• Sonuç bulunamadı

A partir dos pressupostos do que a Teoria da Modificabilidade Cognitiva Estrutural considera ser um processo educativo mediacional, descrito nesse capítulo, o tutor pode elaborar um planejamento da mediação a partir dos objetivos traçados a cada atividade ou proposta de um dado curso. Para descrição dessa tipologia tutorial, desenhasse o seguinte mapa cognitivo que contempla especificamente o tutor como mediador :

A partir dos critérios universais, o tutor dinamiza o grupo a partir da interlocução que efetiva com perguntas buscando a reciprocidade do grupo, deve ficar atento as respostas, aos silêncios, e utilizar os demais critérios quando observar a necessidade de acionar os mesmos, focando no grupo ou em um indivíduo. A adequação dessa dinâmica permite acompanhar, potencializar, graduar a complexidade das tarefas, da interlocução do grupo a partir de um feedback intencional.

Na Educação a distância, critérios que auxiliem o aprendiz a lidar em novos contextos educativos devem ser intensificados. A mediação do sentimento de pertença é fundamental para que todos transitem em ambientes virtuais de aprendizagem superando possíveis dificuldades quanto a linguagem e forma de interação. A esse critério une-se o da Mediação pela diferenciação individual: cada membro participante tem seu estilo e ritmo de aprendizagem que deve ser respeitado dentro do grupo que atua.

Nessa tipologia, a dimensão mediadora direciona todo o trabalho do tutor nas demais dimensões que atua, não se sobrepondo, mas se tornando o elo que rompe com a dicotomia entre o ensinar e o aprender que a distância pode acarretar. A tarefa tutora olha para a aprendizagem não como produto, certeza dogmática mas como aprimoramento da investigação sistemática, em um ciclo de constante aprendizagem. É essa nova cultura docente que deve ganhar corpo, pois atuar como tutor mediador extrapola ao conhecimento específico de conteúdos ou tecnológico e resvala na natureza sensível do educador.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo para não querê-las. Que tristes seriam os caminhos, se não fora A presença distante das estrelas! Mario Quintana, Das Utopias

No cerne dos debates sobre a Educação a distância encontra-se um campo amplo para pesquisa. Quando mais arrojado o modelo implementado, mas carente de investigação quanto a sua aplicabilidade. Assim, a educação a distância alicerçada nas novas tecnologias e, portanto, por suas possibilidades inovadoras, nos permite reinventar a educação. Se a educação a distância tem como propósito a democratização do saber, urge investigar a adequação dos meios ao público a que se destina; se ao contrário, adequar-se a pessoa ao meio, repetiremos fórmulas ultrapassadas de educação voltadas para o atendimento em massa. Caso, o potencial da máquina seja valorizado em detrimento ao caráter humano da educação, poucos poderão obter êxito nessa modalidade, os demais continuarão excluídos dos processos já registrados historicamente na tradição da educação presencial. Repetir métodos – de sucesso ou não – oriundos da modalidade presencial não garantem sua adequação a outra modalidade.

A integração das novas tecnologias de informação e da comunicação na educação impôs novas relações no processo de ensino–aprendizagem. A utilização do verbo “impor” ressalta as duas vertentes da relação da tecnologia com a educação: a da não-neutralidade da tecnologia que pode gerar exclusão e privilégios e, numa visão substantiva, a premência por mudanças na educação superando modelos dicotomizados da sociedade contemporânea que tem a comunicação como essência. Nesse aspecto, pensar em mudanças em educação, não se resume ao domínio da técnica ou da tecnologia, mas a própria concepção de educação. Para Kuenzer (2000) cada etapa de desenvolvimento social e econômico corresponde a projetos pedagógicos correspondentes a perfis diferenciados de professores, de modo a atender às demandas dos sistemas social e produtivo com base na concepção dominante. Peters (2003) destaca que ”todo ensino e toda aprendizagem são determinados, entre outras coisas, pelas pessoas envolvidas e pela mentalidade e pelos posicionamentos dominantes da sociedade e

da época”.

O papel do tutor resgata o valor da instrução pedagógica de forma emancipadora se, comprometido com uma ação mediadora para o pensar. O professor na virtualidade requer competências técnicas, didáticas, metodológicas agregadas a um saber docente que zele pelo componente humano, que prime pelo encontro harmônico das intersubjetividades das pessoas.

No intento por identificar modelos de tutoria presentes na educação

online verificou-se não modelos, mas estilos congruentes que sinalizam uma prática

voltada para o acompanhamento sistematizado da aprendizagem, para a manutenção de um canal de comunicação em constante abertura, a promoção de vínculos através dos ambientes virtuais, fortalecendo o sentimento de pertença, a motivação por aprender.

Ao se descrever as atribuições relacionadas aos papéis e responsabilidades do tutor revelou-se uma presença mediadora entre outras dimensões que o trabalho de acompanhamento comporta. O foco no sucesso da aprendizagem é identificado a partir dos relatos das intervenções que realiza para promoção do tutorado. A partir desse quadro levantado, foi possível elaborar uma tipologia de ação tutorial baseada na Experiência de Aprendizagem Mediada em relações educativas a distância.

A tipologia proposta, antes de constituir-se em modelo, apresenta a ação intencional do tutor através de critérios de mediação. Esses critérios configuram-se em uma metodologia que dá forma ao planejamento do tutor e a condução de um trabalho de acompanhamento da aprendizagem. A partir da mediação, o tutor pode dar ênfase, selecionar, aprimorar, conferir complexidade a uma dada tarefa. Como os critérios podem ser manifestados na forma de perguntas de mediação, são bem adequados às atividades que utilizam os fóruns virtuais como forma de interação, mas, seu emprego é possível em toda dinâmica de aprendizagem utilizada em cursos a distância, seja sincrônica ou assíncrona.

Aplicar os critérios advém de uma postura mediadora, de formação continuada, no exercício docente consubstanciado por um fazer ético e na promoção na ação do aprendiz sobre sua própria aprendizagem.

Os resultados dessa pesquisa não pressupõem a sua finitude. Pois dela não se pode extrair generalizações por não se tratar de estudo probabilístico. Os resultados revelam os alcances da função tutora delineados

pelas tarefas que executa e que estão aqui classificadas em dimensões. As indagações levantadas ao longo desse trabalho resumem em si o que “é ser tutor”. Além das qualidades comuns ao docente, perfis de um educador que se virtualiza e se faz presente a partir das relações semióticas que são construídas em um locus intelectivo e de ação mútua. Assim o saber se legitima na relação com o outro. Luckesi citando Boadella diz que no processo educativo o elemento mais importante é a receptividade viva de outro ser humano (LUCKESI, 2005).

Consoante a isso, e a título de contribuição, apresentou-se um aporte teórico novo a um perfil de tutoria com foco no aspecto mediador. Não consta no momento nenhuma pesquisa que aproxime a especificidade da função tutora com a Experiência de Aprendizagem Mediada em ambientes de aprendizagem virtuais. A resposta que a pesquisa traz não se traduz em generalização, mas em elementos significativos para novas elucubrações e, diante do que afirma Demo (1997) que "(...) não se estuda só para saber; estuda-

se também para atuar” portanto, aponta para alternativas e sugestões.

Algumas limitações não permitiram conferir maior complexidade ao estudo: a falta de um grupo focal onde se pudesse testar os resultado na aprendizagem com relação à mediação tutorial, o olhar pelo ponto de vista do discente quanto ao trabalho do tutor, dentre outros. Porém, nas searas educativas nenhuma pesquisa encerra-se em si mesmo e dá-se por finita. Esta avança validando-se em novos campos de pesquisa.

Como sugestão, outras ações para o fortalecimento do trabalho tutor. Elenco algumas consideradas importantes a sua prática e que estão em consonância com o foco dessa pesquisa:

• Fortalecimento de grupos de estudos de tutores através de lista de discussão, ambientes virtuais de aprendizagem, de âmbito geral ou restrito ao grupo de tutores de uma dada instituição; • Participação do Encontro Nacional de Tutores em EAD18, como

forma de fortalecer a função e compor um quadro de referência profissional.

18 O III ENATED ocorreu no período de 27 de agosto a 14 de setembro de 2007, sendo a autora

dessa dissertação responsável por uma sala de discussão com o tema Tutoria online: A experiência da Aprendizagem Mediada no context da EAD. – Anexo B.

• Capacitações docentes para atuação tutoria com foco na Psicologia Cognitiva, ampliando-se os conteúdos programáticos inserindo a Experiência de Aprendizagem Mediada visando contemplar o fortalecimento de competências cognitivas que dão base a uma atuação mais autônoma do aluno a distância. • Criação de Módulos a serem acoplados em cursos ministrados

a distância, como ferramenta específica do tutor, onde em paralelo ao conteúdo didático, seja fomentado especificamente o desenvolvimento de funções cognitivas.

• Na elaboração de material didático específico cujo contorno mediador esteja definido na linguagem utilizada e contemple elementos da EAM.

Em destaque, é fundamental que o tutor enriqueça-se com subsídios teóricos voltados para a compreensão do processo de aprendizagem e da intervenção que pode realizar nesse processo, que seja um pesquisador na sua área de atuação devido a constatação de pouco referencial teórico voltado especificamente ao trabalho tutorial. Aprimorar constantemente sua fluência tecnológica, analisando o impacto que novas tecnologias possam promover ao serem incorporadas a EAD. Manter a essencialidade do seu trabalho: o olhar zeloso pelo outro. O encurtamento da distância em Educação a distância não é a aproximação no tempo e espaço, mas a construção de entrelugares que aproximem o ensinar do aprender.

Assim, as considerações finais não representam uma conclusão, mas um ato continuum de aprendizagem construído na narrativa do pesquisador e dos interlocutores que encontrou pelo caminho e na possibilidade de releituras que esta pesquisa venha a ter.

Exigir uma postura incólume do pesquisador é privar dele o caráter criador e criativo da vida, presente tanto na poética e na ciência. O método nasce do desejo, do pulsar de vida que instiga a procura. A forma de construir o caminho pode se dar a partir de vários métodos, mas o que impulsiona o pesquisador são elementos para além da cientificidade: paixão, vaidade, fé,

ambição, esperança. A poiesis19 que caracterizou esse trabalho foi a crença profunda no potencial do ser humano, no seu poder de reinventar-se. No educador essa crença define-se na sua competência, como pressupõe Perry (apud, WERNECK, 2003): o professor deve conhecer bem o que vai fazer, envolver as pessoas no processo e, por fim, respeitar as pessoas. Quiçá, tenha essa pesquisa atingido tal propósito, pois, com a devida licença poética à autora da epígrafe escolhida, “viver ultrapassa todo entendimento”.

19 Entendida como ato criador.

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ANEXO A – Programação do II ENATED

TEMA RESPONSÁVEL

01 Aprendizagem com mobilidade Luiz Fernando Tavares

Meirelles

02 Por que ocorre evasão na EAD? Gilda Aquino de Araújo

Mendonça

03 Utilização de mídias como apoio motivacional em EAD via web Wanderley Gazeta

04 A importância das comunidades de aprendizagem nas

organizações

Devani Salomão de Moura Reis

05 Segurança de acesso a dados no EAD Mary Caroline Skelton

Macedo

06 O uso de ferramentas gratuitas da web 2.0 na EAD Jordons Tevis Francisco

07 Motivação e avaliação do cursista online Carmen Lucia Teixeira

08 A versatilidade interdisciplinar do preceptor/tutor Ana Cristina Borges Fiuza

José Ricardo Gonçalves

Manzan

09 Texto escrito e questões de metodologia em EAD Albertina Ramos

10 Os 20% à distância podem ser trabalhados por tutores? Manoel Araújo Filho

11 Tutoria eficiente, resultado eficaz Angélica Pegoraro Einhardt

12 O perfil do preceptor/tutor na Licenciatura em Matemática Ana Paula Arantes Lima

José Ricardo Gonçalves

Manzan

13 A função social docente do tutor Marinilson Barbosa da Silva

14 Afetividade em ambientes virtuais colaborativos Cícero Costa Quarto

15 Árvore do conhecimento Edla Y. P. Perini

Mônica S. Menslin

16 Tutor, um novo tipo de professor? Vera Lúcia Almeida Forbeck

17 Tutoria em EAD – Percepções acerca do que é ser tutor e seu

Benzer Belgeler