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Em Minas Gerais a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SECTES) é a responsável pelas ações relativas ao desenvolvimento e fomento de pesquisa no subsistema de C&T. A Secretaria tem entre suas atribuições formular, coordenar e fomentar todas as ações de políticas para C&T no Estado, além de incentivar o desenvolvimento dos ensinos técnico e superior.

Em 1986 o governo estadual criou a FAPEMIG (Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Minas Gerais), vinculada a Sectes e tem seus recursos assegurados pela constituição do Estado. A Fundação é a única agência de fomento às atividades de C&T no Estado de Minas. As ações da Fundação podem ser facilmente encontradas pelo público em geral, nos relatórios anuais elaborados pela fundação. Atitudes como essas concedem maior transparência e facilitam a verificação por parte da população, mas mesmo sendo defendida pelas Instituições de Amparo a Pesquisa de diversos Estados, essa é uma iniciativa ainda muito rara, o acaba limitando o acesso a informações importantes e a fiscalização.

A Instituição apóia grupos de pesquisa, estágios técnicos, eventos e congressos e garante bolsas para vários níveis de pesquisadores, além de outras formas de apoio. Segundo o Relatório de Atividades (2007), a FAPEMIG executou o orçamento de R$ 170 milhões, o que equivale a 1% da receita orçamentária do Estado. Além desse valor a Instituição ainda executou R$ 18 milhões que foram oriundos de recursos próprios e de convênios junto a órgãos federais como MDIC, CNPq, FINEP e Capes. A tabela 6 mostra que projetos de pesquisa induzidos e universais são responsáveis pela maior parte dos investimentos realizados pela Instituição38.

Tabela 6: Comparação da execução dos recursos financeiros 2004 a 2007

Investimento (%) 2004 2005 2006 2007

Projetos Pesquisa - Induzidos 41,4 36,9 31,5 31,4

Projetos Pesquisa - Universal 33 35 27,5 25,3

Bolsa de Formação de RH 16,6 18 20,7 17,8

Eventos Científicos 2 3 3,9 2,7

Especiais e Endogovernamentais - - 9,7 16,2

Despesas administrativas 1,6 1,8 1,9 1,5

Outras atividades (estudos técnicos, divulgação, EGT) 4,9 5,3 5,1 5,1

TOTAL 100 100 100 100

Fonte: Relatório de Atividades de 2007 (FAPEMIG).

O gráfico abaixo mostra a evolução do total das despesas anuais da FAPEMIG, não só em termos da inversão de recursos, mas também em relação a quantidade de projetos financiados. As Bolsas e Auxílios são concedidos dentro de varias linhas de financiamento, entre elas há algumas que se destacam, tais como as linhas regulares, os programas especiais e apoio a inovação e desenvolvimento tecnológico.

0 20,000,000 40,000,000 60,000,000 80,000,000 100,000,000 120,000,000 140,000,000 160,000,000 180,000,000 200,000,000 2003 2004 2005 2006 2007 E m M il e s R $

Gráfico 12: Despesas da FAPEMIG em Atividades Fim (Ciência e Tecnologia) Fonte: Relatório de Atividades de 2007 da FAPEMIG.

As Linhas Regulares estão voltadas para o atendimento da demanda espontânea dos pesquisadores ligados às universidades e centros de pesquisa sediados no Estado. Geralmente são trabalhos propostos pelos próprios pesquisadores a Instituição em busca de apoio. Nessa linha também se encontram os projetos de demanda induzida, onde a criação destes é estimulada através de editais temáticos.

Os Programas Especiais são destinados a superação de carências existentes, identificadas pela Fundação, na área de C&T local, ou mesmo para investimentos de demanda inesperada. Os programas de apoio a Inovação e Desenvolvimento Tecnológico compreendem diversos programas como fomento a programas de desenvolvimento de grupos de pesquisa tecnológicos, apoio à rede de pesquisa tecnológica, a inclusão digital e ao fomento de programas destinados ao desenvolvimento de ciência e tecnologia regional.

A cada ano são incorporados novos projetos que focam principalmente o apoio ao desenvolvimento tecnológico, entre os quais se destacam a criação do parque tecnológico e o Programa de desenvolvimento cientifico e tecnológico regional. Além da Sectes e da Fapemig o sistema estadual de C&T é composto também pelas universidades federais (UFMG, UFOP, UFV, UFJF, UFU), Emater, Cetec Minas, EPAMIG e Funed.

De acordo com dados do MCT (tabela 7) os dispêndios em C&T no Estado são em grande parte financiados pelo governo federal e pelo setor privado, apenas a menor uma pequena parte é feita pelo governo do Estado. Quanto aos gastos do governo federal, percebe- se que estes apóiam majoritariamente a pós-graduação, já o setor empresarial gasta mais em pesquisa e desenvolvimento.

Tabela 7: Minas Gerais - Dispêndios do MCT, dos governos estaduais e das empresas, em ciência e tecnologia e em pesquisa e desenvolvimento - 2000 a 2004

Ano

ACTC Pesquisa e Desenvolvimento

Governo estadual Governo federal Governo estadual Setor empresarial

ACTC pós-graduação P&D

pós- graduação P&D pós- graduação 200 24.008 221.192 41.322 170.239 7.169 2001 30.998 258.424 53.275 200.438 8.950 2002 30.500 293.696 25.128 230.637 13.878 2003 32.271 331.376 17.331 260.836 22.204 2004 69.957 395.634 36.716 291.035 24.872

Fonte: Coordenação-Geral de Indicadores - Ministério da Ciência e Tecnologia.

No Espírito Santo, apesar do Estado contar com um Fundo Estadual de C&T (Funcitec) desde 1993, o subsistema só ganhou espaço institucional próprio dez anos depois. Em 1993 foi criada o Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia (CONCITEC), órgão colegiado de caráter deliberativo, vinculado à Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia, com a atribuição de definir diretrizes da Política de C&T

A Secretaria do Estado de Ciência e Tecnologia (Sect), criada em 2004, é responsável pela coordenação das ações de políticas. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (FAPES) é responsável pela execução da maioria das políticas voltadas para C&T. Atua na realização de eventos e, principalmente, no financiamento de pesquisas que vão desde bolsas para pesquisadores, até incentivos fiscais para empresas que desenvolvem pesquisas em C&T, mostrando flexibilidade dentro do subsistema. Já que as empresas não vão às universidades, então são apoiadas as pesquisas desenvolvidas internamente. O importante é facilitar a interação e contribuir para o desenvolvimento do subsistema e do Estado.

Atualmente os editais lançados pela FAPES são destinados a bolsas para iniciação cientifica, pós-graduação e para o programa de extensão tecnológica. O subsistema conta ainda com:

a) O conselho estadual de ciência e tecnologia que tem suas ações coordenadas pela Secretaria e assim age em parceria com a mesma.

b) O Instituto Jones dos Santos Neves: que realiza estudos sobre aspectos econômicos e sociais do Espírito Santo que são usados como subsídios para as políticas

governamentais e decisões de investimento.

c) O Banco de desenvolvimento do Espírito Santo: responsável pelo suporte financeiro, juntamente com o BNDES.

d) Os centros de ensino (Universidade Federal e centros de capacitação técnica): são os responsáveis pela capacitação dos recursos humanos, principalmente na formação de pesquisadores.

Tabela 8: Dispêndios do Governo Estadual do Espírito Santo em Ciência e Tecnologia (C&T)

Ano Ciência & Tecnologia

1997 34.372 1998 27.897 1999 27.598 2000 16.879 2001 8.986 2002 7.505 2003 7.094 2004 7.486 2005 11.619 2006 19.864

Fonte: Coordenação-Geral de Indicadores - ASCAV/SEXEC -Ministério da Ciência e Tecnologia.

De acordo com os dados do Ministério de Ciência e Tecnologia os gastos em C&T no Estado caíram drasticamente, passando de 34.372 milhões em 1997 para apenas 7.486 milhões em 2004, recuperando-se a partir de 2005 quando são gastos mais 11 milhões (tabela 8).

O SI do Estado do Rio de Janeiro estudado por Quadros, Barros, Seild (2001), mostra que a maior parte das universidades e institutos de pesquisa se encontram na capital, sendo esta a maior concentração do país. E que na busca pela promoção da inovação tecnológica, como um dos principais instrumentos de crescimento econômico e de distribuição de riqueza, são utilizados aspectos do sistema regional de inovação para promover o desenvolvimento tecnológico, adaptando-o às especificidades do Estado.

No Estado do Rio de Janeiro as atividades dentro do subsistema de C&T são coordenadas pela Secretaria do Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação. A SECTI esta articulada com as universidades federais, estaduais e centros técnicos, sendo seus projetos

executados pela Fundação Carlos Chagas de Amparo à Pesquisa do Estado Rio de Janeiro (FAPERJ).

Quadros, Barros e Seild (2001) afirmam que a FAPERJ tem se mostrado uma interlocutora entre universidades e empresas. Nesse sentindo, afirmam que uma das ações da Fundação foi incentivar o estabelecimento de parcerias entre universidades e empresas, para que estas pudessem adquirir incentivos governamentais para seus projetos. Os autores afirmam ainda que em 2001 o Estado encontrava-se em fase de implantação de uma adaptação da Estratégia Regional de Inovação (RSI), adotado pela União Européia (EU). Conjuntamente, também apresenta os contextos e instrumentos locais necessários à aplicação de uma política pública de desenvolvimento, discutindo a forma de implementação pelo governo do Estado do Rio de Janeiro no período 1999 - 2002. Nesse sentido o Plano de Desenvolvimento Tecnológico do Estado do Rio de Janeiro (1999) é apontado como ponto alto em termos de políticas, contando com articulação dos principais agentes institucionais, como FAPERJ e a FIRJAN.

O trabalho, acima citado, faz bom uso do conceito de territórios e das características distintas apresentadas por cada sistema, que precisam ser analisadas e entendidas para o adequado desenvolvimento dos SI. Além da identificação do ponto forte do sistema estudado, considera-se também que, para ser realmente efetivo, o SI deve contemplar não somente o desenvolvimento tecnológico, mas também a produção e aquisição de conhecimento tácito, surgido através da experiência e difundido pelos meios de comunicação, provenientes da troca de informação e da integração que possa existir entre as entidades e os agentes.

Mesmo que Quadros, Barros e Seild (2001) não tenham exposto os resultados da implantação dessa adaptação proposta pelo plano, afirmam acreditar que contribuirá o desenvolvimento sistema regional de inovação. E para isso provavelmente estão se baseando nas diretrizes propostas pela SECTI e pela FAPERJ, que priorizam a articulação e cooperação entre universidades, empresas e instituições públicas, nas esferas municipais e estaduais.

Como se vê a FAPERJ desempenha um papel fundamental no Estado, sendo responsável não só fomento a C&T, mas também estimulando o aumento da cooperação entre os diversos agentes do Estado, buscando o apoio junto as instituições federais (como a FINEP, por exemplo).

Em termos de fomento, atualmente a FAPERJ apóia mais de vinte programas voltados para C&T. Assim como em outras fundações de apoio a pesquisa, os financiamentos são destinados a bolsas para formação de cientistas, melhorias na infra-estrutura de centros de pesquisa e apoio a inovação tecnológica de empresas (micro e pequenas). Sendo que a

formação de cientistas consiste na concessão de bolsas a alunos da graduação (iniciação cientifica) e da pós-graduação (alunos de mestrado, doutorado e pós-doutorado), das universidades federais (UFRJ, UFF, UFRRJ) e estaduais (UERJ).

Na realização dos projetos a FAPERJ conta ainda com cooperação da Empresa Fluminense de Tecnologia (Flutec), que administra o Fundo de Apoio Tecnológico (Fatec), do Centro de Ciências (Cecierj) e Instituto Politécnico (IPRJ).

0 20.000 40.000 60.000 80.000 100.000 120.000 140.000 160.000 180.000 200.000 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006

Gráfico 13: Dispêndios do Rio de Janeiro em C&T Fonte: Ministério de Ciência e Tecnologia (2008).

O Estado é o segundo que mais investe em C&T no Brasil, ficando atrás somente de São Paulo, segundo dados do Ministério de Ciência e Tecnologia. O gráfico 13 mostra que depois de uma baixa nas despesas, de 2001 a 2003, os gastos retomam seu nível anterior.

Acredita-se que São Paulo não é só o Estado que mais investe em C&T (como mostra o gráfico 14, o Estado gasta o dobro do Rio de Janeiro, por exemplo), mas também o que mais contribuiu para o “desenvolvimento científico e tecnológico de outros Estados seja pela formação de cerca de dois terços de todos os doutores brasileiros, ou por de uma intensa cooperação em pesquisa com universidades, empresas e institutos” (QUADROS et al, 2000, p. 126).

Quadros et al (2000) fazem em seu artigo um exercício de reflexão sobre o “sistema de inovação paulista” à luz da análise das informações sobre o sistema público de C&T no Estado de São Paulo e abordam os principais problemas das universidades e dos institutos públicos de pesquisa, estaduais e federais.

Uma característica específica do subsistema de C&T de São Paulo é que neste as universidades mais importantes não são federais e sim estaduais. Para Quadros et al (2000, p. 126 ) “isso decorre da histórica importância econômica do Estado, que resultou em sua maior

autonomia financeira”. Essa autonomia é garantida pelo fluxo permanente de recursos para a manutenção das universidades e pelo papel fundamental desempenhado pela FAPESP, responsável pelo financiamento dessas atividades em todas as instituições de pesquisa, públicas e privadas, estaduais ou federais, localizadas no Estado.

São ainda discutidos, no trabalho supracitado, os obstáculos de integração entre empresas e o setor público de C&T, mapeando os fatores que determinam a baixa demanda do sistema produtivo paulista em relação ao sistema público de C&T. Em geral, as empresas brasileiras adotaram um modelo de industrialização com baixa absorção de conhecimentos tecnológicos e se caracterizam por ter um baixo nível de demanda por insumos provenientes do sistema público de C&T.

As políticas adotadas no passado para reforçar esses elos não foram muito eficazes, o que se aplica tanto às filiais de empresas multinacionais como às empresas privadas de capital nacional, as quais costumam estabelecer elos preferenciais com os países desenvolvidos. Apenas algumas empresas estatais se destacam no cenário nacional, por haverem iniciado políticas visando, de um lado, reforçar as capacitações científicas e tecnológicas existentes nas universidades e, por outro, desenvolver programas voltados para a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico.

Entre as políticas federais são citados o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (PADCT), Programas de Desenvolvimento Tecnológico Industrial (PDTI) e Programas de Desenvolvimento Tecnológico Agropecuário (PDTA). Por fim, o autor ressalta que uma das características mais frágeis do sistema de C&T brasileiro e paulista está relacionada à fraca integração entre o sistema público de C&T e o sistema produtivo, refletindo no contraste entre o crescimento da produção científica e a estagnação da produção tecnológica empresarial.

Em suma, o estudo revela o distanciamento existente entre as Instituições públicas no Brasil, particularmente em São Paulo e as organizações privadas, o que gera estagnação da produção tecnológica empresarial, apesar de se verificar o desenvolvimento da produção científica. Verifica ainda o insucesso de medidas para suplantar esta deficiência, verificando que a causa desta se encontra no modelo de industrialização, que opta por adquirir soluções de outros países ao invés de desenvolver localmente suas soluções.

O gráfico 14 mostra a evolução dos recursos destinados a bolsas e auxílios a pesquisa pela FAPESP de 2001 a 2008 e apesar de uma queda em 2003, os dispêndios se mostram crescentes, fato que garante a manutenção de vários programas de apoio ao desenvolvimento de pesquisas em C&T. A FAPESP tem autonomia própria e recebe um percentual fixo dos

impostos arrecadados no Estado, cerca de 1% da receita, percentual este usado para fomentar seus vários programas.

0 100,000,000 200,000,000 300,000,000 400,000,000 500,000,000 600,000,000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008* Gráfico 14: Concessões para Bolsas e Auxílios à Pesquisa pela FAPESP

Fonte: FAPESP (Dados até fevereiro de 2008).

Nesse subsistema a política de C&T tem suas diretrizes definidas pela Secretaria de Desenvolvimento e pela Secretaria de Ensino Superior do Governo do Estado de São Paulo, a qual fomenta vários programas que são executados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Os auxílios regulares a pesquisa e a projetos temáticos são os programas que recebem maior percentual de financiamentos, em média são responsáveis por mais de 50% do total dos gastos. Em segundo lugar vêm as bolsas concedidas aos pesquisadores residentes no Brasil e no exterior, com recursos que variam ano a ano, mas giram em torno dos 15% do total dos recursos. A Fundação ainda desenvolve projetos para melhorar a infra-estrutura dos centros de pesquisas, capacitação técnica e projetos especiais. Na área de inovação tecnológica engloba projetos de biotecnologia, pesquisas públicas, parques tecnológicos e pesquisas para inovação tecnológica em pequenas e micro empresas.

Por fim, cabe ressaltar que o diferencial do Estado de São Paulo está no compromisso do Governo Estadual com o sistema de C&T e com o apoio contínuo que oferece às pesquisas científicas, tanto academias, quanto empresariais. Outorgando ao Estado o maior número de doutores, pesquisadores, produção científica e empresas inovadoras do país.

E mesmo que a maioria dos Estados brasileiros tenha o de São Paulo como exemplo, muitos parecem ainda não conferir e mesma importância à C&T, como indicam o baixo nível dos gastos e na irregularidade destes, vistos em muitos Estados das Regiões Norte e Centro- Oeste e como poderá se observar no Nordeste na próxima seção.

5.1.5 Políticas de apoio aos subsistemas de C&T dos estados da região

Benzer Belgeler