O tema Gestão do Conhecimento (GC) tem bases sólidas em várias abordagens distintas e complementares. (KRUGLIANSKAS e TERRA, 2003).
São diversos os focos de estudo – ciências econômicas, administração geral, aplicações de informática, gestão da inovação, organização do trabalho, engenharia de produção, psicologia etc. – cujas conclusões se superpõem, se complementam e, às vezes, se contrapõem.
É fato, também, que a GC trouxe novo ferramental conceitual, gerencial e de informática que enriquece as conclusões de trabalhos anteriores relacionados a essas várias disciplinas. A GC sintetiza de forma bastante interessante conclusões dos vários campos anteriormente mencionados, permitindo aos gestores tratar melhor a principal matéria-prima que garante a diferenciação e a competitividade: o Conhecimento. (KRUGLIANSKAS e TERRA, 2003).
Nesta linha, ainda segundo os autores, a Gestão do Conhecimento implica na coordenação sistêmica de esforços em vários planos: organizacional e individual; estratégico e operacional; normas formais e informais que discutam várias dimensões:
Socialização Conhecimento Compartilhado Externalização Conhecimento Conceitual Internalização Conhecimento Operacional Combinação Conhecimento Sistêmico Conhecimento Tácito Do Conhecimento explícito
O papel da alta administração;
Novas práticas de organização do trabalho;
Desenvolvimento de processos específicos para facilitar as atividades da GC; Práticas e políticas de administração de recursos humanos;
Novas tecnologias de informação e comunicação; Novas formas de medir resultados empresariais e Novas formas de aprendizado com o ambiente.
O principal ativo das empresas refere-se ao ser humano, seja ele colaborador, cliente, fornecedor ou parceiro. Escutar cada uma das partes, entender suas idéias, criar ambientes que favoreçam a criação e a transformação do conhecimento, as trocas de experiências, o compartilhamento do êxito e também do erro, levam a um ganho significativo nos resultados das organizações. Em outras palavras, a grande riqueza das empresas, sobretudo as das que lidam com Tecnologia de Informação (TI), está em seu próprio interior, nas pessoas que emprestam seu conhecimento a elas. É só investigá-las, e investir em seu aperfeiçoamento.
Caberá às empresas decidirem-se por capturar o capital intelectual, o capital do conhecimento. Ao gerenciamento desse tipo de capital, dá-se o nome de Gestão do Conhecimento Organizacional. (GATTONI, 1999).
Há duas linhas principais de pensamento na Gestão do Conhecimento, a oriunda das técnicas de modelagem de dados advoga que existe conhecimento explícito e implícito (tácito). O primeiro baseia-se no aprendizado formal e organizado, relativamente fácil de mensurar através de testes. Está contido em documentos, projetos, livros, etc. O conhecimento implícito (tácito) está relacionado ao conceito de modelo mental. Este é a combinação de conhecimento sobre o tópico, tática a ser empregada para resolver a questão, gostos pessoais, etc. É difícil de capturar e modelar, pois abrange a maneira como se aborda um problema. É esse como, que se denomina heurística.
A segunda linha de pensamento origina-se da ciência da administração. Essa linha propõe que sejam criados núcleos de conhecimento que dêem origem, em um
processo evolutivo, a repositórios ou bases de conhecimento. Esses núcleos seriam
críticos para a sobrevivência das organizações. Seria possível priorizar os esforços de modelagem de conhecimento, eliminando aqueles que não representassem relação direta com os fatores de sucesso.
O conhecimento contido nas mentes e nos processos da organização pode ser definido, organizado, compartilhado e enriquecido e, portanto, as relações de causa e efeito dentro da cadeia organizacional são percebidas e atendidas de forma mais eficaz.
A Gestão do Conhecimento passa, essencialmente, pelo compartilhamento dos conhecimentos individuais para a formação do conhecimento organizacional, sendo assim, a pessoa que detém o conhecimento é que decide se compartilha ou não. Depende, portanto, do quanto está motivada para isso. Motivação é, dessa forma, uma questão chave para uma bem sucedida Gestão do Conhecimento. (SERAFIM FILHO, 1999).
Com algumas variações de um autor para outro, a gestão do Conhecimento refere-se a todo esforço sistemático realizado pela organização para criar, utilizar, reter e medir o seu conhecimento.
Para Terra (2003a), Gestão do Conhecimento significa organizar as principais políticas, processos e ferramentas gerenciais e tecnológicas à luz de uma melhor compreensão dos processos de geração, identificação, validação, disseminação, compartilhamento e uso dos conhecimentos estratégicos para gerar resultados econômicos para a empresa e benefícios para os colaboradores.
Gestão do Conhecimento é todo o esforço sistemático realizado pela organização para identificar, capturar, compartilhar, obter, criar, organizar, utilizar, melhorar, reter e medir o seu conhecimento. É uma estratégia que
transforma ativos intangíveis – informação armazenada e talentos de seus
membros – em produtividade, valor e aumento de competitividade. Ensina
corporações, de gerentes a empregados, a produzir e otimizar habilidades como uma entidade coletiva. (ANDRADE e TOMAZ, 2003, p.112).
3.4.1 Atividades da gestão do conhecimento
A gestão do conhecimento pode ser apresentada através de 4 (quatro) etapas ou atividades a serem desenvolvidas:
Geração do conhecimento, corresponde à fase embrionária do saber. O uso e o estímulo de faculdades como a criatividade e a intuição humana, aliados às práticas da pesquisa, do estudo e da experimentação, caracterizam todo esse momento;
Codificação do conhecimento, através da organização das idéias, valendo-se de linguagens e meios que seriam para registrar o que foi desenvolvido (livros, artigos ou mesmo artefatos que tenham o conhecimento embutido);
Disseminação do conhecimento, cujo objetivo é a distribuição e divulgação de saber por inúmeros recursos de comunicação hoje disponíveis (conversas informais, cursos, intranet, internet, reuniões, programas, etc.);
Apropriação do conhecimento, que, no caso das pessoas, se dá pelo aprendizado e efetiva utilização. Nas empresas, esta fase ocorre, por exemplo, através de patentes, registro de marcas, etc. (MELLACI et al., 1999).