3. MATERYAL ve METOD 8
3.8. Bağışıklık Teorisi 29
3.8.3. Klonal Seçim 33
Os nossos estudos mostram que o camundongo responde ao estímulo de odor de gato como uma ameaça, exibindo assim respostas de medo inato, tendo em vista que são animais de laboratório e, até o experimento, nunca haviam tido contato com pistas relacionadas a esse
animal. Não há documentado resultados de camundongo exposto a gato ou ao seu odor na investigação do Sistema Hipotalâmico de Defesa, sendo assim, tomamos como base alguns resultados obtidos em ratos como presa.
Semelhantes ao presente trabalho, Canteras e colaboradores (1997) expuseram ratos Wistar à presença de gato e como resultados obtiveram que esses animais demonstraram tanto o repertório comportamental defensivo quanto um claro aumento na expressão de Fos em sítios hipotalâmicos: o AHN, o VMHdm e, especialmente, o PMd. Seguindo esta linha, Dielenberg e colaboradores (2001) examinaram a quantidade de células imunorreativas a Fos após exposição de ratos Wistar ao odor de gato. Como resultados, obtiveram forte expressão de Fos nos três núcleos do Sistema Hipotalâmico de Defesa. Resultado também semelhante ocorreu no trabalho de Cezario e colaboradores (2008), em que realizaram um estudo demonstrando o padrão de ativação hipotalâmico, realizando contagem de células, após exposição de ratos ao predador (gato) e a um aparato associado à presença deste predador. Novamente, os núcleos do Sistema Hipotalâmico de Defesa se destacaram dos demais na expressão de Fos. Todos esses dados se assemelham ao encontrado no presente trabalho, mostrando o importante papel dos núcleos que compõem a circuitaria de defesa.
O trabalho de Martinez e colaboradores (2008) feito em camundongos mostrou que, quando na presença de ratos, esses apresentam uma grande ativação no AHN, VMHdm e PMd. O número de células imunorreativas a Fos no trabalho supracitado destoa bastante da quantidade encontrada no presente trabalho, porém temos que levar em consideração que (1) a contagem realizada por Martinez e colaboradores (2008) foi bilateral, (2) os camundongos foram expostos à presença do predador, aumentando assim os estímulos percebidos por eles, e (3) os autores apresentaram a contagem de células Fos por área, o que pode ter causado um extrapolamento do número real de células imunorreativas.
Funcionalmente, o AHN está relacionado com comportamento agonístico. Estimulação elétrica ou química neste núcleo, em ratos, provoca ataque a coespecífico; e a lesão, por sua vez, elimina esse comportamento (Fuchs et al., 1985; Adams et al., 1993; Adams, 2006). Injeção de muscimol no AHN provoca redução do comportamento de burying (comportamento caracterizado por enterrar objetos), que denota ansiedade no animal (Schwerdtfeger & Menard, 2008). O VMH, apesar de estar relacionado com comportamento sexual na fêmea, comportamento alimentar, função cardiovascular e sensibilidade a dor (McClellan et al., 2006), está também envolvido com o medo condicionado, suprimindo comportamentos de defesa se lesionado (Colpaert & Wiepkema, 1974), e tem sua porção dorsomedial relacionada com a organização do comportamento defensivo inato (Canteras et al., 1994; Canteras, 2002; Blanchard et al., 2005; Gross & Canteras, 2012). O PMd tem sido envolvido principalmente com o comportamento defensivo. Canteras e colaboradores (1997) lesionaram quimicamente o PMd de um grupo de ratos Wistar e expuseram estes animais a presença de gato. Como resultado, os ratos apresentaram uma drástica redução nos comportamentos de freezing e/ou fuga. Em 2003, Blanchard e colaboradores realizaram um trabalho semelhante, porém com lesão eletrolítica no PMd de ratos Long-Evans, expondo-os a odor e a presença do gato. Como resultado, foi visto que os ratos expostos ao odor de gato demonstraram significativa redução nos comportamentos de freezing, evitação e avaliação de risco, enquanto os expostos ao gato apresentavam diminuição no freezing, com grande atividade e evidente avaliação de risco. Nesta mesma linha, em 2004, Markham e colaboradores também através de lesão eletrolítica no PMd de ratos Long-Evans, expuseram estes animais a presença de gato ou apenas ao odor de gato, e confirmaram que o PMd tem um papel muito importante no comportamento de defesa contra predadores. Já em 2008, Cezario e colaboradores relataram que lesão com citotoxina no PMd de ratos Wistar influenciava nos padrões de respostas comportamentais após exposição destes animais a gato.
Assim, vê-se que já é bem documentado que o AHN, o VMHdm e o PMd estão relacionados com comportamentos de ansiedade e defensivos em roedores. Analisando os dados obtidos no presente trabalho, temos que os animais exibiram um significativo aumento na expressão de Fos nos núcleos estudados quando expostos ao odor de gato, sendo relativamente maior no PMd, pois o mesmo foi contado em apenas um nível. O gato é um animal já bastante utilizado em experimentos para estudo do medo em ratos e comprovado seu papel como predador a partir do comportamento de defesa expressado. Apesar disso, o presente trabalho é o primeiro a utilizar este estímulo neste paradigma utilizando camundongo como presa. O aparato por nós utilizado foi aplicado na exposição do camundongo à presença do rato, porém vimos que o mesmo é eficiente quando o estímulo aplicado é o odor do predador. Acreditamos que o camundongo também considera o gato como um predador, como é de senso comum, e a expressão de Fos nos núcleos de interesse em resposta ao odor de gato nos fornece um forte indício disto, e os dados comportamentais corroboram com esse resultado. Acreditamos que no camundongo, assim como no rato, o PMd age como um modulador, recebendo informações das pistas olfativas através do VMHdm, amplificando-a, e enviando para a PAGdl, que, dependendo do grau de ativação, comanda o tipo de comportamento apresentado. Se a PAGdl está muito ativada, gera comportamentos como freezing ou fuga, se menos ativada, gera comportamentos como avaliação de risco. Estes graus de ativação dependem do PMd (Canteras et al., 2012). Como não foi apresentado freezing, supomos que a ativação não foi suficiente, ou necessitaria de um estímulo mais incisivo, como a presença do predador. No entanto, não analisamos a expressão de Fos na PAGdl.
Realizamos também a contagem de células imunorreativas a Fos na região subfornical da área hipotalâmica lateral (LHAsf), pois é um núcleo que vem sendo incluído no Sistema de Defesa Hipotalâmico como fonte de projeções visuais, por receber uma quantidade
substancial de terminais do trato retinohipotalâmico lateral e projeta para os núcleos do Sistema de Defesa Hipotalâmico na zona medial (Canteras et al., 2011). Nossos resultados apresentam uma baixa expressão de Fos no LHAsf e nenhuma diferença entre os grupos, o que era esperado pois o estímulo predatório não foi visual.