Para responder às emergentes necessidades de saúde da população do estado do Ceará,
o governo do estado vem trabalhando nos últimos anos numa expansão da Rede Estadual de
Saúde. No âmbito da Atenção Especializada e Alta Complexidade, houve ampliação da rede
hospitalar, construção de Policlínicas e Centros de Especialidades Odontológicas em cada
Micro Região de saúde do Estado. No campo da Atenção Primária, nacionalmente houve
aumento das equipes de ESF, bem como a implantação da estratégia NASF a partir de 2009.
Essa conjuntura demandou uma maior integração e qualificação profissional, visando a
melhoria das condições de saúde da população e maior resolutividade (CEARÁ, 2012).
Nesse contexto, a ESP/CE elabora um projeto de qualificação profissional no formato
Residência Multiprofissional em consonância com os princípios e diretrizes do SUS e
buscando atender as necessidades de saúde do Ceará. Surge então a RIS-ESP/CE com um
macro objetivo de “interiorização da Educação Permanente Interprofissional em Saúde, por
meio da qualificação de profissionais, de forma a contribuir para a consolidação da carreira na
saúde pública e para o fortalecimento das Redes do SUS” (CEARÁ, 2013a, p. 5).
A ESP/CE submete o projeto da RIS ao edital de convocação para submissão de
projetos de Residência Multiprofissional em Saúde (Edital SGTES/MS/MEC nº17/2011), o
projeto supracitado, com uma proposta inicial de quatro ênfases integradas: Saúde da Família
e Comunidade, Saúde Mental, Saúde Coletiva e Cancerologia. Em 2012, o MEC e o MS
homologam a proposta da RIS-ESP/CE (Portaria Conjunta MS/MÊS nº7/2012), autorizando o
projeto das quatro ênfases de residência multiprofissional no estado do Ceará. No mesmo ano,
a ESP/CE concorre novamente à sete novos projetos de ênfases hospitalares, através do Edital
SGTES/MS/MÊS nº 28/2012, aprovados por Portaria Conjunta MS/MEC nº 11/2013
(CEARÁ, 2015).
O gestor da Secretaria Estadual de Saúde (SESA) firma então compromisso de
implementar os programas de residência multiprofissional em saúde no estado por meio da
Escola de Saúde Pública do Ceará, através da publicação de documentos oficiais formalizando
implantação e expansão (Ofício SESA nº 1.184/2012 e 2.978/2013) (CEARÁ, 2015).
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A aprovação dos projetos foi submetida ainda à Comissão de Integração Ensino-
Serviço (CIES) Estadual que emitiu pareceres favoráveis tanto para implantação como para
expansão da RIS-ESP/CE (Pareceres nº 2/2012; 3/2012; 4/2012; 5/2012; 8/2013; 9/2013;
10/2013 e 11/2013). A apreciação do projeto também foi submetida à Comissão Intergestores
Bipartite (CIB) que, enquanto instância de discussão e negociação da operacionalização do
SUS, composta por gestores da saúde do Estado e Municípios, publicou resoluções aprovando
e homologando a implantação da RIS-ESP/CE e oficializando a ESP/CE como instituição
formadora e, os Hospitais da Rede SESA, o Instituto José Frota (IJF), Instituto do Câncer do
Ceará (ICC), a Coordenadoria das Coordenadorias Regionais de Saúde (CORES) da SESA e
os municípios como instituições executoras (Resoluções nº 233/2013 e 328/2014) (CEARÁ,
2015).
Foram formalizados 29 convênios entre ESP/CE e instituições executoras. Cabe à
instituição formadora a condução pedagógica do programa, através de: habilitação e formação
de preceptores, acompanhamento das instituições executoras, processos seletivos para
discentes e docentes, constituição de quadro docente (tutores de campo e núcleo e
coordenadores), elaboração de material didático, avaliação discente e docente, remuneração
de docentes-orientadores dos trabalhos de conclusão de curso, horas-aula de docentes
convidados para atividades teóricas, transporte, despesas com material de consumo e gráfica.
São atribuições das instituições executoras: sensibilização e mobilização da equipe gestora
para o desenvolvimento do programa, integração do programa às atividades cotidianas do
serviço, apoio à participação dos trabalhadores no processo, disponibilização de espaços para
a realização de atividades teórico-práticas do programa, transporte intramunicipal de apoio às
atividades do programa, material de consumo acadêmico e profissionais para assumir
preceptoria de campo e núcleo (CEARÁ, 2015).
Figura 4 – Etapas de implantação da RIS-ESP/CE
Fonte: Autoria própria
Convocação de projetos SGTES/MS e homologação do programa Convênios com instituições executoras Definição do número de residentes Definição de preceptores Definição das unidades/setores de atuação da residência
Mobilização dos serviços Edital de seleção
Carta de compromisso
SESA
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O primeiro edital de seleção da RIS-ESP/CE foi lançado em fevereiro de 2013 (Edital
nº3/2013) referente ao primeiro projeto aprovado com quatro ênfases. Para a primeira turma,
foram selecionados 222 profissionais residentes de diferentes categorias, distribuídos em dez
municípios e um hospital (Tabela 3).
As duas turmas subsequentes já contemplaram a expansão das ênfases hospitalares.
Para a segunda turma, no ano seguinte, foram selecionados 341 profissionais residentes
(Edital nº 01/2014), sendo 129 vagas para o componente hospitalar (distribuídas em oito
ênfases em sete hospitais da capital), mantidas as 26 vagas para a ênfase de Saúde Coletiva,
mantidas as 53 vagas para Saúde Mental Coletiva e ampliadas para 133 na ênfase de Saúde da
Família e Comunidade (CEARÁ, 2014a). Para a terceira turma foram selecionados 327
profissionais residentes (Edital nº 63/2014), permanecendo as 129 vagas para o componente
hospitalar, 26 vagas para Saúde Coletiva, 53 para Saúde Mental Coletiva e retomando 119
vagas para a ênfase de Saúde da Família e Comunidade (CEARÁ, 2014b).
Tabela 3 - Distribuição das vagas da primeira turma da RIS-ESP/CE
Ênfase Categorias Quantidade Total
Saúde da família e Comunidade
Enfermagem 33 119 Fisioterapia 15 Nutrição 12 Odontologia 31 Psicologia 14 Serviço Social 14
Saúde Mental Coletiva
Enfermagem 13 53 Educação Física 6 Serviço Social 11 Psicologia 12 Terapia Ocupacional 11 Saúde Coletiva Sanitarista preferencialmente graduados em: Saúde Coletiva, Enfermagem, Educação Física,
Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Nutrição, Odontologia, Psicologia, Serviço
Social, Terapia Ocupacional, Medicina Veterinária e Biomedicina
26 26 Cancerologia Enfermagem 4 24 Farmácia 4 Fisioterapia 4 Nutrição 4 Psicologia 4
58
Serviço Social 4
Total 222
Fonte: Edital nº 03/2013(CEARÁ, 2013d).
Fazem parte do corpo docente da residência: coordenação geral, coordenação das
ênfases, tutores de campo e núcleo, orientadores de serviço (articuladores) e preceptores de
campo e núcleo. O Regimento da RIS-ESP/CE (CEARÁ, 2013a), a revisão de literatura e
metodologia desta pesquisa apresentam a definição das funções docentes, imprescindíveis à
existência do programa, em conformidade com legislação de residências em saúde.
A coordenação geral da RIS-ESP/CE e a coordenação da ênfase de saúde da família e
comunidade possuem funções imprescindíveis à elaboração e efetivação do arranjo
organizacional e institucional do programa. Nas entrevistas realizadas, tanto a coordenadora
geral como o coordenador de ênfase destacam múltiplas funções associadas ao desempenho
da coordenação.
[...] o meu papel tem o perfil pedagógico, tem dimensões pedagógicas, administrativas e uma dimensão política. A parte pedagógica é quando a gente pensa no currículo, no perfil do ingresso e do egresso, que estratégias pedagógicas e competências a gente quer definir, tentando fazer esse alinhamento de que a residência (RIS) seja, de fato, integrada, pensar o currículo mesmo da parte educacional, considerando não só as fragilidades, mas também as necessidades formativas de quem entra na residência. Na parte administrativa, desde pensar nos fluxos administrativos de assiduidade, frequência, instrumentos, formulários, de legislação da residência, regras, normas, atendimento ao regimento da escola de saúde pública, porque tem o regimento da residência e da escola, de fazer esse alinhamento. A remuneração e seleção de tutores, toda a parte administrativa da residência. A parte política já é quando a gente se preocupa com a gestão externa da residência. Pra gente fazer a gestão de um processo, tenho que ter a gestão interna, pedagógico-administrativa, mas também tem uma gestão externa. Fazer com que a residência interaja com outros setores da escola de saúde pública e seja publicizada, a gente conseguiu. Dentro dessa parte política, tem também uma parte da gestão interna que envolve a dimensão política, que é a negociação com os municípios. Os convênios interinstitucionais com os municípios que executam residência com os hospitais, quando na fragilidade com os preceptores, a negociação com os gestores municipais, de hospitais, os secretários de saúde, pra que a gente consiga viabilizar a permanência dos preceptores no processo formativo e a remuneração, eu divido nessas três dimensões. (Coordenadora geral da RIS-ESP/CE)
Na função de coordenador a gente não só, digamos conduz programa na sua implantação de estratégias políticas e pedagógicas pra condução dele né do programa, mas a gente acaba acumulando as atividades como facilitação de momentos com os residentes, às vezes modelo mesmo de aula e por vezes usando, sendo facilitador de metodologias ativas de aprendizagem, fazendo a orientação de trabalhos de conclusão de curso ou de outros estudos equivalentes que nós esbarramos, acompanhando atividades de fórum de discussão virtual que é uma das estratégias aqui da residência, fazendo acompanhamento in loco a partir de visitas aos cenários de práticas da ênfase, fazendo com que o currículo seja executado com a construção dos módulos e de manuais pedagógicos pra preceptores e residentes,