1.4. KOBİ’lerin Avantaj ve Dezavantajları
1.4.1. KOBİ’lerin Avantajları
Uma vez compreendido o processo de construção e de movimento dos significados culturais atribuídos às roupas de segunda mão no Brechó Chique, apresento, em forma de figura, a dinâmica que ilustra este processo, sendo esta a principal contribuição desta dissertação. Assim, faço contribuições à teoria de estrutura e movimento dos significados culturais dos bens de consumo de McCracken (1986). Conforme apresentado ao longo dessa dissertação, o processo de estrutura e de movimento dos significados culturais dos bens de consumo de McCracken (1986) é apresentado através de um modelo teórico de estrutura formal e linear, de fluxo unidirecional. Este modelo considera apenas a transferência dos significados, descartando a possibilidade deste poder ser modificado e transformado ao longo do processo de movimento.
Diferentemente do modelo teórico proposto por McCracken (1986), através da presente dissertação, compreendo que o processo de construção e de movimento dos significados culturais dos bens de consumo é fluído, permite a mudança e transformação dos significados, e não se apresenta em forma de uma estrutura rígida, definida e unidirecional. Este não se mostra como um processo de transmissão dos significados, mas sim de compartilhamento entre seus agentes constitutivos.
O processo de construção e de movimento dos significados culturais dos bens de consumo é fluído e permite mudança, pois é um fenômeno cultural, dependente dos valores compartilhados pelo grupo, que podem variar de acordo com o tempo e com o espaço. Não se apresenta em uma estrutura linear e formal e os significados são compartilhados e não transmitidos, pois eles se encontram alocados concomitantemente em mais de um local.
Na dinâmica proposta, que emerge do campo desta pesquisa, percebo a presença de uma interação continua, que produz os significados, não podendo precisar o início, o meio e o fim deste processo. No Brechó Chique se encontram, por exemplo, consumidoras- fornecedoras antigas que atribuem diversos significados as roupas de segunda mão, com outras que fazem sua primeira incursão e que chegam carregadas de significados de preconceito sobre este consumo, mesmo já percebendo haver na mídia outros significados.
115
Por fim, não se sabe nem de onde sai, nem para onde vai o significado, pois tudo acontece concomitantemente, sendo o significado o resultado do conjunto de todos os agentes.
A partir das percepções apresentadas anteriormente, proponho uma dinâmica que explica o processo de construção e movimento dos significados culturais atribuídos ao consumo de roupas de segunda mão. Esta pode ser observada na Figura 10, a seguir.
Figura 10 – Dinâmica do Processo de Construção e de Movimento dos Significados Culturais dos Bens de Consumo.
Fonte: A autora.
Esta dinâmica se apresenta em forma de espiral inspirado nos trabalhos de Prigogine (1996), Prêmio Nobel de Química, que estuda auto-organização, caos e irreversibilidade temporal, cujo conceito fundamental é o de retroalimentação evolutiva. Prigogini (1996), em seus estudos sobre sistemas químicos, descobriu que a flutuação de um sistema, em um dado momento, pode gerar uma base para uma reestruturação diferente, em um outro momento. Transportando este pensamento para a fronteira com os estudos sobre os sistemas humanos, estudiosos desta área (ESTEVES DE VASCONCELOS, 2002) entendem que os sistemas vivos possuem a capacidade de mudar, tornando-se mais complexamente organizados por meio destes movimentos de flutuação, referidos por Prigogini (1996), que são habitualmente aleatórios. Estas idéias, confrontadas com os achados de campo desta pesquisa,
Significado 1
Significado 2
116
impulsionaram para a busca de uma figura que pudesse representar o imprevisto, o acaso, o surgimento do novo provocado pela interação dos diversos agentes constitutivos deste fenômeno. Este processo de mudança está aqui apresentado em uma espiral, que representa as mudanças dos significados culturais dos bens de consumo.
Dentro de cada espiral, se encontram os agentes constitutivos do significado: consumidores/formadores de opinião, bens de consumo e ponto de venda, sendo eles produtores de significados. As consumidoras do Brechó Chique e as formadoras de opinião, que podem ser as próprias consumidoras e as produtoras de moda, são agentes ativos no processo atribuindo significados ao consumo de roupas de segunda mão no Brechó Chique. As próprias peças de roupas (bens de consumo), de acordo com Barnard (2003), são consideradas agentes no processo de construção de significados através de suas características intrínsecas – cor, textura, forma, utilidade. O Brechó Chique (ponto de venda) se mostrou muito importante no processo de atribuição de significado, pois é neste local que ocorre a experiência de consumo, que influencia na assimilação de significados (MICK e outros, 2004).
Os significados gerados, neste processo, são compartilhados por todos os seus agentes, inseridos em um contexto cultural, também sendo um agente. É através da relação entre os agentes – mundo culturalmente constituído, consumidores/formadores de opinião, bens de consumo, ponto de venda – que o significado é gerado e compartilhado, permitindo sua mudança de acordo com o tempo e espaço.
Além da principal contribuição deste estudo, apresentada anteriormente, os achados desta pesquisa apontam para a cultura como determinante da forma que os consumidores enxergam e moldam o mundo e que consumidores inseridos em uma mesma cultura, sem mesmo terem experienciado o consumo de determinado bem, compartilham significados. Os consumidores, aqui, são apresentados como formadores de opinião e como alguém capaz de gerar e transferir significados culturais (SOLOMON, 1996). Como achado de campo, os formadores de opinião tornaram públicos os significados atribuídos por eles ao Brechó Chique e aos bens de segunda mão através de canais de comunicação.
Este estudo mostra que o ato de consumir no Brechó Chique é uma experiência de consumo, identificando duas formas de experiência de consumo: o consumo como diversão (HOLT, 1995), podendo ser também um meio para outro fim, e o consumo comorestaurador
117
de almas. Outra contribuição desta pesquisa é a atribuição de significados para o ponto de venda, não encontrados na revisão teórica, sendo eles: point, casa da amiga, sofisticado e melhor que loja. O campo apresenta novos significados, ainda não explorados por autores, para os bens de consumo, como: qualidade, reciclagem de marcas de griffe, estar na moda, novo. E também faz referência a teorias já existentes apresentando significados como desejo de exclusividade e compra inteligente, de (ROUX; KORCHIA, 2006), e transcendência (THARP; SCOTT, 1990).
Esta pesquisa encontra, ainda, os rituais como modo de transferência dos significados dos bens de segunda mão do Brechó Chique para os consumidores. São eles: ritual de descarte, ritual de troca e ritual de embelezamento (McCRACKEN, 1986), e o ritual de reutilização, que apareceu como inusitado.
Outro dado de campo são os papéis desempenhados pelas pessoas no Brechó Chique, revelando que as consumidoras também são fornecedoras, desempenhando um papel de consumidoras-fornecedoras. Além de serem consumidoras-fornecedoras, algumas ainda desempenham o papel de vendedora, assumindo um papel de consumidoras-fornecedoras- vendededoras. O fato de tanto a funcionária do Brechó Chique, quanto as duas proprietárias, consumirem no Brechó Chique as fazem assumir um papel de proprietárias-consumidoras e funcionária-consumidora.