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3. TOKAT MÜZESİ’NDE BULUNAN İŞLEMELİ SANCAKLARIN GENEL ÖZELLİKLERİNİN DEĞERLENDİRİLMESİ ÖZELLİKLERİNİN DEĞERLENDİRİLMESİ

3.12. Kompozisyon Özellikler

especificidades do perfil do bacharel que a FGV pretendia

formar, de quem se esperava conseguir, além do

conhecimento técnico-jurídico, habilidades como boa

comunicação oral e capacidade para trabalhar em grupo.

SELEÇÃO DOS PRIMEIROS ALUNOS: O VESTIBULAR

A tarefa de planejamento e implementação do exame de ingresso foi entregue ao professor Jocimar Archangelo, que já havia sido respon- sável, anteriormente, pelo inovador vestibular da Unicamp (1986) e também pela implementação do Exame Nacional do Ensino Superior do Ministério da Educação, o conhecido “Provão” do MEC. Atento às características do profissional que a DIREITO GV pretendia formar, Archangelo planejou um exame diferenciado, capaz de aferir habilida- des difíceis de serem medidas por meio da prova tradicional. A institui- ção de uma avaliação oral em uma das fases do concurso surgiu exatamente dessa necessidade, como ele próprio relata: “O PDI previa que o advogado formado pela DIREITO GV deveria ser um profissional que demonstrasse capacidade aprimorada para trabalhar em grupo. Por quê? Porque a profissão jurídica deixou de ser praticada individual- mente. O advogado hoje faz parte de um time. Além disso, é fundamen- tal que ele seja capaz de defender pontos de vista e de articular ideias verbalmente. Já não basta, apenas, escrever bem. Por isso eu sugeri, já na primeira proposta do vestibular entregue à diretoria, que uma das fases do processo seletivo fosse feita oralmente”105. Além da prova oral,

outra característica do vestibular da DIREITO GV foi a total supressão dos testes de múltipla escolha, que têm sido criticados por Archangelo desde a época em que ele montou o exame da Unicamp.

A escolha das matérias e conteúdos cobrados foi outra inovação proposta pela equipe coordenada por Jocimar Archangelo. Na pri- meira fase, são realizadas provas de Redação, Língua Portuguesa, In- glês, História, Geografia, Raciocínio Lógico-Matemático, e Artes Plásticas e Literatura. Disciplinas como Física, Biologia e Química fi- caram de fora. O viés enciclopedista foi também afastado das matérias selecionadas para o vestibular. Do programa da prova de História, por exemplo, foram excluídos temas relativos a períodos anteriores à história moderna. Da prova de raciocínio lógico-matemático, foram excluídos “conteúdos fechados em suas próprias especificidades”, que “não favoreçam interações com outras áreas do conhecimento”, pri- vilegiando-se, assim, assuntos que possam “ser caracterizados como repertório básico para a formação geral de qualquer cidadão que tra- balhe no campo da produção intelectual”106.

A prova de Artes Plásticas e Literatura foi outra inovação. No pro- grama de literatura, a novidade foi a entrada de obras literárias estran- geiras, o que não costuma ser comum. Já a parte de Artes Plásticas tinha

como principal objetivo avaliar a sensibilidade estética do aluno. Diz Archangelo: “É muito gratificante saber que na proposta do curso de Direito há uma preocupação em formar profissionais com sensibilidade para as artes. A literatura, o cinema, as artes visuais, ampliam a visão de mundo dos alunos”107. Assim, o programa recomendou a leitura de

seis trabalhos literários108e o estudo de dez obras de artes plásticas109.

A prova de inglês foi outra que ganhou especial relevo no processo seletivo. Além de ferramenta absolutamente necessária para todo e qualquer profissional que queira atuar no presente mundo globalizado, o domínio da língua inglesa é considerado também indispensável para que o aluno da DIREITO GV possa acompanhar algumas das discipli- nas do curso, nas quais se exige a leitura de textos nesse idioma. Theo- domiro Dias Neto exemplifica: “Nas aulas de ‘Crime e Sociedade’, solicito aos alunos que leiam textos clássicos de criminologia em versão original. Sinto-me confortável para exigir isso, porque o vestibular exige prévio conhecimento da língua inglesa. Enfatizo sempre aos alu- nos que isso é um verdadeiro privilégio, porque talvez nenhum outro curso de graduação no Brasil trabalhe com os textos clássicos dos cria- dores das escolas de Criminologia”110. Por tudo isso, a prova de inglês

tem grande importância no vestibular montado. Ary Oswaldo Mattos Filho fala no evento “Conheça a DIREITO GV”, endereçado aos alunos aprovados no vestibular de 2005

De todas as matérias exigidas na primeira fase, apenas a prova de Redação figurava como eliminatória na primeira edição do vestibular, no final de 2004. Isso quer dizer que uma nota inferior a 3,00 na Re- dação desclassificaria automaticamente o candidato do processo sele- tivo. Nos anos seguintes, as provas de Português e Inglês também passaram a ser eliminatórias, graças ao diagnóstico feito pelos profes- sores após a primeira turma, que identificou algumas deficiências nes- sas matérias entre alguns dos alunos aprovados. Explica Jocimar Archangelo: “O vestibular deve ser submetido a constantes diagnós- ticos, nos quais os professores identificam se os alunos aprovados pos- suem o perfil esperado. O curso é todo montado tendo-se em mente um aluno ideal, e nem sempre o grupo que chega contempla essa ex- pectativa. Diante das condições reais, a prova deve ser adaptada, sem- pre que necessário”111. Em função desse diagnóstico, as disciplinas de

História e Geografia também se tornarão eliminatórias, a partir do próximo exame.

Na segunda fase do vestibular, foi montada uma avaliação para verificar a capacidade de expressão oral e aptidão para o trabalho em grupo dos vestibulandos. Procurou-se dar um grau de sofisticação tal à prova, de modo que ela não pudesse, pelas suas características, ser confundida com as dinâmicas de grupo adotadas em processo seletivos de empresas. Os alunos aprovados na primeira fase são convocados para o exame oral em grupos de, em média, dez candidatos, e passam por três fases distintas: apresentação individual, trabalho em grupo e debate entre os vários grupos formados.

No começo da prova, os alunos tomam conhecimento de uma si- tuação-problema por meio de alguns subtemas. O candidato deve então preparar, individualmente, uma apresentação sobre algum dos subtemas propostos. A apresentação deve durar dois minutos e é as- sistida pelos demais candidatos. O objetivo desta etapa é preparar os “candidatos para as discussões previstas na segunda e terceira etapas, e conferir-lhes a oportunidade para expressarem suas ideias e argu- mentarem sem a pressão e a concorrência comuns em discussões de grupo”112. Concluídas as apresentações individuais, os candidatos são

reunidos em dois grupos aos quais é proposto um tema de caráter amplo, para que defendam teses contrárias. Cada grupo tem quinze minutos para construir, internamente, a argumentação necessária para a defesa de sua tese. Essa defesa poderá, inclusive, se basear em

argumentos desenvolvidos individualmente pelos alunos na fase ante- rior. Durante essa fase preparatória, os alunos são avaliados enquanto se preparam coletivamente para o debate que acontecerá na etapa se- guinte. Na terceira e última etapa, forma-se um grupo único, reunido em círculo, para a realização de um debate113. “Na prova oral”, ex-

plica Archangelo, “existem vários critérios através dos quais os alunos são avaliados. Dada uma situação concreta, verificamos a capacidade de verbalização, de argumentação oral, de articulação de ideias etc. Isso é feito em diversas situações: quando o aluno fala sozinho, quando ele constrói argumentos com uma equipe pequena, e, por fim, quando o debate acontece dentro do grande grupo”114.

Traçadas as linhas e formada a equipe que conduziria o vestibular, o passo seguinte foi o de montar uma estratégia de divulgação da nova Escola, para que houvesse um número satisfatório de candidatos inscritos. O curso, além de ainda ser bastante desconhecido fora de seus muros, havia sido todo pensado para um público com caracterís- ticas muito particulares. A divulgação, portanto, teve que ser planejada de modo a atingir esse público, através da internet e da imprensa, de distribuição de cartazes e folders e de contatos presenciais com can- didatos potenciais. Para tanto, a Escola contou com a assessoria de Juliana Bernardini, que se tornou responsável permanente pela comu- nicação da DIREITO GV. Alguns professores e o próprio diretor Ary Oswaldo Mattos Filho também participaram ativamente desse pro- cesso de divulgação, dirigindo-se a cursinhos e escolas da capital e do interior de São Paulo para apresentar o projeto do novo curso.

Conrado Hübner Mendes, que foi o profissional da Escola encar- regado de ficar à frente dessa tarefa, conta como foi a experiência: “Nos encontros para divulgação do curso, os alunos se mostravam muito curiosos e interessados em obter maiores informações sobre a ‘nova Escola’. Havia, no entanto, uma predisposição crítica em rela- ção ao fato de que o curso, supostamente, teria um enfoque preferen- cial em Direito dos Negócios. Eu percebia uma certa censura em relação a essa ideia, e por isso tentei mostrar que a Escola também era receptiva a pessoas que tivessem outros focos. O curso era muito mais heterogêneo, muito mais aberto do que a sua imagem pública transmitia. De fato, existe uma preocupação grande com o Direito dos Negócios, e quem quiser seguir essa área terá uma excelente formação. Mas a Escola nunca foi apenas isso. O curso também se volta para o

interesse público, estimula os alunos a se dedicarem à área acadêmica, enfim, proporciona formação para diferentes perfis. Minha função, então, foi a de tentar eliminar essa visão predominante de que éramos uma escola com um foco unilateral, unidimensional”115.

O valor da mensalidade a ser cobrada no futuro curso também era uma informação controversa para os primeiros candidatos. Dado o alto custo necessário para o funcionamento da Escola, sabia-se que a entidade dependeria financeiramente da sua mantenedora, a Fundação Getulio Vargas, e que as mensalidades pagas pelos alunos não seriam suficientes para cobrir todo o custeio da instituição. A demora para a definição do valor da mensalidade decorria, portanto, das incertezas da diretoria em relação aos déficits que a mantenedora concordaria em suportar. Essa indefinição provocou reações negativas nos alunos interessados em prestar o vestibular, de modo que, para não compro- meter o sucesso do processo seletivo, a diretoria acabou decidindo ar- bitrar um valor de mensalidade. Relembra Conrado Hübner Mendes: “Houve um episódio em que o professor Ary Oswaldo mencionou, numa entrevista para a imprensa, que o curso de Direito custaria cerca de mil dólares mensais. Nas minhas visitas aos colégios, percebi o im- pacto negativo dessa declaração, e comuniquei à diretoria que o pro- jeto corria o risco de naufragar caso o valor da mensalidade não fosse definido e divulgado. Os diretores fizeram um esforço e estabeleceram, para o primeiro semestre, uma mensalidade no valor de R$ 2 mil. A partir daí, nossa estratégia mudou, ficou mais refinada. Embora o preço da mensalidade não fosse baixo, divulgamos a proposta do fundo de bolsas e adotamos o discurso de que nenhum aluno deixaria de estudar na DIREITO GV por falta de recursos”116.

Na primeira edição, as provas do vestibular aconteceram em São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto. Houve 1.258 inscritos, o que re- sultou em uma concorrência de 25 candidatos por vaga. Logo após a divulgação dos resultados do concurso, uma outra iniciativa tomada pela Escola merece destaque. Considerando que uma boa parcela dos candidatos aprovados também havia passado nos cursos de Direito de outras instituições de ensino, a Escola decidiu adotar uma estraté- gia para aproximar os alunos do projeto e sensibilizá-los a optarem pela matrícula na DIREITO GV. Na data da pré-matrícula, foi orga- nizado um encontro entre alunos, pais, professores, coordenadores e diretores da Escola. Foi uma oportunidade importante para que os

alunos conhecessem melhor a proposta do curso. Adriana Ancona de Faria, coordenadora de graduação da instituição, dá os detalhes: “Em 2005, organizamos um encontro com os alunos aprovados e seus pais. Esse evento, que ainda hoje acontece no dia da pré-matrícula, é muito rico. Como a reforma do prédio ainda não estava concluída, aquele primeiro encontro foi realizado no prédio da Rua Itapeva. Abrimos o evento no Salão Nobre, apresentando as questões essenciais da pro- posta pedagógica do nosso curso de Direito. Em seguida, oferecemos um coquetel no Espaço Bohemia, onde pais e alunos puderam conver- sar livremente com os professores e diretores da Escola. Esse evento foi muito marcante, pois estabeleceu o primeiro contato da Escola com os seus alunos”117. No primeiro ano do curso, essa iniciativa de

sensibilização dos candidatos produziu bons resultados: dos 33 alunos aprovados simultaneamente nos vestibulares da FGV, USP e PUC, quinze escolheram se matricular na DIREITO GV118.

D

esde os primeiros momentos de seu processo de

Benzer Belgeler