que o enunciador orienta o co- enunciador a agir de um determinado modo, nesse caso, sendo empregado o imperativo (vai, procura).
Um texto pode ser organizado tanto em sequência textual local quanto global. Se o texto for organizado em uma sequência textual global, é possível identificar as representações construídas pelo produtor sobre os objetivos de sua ação de linguagem (convencer, dirigir o olhar etc.); suas representações em relação ao objeto temático (como sendo, por exemplo, de difícil compreensão pelo co-enunciador), sobre as capacidades de compreensão e sobre a posição do enunciador em relação ao objeto tematizado, que pode ser igual ou diferente da do produtor. Assim, tal análise já pode trazer informações, mesmo que parciais, sobre a figura do professor que é construída no e pelo texto e sobre aspectos de seu trabalho (MACHADO; BRONCKART, 2009). Como exemplo, pesquisas revelam (MACHADO; CRISTÓVÃO, 2005) que textos produzidos por instâncias governamentais para orientar o ensino brasileiro não apresentam uma organização global injuntiva, ocultando, assim, seu caráter prescritivo. Isso indica que a presença ou a ausência de um tipo de sequência pode revelar representações sobre o agir construídas nos e pelos textos, tendo que ser interpretado pelo pesquisador ou analista.
Finalizada a apresentação dos tipos de sequências, abordaremos os mecanismos de textualização (conexão e coesão),31 que permitem a coerência entre os diversos segmentos do texto, tornando explícitas as grandes articulações hierárquicas, lógicas, temporais e espaciais. A seguir, trataremos desses mecanismos – de conexão, de coesão nominal e de coesão verbal, respectivamente.
30 C refere-se à participante de pesquisa (nome fictício, Clara) e P, à pesquisadora.
31 Esses mecanismos já foram muitos explorados por linguistas, por exemplo, Berrendonner e Reichler-Bégulin, (1989), Charolles (1988), Halliday e Hasan (1976), entre outros. Em relação aos estudos de linguistas brasileiros, podemos citar a célebre obra de Koch (1984, 1989, 1997). Para maiores estudos sobre esses complexos mecanismos, indicamos Bronckart (1999) ou um desses autores citados.
Os mecanismos de conexão contribuem para marcar as articulações da progressão temática por meio de organizadores textuais temporais (durante, depois, antes que etc.); espaciais: (aqui, neste lugar etc.) e os organizadores argumentativos (logo, portanto, porque).32Por exemplo, “Depois que a aula começou, o professor começou a discutir o texto”. Nesse exemplo, o elemento de conexão temporal depois indica uma fase da aula.
Em relação aos mecanismos de conexão, eles desempenham um papel fundamental na distinção dos planos dos textos, das fases das sequências e dos tipos de discurso. Além dessa função comum a todos eles, há também outras funções mais específicas. Por exemplo, os organizadores temporais podem assinalar as fases temporais de uma determinada tarefa. Já os organizadores argumentativos (logo, portanto, porque) associam as funções de segmentação, de responsabilização enunciativa e de orientação argumentativa. Quando se trata dessas duas últimas propriedades, os organizadores concessivos (embora, entretanto etc.), por exemplo, permitem a identificação de argumentos oriundos de outras vozes e o grau de oposição que elas mantêm com a voz do autor do texto, o que revela representações diferentes sobre o mesmo agir. Em relação às categorias da semântica do agir, como veremos mais adiante, alguns organizadores como porque, em razão disso etc. constituem como introdução de razões atribuídas ao agir (determinações externas ou motivos particulares). Outros organizadores, como para, para que, a fim de que etc. também funcionam como índices das finalidades ou dos objetivos do agir. A seguir, trataremos dos mecanismos de coesão nominal.
Em relação aos mecanismos de coesão nominal, eles têm a função de introduzir novos temas ou personagens e de assegurar a sua retomada ou sua substituição no desenvolvimento do texto. Por exemplo, “O pesquisador teria que produzir um resumo para o congresso. Além disso, o professor teria que preparar as aulas para o dia seguinte.” Nesse caso, o vocábulo
professor retoma pesquisador. Os mecanismos de coesão nominal podem permitir a identificação de actantes postos em cena pelo texto e do modo como vão sendo construídas as representações sobre o desenvolvimento da progressão temática. Na verdade, esses mecanismos não são neutros em relação à construção das representações, pois a repetição de uma mesma unidade lexical, seu apagamento ou sua substituição por um sinônimo não tem o mesmo valor. Pesquisadores do grupo Alter têm revelado, por exemplo, que nos textos produzidos pelas instâncias governamentais a retomada do lexema “professor” pode ter um valor diferente, designando o professor-destinatário ou diferentes grupos de professores de
32 Ver a distinção entre organizadores textuais, propriamente dito, e organizadores argumentativos em Adam (2006).
modo generalizado (MACHADO; BRONCKART, 2009, p. 57; BUENO, 2006). A seguir, abordaremos os mecanismos de coesão verbal.
Os mecanismos de coesão verbal asseguram a organização temporal ou hierárquica dos estados, acontecimentos, ações ou outras espécies de relações expressas pelo verbo realizadas, essencialmente, pelos tempos verbais. Por exemplo, “Na próxima semana, os alunos entregarão um trabalho sobre linguística estrutural”. O verbo entregar denota um processo posterior ao momento de produção. Em relação à coesão verbal, ela é fundamental para distinguir os tipos de discurso que, por sua vez, contribui para a identificação das figuras de ação (BULEA, 2006, 2007), que abordaremos mais adiante.
Finalizada a exposição do plano global, dos tipos de discursos, das sequências e dos mecanismos de textualização referentes ao nível organizacional, passaremos para a apresentação dos elementos do nível enunciativo.