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“A forma mais perfeita de amor é a revolução”.

(Jaime Breilh)

Numa sociedade onde predomina a lógica da produção e do consumo, construir práticas de sustentabilidade, segundo Grimberg (2004: 2),

“É uma responsabilidade social num mundo de desigualdades sociais e degradação ambiental. Por isso, é importante qualificar e direcionar as responsabilidades e atribuições de cada segmento social: elites econômicas, governos e instituições internacionais (ONU), têm responsabilidades determinadas segundo seu poder na estrutura econômica e política. E aos segmentos da sociedade excluídos de seus direitos básicos sociais, políticos, econômicos e culturais e em situação de vulnerabilidade extrema está à possibilidade de organizar-se, fortalecer e ampliar sua potência nas inúmeras redes, movimentos que hoje se articulam globalmente”.

Ainda para Grimberg (2004), as responsabilidades sociais são diferentes para cada segmento social, entretanto, a urgência e disponibilidade para agir deve ser comum e de igual valor para toda a sociedade, considerando o processo de degradação ambiental e os desafios para seu enfrentamento. Não podemos admitir que 1,1 bilhão de pessoas que hoje vivem com menos de 1 dólar por dia, tenha as mesmas responsabilidades que os 20% de pessoas que desfrutam de um padrão de consumo de primeiro mundo.

O capitalismo vivido nos países industrializados, instaurado à luz dos princípios de um sistema econômico e social que divide o homem entre os que vendem sua força de trabalho em troca de salário e os donos dos meios de produção que compram as matérias primas, os equipamentos e as pessoas, para a obtenção de lucro. À medida que o capitalismo avança em tecnologia e produtividade, por outro lado, estimula o consumidor dos produtos e exaure a natureza que os sustenta, gerando uma crise, ao mesmo tempo ambiental, social e econômica. Crises como estas podem vir a se transformar em catástrofes planetárias ou numa chance única que a sociedade tem para repensar a relação homem-natureza a serviço do bem-estar e da vida.

O crescimento da economia e da urbanização da população foi acompanhado da maior demanda nos serviços dos ecossistemas para consumo de água e energia, produção de alimentos, fibras e madeiras. A economia industrializada que integra vários setores de diversos países, vem representando uma maior pressão global sobre o ambiente. À medida que a economia mundial cresce, simultaneamente, há destruição da natureza, ameaçando a sustentabilidade do planeta (FREITAS & PORTO, 2006).

O discurso que acompanha os projetos de desenvolvimento acusa que o crescimento econômico tem como principal objetivo melhorar a qualidade de vida dos segmentos menos favorecidos. Na realidade, o que se observa é o aumento do número de pessoas em situação de pobreza, com condições de vida precárias e vivendo em ambientes de maiores riscos. Por outro lado, o segmento sempre mais favorecido, continua aumentando sua renda e padrão de consumo (energia, matéria-prima e bens). Contribuindo de forma significativa para a degradação ambiental.

Alguns caminhos e possibilidades são postos como alternativas nesse contexto. Para Jacobi (2000), os problemas ambientais implicam que os determinantes socioeconômicos, políticos e culturais estão relacionados ao impacto nas condições de vida, na desinformação e falta de consciência sobre os riscos ambientais e de saúde, além da frustração diante da inércia do poder público nos seus níveis de operação. Refere ainda que tais práticas sociais, em um contexto marcado pela degradação do meio ambiente e do ecossistema, não pode omitir a análise do determinante do processo, nem dos atores envolvidos e das formas de organização social que aumentam o poder das ações alternativas de um novo desenvolvimento, em uma perspectiva de sustentabilidade. Hogan (1993) cita que definir a noção de sustentabilidade implica uma inter-relação necessária entre justiça social, qualidade de vida, equilíbrio ambiental e a

necessidade de desenvolvimento como tendo uma capacidade de suporte. As opções para alterar o quadro de degradação passam por práticas sociais

numa perspectiva integradora, levando em consideração critérios culturais e determinações específicas das políticas públicas (JACOBI, 2000).

Entretanto, para Figueredo (2003), o ser humano efetivamente se constrói no contexto da sociedade. A relação social se estabelece dentro de um conjunto de normas historicamente estabelecidas que definem estratos sociais. Com base nesta hierarquização percebe-se toda uma estrutura social que impõe e determina, aos menos favorecidos, propostas políticas e relações de trabalho convenientes aos que possuem a hegemonia na sociedade. Isto repercute em todos os processos sociais que conhecemos fisicamente.

É nessa relação que alternativas de enfrentamento através de redes e movimentos sociais, parecem ter um lugar importante na construção de consciência crítica para tratar das relações de mútua dependência que existem na interação da sociedade com a natureza. Isto implica no repensar dos modelos, dos projetos, das propostas de desenvolvimento que aí estão.

Nesse sentido, a educação ambiental, enquanto prática dialógica, libertadora, que objetiva a expansão da consciência crítica, implica em abordagens da problemática socioambiental que inter-relacione os múltiplos aspectos que constituem o real, ou seja: sociais, econômicos, políticos, culturais, científicos, tecnológicos, ecológicos, jurídicos, éticos e espirituais (FIGUEREDO, 2003).

Autores como Peralta e Ruiz (2003) reforçam a idéia de que a educação ambiental promove o conhecimento da relação entre natureza e sociedade, através de metodologias que estimulam a apropriação do ambiente, onde os sujeitos constroem práticas cidadãs que ajudam a tornar a sociedade menos vulnerável para o futuro pela transformação das condições que geram a não sustentabilidade. Os esforços para uma educação ambiental foram gestados nos espaços extra-escolares e no contato com a realidade das populações, portanto, tal pedagogia não tem registro oficial nas escolas e se inscreve como educação popular ambiental, onde:

“As bases éticas ontológicas da nova pedagogia foram cimentadas na negação da opressão como ato natural. O ser humano não está sendo chamado à opressão por natureza. É o contexto socioeconômico e cultural que o determina e é possível transforma-lo, mas somente com a condição que cada ser humano e cada grupo social se transformem em sujeitos históricos e livres para pensar por si mesmos. Consequentemente, eles serão capazes de decidir de maneira crítica ante as opções da sociedade. [...] O diálogo é a via básica para a aprendizagem, entendido como um ato democrático e de reforço da auto-estima do aluno. Os conteúdos curriculares são determinados com base na realidade local, considerando em sua eleição critérios mobilizadores e de aprendizagem. A conscientização se acunha como categoria que define um processo educativo pelo qual os alunos se apropriam do conhecimento para uma evolução de sua consciência, até alcançar o nível de consciência crítica e transitiva”. (PERALTA E RUIZ, 2003:248).

Benzer Belgeler