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Diante da importância do treinamento para o Banco, foi estruturada no primeiro semestre de 1979, a Divisão de Treinamento e Desenvolvimento (DITRE) e, dentro desta, o SECOP – Setor de Coordenação de Programas.

Conforme estudos de Parente (1991, p. 81-84), até 1979, uma das funções dos funcionários do SECOP era, ao final de cada curso, aplicar a avaliação de reação dos programas de treinamento do Banco, buscando saber a opinião dos alunos sobre os professores e o curso, de uma forma geral.

Aos professores, cabia avaliar a aprendizagem (Conhecimento), por meio de uma prova final, classificatória, em que os mais bem pontuados eram premiados solenemente.

Quando ocorria o treinamento em serviço, ou seja, no local de trabalho, era feita a avaliação pós-programa, por meio de questionário respondido pelo superior do treinando, para verificar se o conteúdo aprendido estava sendo aplicado.

Em julho de 1980, foi implantado o Núcleo de Avaliação de Treinamento, responsável pela elaboração de questionários para medir a reação do treinando ao curso, ao instrutor, à coordenação e às instalações do local de treinamento. Ao final de cada curso, era feito relatório baseado nas informações prestadas pelos treinandos, para subsidiar futuras ações de educação corporativa.

Em 1985, a avaliação de reação passou a ser aplicada por meio de formulários respondidos pelos alunos, e por meio da observação do coordenador do curso em sala de aula.

A partir de 1988, a avaliação volta a ser responsabilidade dos coordenadores de curso. Na época, eram realizadas: (1) avaliação de reação do aluno, composta pela avaliação do instrutor, da disciplina e do programa; (2) auto- avaliação do instrutor; (3) avaliação da disciplina pelo instrutor. Quando da realização de treinamento prático, era aplicado o questionário pós-programa, em que o treinando e seu superior imediato (instrutor) se avaliavam.

Ainda segundo Parente (1991), ao longo dos anos, a avaliação de conhecimentos também sofreu algumas alterações. No início dos anos 70, eram

realizadas provas discursivas, com ponderações, que dependiam do grau de importância da disciplina.

De 1975 até 1979, considerava-se a nota obtida pelo aluno, na gradação de 0 a 100, sem ponderação. Em 1981, as notas foram transformadas em conceitos, que variavam de A até D. Em 1982, nova alteração: passou a ser utilizado o sistema de padronização das notas usadas em vestibulares.

Em 1984, retornou-se à pontuação simples, variando de 0 a 10, que resistiu apenas até 1985, quando a avaliação da aprendizagem voltou a ser realizada por meio dos conceitos A, B e C. Por fim, de 1986 até hoje, as notas têm sido consideradas em gradação de 0 a 10.

Atualmente, a avaliação dos treinamentos da instituição ocorre em nível de reação, em que é analisado o programa, a coordenação, o material e o instrutor. A avaliação de conhecimentos é aplicada em todos os cursos da Comunidade Virtual de Aprendizagem e, ocasionalmente, nos cursos presenciais, a critério do instrutor.

Apesar da sua comprovada importância, as avaliações dos níveis três e quatro de Kirkpatrick (1996), “impacto do treinamento no trabalho” e “resultados”, respectivamente, não são realizadas no BNB.

Considerando-se a importância do treinamento para a Instituição e a necessidade de saber se as ações educacionais têm surtido efeito, entende-se ser relevante este estudo, por analisar o impacto da educação corporativa no desempenho do funcionário.

3AVALIAÇÃO

Estou condenado a ser livre. Isso quer dizer que nenhum limite para minha liberdade pode ser estabelecido exceto a própria liberdade, ou, se você preferir; que nós não somos livres para deixar de ser livres.

Jean-Paul Sartre

Em seu livro “Ser e o Nada”, Sartre (2003) versa sobre a liberdade humana e suas conseqüências. Para o autor, liberdade é a possibilidade de fazer escolhas e de responsabilizar-se por elas. Isso pressupõe que, a cada nova situação, o homem deva analisar as diversas possibilidades postas, avaliá-las segundo seus critérios e valores pessoais, e optar por uma delas.

Ao se fazer escolhas, usa-se critérios e procura-se cercar da maior quantidade de informações possíveis com a intenção de avaliar, da melhor forma, as possibilidades que são apresentadas.

Essa análise criteriosa é necessária, pois, quando escolhemos, rejeitamos outras possibilidades disponíveis e nos tornamos responsáveis pela opção feita, mesmo quando se deixa essa responsabilidade para outrem.

Ao longo do tempo, a situação pode mudar, compromissos podem ser cancelados, mas analisando-se as condições criteriosamente, pode-se minimizar a possibilidade de escolha inadequada.

Sendo uma atividade intrínseca ao ser humano, avaliam-se constantemente, de forma consciente ou não, situações, comportamentos, procedimentos, pessoas, coisas, e em todos os casos a escolha tem conseqüências, não se esgotando na própria decisão.

Para Bloom et al. (1983, p. 157), “o homem é formado de tal modo que não pode deixar de avaliar, julgar, estimar ou valorar”, e define avaliação como processo de julgamento acerca do valor de atividades realizadas com propósito específico.

Segundo Vianna (2000, p. 18), avaliação “é uma das múltiplas possibilidades para explicar um fenômeno, analisar suas causas, estabelecer prováveis conseqüências e sugerir elementos para uma discussão posterior”, na

qual serão tomadas decisões. Avaliação tem, assim, o papel de subsidiar a tomada de decisão.

Millioni (2000, p. 9) afirma que “avaliar significa submeter algo a um processo de análise normalmente determinado por parâmetros concretos ou referenciais”.

Demo (2003, p. 29), por sua vez, considera a avaliação “componente

permanente (grifo do autor) intrínseco e estrutural de todo processo comprometido

com a qualidade”, que deve ser realizada, a fim de atender aos objetivos de formação de competências.

Sant’anna (1995) entende avaliação como um instrumento de acompanhamento do desempenho dos envolvidos no processo instrucional, e considera como funções gerais da avaliação: (1) o fornecimento de bases para o planejamento do ensino; (2) a seleção e a classificação dos envolvidos; e (3) a identificação da necessidade de possíveis ajustes nas políticas e práticas curriculares.

Assim, a avaliação pode ser considerada como análise parametrizada de um fenômeno, realizada com o intuito de obter subsídios que promovam a melhoria da qualidade das diversas atividades humanas, influenciando desde os processos educacionais aos profissionais.

Por seu caráter subjetivo, a avaliação é assunto controverso e muitas teorias tentam desenvolver estratégias de minimização das deficiências a fim de garantir a confiabilidade dos resultados, da avaliação educacional e da educação corporativa, como veremos adiante.

Benzer Belgeler