3. MURAT GÜLYOY’UN YALNIZLAR İÇİN ÇOK ÖZEL BİR HİZMET ADLI ROMANINDA
3.3. Kolaj
Tal como já foi referido anteriormente para o presente estudo será utilizado o método quantitativo recorrendo à aplicação de um questionário. Segundo McDaniel e Gates (2003, p. 322) o questionário “é um conjunto de perguntas destinadas a gerar dados necessários para atingir os objectivos de um projecto de pesquisa”. Para Sousa (2003a, p. 224) um questionário deve ser claro e não deve originar ambiguidades. As perguntas devem ser simples e acessíveis, evitando questões de índole subjectiva (Sousa, 2003a, p. 224).
Devido ao facto de este tipo de recolha de dados exigir alguma reflexão por parte dos inquiridos, torna-se necessário que o questionário seja aplicado de forma auto-administrada. De acordo com Sampieri, Collado e Lucio (2006, p. 339) um questionário auto-administrado é fornecido directamente aos indivíduos para que estes respondam. Neste caso, não existem intermediários e as respostas são assinaladas pelos próprios evitando qualquer tipo de influências (Sampieri, Collado e Lucio, 2006, p. 339).
Malhotra (2001, p. 274) refere que um questionário tem três objectivos específicos. O primeiro diz respeito ao facto de que este deve representar um conjunto de perguntas específicas, de forma a obter a informação desejada. Em segundo, o questionário deve motivar e incentivar o inquirido para que, o mesmo, se envolva com a temática, colaborando e completando a pesquisa. Por fim, o questionário deve minimizar o erro de resposta, isto é, quando os inquiridos dão respostas imprecisas ou então quando as respostas são analisadas incorrectamente.
68 4.4.1. Desenho dos questionários
McDaniel e Gates (2003, pp. 326 e 328) explicam que um questionário deve ser elaborado com base numa forma lógica e deve contemplar dez passos. Os mesmos autores salientam que estes passos variam de pesquisador para pesquisador, no entanto a tendência é para que sigam a mesma sequência geral. Assim sendo, de acordo com McDaniel e Gates (2003, p. 327), o processo de desenvolvimento de um questionário contém os seguintes passos:
1. Determinar os objectivos de pesquisa, recursos e restrições; 2. Determinar o(s) método(s) de recolha de dados;
3. Determinar o formato de perguntas e respostas; 4. Decidir sobre a redacção das perguntas;
5. Estabelecer o fluxo do questionário e o layout; 6. Avaliar o questionário e o layout;
7. Obter a aprovação de todos os responsáveis envolvidos; 8. Realização do pré-teste e revisão;
9. Preparação do texto final; 10. Implementação da pesquisa.
A elaboração do questionário da presente investigação teve como ponto de partida um estudo qualitativo, através da realização de duas entrevistas de grupo. Este estudo qualitativo foi realizado com uma amostra de jovens estudantes da Licenciatura e do Mestrado em Ciências da Comunicação da Universidade Fernando Pessoa. Os resultados deste ensaio podem ser consultados no apêndice I, presente no final deste trabalho. Os dados recolhidos através das respostas dos entrevistados mostraram-se uma excelente base para a construção do questionário.
Além do estudo qualitativo, torna-se necessário salientar o pedido, via e-mail, do questionário que Johnson (2007) aplicou para a realização da sua investigação (ver anexo I). A resposta positiva, por parte da autora, revelou-se uma mais-valia para a elaboração do questionário.
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A introdução das escalas existentes no questionário foram elaboradas a partir dos documentos referidos anteriormente, bem como através da revisão de literatura deste trabalho, não tendo por base nenhuma escala pré-existente. A escala de classificação por itens utilizada no questionário foi a de Likert, que exige que os inquiridos indiquem um grau de concordância ou discordância, de acordo com as afirmações facultadas (Malhotra, 2001, p. 255). Segundo Sousa (2003a, p. 225) esta escala pode ser representada por algarismo de 1 a 5 ou de 1 a 7, de maneira a possuir um elemento central neutro. Para o mesmo autor a “principal vantagem destas questões reside na facilidade de tratamento dos dados e na possibilidade de graduar a opinião dos inquiridos”. Assim sendo, para o presente estudo utilizou-se uma escala de Likert representada por algarismos de 1 a 7. No questionário foi ainda utilizada a escala nominal que, segundo Guimarães e Cabral (1997, p. 13) deve ser introduzida “quando cada um deles [dados] for identificado apenas pela atribuição de um nome que designa uma classe”.
No questionário foram utilizadas perguntas fechadas que se distinguem por pretenderem que o inquirido faça uma selecção mediante uma lista de respostas (McDaniel e Gates, 2003, p. 332). O questionário elaborado para este estudo de hábitos de leitura encontra-se no apêndice II. Em jeito de conclusão torna-se relevante salientar que, quando nos referimos a jornais impressos, seja no questionário ou na apresentação e discussão dos resultados (Capítulo V), referimo-nos a jornais impressos não gratuitos.
4.4.2. Determinação da amostra e do seu tamanho
Para a realização do estudo é necessário determinar qual a amostra mais adequada. Neste sentido, antes da definição de amostra, torna-se relevante explicar que população ou universo corresponde ao “grupo total de pessoas das quais as informações são necessárias” (McDaniel e Gates, 2003, p. 364). Por seu turno, amostra é “um subgrupo dos elementos da população seleccionado para a participação no estudo” (Malhotra, 2001, p. 301).
Neste ensaio vamos recorrer a uma amostra não-probabilística por conveniência. Para Barañano (2004, p. 91), este tipo de amostra, tal como o nome indica, é efectuada de forma arbitrária em função da conveniência da pesquisa. Assim sendo, a amostra
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escolhida para a realização do presente estudo foi estudantes da Licenciatura de Ciências da Comunicação, da Universidade Fernando Pessoa. A amostra tem a dimensão de 61 elementos divididos pelos três anos da licenciatura. Os questionários foram aplicados em sala de aula, logo o estudo não contempla a totalidade de estudantes porque não conta com os possíveis faltosos. Contudo, apesar desta situação, é possível afirmar com exactidão que a quase totalidade de alunos responderam ao questionário.
4.4.3 Recolha de dados
Relativamente à recolha de dados, os questionários foram aplicados no dia 15 de Outubro de 2009 em três salas de aula da Universidade Fernando Pessoa. Cada sala de aula visitada correspondia a cada ano de licenciatura. A entrevistadora entregou um questionário a cada aluno e certificou-se que cada um respondeu ao seu, evitando, desta forma, possíveis influências. Na altura da entrega, a entrevistadora certificou-se de que os questionários estavam correctamente preenchidos, de forma a evitar erros, como por exemplo falta de respostas. Apesar desta questão o anonimato dos inquiridos foi salvaguardado.