3. GEREÇ VE YÖNTEM
4.3. Klavikula kırığının gelişen komplikasyolara göre değerlendirilmesi
121 CAJINA, Roberto. Op. cit. p. 315. 122 Ibid. p. 264.
Em referência à estrutura material do Exército Popular Sandinista, na década de 1980 podem-se delimitar três etapas: a primeira, de 1979 a 1982 correspondeu à formação orgânica do EPS; de 1983 a 1986 promoveu-se o crescimento acelerado de efetivos e de unidades; e por fim, de 1987 a 1990, a etapa de reestruturação orgânica, com maior coesão e capacidade combativa, mas também uma etapa de redução de pessoal. Durante essas três etapas, preparações de oficiais e soldados foram promovidas, bem como a organização de diferentes unidades combativas e de apoio.
Um dos marcos da formação do EPS foi a fundação de Centro de Preparação de Oficiais ‘Carlos Agüero Echeverría’ (popularmente conhecido como Escola Carlos Agüero – ECA) em agosto de 1979. Associada à ECA, em 1980 foi criado o Centro de Ensino Militar ‘Javier Guerra Báez’, para a preparação de soldados, depois transformado em Centro de Preparação de Especialistas Menores (CPEM); e também em 1980, a Escola ‘Eduardo Contreras Escobar’, visando a formação de tropas para as MPS. A preparação de chefes do EPS foi promovida com o Curso Acadêmico Superior (CAS), elaborado nos anos de 1981 e 1982. Por fim, em 1983 criaram-se os Centros de Preparação de Oficiais (CPO) e, em 1987, os Centros de Educação à Distância, distribuídos nas Regiões Militares.
A cooperação militar internacional permitiu que nicaraguenses fossem receber treinamentos em Cuba, Bulgária, e nas antigas União Soviética, República Democrática Alemã e Tchecoslováquia. No total, no período de 1979-1990, foram graduados 10.228 membros do EPS, na Nicarágua e nos países com que mantinha cooperação militar. Destes, mais de 8.500 formaram-se oficiais; o restante, técnicos, engenheiros e médicos123.
As forças terrestres compunham a grande maioria dos efetivos das forças armadas nicaraguenses. As primeiras unidades criadas foram os Batalhões de Infantaria e os Batalhões e Brigadas de Infantaria de Reserva, organizados imediatamente após o triunfo insurrecional. Posteriormente, principalmente com a incorporação massiva através do SMP e das MPS, novas unidades foram estabelecidas, como os BLI, BLC, Tropas Guarda Fronteiras (TGF), Bases de Apoio Operacional (BAO), COPETE e Grupos Táticos. Em consequência do desenvolvimento orgânico do EPS, unidades de forças especiais foram igualmente organizadas, de acordo com as experiências dos combatentes insurrecionais: as Pequenas Unidades de Forças Especiais (PUFE), com membros selecionados dos BLI e de outras unidades permanentes. Os contingentes dessas unidades eram em sua maioria treinados na
Escola de Forças Especiais ‘El Cacho’, em Cuba. Na década seguinte, as PUFE seriam transformadas em Comando de Operações Especiais (COE).
O arsenal e a capacidade bélica das forças terrestres provinham quase em sua totalidade de produtos soviéticos, armamentos fabricados nas décadas de 50 e 60 e vendidos à Nicarágua por preços módicos em função da cooperação mantida pelos dois países. A artilharia era composta por morteiros 120mm e 82mm, canhões 75mm sem retrocesso, tendo um crescimento qualitativo entre os anos 1982 e 1986, com aquisições de canhões 57mm, obuses 152mm, veículos BM-21 (conhecido como Grad), entre outros. Com tais equipamentos foram organizados grupos de artilharia em cada RM, de modo a ampliar o alcance da defensiva armada do projeto revolucionário, contemplando regiões anteriormente sob a influência da Contra. As unidades mecanizadas eram compostas por Batalhões Blindados de tanques T-55 e PT-76, Batalhões Mecanizados, com tanques BTR 60 PB, e Artilharias Terrestres de Obuses 122mm. Todos os armamentos citados eram de origem soviética.
Em relação à força aérea, sua estrutura era limitada em comparação com os equipamentos das tropas terrestres, porém, ocupou importantes setores na estratégia de defesa sandinista. Criada em julho de 1979, a FAS-DAA contava inicialmente somente com poucas aeronaves deixadas pela Guarda Nacional: bimotores e monomotores Cessna. Posteriormente foram incorporadas aeronaves Beechcraft, Boeing B-50 e B-55, Piper Navajo e Aztec, Skyvan, e Douglas DC-6 e DC-47. No total, a antiga Força Aérea Nacional da Guarda Nacional abandonou 29 aeronaves, outras 25 deixaram o país, destas, 19 foram repatriadas, destacando-se os aviões de combate Lockheed T-33A, Martin B-26 e North American T-28. A defesa antiaérea era formada por Esquadrões de Combate equipados com artilharia ZPU-4 14,5mm, Grupos de Artilharia Antiaérea com armamentos ZU-23-2, canhões 37mm, 57mm e 100mm, e Baterias de Complexos Antiaéreos Portáteis de Mísseis (Complejos Antiaéreos Portatiles – CAAP) com foguetes C-2M, C-3M e C-5M. A partir de 1984 os CAAP foram incorporados aos BLI e BLC. A preparação de pessoal era realizada no Centro de Ensino da Força Aérea Sandinista (CEFAS), depois convertida em Escola de Especialistas de Aviação (EEA – 1985) e Escola Nacional de Aviação (ENA – 1988). Entre 1979 e 1990, 312 especialistas foram preparados em aviação (114 pilotos, 78 técnicos, 55 engenheiros), 1037 em defesa antiaérea e 267 em radares, totalizando 1616 membros formados em cursos realizados na Nicarágua, União Soviética, República Democrática Alemã, Cuba e Bulgária.
Por fim, a força naval nicaraguense era representada pela Marinha de Guerra Sandinista (MGS), criada entre os anos de 1979 e 1980. A MGS assumiu a defesa da
soberania marítima e a proteção dos recursos naturais da Nicarágua, com uma estrutura inicial composta de um Estado Maior e três esquadrilhas navais. Estas últimas constituídas a partir das Seções Navais das Tropas Guarda Fronteiras e dos meios repatriados da antiga Guarda Nacional. O fortalecimento estrutural foi iniciado em 1985, com a criação de Distritos Navais e aquisições de embarcações (principalmente navios de defesa de costa Vedette, Griff e Dabur, além de lanchas AIST e navios caça-minas). Ademais, assim como ocorreu com as forças terrestres e aéreas, a preparação de oficiais foi realizada em países com os quais a Nicarágua mantinha acordos de cooperação: Cuba, União Soviética, República Democrática da Coréia e França. As tropas da MGS tiveram uma importância estratégica na defesa costeira nicaraguense e na defesa antiaérea, combatendo ações estrangeiras e operações da Contra (atuantes com lanchas “piraña” e aviões da Força Aérea hondurenha).
Em números, o maior contingente era indiscutivelmente do EPS e suas tropas terrestres, tendo a FAS-DAA e a MGS como meios auxiliares na defesa do país. Segundo dados de pesquisadores nicaraguenses124, o EPS logo após tomar a capital Managua no dia 19
de julho de 1979 possuía em torno de 12.500 homens (entre guerrilheiros e milicianos). No ano seguinte, aproximadamente 20.000 membros compunham as tropas sandinistas. Com a agudização do conflito armado, o crescimento dos efetivos era uma consequência direta: em 1983, o EPS tinha cerca de 50.000 membros e, em 1986, ápice de mobilização, mais de 98.000 homens faziam parte do Exército no início do ano, no fim, 134.000 eram os efetivos (entre permanentes, reservistas e milicianos). No fim da década, o processo de redução foi aplicado, em função das pressões internacionais e dos acordos de paz assinados. Em janeiro de 1990, o EPS possuía pouco mais de 86.000 membros; em 1991 a redução já era drástica: menos de 24.000. Entre os anos de 1994 e 1995, o Exército nicaraguense tornou-se o menor da América Central, com cerca de 14.500 homens.
Como indicado, a maior parte dos armamentos, equipamentos, veículos, aeronaves e embarcações adquiridas pelos sandinistas, bem como a preparação de pessoal, tinha origem soviética, com fornecimentos também de outros países indicados como pertencentes ao então “bloco socialista”, como a República Democrática Alemã (ou Alemanha Oriental), a República Democrática Popular da Coréia (Coréia do Norte) e Cuba. A dependência da ajuda estrangeira, especialmente da União Soviética, e as ligações políticas com os países citados fazem com que a ideia da Nicarágua como cenário marginal da Guerra Fria seja colocada em
questão. Tal ponto foi pouco abordado em estudos referentes ao governo sandinista, e o mesmo será tratado com mais atenção em capítulos seguintes deste trabalho.
No próximo capítulo, analisaremos especificamente o Exército Popular Sandinista e as bases de sua organização em território nicaraguense. Sua função militar e atuações serão elucidadas, porém ainda sem fazer vinculações com o governo sandinista – tema do quarto capítulo deste trabalho.