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Fonte: Dados da pesquisa (2012), autorizadas pela APAE de Ubá

5.3 A realidade socioeconômica dos atendidos das APAEs Rurais

Este estudo buscou investigar os educandos com deficiência intelectual e múltipla, tendo como referência os que frequentavam as APAEs Rurais de Viçosa,

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As oficinas desenvolvidas são de papel reciclado, culinária, de pregador de roupa, kits para armário de aço, casa lar e oficina do plástico.

85 Visconde do Rio Branco e Ubá. É necessário, no contexto desta pesquisa, o entendimento quanto à utilização do termo deficiência intelectual em detrimento do termo deficiente mental, bastante utilizado e estigmatizante. O termo “deficiência intelectual” vem a ser o refinamento desse conceito e segue a terminologia adotada pela Organização Mundial de Saúde e pela Organização Pan-Americana da Saúde no documento denominado “Declaração de Montreal sobre a Deficiência Intelectual”, a partir de 6 de outubro de 2004.

O termo deficiência múltipla decorre da composição que se forma da associação da deficiência intelectual às demais deficiências (física, auditiva/surdez e visual/cegueira) e ainda, se acompanhada de transtorno mental. Segundo Oliveira et all (2007, p.13) “a deficiência múltipla constitui um segmento estimado em 1% da população geral, pouco reconhecido e valorizado até mesmo nos meios especializados que tratam do atendimento a pessoa com deficiência”.

A deficiência mental leve, com a denominação atual de deficiência intelectual, está representada, segundo Krynski (1969), por 85% dos casos de deficiência, exigindo acompanhamento de assistência médica e psicopedagógica especializada. Os deficientes intelectuais e múltiplos podem beneficiar-se dos programas de treinamento sistematizado, podendo ocorrer em sua permanência e dependência da assistência do Estado.

Segundo Krynski (1969), os deficientes apresentam índices de aproveitamento conhecidos como quociente intelectual (Q.I.) sendo o normal igual a 100, os que apresentam índice igual a 25 são totalmente dependentes dos serviços sociais e de saúde dos familiares e principalmente do Estado. Os deficientes que apresentam quociente intelectual de 25 a 50 são os chamados adestráveis, isto quer dizer que adquirem determinadas habilidades como se vestir, de comer, de cuidar de si. Têm uma vida social limitada, mas compartilham e cooperam com seus familiares e seus próximos podendo exercer tarefas simples dentro de uma residência e em seu entorno, são respeitadores, mas de certa forma pouco independentes.

Os educáveis, segundo Krynski (1969), são os que apresentam quociente intelectual entre 50 a 75% em relação ao normal, sua característica é o desenvolvimento lento das funções mentais. Segundo este autor, os indivíduos nesse quadro podem aprender o suficiente para desenvolver habilidades

86 profissionais que os permite ser independentes financeiramente. São geralmente sociáveis com outras pessoas do ciclo familiar, como pessoas conhecidas e vizinhas.

Na pesquisa de campo, os dados coletados junto às APAEs Rurais revelaram a predominância dos alunos que residiam nas cidades sobre os que residiam no meio rural: 119, correspondendo a 74,84%, contra 40 do meio rural, correspondendo a 25,15%. Quanto à religiosidade, os católicos representaram 93%, sendo o restante formado por evangélicos. Quanto ao estado civil dos alunos, a maioria era de solteiros e apenas 6 eram casados, tendo esses laços se constituído entre frequentadores da própria APAE. Quanto à escolaridade dos deficientes, 30 estavam cursando a Educação de Jovens e Adultos (EJA), 80 estavam no ensino especial, 43 no ensino fundamental incompleto, 4 completaram o ensino fundamental, 1 completou o ensino médio e 1 completou o ensino superior. Quanto à cor da pele, 81 alunos eram brancos, 40 negros e 38 pardos.

No que diz respeito à escolaridade dos pais, 28 eram analfabetos, 126 concluíram o ensino fundamental completo, um tinha o ensino médio completo, um tinha o ensino superior incompleto e três possuíam o ensino superior completo. Quanto à escolaridade da mãe, 28 delas eram analfabetas e 131 possuíam o ensino fundamental completo. Em relação à profissão do pai, 116 exerciam uma profissão que exigia baixa escolaridade; 41 de nível médio e 2 de nível superior. Entre as profissões das mães, 149 delas eram de baixa escolaridade e 10 exigiam nível médio. Em relação à renda familiar das 159 famílias, a pesquisa apontou que 55,3% recebiam, conforme o quadro abaixo, até dois salários mínimos; 41 famílias, correspondendo a 25,7% do total, recebiam até 3 salários mínimos; 23 famílias, correspondendo a 14,4%, recebiam até 4 salários mínimos; 5 famílias (3,1% da amostra) recebiam até 5 salários e apenas 1,2% das famílias recebia 6 salários.

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Quadro 1 - Renda familiar: educandos das APAEs Rurais de Viçosa, Visconde do Rio Branco e Ubá

Fonte: Dados da pesquisa, 2012.

Das 159 famílias da amostra, 146 recebiam bolsa família do Governo Federal e 82 recebiam Benefício de Prestação Continuada (BPC). A maior parte dos alunos frequentava a instituição cinco dias por semana, sendo os maiores índices relacionados a essa frequência vinculados aos alunos residentes na cidade (67,2% do total), em contraposição aos residentes no meio rural (42,6% da amostra), como mostra o quadro que se segue.

Quadro 2 - Frequência por dias da semana dos educandos nas APAEs Rurais pesquisadas Fonte: Dados da pesquisa, 2012.

Renda da Família

Salário Viçosa Visconde R. Branco Ubá Total

1salário 5 6 - 11 2 salários 30 27 20 77 3 salários 12 12 17 41 4 salários 7 4 12 23 5 salários 2 3 - 05 6 salários 1 - 1 02 TOTAL 57 52 50 159

Frequência dos educandos

Cidade Alunos % Meio Rural Alunos %

Não vai 34 28,5% Não vai 4 10%

5 dias 80 67,2% 5 dias 17 42,6%

3dias 2 1,6% 3dias 10 25%

2 dias 3 2,5% 2 dias 9 22,5%

88 Conforme os dados apresentados nesta pesquisa, observou-se que a maioria dos educandos pesquisados são procedentes de famílias de baixa renda e que dependem dos muitos serviços oferecidos pelo Governo Federal, como o bolsa família, e principalmente do Beneficio de Prestação Continuada (BPC); redução da conta de luz; e ainda de serviços de transporte oferecido pelas prefeituras dos municípios. Contam também com os serviços de assistência clínicas e terapêutica, dentre outros programas oferecidos pelas APAEs dos municípios aos educandos com deficiência, tais como: cursos oferecidos para formação profissional dos educandos com deficiência e cursos para os seus familiares se qualificarem. Destaca-se que algumas famílias de educandos em situação de vulnerabilidade também são assistidas pelas APAEs pesquisadas, o que foi percebido pelo pesquisador na pesquisa de campo.

5.4 A formação profissional da pessoa com deficiência e a sua participação social

Neste momento, analisaremos em que medida a diversidade de ações desenvolvidas nas APAEs têm contribuído para a inserção social da pessoa com deficiência, tanto no espaço urbano quanto no rural, bem como na sua participação na economia de seus municípios e do país, ao estarem inseridas no mundo do trabalho.

Em relação ao convívio social dos alunos da APAE Rural, a pesquisa revelou atividades sendo desenvolvidas nas áreas pedagógicas, artísticas, culturais e esportivas, visitas técnicas e educativas, bem como a promoção de eventos comemorativos visando à inclusão social dos educandos nos ambientes comuns da instituição. Alguns registros desses momentos de convivência entre os alunos, familiares e professores foram feitos ao longo da pesquisa, a exemplo dos registros fotográficos abaixo:

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Benzer Belgeler