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5. DENEYSEL SONUÇLAR

5.1 Klasik Yerel İkili Örüntü Sonuçları

A priori, ao analisarmos a relação existente entre transportador e transportado, verificamos estarmos diante de uma relação essencialmente contratual, regulada pelos artigos 730 a 756 do Código Civil vigente.

A doutrina conceitua o contrato de transporte como sendo “aquele em que uma pessoa ou empresa se obriga, mediante retribuição, a transportar, de um local para outro, pessoas ou coisas animadas ou inanimadas (CC, art. 730) ou notícias”53.

O contrato de transporte pode ser classificado em transporte de pessoas, transporte de coisas ou transporte de notícias (quando considerado o objeto do contrato), bem como transporte terrestre, transporte marítimo ou fluvial, ou, ainda, transporte aéreo (quando considerado o meio empregado para a execução do contrato).

Destaque-se que o contrato de transporte caracteriza-se como sendo um contrato de resultado, no qual o contratado se obriga não somente a transportar o contratante ou a mercadoria, mas sim a entregar a pessoa, ou objeto mandado pelo contratante, no local de destino sã e salva.

Em virtude do tema proposto a ser estudado no presente trabalho, nos concentraremos a expor as peculiaridades do contrato de transporte terrestre de pessoas.

O contrato de transporte de pessoas é conceituado pela doutrina como sendo o contrato “em que o transportador se obriga a remover uma pessoa, e sua bagagem, de um local para outro mediante remuneração”54.

Assim sendo, bem como considerando a legislação concernente a espécie contratual em apreço (artigos 734 a 742 do Código Civil), tem o transportador obrigação de transportar o contratante, juntamente com sua bagagem, no horário estipulado, seguindo o

53

DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: responsabilidade civil. 25ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2011. p. 510.

54DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: responsabilidade civil. 25ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2011. p. 516.

itinerário previsto55 e tendo responsabilidade sobre a integridade física do contratante assim como sobre a bagagem do mesmo56.

Desta feita, conclui-se que o transportador tem responsabilidade de transportar o contratante ao destino contratado são e salvo, tendo ainda responsabilidade por qualquer dano oriundo de atrasos ou modificações no itinerário pré-estabelecido, somente se eximindo de responder pelos danos advindos de sua atividade em caso de comprovação de caso fortuito, força maior ou culpa exclusiva do contratante. 57

Saliente-se, outrossim, que, em relação a danos oriundos de acidentes de trânsito ocorridos em execução de contrato de transporte, a jurisprudência tem aplicado analogicamente a norma contida no artigo 17 do Decreto n° 2.681/191258, o qual regulamenta a responsabilidade civil das estradas de ferro , tendo o mencionado artigo consagrado a presunção de culpa das ferrovias pelos danos experimentados por seus viajantes em desastres ocorridos em suas linhas.59

Assim, temos que a responsabilidade do transportador por danos ocorridos aos contratantes baseia-se ou na norma geral que estabelece que todo contratante que não cumprir com as obrigações estipuladas contratualmente responderá por perdas e danos60 ou no artigo 17 do Decreto n° 2.861/1912.

Por outro lado, devemos evidenciar que a responsabilidade civil do transportador, sendo analisada sobre o prisma da prestação de serviço delegado pelo Poder Público, uma vez

55Art. 737 da Lei 10.406/2002: “O transportador está sujeito aos horários e itinerários previstos, sob pena de responder por perdas e danos, salvo motivo de força maior”.

56Art. 735 da Lei 10.406/2002: “A responsabilidade contratual do transportador por acidente com o passageiro não é elidida por culpa de terceiro, contra o qual tem ação regressiva”.

57DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: responsabilidade civil. 25ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2011.

58Art. 17 do Decreto 2.681/1912: “As estradas de ferro responderão pelos desastres que nas suas linhas sucederem aos viajantes e de que resulte a morte, ferimento ou lesão corpórea. A culpa será sempre presumida, só se admitindo em contrário alguma das seguintes provas: 1ª - Caso fortuito ou força maior; 2ª - Culpa do viajante, não concorrendo culpa da estrada”.

59

Rodrigues, Silvio. Direito Civil, v. 4. Responsabilidade Civil. 20ª Ed. São Paulo: Saraiva, 2003.

60Artigo Art. 389 da Lei 10.406/2002 (código Civil) :” Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado”.

que o transporte público, como já demonstrado alhures é considerado pela Constituição Federal como serviço público, deve ser analisada sob o enfoque de vários diplomas legais, tendo em vista ser a relação do transportador com o administrado uma relação complexa.

Nesse sentido prescreve o artigo 731 do Código Civil que “O transporte exercido em virtude de autorização, permissão ou concessão, rege-se pelas normas regulamentares e pelo que for estabelecido naqueles atos, sem prejuízo do disposto neste Código”61.

Nesse sentido, importante se faz destacar, que a relação existente entre o administrado utilizador do serviço de transporte público e a empresa prestadora do serviço (concessionária), caracteriza-se, nos termos dos artigos 2° e 3° do Código de Defesa do Consumidor, como relação de consumo tendo em vista o caráter profissional e habitual da atividade prestada pela concessionária, bem como a patente finalidade econômica na prestação do mencionado serviço. 62

Assim sendo, nos termos do artigo 14 do Código de Defesa do consumidor63, deve o prestador do serviço de transporte coletivo, na hipótese de ocorrência de danos ao usuário do serviço, ser obrigado a ressarcir os prejuízos suportados pelo usuário, devendo neste caso ser aplicada a teoria da responsabilidade objetiva em decorrência de expressa determinação legal.

Assim, por mais de uma razão, deve-se concluir pela aplicação da teoria da responsabilidade civil objetiva aos casos que envolvam danos provenientes de fatos ocorridos na prestação de serviço de transporte público por empresas concessionárias.

Primeiramente, porque a própria Constituição Federal Determina a aplicação da mencionada teoria às atividades que se consubstanciem como prestação de serviço público; segundo, em virtude de o Código Civil, estabelecer a inversão do ônus da prova em situações que discutam a reparação civil em decorrência de inadimplemento contratual; terceiro, em virtude da aplicação pela jurisprudência pátria do artigo 17 do Decreto n° 2.681/1912 às ações

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Artigo 731 da Lei 10.406/2002. 62

Cavalieri Filho, Sergio. Programa de Direito do Consumidor. São Paulo: Atlas, 2008.

63Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.

que envolvam danos ocorridos na prestação de serviço de transporte coletivo em geral; por último, em virtude de a atividade de transporte coletivo configurar-se na realidade como uma relação consumerista, devendo serem aplicadas as tenazes do Código de Defesa do Consumidor aos casos que envolverem danos ao usuário do mencionado serviço.

Após estudarmos as especificidades do contrato de transporte a como a Responsabilidade Civil incide sobre o mesmo, faz-se essencial analisarmos como a questão da responsabilidade civil das concessionárias de transporte público vem sendo tratada por nossos tribunais superiores. Assim, passaremos a uma análise dos pontos de divergência doutrinária e jurisprudencial que envolvem o tema em apreço.

5 RESPONSABILIDADE DAS EMPRESAS CONCESSIONÁRIAS DE