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1.3. Difüzyon MRG 1 Tarihçe ve Tanım

1.3.5. Klinik Uygulamalar

Nos tempos modernos, através do seu ensinamento social, a Igreja protagonizou o

surgimento de um novo conceito: a “justiça social”. Na visão cristã, a justiça social é

consequência da fé no Deus Criador e Pai de todos os seres humanos, como princípio religioso e ético que compromete todas as pessoas de boa vontade com a causa da justiça, da conciliação e da paz.344 Segundo Zilles, trata-se de uma reação à justiça comutativa, dominada por uma visão demasiado individualista, e à justiça legal, identificada com o conjunto de leis

do Estado. “Os cristãos reconhecem uma justiça social anterior à justiça legal. A justiça social exige uma justa distribuição dos bens sociais de todas as classes”.345

Na visão de Moltmann, a injustiça não é experimentada somente de forma individual, entre vítimas e autores, mas diz respeito também a relações sociais, estruturas econômicas e sistemas políticos:

343 Ver também: BENTO XVI. Viagem apostólica de sua Santidade Bento XVI ao Brasil por ocasião da V

Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe: entrevista concedida pelo Santo Padre aos jornalistas durante o voo para o Brasil. 09 de maio de 2007. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_fat her/benedict_xvi/speeches/2007/may/documents/hf_ben-xvi_spe_20070509_interview-brazil_po.html>. Acesso em: 10 out. 2014; e BENTO XVI. Mensagem de Sua Santidade Bento XVI para a celebração do XLIV Dia Mundial da Paz. 1º de janeiro de 2011, n. 5-9. Disponível em: <http://www.vatican.va/holy_father/benedict _xvi/messages/peace/documents/hf_ben-xvi_mes_20101208_xliv-world-day-peace_po.html>. Acesso em: 18 out. 2014.

344 Cf. NEDEL, J. Reflexões sobre a justiça e suas formas. Cultura e Fé: Revista de Humanidades, Porto Alegre,

n. 131, p. 530-32, out.-dez. 2010; FEINER, J.; LOEHRER, M. (Eds.). Mysterium salutis: compêndio de dogmática histórico-salvífica: do tempo para a eternidade: justiça, pecado, morte e perdão, p. 48.

Nós existimos hoje em estruturas sociais que fazem os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. [...] Nós trabalhamos em uma sociedade de competição, a qual divide as pessoas em ganhadoras e perdedoras. Nós participamos de sistemas políticos que separam os poderosos dos mais fracos. Nós comemos e bebemos num mundo humano, que destrói a natureza sistematicamente e diminui ano a ano a variedade das espécies de plantas e animais. Nós gozamos o nosso presente à custa das gerações futuras, as quais precisarão pagar nossas dívidas. [...] Nós vivemos num sistema injusto, então vivemos distantes de Deus.346

Nesse horizonte das complexas e globais relações dos seres humanos entre si, com a natureza e com Deus, a Igreja oferece princípios e critérios que fundamentam uma nova e ampla visão de justiça, capaz de contemplar o homem todo e todos os homens, num humanismo integral e solidário (cf. DSI 1; 7). É esse o desafio da justiça social, lançado pelo magistério dos papas, que compõe o corpo da Doutrina Social da Igreja, especialmente a partir dos documentos pontifícios: Rerum Novarum (1891), de Leão XIII; Quadragesimo

Anno (1931), de Pio XI; Mater et Magistra (1961), de João XXIII; Populorum Progressio

(1967) e Octogesima adveniens (1971), de Paulo VI; e Laborem exercens (1981), Sollicituto

rei socialis (1987) e Centesimus annus (1991), de João Paulo II. Destaca-se também a

Constituição Pastoral Gaudium et spes (1965), do Concílio Vaticano II.

A Igreja deve ser, no mundo, sinal e instrumento, “germe e início”, daquele Reino de

justiça que só chegará à consumação quando o Senhor vier na sua glória, mas que já está misteriosamente presente nesta terra (cf. LG 1, 5; GS 39). Para cumprir essa missão deixada pelo seu Senhor, a Igreja pede incessantemente ao Pai que, iluminada e conduzida pelo

Espírito, ela possa ser, de fato, “testemunha viva da verdade e da liberdade, da justiça e da paz, para que toda humanidade se abra à esperança de um mundo novo”.347

Como ensina o Concílio, a esperança de novos céus e uma nova terra, “longe de

esvaziar, estimula o desejo de cuidar das coisas terrestres, em meio às quais cresce o corpo da

nova família humana, oferecendo desde agora uma tênue imagem do que será no futuro” (GS

39). Por isso, a Igreja busca empenhar-se na promoção do bem comum, ao qual toda ordem social justa deve estar sujeita. O bem comum diz respeito à “soma das condições sociais que permite, tanto às pessoas como aos grupos humanos, alcançarem mais fácil e plenamente a

perfeição a que são chamados” (GS 26). Trata-se de cumprir as exigências da justiça, que

perpassam todas as realidades humanas: a economia, o trabalho, a política, a técnica, a comunicação, a comunidade internacional, as culturas e povos. A Igreja, falando de seu lugar próprio, que é o lugar da fé, convoca os cristãos à práxis pastoral, na defesa e promoção dos

346 MOLTMANN, J. Vida, esperança e justiça: um testamento teológico para a América Latina, p. 74. 347 Oração Eucarística VI-D.

valores irrenunciáveis do Evangelho de Jesus e convida todos os homens e mulheres de boa vontade a se empenharem pelo bem comum, unindo seus esforços na busca da justiça e da paz (cf. DSI 12).

Na perspectiva do Magistério social da Igreja, a justiça social é uma resposta exigida pela questão social, que diz respeito, em dimensão mundial, “[...] aos aspectos sociais, políticos e econômicos e, sobretudo, à dimensão estrutural dos problemas e das respectivas

soluções” (DSI 201).

A justiça mostra-se particularmente importante no contexto atual, em que o valor da pessoa, da sua dignidade e dos seus direitos, a despeito das proclamações de intentos, é seriamente ameaçada pela generalizada tendência a recorrer exclusivamente aos critérios da utilidade e do ter. Também a justiça, com base nestes critérios, é considerada de modo redutivo, ao passo que adquire um significado mais pleno e autêntico na antropologia cristã. A justiça, com efeito, não é

uma simples convenção humana, porque o que é ‘justo’ não é originalmente

determinado pela lei, mas pela identidade profunda do ser humano (DSI 202).

A Igreja recusa, portanto, a moderna visão contratualista da justiça, abrindo para essa

um novo caminho, orientado pela solidariedade e pelo amor: “a justiça sozinha não basta; e

pode mesmo chegar a negar-se a si própria, se não se abrir àquela força mais profunda que é o

amor” (DSI 203). O amor (caridade) é o “critério supremo e universal de toda a ética social”

(DSI 204). A caridade pressupõe, completa e transcende a justiça, especialmente aquele amor

benevolente, chamado de “misericórdia”, tão essencial para o Evangelho. Somente a caridade

é que pode transformar o ser humano, tornando-o capaz de praticar a justiça, respeitando e defendendo o direito do próximo. A caridade se torna social e política, enquanto considerada não apenas individualmente, mas também naquela dimensão social que une as pessoas no amor e na busca do bem comum. A caridade é o maior mandamento social (cf. DSI 206-08; 583).

Na visão da Igreja, a paz verdadeira só será alcançada pela realização da justiça social e internacional, mas, unida à justiça, a via privilegiada para a paz é a solidariedade (cf. DSI 203). O Magistério social entende que o desenvolvimento favorável de todos os povos é uma exigência da justiça, sem a qual não é possível sustentar uma paz planetária. A defesa e a promoção dos direitos fundamentais do ser humano deve ser um empenho ecumênico e aberto ao diálogo interreligioso, bem como envolvendo todos os organismos governamentais e não governamentais, em nível nacional e internacional. Assumem particular importância os princípios da destinação universal dos bens da terra e do direito universal ao uso dos bens, como exigência da justiça inseparável da caridade, visto que Deus criou e destinou a terra a

todo o gênero humano, para que dela tirasse o seu sustento, sem excluir ou privilegiar nenhum de seus membros (cf. DSI 98-171).348 Trata-se de uma fundamental orientação, moral e cultural, também para a resolução da complexa ligação entre crises ambientais e pobreza (cf. DSI 482).

No tocante à justiça penal, a Igreja compreende que essa, para ser um verdadeiro instrumento de correção do culpado, deve, por um lado, favorecer a reinserção das pessoas condenadas na sociedade e, por outro, “promover uma justiça reconciliadora, capaz de

restaurar as relações de convivência harmoniosa quebrantadas pelo ato criminoso” (DSI 403).

Nesse sentido, o ensino social insiste na defesa da dignidade das pessoas detidas e desencoraja o recurso à pena de morte, mesmo sob o argumento de legítima defesa social (cf. DSI 403-

05). A DSI indica os caminhos para uma “sociedade reconciliada e harmonizada na justiça e no amor, antecipadora na história, de modo incoativo e prefigurativo, daqueles ‘novos céus e

uma nova terra, nos quais habitará a justiça’ (2Pd 3,13)” (DSI 82).

Benzer Belgeler