C. Bildirimin Süresi
3. Kontenjan Sözleşmelerinde Tazminat
A divisão de tarefas é uma característica que reflete a própria ideia de planificação, ínsita, em maior ou menor grau, à natureza de qualquer associação delituosa. Segundo nosso ponto de vista, portanto, não é exclusiva das organizações criminosas, embora nestas seja mais evidente. Implica o estabelecimento de funções e papéis bem delimitados, com o objetivo de se atingir o máximo de eficácia nas múltiplas empreitadas delitivas nas quais um grupo pode estar involucrado. Dentre os aspectos que analisaremos a seguir, é o único incluído na definição legal de organização criminosa da Lei 12.850/13.
Sustenta-se que a divisão de tarefas deve servir para distinguir as organizações criminosas de qualquer outro grupo delitivo desorganizado,53 conferindo ordem e
racionalidade à conduta de seus integrantes, os quais “não se reuniram aleatoriamente e possuem afinidades e interesses ilícitos em comum.” (GOMES, 2009, p. 168). A respeito da diferença entre organizações criminosas e "quadrilhas ou bandos" ("associações criminosas", conforme a nova redação do artigo 288, caput, do CP), no tocante à estrutura organizacional, vinculada à divisão de tarefas, Mendroni exemplifica:
Uma quadrilha que reúna quatro ou cinco componentes estabelece que terá como móvel principal a prática de assalto a bancos. Combinam a agência vítima, armam- se, preparam precariamente o plano e executam. Já uma verdadeira organização criminosa com a mesma finalidade teria o cuidado de estudar o esquema de vigilância da agência bancária, perceber os dias de maior movimentação financeira, tentar arrebanhar algum funcionário para atuar como co-autor (sic) – que trará dados mais concretos de locais, segredos de cofres etc., planejar a exata atividade de cada integrante, procurar forma de evitar o sinal de alarme etc. (MENDRONI, 2009, p. 49).
Desse modo, verificam-se atribuições bem definidas, dentro das quais cada membro deve observar as obrigações que lhe são impostas, de acordo com as suas habilidades e recursos, visando sempre ao melhor aproveitamento das atividades do grupo. Nesse sentido, não muito se diferem as organizações criminosas das organizações legais, lícitas (IBÁÑEZ; FRAMIS, 2010, p. 269). A atuação “concertada”, conforme dispõe a Convenção de Palermo,54 mediante a distribuição de tarefas entre os membros, é determinada por dois
fatores principais: a natureza dos negócios nos quais a associação delitiva esteja envolvida e o tipo de estrutura assumida pelo grupo (IBAÑEZ; FRAMIS, 2010, p. 269).
Com relação ao primeiro, cabe destacar que a multiplicidade de atividades possivelmente rentáveis ao crime organizado,55 tais como o tráfico ilícito de entorpecentes, o
tráfico de pessoas e de armas, as diversas formas de extorsão e a própria “lavagem” de dinheiro, exige o envolvimento de várias pessoas ao longo da cadeia delitiva, o que inclusive confere mais visibilidade a essa organização, fazendo-se necessária a distribuição de tarefas
53 Não estamos plenamente de acordo com essa ideia, conforme ainda explicaremos no item 7.1. 54 Remetemos ao item 4.1 deste trabalho.
55 "Le manifestazioni della criminalità organizzata si caratterizzano anche per la pluralità dei settori di
incidenza." (PISANI, 1998, p. 703). "As manifestações da criminalidade organizada se caracterizam também pela pluralidade dos setores de incidência." (Tradução nossa).
entre os agentes criminosos de modo sistemático e racional, atendendo-se às qualificações de cada membro agregado ao grupo. Nesse sentido:
Algunos negocios ilícitos requieren un amplio abanico de funciones propias. En el caso del tráfico de drogas, por ejemplo, van desde el cultivo o la síntesis en laboratorios hasta la venta callejera y en establecimientos de ocio. La venta de vehículos o cualquier otro objeto robado involucra como mínimo a ladrones, falsificadores y vendedores. El tráfico de personas para su explotación sexual o laboral requiere personal capacitado para captar víctimas en los países de origen, trasladarlas y forzarlas a prostituire o trabajar en condiciones indignas en el país de destino. La extorsión requiere extorsionadores; el blanqueo de dinero, profesionales de las finanzas; las estafas por internet, expertos informáticos; la falsificación de documentos, falsificadores, etc.56 (IBAÑEZ; FRAMIS, 2010, p. 269).
Por outro lado, a estrutura assumida pelo grupo também repercute no modo como se opera a divisão de tarefas entre seus integrantes.57 Uma associação mais descentralizada não
tem a mesma repartição de funções de uma organização hierarquicamente dirigida. Destarte, “a divisão de tarefas decorre da noção de hierarquia que vige nas organizações criminosas, em uma estrutura compartimentada, nas quais cada um só sabe aquilo necessariamente indispensável para o exercício de suas funções dentro do elo criminoso que os une.” (GOMES, 2009, p. 167). O resultado final dessa distribuição de papéis dependerá, sobretudo, das especificidades de cada organização criminosa.
56“Alguns negócios ilícitos requerem um amplo leque de funções próprias. No caso do tráfico de drogas, por exemplo, vão desde o cultivo ou a síntese em laboratórios até a venda nas ruas e em estabelecimentos de lazer. A venda de veículos ou qualquer outro objeto roubado envolve, no mínimo, ladrões, falsificadores e vendedores. O tráfico de pessoas para sua exploração sexual ou laboral requer pessoal capacitado para captar vítimas em outros países de origem, transportá-las e forçá-las a se prostituírem ou trabalharem em condições indignas no país de destino. A extorsão requer pessoas hábeis a extorquir; a lavagem de dinheiro, profissionais das finanças; os golpes pela internet, especialistas em informática; a falsificação de documentos, falsificadores etc”. (Tradução nossa).
57 Na opinião de Eduardo Araujo da Silva, "a divisão de tarefas nesses grupos segue a estrutura empresarial, pois na sua base há um elevado número de 'soldados', responsáveis pelas mais variadas atividades, os quais são gerenciados regionalmente por integrantes de média importância que, por sua vez, são comandados e financiados por um boss, que não raras vezes se utiliza de sofisticados meios tecnológicos para integrar todos os seus membros." (SILVA, 2015, p. 15).
3.2 Objetivo de auferir vantagem econômico-material e estruturas empresariais: