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2.1.6. Konaklama İşletmelerinin Pazarlama Faaliyetlerinde Internet Kullanımı ve Sağladığı Avantajlar
Este estudo permitiu-nos perceber ser apropriada a analogia de que a história da cerâmica de Cunha está sustentada sobre três pilares: Cerâmica de Olaria (Tijolos), Cerâmica Caipira (Paneleiras), Cerâmica Artística de Alta Temperatura (Ateliês).
Por conta do eminente risco de extinção da cultura das Paneleiras e do dilema em que se encontram os donos de olarias: manter a viabilidade econômica da atividade, na clandestinidade ou aguardar a adequação dos laudos ambientais com as conformidades postas pelas regulamentações judiciais de preservação ambiental e em caso de liberação ficarem sujeitos à formalização da atividade, bem como à alta carga tributária sobre ela incidida e que, segundo alguns oleiros entrevistados, inviabilizaria atividade, a influência destas duas linhas de trabalho, sobre a produção dos ceramistas contemporâneos, mostra-se tanto estética quanto conceitualmente ínfima. Por mais que alguns ceramistas assumam-nas como referências em seus trabalhos ou processo de criação, efetivamente elas se apresentam de forma muito subjetiva.
Em relação à produção ceramista da cidade nos últimos 36 anos, pudemos identificar algumas características marcantes, tais como o entendimento da dinâmica do espaço dos Ateliês, como elemento fundamental para no processo de identificação dos ceramistas e seus trabalhos. Também os equipamentos, especialmente o forno Noborigama e o torno, empregados na produção das peças, por demandarem além de um conhecimento técnico específico, para sua operacionalização, e virem revestidos de uma forte carga histórico-afetiva, que por sua vez tem demonstrado ser lida e absorvida de diferentes formas, configuram-se como elementos promotores de novas poéticas, contribuindo largamente para enriquecer e incorporar na cultura local, outras concepções para a forma de olhar, produzir e comercializar o objeto cerâmico.
O fato de a maioria dos personagens deste estudo estarem vivos, e por termos tido a oportunidade de coletar seus depoimentos sobre a história que eles mesmos, ao longo destes últimos trinta e seis anos vêm contribuindo para escrever, constituiu-se como fonte primorosa de coleta de informações, o que tornou possível tecermos considerações que trouxeram à tona alguns marcos referenciais, apresentados a seguir, facilitadores da intelecção das dinâmicas por nós aqui apresentadas.
165 A chegada do grupo de Antigo Matadouro em 1975 inaugura um momento novo na cultura ceramista local.
A abertura de fornada promovida pelo Ateliê Suenaga e Jardineiro marca o início de um movimento de abertura da cidade de Cunha e seus ceramistas para o mercado turístico; transforma o espaço do Ateliê em ponto de visitação, afetando diretamente a forma dos ceramistas pensarem não apenas a estética de seu trabalho, mas a forma de exposição dos mesmos, bem como a acolhida aos visitantes; estimula o surgimento das primeiras pousadas e cria o precedente de viabilidade econômica, baseado na cerâmica como atrativo turístico.
A instalação do Ateliê de Sandra Bernardini, no ano de 1995, marca o início daquela que entendemos como geração de ceramistas urbanos, ou terceira geração que, referenciados em outras bases, tem ajudado a ampliar o reconhecimento de Cunha como importante pólo produtor de Cerâmica Artística de Alta Temperatura.
O Instituto Cultural da Cerâmica de Cunha, apesar de ainda não ter concretizado plenamente, nem evidenciado todo seu potencial, mostra-se um possível novo marco referencial dentro desta história, mas devido ao fato de não termos o distanciamento histórico necessário para analisarmos os desdobramentos de suas dinâmicas junto à cultura local, apenas uma pesquisa futura poderá constatar com mais propriedade.
Mesmo se apresentando como uma tendência irreversível para alguns processos envolvendo a articulação de questões referentes à produção e ensino da cultura ceramista na cidade, o processo de institucionalização da cerâmica, a nosso ver caminha na contramão das dinâmicas que entre os anos de 1975 e 2005, pautadas no trabalho individual e descentralizado dos ateliês, projetaram a cidade para dentro do cenário ceramista nacional. Sendo assim, nos preocupa-nos a possibilidade de que em nome dos interesses institucionais, certas nuanças culturais que tem por característica uma relação profunda com o ambiente onde se manifestam, sejam confinadas em uma sala “cubo branco” de Instituição, passando a ser entendidas apenas como mera projeção desencarnada de saberes culturais fragmentados, como acontece com muitas obras de arte pertencentes a acervos diversos. Além disso corre-se o risco de que os ideais preservação e valorização, de determinadas práticas culturais, como por exemplo: a queima em Alta Temperatura, em forno Noborigama, acabem não contemplando algumas outras (Paneleirias, Olarias, Cerâmica Indígena) pela falta de um debate mais aprofundado sobre a importância do Todo Cultural expresso no histórico
166 ceramista local, seja no processo de identificação da atual e futuras gerações, ou mesmo para resgatar parte das memórias escritas antes delas.
O fato da cerâmica produzida nos Ateliês, até hoje apresentar dificuldades para ser percebida pela população cunhense como elemento pertencente à cultura local, é por nós entendido como um reflexo do distanciamento praticado pelos ceramistas ao longo de mais de trinta anos. Se os primeiros trintas anos contados a partir de 1975 foram suficientes para erguer bases para um pólo ceramista, não o são para criar de forma sustentável, uma tradição local em torno do objeto cerâmico, portanto mostra-se inoportuno até o presente momento referir-se à existência de uma cerâmica de Cunha, cabendo mais a expressão cerâmica em Cunha.
Por fim entendemos que mesmo tendo o atual contexto histórico cada vez mais apresentado caminhos diferenciados, como possibilidades de percurso, tanto em relação à organização dos ceramistas, quanto na aproximação com a comunidade, a marca maior da cerâmica ali produzia: queima a lenha em Alta Temperatura, continua tendo na individualidade dos Ateliês, seu campo mais fértil de gestação e manutenção. Por sua relevância histórica, já extrapolam a condição de meros espaços de trabalho, podendo ser considerados patrimônio da cidade, cuja importância, deve sempre ser tomada como primordial para quaisquer que sejam os Caminhos da Cerâmica em Cunha.
Certos de que as contribuições aqui postas são uma fração das possibilidades de olhar e refletir sobre o universo da cerâmica percebida em Cunha esperamos ter, com boa medida, contribuído para o entendimento dos pontos por nós levantados.
Que este estudo fomente também a curiosidade de outros pesquisadores em buscar estabelecer novas leituras sobre este objeto de pesquisa, promovendo assim a escrita de muitos outros capítulos relacionados a esta mesma história.
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