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6. UYGULAMALAR VE DEĞERLENDĠRMELER

6.1 Klasik Kara Kutu Modelleme

Sygmunt Baumam194 aponta que na modernidade a fragmentação do mundo é a marca de sua objetivação, tendo a ciência como objetivo principal explicar que o todo é a soma das partes, entretanto esta fragmentação torna a resolução do problemas uma questão de autonomia local e específica.(BAUMAN, 1999, p. 21). Esta realidade aponta para um mundo social de pessoas multifuncionais e palavras polissêmicas, dos múltiplos significados e das funções diversas que não organizam o caos e o tornam mais ainda complexo. Nasce então a busca pela clareza, a dificuldade em se definir algo, em se enxergar os objetos de forma plausível, na medida em sempre será possível vê-lo de um outro ângulo novo, senão, diverso.

Neste contexto surgem os especialistas, sujeitos da especificidade no caos, mediante a negação do todo, estimulados pela obsessão da especificidade. Qualquer elemento que fugir à lente da objetivação será considerado refugo, e vitimado pela exclusão. E a especialização irá encarar os indivíduos dentro do reducionismo dele ser uma cifra, ou um número, e quem dele não for portador, é considerado um estranho ou inimigo, cujo acesso ao espaço comum será negado.

E uma vez classificado como estranho, ou fora do lugar, esse tal se tornará alvo e objeto de genocídio, pois está exposto (BAUMANN, 1999, p. 76).

Por outro lado, a ação do desestanhamento, sugere Bauman,

Trata-se da domesticação do estranho, como uma questão de decência e indústria do esforço do estranho para sua assimilação através da aculturação reafirmando sua inferioridade, sua indesejabilidade, e o deslocamento evidente da forma de vida do estranho, e por outro lado, é proclamar que o estado de estranho é uma mancha a ser removida, e aceitar o estranho como culpado e que cabe a ele expiar e provar seu direito á absolvição (BAUMAN, 1999, p. 80).

Essa realidade convive com o fato de que na sociedade de consumo que marca a atitude dos sujeitos na pós-modernidade com seus centros de consumo, templo oferecendo credos também de ocasião, estádios com jogos e jogadores alimentados pela máquina capitalista cercam a entrada dos consumidores com câmera de vigilância, detectores de metais, e é ali que aprovamos somente os insuspeitos, e a estes a liberdade se consagra com privilégio oferecido pelos donos que, garantem aos livres direito à circulação ao consumo longe dos estranhos, formando muralhas de sitiados, daqueles que têm acesso e daqueles cujo acesso é negado.

Este cenário da pós-modernidade permite o surgimento das vozes que prosperam a cada dia em nome da lei e da ordem, como coloca Bauman195:

Não há quaisquer limites naturais. A indústria está lá. A capacidade está lá. Dois terços da população terão um padrão de vida enormemente acima de qualquer um outro [países ricos] em qualquer outra parte do mundo. Os meios de comunicação de massa prosperam com relatos sobre crimes cometidos pelo terço restante da população. Governantes são eleitos com promessas de manter o perigoso terço atrás das grades.

Uma vez reconhecido o estranho, aquele põe em risco a liberdade dos que podem e querem consumir, tendo estes ao seu lado o poder legitimado, inclusive pelo que se propõe a manter a lei e a ordem e alimentar as fronteiras imaginárias impedindo acessos. Constrói-se na pós–modernidade o estado social de constante pressão, numa tentativa de se desarticular qualquer interferência que seja por si só reflexo de organização social, para que, através do serviço legal do Bem-Estar Social, as massas sejam minimante atendidas, supridas, ouvidas individualmente, mas por meio de serviço privatizado, como afirma Bauman:

A busca pela pureza pós-moderna expressa-se diariamente com ações punitivas contra os moradores pobres das ruas, e das áreas urbanas proibidas, os vagabundos e os indolentes. Em ambos os casos a impureza no centro da punição é a extremidade da forma incentivada como pura: a extensão até os limites daquilo que devia ter sido, mas não podia ser, e conservando-se em regiões fronteiriças, o produto-refugo [...] (BAUMAN, 1998, p. 26).

Individualizar é, portanto, a palavra de ordem da pós-modernidade. A especificidade, a objetividade, a ciência focada, e tudo o que fragmenta e que pode se permitir a múltiplos olhares e múltiplos significados; é isto que contem a lógica pós-moderna.

A esta individualização, Bauman196 define como a capacidade do homem de emancipar- se da trama estreita da dependência, da vigilância e, sobretudo, das imposições comunitárias (Bauman, 2001, p. 40). Estabelece-se desta forma uma autonomia ao que se indica que em termos de referenciais, falar-se de pós-modernidade e individualização do ser é dizer a mesma coisa de forma diferente. Na pós-modernidade ao evocar-se autonomia, opera-se contra a possibilidade de reacomodação, e da elaboração de acordos197. [Exemplo recente de individualização nacional – Cop 15 Conferência do Clima, 2009 – Copenhague]. A individualização é marca que perpassa etnias, questões de gênero, movimentos organizados, que são alternativas dos socialmente mais fracos de se tornarem fortes na formação de sua identidade individualizada. Estas implicações da pós-modernidade tornam a individualização uma fatalidade a ser vivida, um destino inexorável dos sujeitos, que os levará às comunidades que serão frágeis e transitórias e mais servirão de cabides para suprir ansiedades e crises momentâneas, mas logo descartadas por que novas situações e novas comunidades surgirão e desaparecerão.

Nesta perspectiva, aponta Bauman, o cidadão será configurado como uma pessoa que buscará seu próprio bem-estar através do bem estar da cidade, com isto o interesse comum, o bem comum, a sociedade justa são temas sem sentido (BAUMAN, 2001, p. 45). Na pós- modernidade, o serviço do Bem-Estar Social e as políticas públicas serão construídas dentro de recortes sociais, buscando agrupar sujeitos pelos seus traços, sua localização espacial, etária, de gênero na tentativa de circunscrever e especializar a forma de atenção e abordagem, mas esbarrará na reversão do processo, uma vez que os indivíduos, os sujeitos, segundo Bauman, irão reverter estas políticas em bens próprio e se utilizarão delas alimentados pela lógica atual da individualização, como segue:

Se o indivíduo é o pior inimigo do cidadão, e se a individualização anuncia problemas para cidadania e para a política fundam na cidadania, é porque os cuidados e as preocupações dos indivíduos enquanto indivíduos enchem o espaço público até o topo, afirmando-se como seus únicos ocupantes legítimos e expulsando tudo mais do discurso público. O público é colonizado

pelo privado e o interesse público é reduzido à curiosidade sobre as vidas privadas de figuras públicas, e a arte da vida pública é reduzida à exposição pública das questões privadas e confissões de sentimentos privados (Bauman, 2001, p. 47).

Benzer Belgeler