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KONSOLİDE KUR RİSKİNE İLİŞKİN AÇIKLAMALAR

XXIII. DEVLET TEŞVİKLERİNE İLİŞKİN AÇIKLAMALAR

V. KONSOLİDE KUR RİSKİNE İLİŞKİN AÇIKLAMALAR

A necessidade de aproximação com os sujeitos da pesquisa, o contato direto com a realidade empírica, a tentativa de compreender vários ângulos possíveis da problemática em pauta, são elementos que norteiam a observação participante, ressaltando-se, que no processo histórico de desenvolvimento das ciências sociais esse tipo de trabalho conquistou ampla referência metodológica, apesar de, até à atualidade, não expressar definições claras. Contudo, apresenta-se no bojo dos conflitos e contradições enfrentados pela ciência em relação ao desenvolvimento e valorização da pesquisa qualitativa. Para Minayo

A Observação Participante pode ser considerada parte essencial do trabalho de campo na pesquisa qualitativa. Sua importância é de tal ordem que alguns estudiosos a tomam não apenas como uma estratégia no conjunto da investigação, mas como um método em si mesmo, para compreensão da realidade(1994: 134).

A origem da Observação Participante nos remete ao início do século passado e aponta estar cercada de divergências entre a antropologia inglesa e a sociologia americana. Para alguns autores, a observação participante surge na antropologia, em 1922, com a publicação de texto, hoje um clássico, sobre trabalho de campo de Malinowshi, com os nativos da ilha Trombiand, no Pacífico. Para outros, surge com o surto de problemas sociais nos Estados Unidos, decorrentes da grande depressão econômica, a partir da década de 1920 e por meio do desenvolvimento de uma nova consciência desses problemas sociais iniciada pela Escola Sociológica de Chigago. Para Haguete

Este aspecto, vai explicar o surgimento de importantes correntes dentro da sociologia nos Estados Unidos, que concorrem concomitantemente com os estudos antropológicos das primeiras décadas do nosso século, especialmente na Inglaterra. Refiro-me

ao interacionismo simbólico, à etnometodologia, ao

dramaturgismo social, à teoria do rótulo, entre outras(1995: 66). A referida autora, explica que a antropologia busca o “sentido das coisas” para melhor compreender o funcionamento de uma sociedade primitiva ou de um grupo humano, enquanto a sociologia – na sua vertente interacionista – acredita que toda a organização social está assentada nos “sentidos”, nas “definições” e nas “ações” que indivíduos e grupos elaboram ao longo do processo de “interação simbólica” do dia-a-dia.

É importante frisar que as ricas experiências transmitidas e as bases metodológicas de Malinowski continuam atuais, porque sua legitimidade, que fundamenta-se na necessidade de bagagem científica do estudioso; dos valores da observação participante e das técnicas de coleta, ordenação e apresentação do que denomina “evidências”. Portanto, permanecem intocadas até hoje, apesar de seu estudo refletir concepções funcionalistas, já desgastadas pelas perspectivas críticas das ciências sociais moderna.

O referido autor, com sua contribuição pioneira, chama atenção para a importância do pesquisador distinguir os resultados da observação direta em relação aos depoimentos dos nativos e suas interpretações dos fatos, e as interpretações e inferências do pesquisador.

Para Malinowski4, o conjunto de regras formuladas ou implícitas nas atividades dos componentes de um grupo social; a forma como essas regras são obedecidas ou transgredidas; e os sentimentos de amizade, de antipatia ou simpatia, que permeiam os membro do grupo, formam o material da observação participativa, cuja metodologia, pode ser resumidamente apresentada da seguinte forma: ter objetivos realmente científicos e conhecer os valores e critérios da etnografia moderna; colocar-se em boas condições de trabalho e dispor-se a viver o contexto, aberto à realidade do grupo pesquisado; e recorrer a aplicação de um certo número de métodos particulares para selecionar, coletar, manipular e estabelecer dados (documentação estatística concreta e registro em diário de campo dos “imponderáveis da vida real” – declarações e narrativas feitas pelos nativos, expressões típicas, fórmulas mágicas, lendas e peças de folclore que dariam conta da “mentalidade do grupo” ).

Na sociologia, o uso da observação participante envolve diversas e amplas abordagens, que evoluem de um trato inicial como importante técnica de coleta de dados (Eduard C. Lindeman e Florence Kluckhohn) até concepções mais ousadas que avançam numa dimensão progressista de compreende-la com instrumento não só de modificações do meio pesquisado, mas principalmente da própria realidade social (Morris S. Schwartz e Charlotte Green Schwartz).

Nesse campo das ciências sociais, o fundamental, em nosso caso, é destacar que as pesquisas com observação participante avançaram, ao longo de todo o século passado até a nossa atualidade, num processo que objetiva integrar teoria e métodos aplicados pelo pesquisador, na busca pelo conhecimento, valorizando, tanto o acúmulo dos saberes do indivíduo, quanto as aprendizagens resultantes das práticas sociais. Esse posicionamento coloca homens e mulheres na questão central , enfocando não só o potencial de categorias da subjetividade humana, os valores, as normas e as representações da realidade microssocial, na teoria sociológica, mas, enfatiza também as possibilidades que envolvem os determinantes macrossociais dentro das relações de produção, reprodução e transformação da sociedade numa visão de totalidade.

4 Para maior aprofundamento ver Malinowski, B. Argonautas do Pacífico e outros textos na coleção

É nessa perspectiva, que o presente estudo, atuando numa linha de pesquisa sobre Movimentos Sociais, investigando saberes das práticas sociais por meio da organização da sociedade civil, no espaço institucional do CT, ao desenvolver suas fundamentações no campo da Educação, buscou desenvolver uma observação participante do tipo etnometodológica e concomitantemente, estabelecer elos de aproximação com uma visão dialética, ao lidar com essa metodologia.

Assim, procurou-se inspiração em Alain Coulon, que, em 1993, publica pela Universidade de France – Paris, o livro Ethnométhodologie et éducation5, onde esclarece que o projeto científico dessa corrente é analisar os procedimentos que os indivíduos utilizam para levar a termo as diferentes operações que realizam em sua vida cotidiana. Trata-se da análise das maneiras habituais de proceder mobilizadas pelos atores sociais comuns a fim de realizar suas ações habituais. O objetivo da etnometodologia, portanto, é a busca empírica dos métodos que os indivíduos utilizam para dar sentido e, ao mesmo tempo, construir suas ações cotidianas: comunicar, tomar decisões, raciocinar.

O referido autor apóia-se em Cicourel6 na busca da necessária aproximação entre micro e macro e explica que as atividades sociais do cotidiano comportam vários níveis de complexidade e integram dados microssociais, tanto quanto macrossociais. Uma abordagem não se dissocia da outra. As microssociologias não podem, portanto deixar de dar conta do fato de que as interações se desenrolam em um quadro social global, do mesmo modo que as macrossociologiais não podem ignorar os microprocessos.

Nesse sentido, a observação participante ajuda a relacionar os fatos do cotidiano com suas representações e as possíveis contradições existentes, a partir das próprias vivências do grupo, sendo essencial ao pesquisador, a abordagem das atividades práticas, as circunstâncias práticas, dos métodos que os indivíduos utilizam para dar sentido e ao mesmo tempo realizar suas ações no dia-a-dia, captando na riqueza do contexto a ação reflexiva dos sujeitos sociais, a partir dos significados subjetivos que os sujeitos criam de seu mundo e da estrutura social.

5 Publicado no Brasil, em 1995, pela Vozes, com o título: Etnometodologia e educação. Tradução de

Guilherme João de Freitas Teixeira

6 Karin Knorr-Cetina e Aaron V. Cicourel. Advances in Social Theory and Methodology. Toward an

Numa perspectiva dialética, sobre essa potencialidade, Kosic defende que a realidade não se apresenta imediata ao pesquisador e que ele como pólo oposto e complementar não existe fora do mundo. Portanto, os procedimentos interpretativos devem apresentar-se como campo em que exercita sua atividade prático-sensível, sobre cujo fundamento surgirá a imediata intuição prática da realidade. Para o autor

No trato prático-utilitário com as coisas – em que a realidade se revela como mundo dos meios, fins, instrumentos, exigências e esforços para satisfazer a estas - o indivíduo “em situação” cria suas próprias representações das coisas e elabora todo um sistema correlativo de noções que capta e fixa o aspecto fenomênico da realidade. Todavia, “a existência real” e as formas fenomênicas da realidade – que se reproduzem imediatamente na mente daqueles que realizam uma determinada práxis histórica, como conjunto de representações ou categorias do “pensamento comum” – são diferentes e muitas vezes absolutamente contraditórias com a lei do fenômeno, com a estrutura da coisa e, portanto, com o seu núcleo interno essencial e o seu conceito correspondente. Por isso a práxis utilitária imediata e o senso comum a ela correspondente colocam o homem em condições de orientar-se no mundo, de familiarizar-se com as coisas de maneja- las, mas não proporcionam a compreensão das coisas e da realidade. A realidade é a unidade do fenômeno e da essência

(1976: 10,11).

No presente trabalho a observação participativa recorrerá às importantes contribuições das ciências sociais procurando um sentido vivo que será fundamental para revelar contextos e situações do momento presente, inseridos na conjuntura atual na cidade de Fortaleza, dentro da realidade brasileira e mundial.

Na prática, o trabalho de observação participante realizou-se na sede do Conselho Tutelar I, no período entre março e setembro de 2005. As visitas aconteceram, em geral, com duração de meio expediente, e em alguns casos poderam efetivar-se tanto pela manhã, quanto à tarde.

Em função da necessidade de conciliar os horários de aulas, reuniões, seminários, grupo de pesquisa, com o trabalho de análise documental (pesquisa de jornal), que realizou- se nesse mesmo período e também estendeu-se durante quase todo o ano de 2005, optou- se por uma coleta de dados lenta e dispersa em vários meses: oito (8) visitas em Março; três (3) visitas em Abril; duas (2) visitas em Maio; três (3) visitas em Agosto; e dez (10)

visitas em Setembro. Esforço, esse, que resultou em vinte e seis (26) registros no diário de campo e teve a vantagem de poder acompanhar vários momentos e ritmos diferenciados no cotidiano do funcionamento e das atividades nesse espaço público.

No Conselho Tutelar I (CT - I), o habitual é a sede estar lotada de pessoas, na sua grande maioria são as mães que comparecem ao órgão e, geralmente, a demanda é maior no expediente da manhã. Considerando, nesse contexto, a sobrecarga de trabalho dos conselheiros, ao se efetuar o contato inicial com o trabalho de campo, tivemos o cuidado de apresentar um pequeno texto com síntese do projeto de pesquisa, acompanhado do cronograma de atividades da pesquisa e termo de consentimento livre e esclarecido. (Anexos 3, 4 e 5).

Outro recurso utilizado, nesse primeiro momento, foi a criação de um roteiro para nortear a observação participante (Anexo 6). A idéia é estabelecer um esquema aberto considerando quatro itens: a estrutura e o funcionamento (o espaço; o tempo; os recursos: humanos tecnológicos e materiais; os códigos de convivência; as atividades e sua organização); o cotidiano (as rotinas, a dinâmica, os ritmos, a subjetividade); as relações sociais (humanas, institucionais, políticas partidárias, com os movimentos sociais e a sociedade civil); e os significados e suas representações (os valores, os conceitos, os pré- conceitos, as visões de mundo - sociedade, direito, cidadania e sociedade civil - a visão de adolescente).

Iniciou-se o convívio com o grupo acompanhando o trabalho da recepção, que é o local de acolhida do público e onde se organiza e se distribui o atendimento entre os cinco conselheiros que atuam no órgão. É um espaço comum, onde é possível se fazer contato como todos que trabalham no espaço e onde se conhece a dinâmica geral de funcionamento. Essa foi uma tática de aproximação para adquirir a receptividade dos conselheiros e só posteriormente iniciou-se observação participativa com o trabalho desenvolvido pelos conselheiros tutelares.

Em linhas gerais, esses foram os cuidados e procedimentos adotados para preparar o contato com a realidade empírica e melhor desenvolver a potencialidade da observação participante, cujos resultados serão relatados em conjunto com os dados obtidos por meio de entrevistas semi-estruturas, no capítulo IV.

Benzer Belgeler