Com os resultados apresentados, pode-se de fato aceitar a hipótese que norteia o trabalho. Assim, as tecnologias sociais de gestão hídrica que se baseia em padrões sustentáveis e de cunho participativo, estão gerando impactos positivos, tanto sobre a sustentabilidade como na diminuição da vulnerabilidade do pequeno agricultor do semiárido cearense.
De uma forma geral, o perfil socioeconômico aponta um alto índice de analfabetismo e semianalfabetismo, boa parte dos entrevistados apresentaram uma faixa de idade entre 41 a 50 anos, as famílias são formadas em média por 4 pessoas, sendo que pouco mais da metade é de homens.
Os dados da produção mostram que, em quase sua totalidade, os entrevistados são minifundistas e têm a agricultura como principal atividade econômica, destinando para essa uma área menor ou igual a 5 hectares. Outro fato encontrado foi a baixa presença de assistência técnica e de acesso ao crédito, recursos esses de fundamental importância para desenvolver a atividade agrícola. Ainda existe o problema da má qualidade da moradia, que, em alguns casos, não oferece a menor condição de ser habitada, e o problema do direcionamento do lixo que, na maioria das vezes, é jogado ao solo ou queimado.
A renda agrícola dos beneficiários é maior do que a dos não beneficiários, fato esse explicado pela ocorrência de produção por parte do primeiro grupo mesmo no período da estiagem, isso também teve reflexo no tempo destinado ao trabalho na agricultura, pois os não beneficiários apresentaram quase 2 meses a menos de trabalho. Destaca-se também maior participação em associação por parte dos beneficiários dos programas.
Outro resultado importante que caracteriza a eficiência produtiva dos beneficiários dos programas está relacionado ao resultado da renda agrícola por hectare. Esse indica que o primeiro grupo tem um resultado médio superior ao grupo dos não beneficiários.
A qualidade da água, bem como seu tratamento, destacou os beneficiários dos programas com o não aparecimento de doenças relacionadas ao consumo de água imprópria; quando utilizavam água de um pequeno açude ou de poço, o índice de diarreia e outras doenças era muito elevado. Após a utilização da cisterna, todos os beneficiários afirmaram que não se encontram mais tais problemas.
Outro ponto que merece destaque é a diminuição do esforço para obter água. Antes da construção das cisternas, os mesmos tinham que caminhar de 1 a 5 km para encontrar água. A situação era pior para aquelas que não tinham um animal para o auxilio do transporte. As mulheres faziam o mesmo percurso, trazendo a lata com água em cima de sua cabeça. Isso todo foi eliminado, uma vez que as cisternas para o consumo humano estão fixadas na frente de suas casas.
Tanto na análise sem o pareamento ou com pareamento, o Índice de Desenvolvimento Econômico-Social – IDES atingiu para os beneficiários um valor maior em relação aos não beneficiários, sendo que os testes estatísticos qualificaram essa diferença. Para o primeiro grupo, o índice em questão foi considerado de médio desenvolvimento, enquanto, para o segundo grupo, o índice foi considerado de baixo desenvolvimento. O principal fator que motiva esse resultado está ligado às variáveis de saúde.
O Índice Ambiental – IA também ficou maior, independente de pareamento, para o grupo dos beneficiários frente aos não beneficiários. As variáveis “Métodos de Controle de Praga” e “Utilização de Fogo” foram as variáveis que mais influenciaram na formação desse indicador, entretanto, para ambos os grupos, os indicadores foram considerados de baixo nível de desenvolvimento ambiental.
Na formação sem o pareamento do Índice de Sustentabilidade – IS, tanto para Beneficiários como para não beneficiários dos programas, o indicador que teve mais peso foi o IDES, sendo o IS classificado como de médio nível de sustentabilidade para os beneficiários e de baixo nível de sustentabilidade para o outro grupo.
Após o pareamento por meio do modelo Propensity Score Matching, foi possível constatar, através dos ATT’s, que há indicativo de impacto positivo dos programas P1MC e P1+2 nos índices de Desenvolvimento Econômico-Social, Ambiental e Sustentabilidade de seus beneficiários. O teste bootstrapping foi usado para validar a significância desses índices, onde o mesmo validou o impacto positivo sobre todos os indicadores.
Assim, conclui-se que os programas P1MC e P1+2 estão atingindo os objetivos a que se propõem ,que é oferecer água de excelente qualidade, tanto para o consumo humano como para a pequena produção agrícola, o que traz melhorias na saúde e na geração de renda, diminuindo a agressão ao meio ambiente para a população do semiárido cearense.
políticas educacionais básicas, pois oferecem ao produtor uma ferramenta que vai permitir maior integração dos produtores com as modernas práticas produtivas tornando sua produção mais adaptável às oscilações do mercado; b) amplie a política creditícia para ajudar tanto o agricultor na hora do plantio como também na manutenção de sua atividade; c) expanda o serviço de assistência técnica com a realização de concurso público; d) melhore o nível de organização comunitária dos produtores, o que permitiria tanto uma articulação produtiva como também um maior poder de negociação perante o mercado e o governo; e) note que aspectos de saúde devem ser considerados, como a ampliação do acesso de água para consumo de qualidade; f) invista nas estruturas de moradia, para que as pessoas tenham pelo menos um local adequado para colocar seus dejetos e o lixo.
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