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2.3.1 Uluslararası İlişkiler Kuramlarının/Yaklaşımlarının Değişime Bakışı

2.3.2. Dış Politika Değişimi Modeller

2.3.2.1. Kontrol Listesi Modeller

A região do Alto rio Negro é considerada como uma grande área cultural, a do noroeste da Amazônia, devido aos intensos intercâmbios entre as etnias

locais e similaridades na vida social e cultural. Compreende cinco Terras Indígenas, homologadas em 1998: TI Médio Rio Negro I, TI Médio Rio Negro II, TI Rio Téa, TI Rio Apapóris, TI Alto Rio Negro. Ao todo, elas abrangem um território de 106.103 km2 de extensão, e uma Terra Indígena homologada no dia do índio, 19 de abril do ano de 2013, TI Cué-Cué Marabitanas, em São Gabriel da Cachoeira, com 808,6 mil hectares e uma população de mais de 1,8 mil pessoas.

Na região vivem 23 etnias, falantes de aproximadamente 22 línguas pertencentes a quatro famílias linguísticas, Tukano Oriental, Arawak, Maku e Tupi.

Segundo Dutra (2010) antropólogo e indígena Tuyuka, a origem dos povos do Alto rio Negro tem início na Canoa de Emergência que veio do outro lado do oceano trazendo grupos humanos que seriam criados e povoariam este continente. A canoa foi conduzida por quatro irmãos que seriam seres espirituais. Cada um dos quatro irmãos foi criado para assumir uma função: Pamuli Pino era o chefe responsável pela criação dos humanos e povoamento, Ahsipoa Nehku foi escolhido para criar os povos indígenas das regiões andinas, Yalebo, o terceiro irmão, foi escolhido para criar e espalhar os alimentos em várias regiões da Amazônia, e Muipuli Pino, o irmão caçula, foi escolhido para ser o pajé dos rituais de habitação e fertilidade. A canoa ao chegar neste continente atracou no litoral paulista, onde segundo os pajés do Uaupés está localizada a primeira Casa de Emergência. Suniã Palami tentou passar sozinho por essa Casa de Emergência sem pedir ajuda a seu avô (o mais forte). Perdeu nessa tentativa de passagem, três grupos humanos que se transformaram em seres sobrenaturais, espíritos da terra e espíritos do mundo aquático. Esses espíritos agora tem raiva dos humanos e são os causadores das doenças. Os indígenas do Uaupés emergiram na Casa de Emergencia Ohkó Diawi, foram dividos para eles as línguas, rituais de pajelança, divisão e distribuição de ipadu (Erytroxylum coca Lam) tabaco (Nicotiana tabacum L.) e o kahpi (Banisteriopsis caapi (Spruce ex Griseb.) Morton) e do ritual de jurupari. A origem dos povos do Uaupés é única, todos vieram da mesma casa de Emergência.

Segundo Meira (2006) a presença desses grupos na região data de provavelmente dois mil anos.

Na época pré-hispânica, entre a região do Noroeste da Amazônia e as Antilhas, existia uma „esfera de interação‟ que articulava os principais grupos da região. Nesses sistemas de interdependência regional, os grupos se vinculavam através de diversos mecanismos articuladores (o comércio, os pactos políticos, as guerras, o intercâmbio

generalizado de matérias primas e elaboradas, pessoas, informação, conhecimentos e serviços). Esses mecanismos variam tanto espacial quanto temporalmente, e incluem processos de formalização de alianças (tratados de paz, cerimônias, acordos para a exploração ou alternada de uma área, assentamentos em setores do território de outros grupos indígenas) (ZUCCHI, 2002).

A colonização iniciou-se em meados do século XVII, com os descimentos missionários. Os descimentos - expedições, em princípio pacíficas, ainda que com escolta militar - eram realizados tradicionalmente com a participação de missionários, que tinham o objetivo de convencer as comunidades indígenas a descer de suas aldeias de origem para as aldeias de repartição situadas nas proximidades dos núcleos coloniais. As aldeias de repartição, criadas pelo colonizador, eram núcleos artificiais, onde índios de diferentes línguas e de culturas diversificadas eram estocados para serem alugados e distribuídos - “repartidos”- entre os colonos, os missionários e o serviço real da Coroa Portuguesa, em troca de um “salário”. Os índios que aceitavam ser descidos sem oferecer resistência armada recebiam também, na documentação oficial, a denominação de “livres” - para distingui-los dos escravos - embora fossem obrigados a fornecer um trabalho compulsório durante seis meses do ano (FREIRE, 2003). Os aldeamentos funcionavam como forma eficaz de anular as diferenças étnicas e linguísticas dos índios resgatados, uma vez que eram agrupados sem distinção tribal (BORGES, 1996). Esse fato desencadeou uma queda demográfica brutal e o deslocamento de parte da população para jusante do rio Negro. No final da década de 1740, cerca de vinte mil habitantes do alto Rio Negro foram forçados a descer o rio. Provavelmente foi a época em que a região sofreu as suas maiores baixas demográficas. Em 1747, a Coroa ordenou a retirada das tropas do Rio Negro que perdurou extraoficialmente até pelo menos a década de 1750 (WRIGHT, 2003).

Com o término do período de escravidão e dos descimentos, no final do século XVIII, aliviaram-se tais conflitos e pressões entre os povos Arawak e Tukanos, e assim os povos Arawak ou voltaram para áreas rio abaixo ou foram “tukanizados” (WRIGHT, 2003).

Durante grande parte do começo do século XIX, o Alto rio Negro permaneceu como uma fonte de mão de obra, produtos da floresta e matérias-primas para o sustento dos povoados coloniais. No começo dos anos de 1850, o recém-formado governo provincial em Manaus instituiu um programa para a “civilização e catequização” dos índios do vale do Alto rio Negro. O governo restabeleceu o sistema de Diretórios de

Índios, aumentou o número de missionários e instituiu um programa de mão-de-obra para “serviço público”, em que se esperava que chefes reconhecidos pelo governo enviassem a Manaus trabalhadores e crianças, a quem poderiam ser ensinadas as artes da “civilização” (WRIGHT, 2003).

Esses deslocamentos perduraram até recentemente, nos anos 1970 - 1980, com os patrões do extrativismo que arregimentavam os índios para a exploração dos produtos florestais mais a jusante. As migrações forçadas acabaram, mas uma intensa mobilidade entre o Alto e o Médio rio Negro permanece. Assim, famílias indígenas se deslocam da região do Alto rio Negro para reencontrar os parentes instalados a jusante há vários anos. Movimentos contrários, de jusante a montante, ocorrem também (ANDRELLO, 2006).

Desde 1980, outro movimento de confluência rumo às cidades também é observado. Após o ensino fundamental que é assegurado nos povoados, os pais se encontram na obrigação de enviar seus filhos a casa de parentes residentes na cidade ou de se instalarem na cidade para que possam seguir os estudos. O fator escolar se sobrepõe a outros, levando ao deslocamento do centro de gravidade da família da floresta para a cidade (ANDRELLO, 2006).

Esse movimento pode ser observado ainda hoje, promovendo o inchaço da cidade e as mazelas associadas a vida na cidade.

Os povos de língua Tukano e Aruak integram um sistema regional de trocas matrimoniais e de bens materiais. Entre esses grupos vigora a regra de exogamia matrimonial e o princípio de descendência patrilinear. Idealmente, o grupo local é composto por homens pertencentes a um mesmo clã (referidos na literatura como sibs) e suas esposas „estrangeiras‟ (ANDRELLO, 2006). Essa regra de exogamia matrimonial já apresenta exceções, durante a pesquisa ouvimos os participantes afirmarem que essa regra esta mudando e que agora os casamentos têm acontecido também entre indivíduos da mesma etnia.

Nas comunidades ribeirinhas, a economia de subsistência é baseada principalmente nas atividades de agricultura de corte e queima, na cultura da mandioca brava, de pesca e de produção artesanal, com uma divisão tradicional do trabalho produtivo por sexo (LASMAR, 2005). A produção agrícola confere às mulheres um papel de extrema relevância no sistema comunitário. Pode-se dizer que a identidade feminina está estreitamente associada à agricultura (HUGH-JONES, 1979; LASMAR, 2005).

Os povos Tukano, dezessete grupos diferentes (Tukano, Desana,

Uanano, Tuyuka, Cubeo, Tatuyo, Barasana, Bará, Karapana, Yurití, Arapaço, Yepá-masa, Piratapuio, Siriano, Mirití-tapuyo, Yahuna, Makuna) habitam a área de escoamento do rio

Uaupés e seus afluentes, os rios Tiquié, Papuri, Querari e Cuduiari no Brasil e Colômbia, e a região do Pira-paraná na Colômbia. Organizam-se em várias fratrias (linhagens sociais dentro do grupo étnico) patrilineares exogâmicas, cada uma consistindo de cinco ou mais patrisibs (WRIGHT, 2003). Os sibs são subdivisões das fratrias, em unidades patrilineares (patrisibs).

Os Tukano diferenciam dois tipos de xamãs – os xamãs propriamente ditos e os rezadores, ou “sacerdotes” (kumua, kubu) com base em treinamento, atividades de cura, atributos, tarefas, e posição social. Enquanto os “sacerdotes” Tukano têm uma posição relativamente superior na comunidade e ocupam a sua posição devido a atributos herdados, eles, potencialmente, conflitam com a posição mais democrática dos xamãs, que conseguem seu poder devido a habilidades reconhecidas. No caso dos Tukano Orientais, o impacto de um século de repressão dos missionários Franciscanos e Salesianos acabou destruindo o xamanismo e apropriando-se da tradição profética com seus símbolos católicos – a cruz especialmente (WRIGHT, 2003).

Os habitantes não indígenas, moradores da cidade, são de origem variada: descendentes de comerciantes que vieram no século XIX de Portugal ou da Espanha para a exploração de produtos florestais, missionários, ex-garimpeiros da onda de garimpo dos anos 90, indivíduos em busca de oportunidades (EMPERAIRE et al., 2008) os dois últimos originários predominantemente do Estado do Ceará, e militares de diferentes batalhões, instalados em São Gabriel, e nos pelotões da fronteira.

É uma área de fronteira e militarizada. No município estão as seguintes organizações militares das Forças Armadas: 2ª Brigada de Infantaria de Selva; Comando de Fronteira rio Negro e 5º Batalhão de Infantaria de Selva; 21ª Companhia de Engenharia de Construção; Destacamento do Controle do Espaço Aéreo de São Gabriel da Cachoeira; Destacamento de Aeronáutica de São Gabriel da Cachoeira; Destacamento da COMARA; Destacamento da Capitania dos Portos da Amazônia Ocidental, fazendo com que a quantidade de militares e seus dependentes no município seja grande e geralmente temporária, entre 1 a 3 anos. Há previsão do deslocamento de mais organizações militares para esta área.

São Gabriel da Cachoeira possui legislação municipal, expressa nas Leis nº 145 de dezembro de 2002 e nº 210 de outubro de 2006, da Câmara dos Vereadores do Município de São Gabriel da Cachoeira, que cooficializa e regulamenta as línguas tukano, nheengatu e baniwa, atribuindo-lhes estatuto de uso obrigatório no sistema educacional, na mídia e no atendimento público aos cidadãos.

Figura 12 - Presença militar na região, a maioria dos soldados são indígenas. Fonte: C.W.KFFURI (2013).

Cinco fatores são norteadores desta pesquisa: 1) a procura de novos medicamentos devido à resistência apresentada pelos medicamentos existentes 2) a alta incidência de malária em 3) uma região cultural sui generis onde 4) a flora é praticamente desconhecida pela ciência e onde 5) ainda não foram realizados trabalhos etnobotânicos sobre plantas antimaláricas.

2. OBJETIVOS