5.2. Bir Raylı Sistem Yolcu Taşıma Aracındaki Klima Sisteminin
5.2.7. Klima sisteminin güvenilirlik değerinin hesaplanması
ARGUMENTO
Medeia é repudiada como esposa pelo príncipe da Tessália, Jasão. O casal e dois filhos estão exilados em Corinto, onde o rei Creonte entrega a filha Creúsa a Jasão, como nova esposa. A peça se passa no dia do casamento: enquanto Corinto celebra, Medeia, princesa bárbara, planeja sua vingança. Ela deixou seu país, a Cólquida, depois de ter ajudado Jasão a vencer as provas que lhe permitiram conquistar o velo de ouro, relíquia do reino. Os fatos que cercam a fuga do casal na nau Argo, incluindo assassinatos, são relembrados por Medeia como prova do amor devotado ao príncipe grego que agora rompe o juramento de fidelidade feito a ela. Jasão alega casar-se com a princesa grega para salvar os filhos. A casa real de Corinto é destruída.
PERSONAGENS
MEDEIA, princesa bárbara exilada AMA, acompanhante de Medeia JASÃO, príncipe grego exilado CREONTE, rei de Corinto MENSAGEIRO
CORO, não identificado
FILHOS, dois personagens sem fala
SERVOS e GUARDAS, personagens sem fala CREÚSA, filha do rei, não aparece em cena
32 MEDEIA (1-55)
Deuses conjugais
e tu, Lucina, guardiã do leito nupcial,
e tu que ensinaste Tífis a refrear a inédita nau que domaria os mares1 e tu, severo dominador do mar profundo,2
e o Titã, que reparte pelo mundo o claro dia, 5 e Hécate triforme, exibindo seu brilho cúmplice em ritos sigilosos, ainda os deuses pelos quais Jasão a mim fez uma jura
e os que é mais legítimo que Medeia invoque: Caos da noite eterna,
reinos opostos aos sublimes e os manes3 impiedosos, 10 também o senhor do triste reino e sua senhora,
que ele raptou e a quem é mais fiel4. Eu vos invoco sem fausto. Agora! Apresentai-vos agora deusas vingadoras do crime,5
com cabelos de soltas serpentes desalinhados,
estreitando nas cruentas mãos tocha escura. 15 Apresentai-vos horríveis tais como certa vez
estivestes em meu enlace:
dai à nova esposa a morte, e morte ao sogro e à estirpe régia. Há algo pior? Que mal posso rogar contra o esposo?
Que ele viva! Que vague por cidades estranhas carente, 20 exilado, temeroso, repudiado, sem lar.
Um hóspede já afamado que cobice porta alheia,
que me queira como esposa. Possa eu rogar ainda o pior: filhos parecidos com o pai, parecidos com a mãe!6
Concebida, já foi concebida a vingança: eu a pari. 25 Queixas e palavras semeio ao vento? Não ataco os inimigos?
De suas mãos, tomarei os fachos e, do céu, a luz.
1 Minerva.
2 Netuno.
3 Manes são espíritos dos antepassados, venerados na religião romana.
4 Plutão e Proserpina.
5 Fúrias, também chamadas Erínias ou Eumênides, que vingam a morte de familiares. Ver vv. 953, 963, 966.
33 O Sol, patriarca de minha raça,
vê isto e ainda se deixa ver. Acomodado no seu carro,
percorre o espaço celeste no trajeto usual? 30 Não retorna ao nascente revertendo o dia?
Deixa... Deixa-me ser levada aos ares no carro paterno. Cede-me as rédeas, pai, e me permite,
com açoites flamejantes, conduzir a parelha ardente.
Que Corinto, obstáculo entre litorais gêmeos, 35 consumida pelas chamas, junte os dois mares.7
Falta só isso: que ao tálamo eu mesma leve a tocha nupcial e, depois das preces sacrificiais,
massacre vítimas nos altares sagrados.
Nas vísceras mesmas, procura um meio de tortura, 40 se ainda vives, espírito meu. Se te resta algo do antigo vigor,
repele os temores femininos e inculca na mente o Cáucaso hostil.
Tudo que de nefasto o Fásis8 viu, ou o Ponto9, o Istmo10 verá.
Ferozes, inauditos, horrendos males 45 que fazem tremer juntos céus e terras agitam-se nesta mente.
Chagas e massacre e um funeral esparso pelos membros. É leve demais o que recordei. Fiz isto ainda virgem. Que o meu rancor ressurja mais grave.
Já me cabem crimes maiores depois que dei à luz. 50 Arma-te da ira e prepara-te para a destruição com furor total.
Que se fale da tua separação como do teu enlace. Como deixarás o marido? Como o seguiste. Põe fim já a protelações.
Lar concebido no crime, no crime há que deixá-lo. 55
7 O mar Egeu e o mar Jônico.
8 Rio do Cáucaso que deságua no mar Negro, na atual República da Geórgia.
9 Região costeira a sul do mar Negro, pertencente atualmente à Turquia.
34 ODE CORAL I (56-115)
Que neste enlace régio, com sua divina proteção, se apresentem os sublimes regentes do céu e do mar junto às pessoas que silenciam conforme o ritual. Primeiro, aos soberanos retumbantes,11
um touro de dorso branco oferte sua nuca altiva, 60 que uma fêmea de corpo níveo, intocada pelo jugo,
faça Lucina propícia, e seja honrada
a que coíbe as mãos sanguinárias do rude Marte, a que concede tréguas aos povos beligerantes
e retém em sua cornucópia a abundância,12 65 mais terna que a tenra oferenda.
E tu, que te apresentas em bodas legítimas, dissipando a noite com destra auspiciosa, avança lânguido para cá em passo ébrio,
tua fronte coroada com rosas.13 70 E tu, estrela, prenúncio do dia e da noite,
que sempre te demoras para os amantes: mães e noras com avidez desejam que tu... tu, o quanto antes, derrames teus raios luminosos.14
O fulgor da virgem ultrapassa 75 em muito as noras cecrópias15
e as que nos cimos do Táigeto se exercitam como os rapazes da cidade carente de muralhas16
e as que se banham no Aônio,17 80 também as do sagrado Alfeu.18
11 Júpiter e Juno.
12 Vênus ou Paz ou síntese de ambas. Ver HINE (2007: 124).
13 Himeneu.
14 Vésper.
15 Referente a Cécrops, primeiro rei de Atenas.
16 Esparta, na região da Lacônia.
17 Rio em Tebas, na região da Beócia.
35 Se pelo porte quiser ser notado,
o nobre filho de Éson superará19 o filho do raio fulminante
que submete tigres ao jugo,20 85 também quem agita trípodes,
o irmão da rude virgem.21 Superará Pólux, mais hábil nas lutas, e o dileto Castor.
Assim, assim, deuses celestes, 90 que esta mulher ultrapasse outras,
que este marido supere outros.
Quando ela se une a um coro de mulheres, o rosto de uma só reluz mais que todos.
É assim que o fulgor estelar esmaece ao sol 95 e o denso rebanho das Plêiades se oculta
quando Febe, sem luz própria, abarca o sólido globo com seus chifres curvos. Assim é quando a brancura enrubesce,
tingida da ostra púnica. Assim, no orvalho 100 do novo dia, o pastor nota o límpido brilho.
Apartado do enlace com o horrível Fásis,22 cansado de tocar nervoso, com mão receosa, os seios da esposa desenfreada,
toma para ti, noivo ditoso, a virgem eólia:23 105 agora, afinal, tens sogros que te aceitam.
Aproveitai, jovens, que ofensas são permitidas. Daqui e dali, jovens, lançai vossos cantos. É rara a licença de opor-se aos que dominam.
19 Jasão.
20 Baco, filho de Júpiter, representado por um carro puxado por tigres, às vezes por linces ou leões.
21 Apolo, irmão de Ártemis (Diana para os romanos).
22 Referência ao rio da terra de Medeia, a Cólquida. Ver n.8.
36
Radiante, nobre fruto de Lieu portador do tirso,24 110 já é hora de acender a multífida tocha:
com teus dedos lânguidos agita o fogo solene. Em festiva gritaria ferva o picante fescenino!25 Libere a multidão suas piadas...
Que vá pelas tácitas trevas,
a mulher que, em fuga, se une a marido estrangeiro. 115
MEDEIA (116-149)
Como dói! O epitalâmio feriu meus ouvidos. Custa, ainda me custa crer em tamanho mal. Como Jasão pôde fazer isso: preterido o pai, a pátria e o reino, o insensível abandonar-me só
em solo estranho? Menosprezou meus méritos, 120 ele que vira o crime vencer as chamas e o mar?
Crê mesmo ter se esgotado tudo de nefasto? Confusa, dividida, a mente insana me leva
para todo lado. De onde obterei a vingança?
Quem dera de um irmão! Mas ele tem a esposa. 125 A ela se dirija a espada. Isso acalma meus males?
Se cidades pelasgas,26 ou se bárbaras, sabem de um delito, algum, que tuas mãos ignorem, é a hora dele! Que teus crimes te motivem
e todos ressurjam. A famosa glória do reino,27 130 furtada. O menino parceiro da nefanda virgem,
decepado com a espada, defunto atirado ao pai, corpo espalhado no mar.28 E do velho Pélias os membros cozidos num caldeirão. Funesto
sangue quantas vezes verti impiedosamente. 135
24 Himeneu, filho de Baco.
25 O fescenino é um verso licencioso. Ver “Notas à tradução”. 26 Gregas, referente ao povo pré-helênico.
27 A pele do carneiro mítico recoberta de lã dourada ou o velo de ouro.
37 E crime algum devido à ira: o amor infeliz foi cruel. E do que foi capaz Jasão, sob justiça e vontade alheias?29 Ficou devendo oferecer o peito aberto à espada!
Ah! Fala melhor, melhor, rancor furioso!
Se possível, que ele viva sendo o meu Jasão, 140 como já foi. Se não, que ainda assim viva:
lembrando-se de mim, poupe o meu presente.30 A culpa é toda de Creonte: exaltado com o poder, ele separa casais, afasta uma mãe de seus filhos
e destrói a fidelidade com firme penhor selada. 145 Seja ele o alvo. Só ele receba merecidos castigos.
Soterrarei a casa real sob um monte de cinzas: a coluna escura causada pelas chamas será vista até em Maleia,31 que força naus a longos desvios.
AMA – MEDEIA (150-176)
AMA
Silêncio, eu peço. Recolhe as queixas ao teu rancor secreto. 150 Quem suporta calado graves injúrias,
com espírito paciente e moderado, consegue revidar. A ira que fica encoberta fere,
já ódios declarados perdem o momento da vingança. MEDEIA
É leve um rancor que consegue aceitar conselho 155 e dissimular-se: os grandes males não se ocultam.
Desejo atacar.
AMA
Detém o ímpeto de tua fúria, menina. Até a calma silenciosa mal te protege.
29 alieni iuris é expressão jurídica que revela a submissão ao poder de outrem, oposto a sui iuris.
30O “meu presente” alude à vida de Jasão, que Medeia diz ter resgatado para si. Cf. vv.233-5. 31 Península mais a leste na costa sul do Peloponeso, citada na Odisseia IX 80 pelos ventos adversos.
38 MEDEIA
A Fortuna teme os fortes, oprime os fracos. AMA
Então é bem vinda a coragem, se for o momento. 160 MEDEIA
Nunca é descabido um momento de coragem. AMA
Não há esperança de saída destas aflições. MEDEIA
Quem nada pode esperar de nada deve desesperar. AMA
A Cólquida se foi, a fidelidade do teu marido é nula
e nada te resta de uma vasta riqueza. 165 MEDEIA
Resta-me Medeia: aqui vês mar e terras, e ferro e fogo, e deuses e raios.
AMA
Deves temer um rei.
MEDEIA
Um rei tinha sido meu pai. AMA
Não receias as tropas?
MEDEIA
Nem se brotassem da terra. AMA Morrerás. MEDEIA É o que desejo. AMA Foge! MEDEIA Arrependi-me da fuga. 170
39 AMA