3. YÖNTEM
4.2. Kontrol Grubu Öğrenci Resimleri Değerlendirmeleri
Um conceito importante para Alberti – e que remete também à abordagem sempre integradora que queremos ressaltar no fenômeno Arquitetura – é o de que as três dimensões estão intrinsecamente ligadas entre si, conforme apontamos acima. Essa ligação se dá, para o arquiteto italiano, através do lineamentis29, o qual, por sua vez, dá origem à concinnitas30:
O lineamentis é a ordem que a Arquitetura impõe ao espaço natural para criar o lugar do homem, a Arquitetura. Não é apenas uma ordem de composição, pois não trata apenas do estabelecimento de relações visuais, mas da articulação do espaço de forma a que ele possa integrar o uso, a matéria, a beleza, portanto o significado, em um todo coeso31.
A abordagem pela tríade permite-nos perceber que as suas três dimensões são inseparáveis do fenômeno da Arquitetura e estão reunidas pela ordem que impomos ao espaço. É essa a resposta que Bruno Zevi dá às questões que levanta sobre a beleza no uso:
Porque nas três classes fundamentais em que se dividem as interpretações do nascimento e da realidade da Arquitetura [função, técnica e plástica, novamente utilitas, firmitas e venustas], existe um elemento comum que condiciona e determina a sua validade: o reconhecimento de que, na Arquitetura, o que dirige e vale é o espaço [a articulação espacial, acrescentamos nós]. (ZEVI, 1978, p. 135) .
28 Segundo NORBERG-SCHULZ, 1984, o relacionamento do homem com a paisagem é o ponto de partida para
os assentamentos humanos.
29 “Tal linguagem do organismo é definida na Arquitetura pelo lineamentis, pelo projeto, e não pela materia e
pela structura. O lineamentis é a composição das linhas e ângulos que definem os aspectos do edifício, desde a sua concepção até a disposição conveniente e apropriada das partes, de modo tal que toda a construção permaneça submetida ao plano do arquiteto, define Alberti. Concebido na mente (ab ingenio), ele se aplica à materia (ab natura) para dota-la de um caráter intelectual, sendo o responsável por construir a forma da totalidade orgânica na qual se resolvam as exigências da firmitas, da commoditas e da venustas, colocadas para organizar tanto a arquitetura como o texto do De Re Aedificatoria. Por isso, nele se concentra a função da Arquitetura decantar a materia para tornar visível, através dela, o espírito e a unidade. “Como o velum na Pintura e a dimensio na Escultura, o lineamentis mutila a realidade a fim de poder controlá-la, conciliá-la com as três dimensões da tríade vitruviana.” (BRANDÃO, 2002, p. 185).
30 “A concinnitas, diz Alberti, é ‘uma qualidade resultante da conexão e da união de todos esses elementos: nela
resplende, maravilhosamente, todas as formas de beleza’. Sem ela morre o todo e em conseqüência desmembram-se as partes.” (BRANDÃO, 2002, p. 187).
31 Até porque para Alberti o belo na arquitetura estava ligado à sua justeza aos requisitos humanos (BRANDÃO,
Assim, para se expressar, a Arquitetura necessita de uma ordem imposta ao lugar natural que articula os novos espaços e lhes confere significado.
___________________________________________________________________________ APONTAMENTO 3.15: O reconhecimento dessa ordem permite que a intervenção no patrimônio se dê de forma mais respeitosa à arquitetura pré-existente. As intervenções que buscam respeitar a ordem lançada e não negá-la, conseguem estabelecer um diálogo mais profícuo entre os tempos da obra. A ordem arquitetural submete os seus diversos elementos componentes a uma hierarquia de percepção (dada à nossa “construção” da percepção, tendemos a perceber em primeiro lugar a ordem geral e depois seus componentes, do geral para o particular). Assim, alterar a ordem significa uma modificação mais profunda no espaço do que a manutenção dessa ordem geral e a alteração de um de seus componentes, hierarquicamente submetidos. Essa maneira de entender abre uma possibilidade importante no restauro, o qual pode se estabelecer a partir da conciliação da manutenção da ordem geral com novo uso necessário.
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É certo que muitas vezes na história da Arquitetura essa “ordem” foi confundida ou reduzida à estrutura geométrica da forma, quase como mero princípio de composição, mas mesmo nesses momentos, entendemos que a geometria euclidiana ou era ela própria uma necessidade expressiva de época ou era apenas a face visível de uma ordem mais profunda. Tomemos alguns casos para exame dessa assertiva. Na Arquitetura egípcia, a geometria era a base da técnica das medições e, portanto, transparece no resultado formal: o que compreendemos nesse caso, é que a geometria era a própria maneira do homem manipular o mundo, dada a limitação instrumental, e não a base exclusiva da imposição de uma ordem. Nos templos gregos antigos submetidos ao exercício da proporção áurea, devemos lembrar o seu caráter escultórico e simbólico mais do que de geração de espaço interior, além, é claro, da importância que o pensamento grego atribuía à matemática. Na Renascença, havia a necessidade de uma ordem matemática, de uma técnica como resultado da ação humana. Ao se instalar sobre uma estrutura compositiva formada por direções e lugares, eixos e caminhos, regiões e fechamentos, sobre uma marca física no mundo, o edifício apresenta uma estrutura ordenadora que não deve ser confundida com uma mera geometria de base exclusivamente euclidiana. Estamos falando de uma geometria que responde ao modo próprio do ser, portanto de base existencial.
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A) B
C D
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Ao refletir sobre a obra de Louis Kahn sob a chave do pensamento heideggeriano, Christian Norberg-Schulz propõe três componentes para a estruturação da obra arquitetônica (NORBERG-SCHULZ, 1981, p. 20-22) que compõem uma geometria não-euclidiana da ordem arquitetônica:
• A Topologia: se refere à organização relativa dos “lugares” no espaço e à relação entre eles. Diz respeito aos lugares e caminhos, fundamentos básicos da Arquitetura. A topologia também condensa os significados referentes à resposta existencial que temos das posições relativas dos lugares: mais sagrado se em posição superior, misterioso se
FIGURA 3.11: Exemplos de Ordem arquiteturais baseadas em uma estrutura formal.
A) A arquitetura de Alvar Aalto, correspondendo direções e diferentes formas a diferentes apropriações espaciais (Fonte: BAKER, 1998)
B) A posição sagrada e sempre referente do templo nos percursos dentro da Igreja- Escola em Rochester no projeto do Arq. Louis Kahn (croquis do arquiteto)
C) As várias relações com os diferentes aspectos da situação urbana de Stuttgart no Museu de James Stirling D) A sacralização do espaço na Igreja-praça do Arq. Humbero Serpa (croquis do arquiteto)
encravado na terra. A topologia organiza e hierarquiza os lugares, os coloca lado a lado em um eixo, ou organicamente seqüentes.
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• Morfologia: se refere à formalização da Arquitetura, à maneira como os vazios se conformam e ao modo como os envolventes se apresentam. Dá corpo aos elementos de composição arquitetural e transmite o caráter, a qualificação dos edifícios.
FIGURA 3.12: Topologia A) Praça da Liberdade em Belo Horizonte : a composição simétrica, austera, com ponto de fuga central reforça a imponência do espaço cívico (Foto: Marcelo Rosa)
B) As pedras tensionando o espaço no Jardim de Ryoani no Japão
C) A lareira no centro da casa como símbolo do lar, na Robie House do Arq. Frank Lloyd Wright
D) A nave da Igreja: foco no salvador e idéia de percurso (Fonte: BAKER, 1998) E) Os pátios como lugar contrastando com a nova função de circulação proposta pelo Arq. Paulo Mendes da Rocha na reabilitação da Pinacoteca de São Paulo (Fonte: www.vitruvius.com.br )
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___________________________________________________________________________ • Tipologia: se ocupa da maneira como as relações se dão no espaço, como a instituição
humana (que aí se corporifica) se dá. Estimula-se o encontro e a reunião ou o isolamento, se concorre para uma parada rápida ou passagem ou se convida à permanência.
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___________________________________________________________________________ FIGURA 3.13: Morfologia
A) A tranquilidade Zen na Igreja Budista do Arq. Tadao Ando (Fonte: GA)
B) A escada que “se move” no Goetheanum (Arq. Rudolph Steiner), seguindo a idéia de racionalismo transcendente da antroposofia
C) O caráter lúdico da Rainha da Sucata dos arquitetos Éolo Maia e Sílvio Podestá em contraste com os prédios austeros da Praça da liberdade em Belo Horizonte (Foto: Flavio Carsalade)
FIGURA 3.14: Tipologia.
A) Residência em Manno, Suíça (Arq. Mario Botta): A casa que favorece a intimidade e a visada do terreno (desenhos do arquiteto)
B) Sala São Paulo, Arq. Nelson Dupré, São Paulo (Fonte: www.arcoweb.com.br )
C) Musée d’Orsay, Paris/ França. Projeto: arquitetos Colboc, Philippon, Bardon (1986) ( Fonte: www.valibaba.nl )
Novamente aqui é importante lembrar que o processo analítico de separação em três componentes estruturais é meramente didático e operacional, e que eles também se encontram imbricados. Por exemplo, um espaço circular convida a uma centralidade (topologia): se o seu envolvente é translúcido ou opaco, se é liso ou decorado, se ao centro temos um elemento ou um vazio (morfologia), se a atividade que aí se dá se faz em reunião de vários grupos ou de apenas um (tipologia), teremos essa centralidade reforçada ou negada, com vários graus entre estes dois extremos. Outro exemplo: se queremos transmitir uma sensação de paz e tranqüilidade, não basta apenas o espaço ser mais “sossegado” (tipologia), sem muitos caminhos, contrações e dilatações (topologia), sua caixa muraria também não pode ser vibrante ou agressiva com muitas angulações e cores fortes (morfologia).
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___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ APONTAMENTO 3.16: Ao intervir no edifício também intervimos nos seus componentes estruturais como bem mostram os exemplos de mudança de uso acima. . Não é possível intervir em um de seus componentes estruturais sem intervir nos outros. A nova circulação da Pinacoteca de São Paulo cria um movimento de passagem em um pátio que se estrutura como local de permanência e o subdivide em dois, o reboco descascado retira o caráter de esmero e nobreza, substituindo pela textura da opera di mano e pela brutalidade; a profusão formal e a alegria das cores e ornamentos da Rainha da Sucata subvertem o caráter de “austeridade governamental” que a Praça da Liberdade apresenta, embora mantenha uma similaridade quanto aos outros parâmetros arquitetônicos (escala, densidade volumétrica, presença do ornamento, dentre outros); a Sala São Paulo de Concertos cria um foco visual em um espaço que antes não o apresentava, cria uma permanência em um espaço feito para circular. ___________________________________________________________________________
FIGURA 3.15: Goetheanum, Arq. Rudolph Steiner (Fonte: home.earthlink.net ) A) Primeira construção: 1919 (incendiada)