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saat 36 dakika ±14 saat 32 dakika (Aralık: 53 dakika – > 99 saat) olarak bulundu.

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Durante a análise das entrevistas foi possível perceber que alguns sujeitos mantiveram as suas representações no que se refere aos conhecimentos a respeito das práticas artísticas vivenciadas após a inserção no LeCampo. Este grupo é constituído de oito entrevistados: Alice,

Enzo, Isabela, Sofia, Juliana, Mariana, Bruna e Fernanda.

Mantendo as Representações Sociais das Práticas Eruditas

Ao adentrar o curso Alice, Enzo, Isabela, Sofia, Juliana e Mariana compreendiam as artes a partir de uma perspectiva erudita. Já Bruna e Fernanda compreendiam as artes a partir de uma perspectiva popular. O primeiro grupo chegou ao estágio desenvolvendo atividades

marcadas por uma concepção erudita. Já o segundo grupo chegou ao estágio desenvolvendo projetos com atividades a partir de uma perspectiva popular. Alice, Enzo e Mariana possuem perfis semelhantes. Em relação à faixa etária, um entrevistado não registrou sua idade e os outros têm 27 e 30 anos. Quanto à região de moradia duas entrevistadas residem na região metropolitana de Belo Horizonte e um na região do Vale do Rio Doce. Percebemos proximidade nas faixas etárias e também nas regiões de moradia. Esses sujeitos chegaram no LeCampo com experiências anteriores de formação e construção autoral de práticas artísticas numa perspectiva erudita e possuíam semelhanças no contexto de formação da área de artes. Mariana e Alice relatam que iniciaram na infância experiências de aprendizado de arte. Já Enzo, relata que, ao entrar na graduação, possuía experiência com desenho autoral e destacou a presença da criação na arte como um elemento de criação de seu cotidiano.

Ao abordar as práticas artísticas desenvolvidas na graduação Alice e Enzo atribuíram às experiências obtidas na graduação a oportunidade de ampliação do acesso às práticas artísticas, relacionando as experiências do curso com as práticas de solidificação das suas experiências anteriores em arte. Ainda sobre a formação no LeCampo, Mariana aponta questões a respeito da formação em arte desenvolvida no curso. “Acho que às vezes as coisas ficam assim, tipo porque eu sou do campo e eu tenho que pegar e só ouvir música sertaneja e só vou pegar isso e trazer isso para cá. As coisas não são assim.”

Com relação ao estágio a organização de conteúdo do estágio desses sujeitos foi marcada por práticas artísticas pertencentes à área de domínio erudita, presente nas referências anteriores à inserção no LeCampo. A manutenção das práticas artísticas de Alice, Enzo e

Mariana foi analisada a partir da constatação de que eles citavam as práticas de caráter erudito

vivenciadas antes da graduação como as referências para suas formas de pensar e agir atuais. Uma das pistas para o entendimento de tal resistência é o aprofundamento desses sujeitos em cursos e trabalhos de criação autoral, elemento que lhes conferiu uma identidade artística definida, barreira responsável pela resistência na aquisição de novas referências. Essa identidade artística também possibilitou aos entrevistados desse grupo um olhar crítico em relação às práticas artísticas no LeCampo.

Isabela, Sofia, Juliana também possuem trajetórias semelhantes. Duas entrevistadas

possuem 21 anos e uma 36 anos. Duas residem no Norte de Minas e uma na região do Distrito Federal. Todas, ao entrar no curso, atribuíam à arte referências eruditas da formação escolar no Ensino Médio e Fundamental. Para todas, as manifestações artísticas constituíam-se enquanto sinônimos de artes plásticas. Ao falarem sobre as suas experiências artísticas todas declararam não desenvolver práticas artísticas no círculo social, familiar ou de trabalho. Ao chegarem no

140 curso Isabela e Juliana compreenderam a trajetória formativa enquanto uma oportunidade de acesso às linguagens artísticas antes desconhecidas. Já Sofia, articulou os conhecimentos artísticos aprendidos com elementos reflexivos sobre as produções artísticas de sua comunidade. No momento de estágio todas as entrevistadas propuseram atividades relacionadas ao conteúdo erudito. Juliana realizou a transposição de uma atividade de construção de livro vivenciada por ela enquanto aluna, Isabela e Sofia propuseram a construção de um teatro, uma de uma obra literária e outra de um teatro de característica pedagógica, respectivamente, tomando como referência os aprendizados obtidos durante o curso.

A manutenção das referências eruditas destas entrevistadas não nos impede de compreender que desde o ingresso no curso foram construídas novas referências que ainda se encontram em processo de compreensão. Isabela, após narrar o estágio, revela “para desenvolver o estágio tem assim esse trabalho que eu fiz né e eu nem sei se eu posso te dizer ah foi um trabalho de artes? Nem sei te dizer.” Percebemos que a dúvida sobre o processo de construção artística faz parte das reflexões da entrevistada.

Juliana relata “foi a primeira vez que eu trabalhei com arte, mas eu acho que se fosse

para conteúdo e tirar da oficina e levar história como eu to te falando não teria tido o resultado com toda essa participação não”. Percebemos que a inserção da entrevistada no campo das artes é recente. Também para Isabela e Sofia as práticas artísticas foram apontadas como um terreno em aproximação, e, diante das novas informações do curso, o caráter erudito de suas referências anteriores foi fortalecido e aplicado no estágio.

Analisando a dicotomia entre as práticas artísticas eruditas e populares percebemos que as práticas de estágio dos sujeitos que mantiveram as suas representações sob uma perspectiva erudita foram o grupo mais representativo de nossa análise.

Mantendo as Representações Sociais de Práticas Artísticas Populares

Bruna e Fernanda constituem o grupo que manteve as representações sociais das

práticas populares. Analisando suas trajetórias, encontramos pontos de convergência. Com idades de 27 e 39 anos as entrevistadas residem na região metropolitana de São Paulo e no Vale do Jequitinhonha respectivamente.

Bruna, porém, nasceu no Vale do Jequitinhonha e mudou-se para São Paulo há quatro

anos. A região de moradia das entrevistadas dá-nos pistas para as referências artísticas culturais construídas por elas.

Conhecido pela referência em cultura popular o Vale do Jequitinhonha pode ter sido um elemento que auxiliou a constituição da identidade artística das entrevistadas. Sobre isso,

Fernanda relata que “quando eu ainda morava em Araçuaí é um dos municípios do Vale do

Jequitinhonha que tem um cinema, então eu sempre ia. Tem também alguns grupos de teatro lá perto, coral que trabalha mais cantigas de roda e tal.”

Outro ponto em comum na trajetória das entrevistadas refere-se à participação ativa em movimentos de luta pelo Campo. Para Fernanda, essa atividade permite-lhe o diálogo com o trabalho de práticas artísticas. “Não é trabalho só meu mas dos movimentos que atuam lá. Os movimentos [...] se reúnem com as mulheres dos homens que saem de lá ou para cortar cana. É muito ligado a arte não só por conta do artesanato mas o que aquilo representa para elas.”. Podemos perceber que as manifestações populares como o artesanato constituem-se como um elemento dotado de significado político, social e engajado, sendo esta uma possível causa para a manutenção das suas representações sociais. Remetemo-nos aqui à Bogo (2010), que explica que a arte nos movimentos sociais tem papel fundamental para a identidade e a luta do militante.

Fernanda e Bruna também possuem experiências docentes. Fernanda havia

desenvolvido outros estágios, projeto do PIBID e oficinas e cursos em movimentos sociais. Já

Bruna, possui graduação em Normal Superior e experiência em escolas públicas de ensino

fundamental, lecionando há mais de dez anos. A referência ao popular aparece para Bruna como uma estratégia de ensino “o popular eu atraio mais a atenção deles porque fazem parte da vida diária deles para eles participarem”.

Em relação à formação obtida no LeCampo, Bruna viu no curso a oportunidade de acesso às novas linguagens e práticas de fruição e produção. Para Fernanda, a trajetória formativa foi marcada pelo aprendizado de conteúdos didáticos e pedagógicos. Ambas entrevistadas destacam que em suas ações docentes têm tentado aplicar os conhecimentos apreendidos no curso, Bruna relata “a gente transforma aquela vivência, a gente chega lá e repassa aquilo de alguma maneira. Teatro mesmo eu trabalhei bastante com os meninos”.

Por trabalharem com as práticas artísticas em seu cotidiano docente e nos movimentos sociais, compreendemos que o movimento de manutenção das práticas artísticas populares de

Fernanda e Bruna ocorrem enquanto uma afirmação de suas trajetórias.

Analisar os processos que podem ter colaborado para o movimento das representações sociais das práticas artísticas desses oito sujeitos pode possibilitar-nos a compreensão da formação em Língua, Arte e Literatura. Percebemos que, embora na representação desses dois grupos eruditos e populares revele a presença da dicotomia, todos os entrevistados citaram a importância das informações obtidas no curso para a organização de suas tomadas de posição.

142 Notamos que a informação, apontada por Moscovici (1967) como um elemento de construção das representações sociais, apresenta-se aqui enquanto fortalecimento da manutenção das representações dos sujeitos. Aliado a esta informação compreendemos que os saberes prévios eruditos ou populares colaboraram para a manutenção dessas representações dicotomizadas.

Benzer Belgeler