1. BÖLÜM
2.2. ŞEVK-NÂME-İ HASAN’IN MUHTEVÂ ÖZELLİKLERİ
2.2.1. Eserin Tertibi ve Başlıklara Göre İçeriği
2.2.1.3. Der-sebeb-i inşâ-ı makâle
Outro grande passo na evolução da Contabilidade ao longo da história é a época que ficou conhecida como Revolução Industrial. Sem precisar ano ou local, essa revolução acontece entre os séculos XVII e XVIII, com destaques para países como Inglaterra, em primeiro lugar, França, em seguida, e os demais países da Europa.
Hendriksen; Van Breda (1999) destacam o seguinte sobre essa época:
Sua origem talvez tenha sido um período de bom tempo na Inglaterra, que permitiu a ocorrência de uma série de boas colheitas, fazendo com que os preços dos alimentos caíssem, e com isso a sociedade desfrutasse de melhor nutrição e saúde (...) A manufatura desenvolveu-se para atender a demanda e invenções começaram a transformar o local de trabalho. (p.46).
Kam (1990) aponta os seguintes fatos como importantes para o desenvolvimento da contabilidade nessa época:
A partir do começo do século XV, o poder econômico começou a migrar da Itália para a Inglaterra. A filosofia econômica que prevaleceu do século XV ao século XVII é chamada de mercantilismo. A escola mercantilista de pensamento criou um sistema onde o governo central tentava controlar e regular todas as fases da atividade econômica (em tradução livre do autor).11 (p.22).
11 Beginning in the fifteenth century, economic Power began to shift from Italy to England. The economic philosophy that prevailed form the fifteenth to seventeenth centuries is called mercantilism.
Os Estados começam a perceber a importância e a utilidade da ferramenta contábil para exercer controle sobre as atividades econômicas. Até os dias atuais, isso é muito utilizado. Mais por uns e menos por outros, mas a importância da contabilidade para os Governos tem sido de enorme auxílio.
Regressando à época, duas características marcam e trazem implicações para a Contabilidade: a mudança no modo de produção, passando de uma produção agrícola e pecuária, para uma produção manufatureira; e, como reflexo desta primeira mudança, tem-se também a criação das grandes corporações, muitas delas transnacionais.
Outra característica dessa época que traz reflexos para a Contabilidade e para as empresas até os dias atuais são os conceitos da Teoria da Agência que, resumidamente, expõem que os interesses pessoais dos administradores, gerentes, acionistas não devem se misturar aos interesses do agente econômico empresa (corporação). Um agente principal (acionista) delega a outro agente (gestor) tarefas que sejam desempenhadas a favor do agente principal. Muito embora pareça um conceito dos dias atuais, foi na época da Revolução Industrial, muito em função do desenvolvimento das grandes empresas, que esses conceitos passaram a ser difundidos.
Com a teoria da agência surgem o Problema de Agência e os Custos de Agência. De acordo com Fama e Jensen (1983) surgem quando os gestores procuram tomar decisões que melhorem seu desempenho pessoal e, não necessariamente, representem maior lucro para todos os acionistas. Para minimizar o problema de agência, incorre-se em custos, chamados de custos de agência, tais como monitoramento, estruturação de contratos, entre outros.
Nesse sentido, o papel da Contabilidade como instrumento de prestação de contas do gestor para o acionista é essencial. Um conceito importante é o Princípio da Entidade, regra pela qual, de maneira simplista, pode-se dizer que a Contabilidade das pessoas físicas (agente principal) não se pode misturar com os interesses dos usuários que têm relação com o empreendimento (papel a ser exercido pelo gestor).
Há nessa época, também, um grande desenvolvimento do mercado bancário,
The mercantilism school of thought created a system where the central government attempted to
uma vez que as empresas, para atender a demanda da sociedade, precisavam mais e mais de capital. Estudos mostram que na Inglaterra existiam mais de 400 bancos, dispostos a financiar os novos empreendimentos e, claro, obter lucro com estas operações.
Como conseqüência também da necessidade de captação de recursos, nessa época duas grandes instituições são criadas e que também trazem reflexos até os dias atuais no que se refere ao mundo capitalista, em geral, e à Contabilidade, em particular: em 1773 foi criada a Bolsa de Valores de Londres e, em seguida, em 1792 a Bolsa de Valores de Nova York.12
Os reflexos para a Contabilidade são imediatos: grandes quantias de dinheiro investido em empresas diretamente (e/ou indiretamente, se pensarmos na intermediação das bolsas) fizeram com que uma das exigências da Contabilidade fosse a preparação de relatórios financeiros para atender o que se pode chamar de investidores (ou proprietários) ausentes.
Historicamente é possível observar que dessa época surgem ou potencializam a aparição de três importantes figuras dentro de um empreendimento: i) o proprietário, ou acionista, que é o dono do capital e faz seu investimento em determinado empreendimento; ii) na impossibilidade de tomar conta de seu negócio, o proprietário nomeia o administrador, responsável por gerir o negócio e prestar contas de todas as atividades, e iii) a figura do auditor, aquele que verifica se a prestação de contas está sendo feita de maneira correta.
Niyama e Silva (2008) traçam um resumo sobre este processo, existente até os dias atuais:
A Contabilidade de uma empresa é preparada sob a influência e aprovação do acionista controlador, sendo que o acionista minoritário e a instituição financeira precisam dessa informação para o processo de decisão. Nessa situação, a credibilidade da informação dada pela empresa está relacionada com a qualidade da tomada de decisão. No entanto, em diversas situações, é comum existir um conflito de interesse entre esse acionista e os outros investidores, conflito esse que possui um custo, denominado custo de agência. (p.9-10)
Os auditores das demonstrações contábeis acabam por influenciar a contabilidade e sua evolução, em função de que são os agentes denominados para
12 Outras bolsas de valores existiam antes de Londres e Nova York, como as de Amsterdã, de Paris e da Filadélfia. Porém, pelo vulto e pelo que representam até os dias atuais, optamos por destacar a criação destas duas grandes instituições.
diminuir este custo citado pelos autores.
Ainda em relação aos auditores, a origem das grandes empresas de auditoria e consultoria nos dias atuais tem berço na Inglaterra, como uma resposta à necessidade da sociedade pelos verificadores de contas.
É também dessa época o surgimento e o desenvolvimento da profissão de contador. Por todos os motivos acima apresentados, como a necessidade de prestação de contas pelos administradores dos empreendimentos e tendo em vista o agigantamento das empresas industriais, verificou-se a necessidade de um profissional que lidasse com as metodologias de Contabilidade e elaborasse os documentos dessas prestações de contas.
Para autores como Schmidt (2000), Hendriksen e Van Breda (1999) e Iudicibus (2009) é também nesse momento que surge uma nova forma de se fazê-la, hoje mundialmente conhecida como Contabilidade Gerencial: nela não é necessário a utilização de normas ou padrões rígidos, pois o principal usuário é o administrador. Seus relatórios e informações servem de base para o apoio de decisões que refletirão nos negócios empresariais.
Um dos principais motivos para o surgimento da Contabilidade Gerencial é o fato de que os grandes empreendimentos contavam com grandes recursos e, como o modo de produção era eminentemente industrial, os investimentos em Ativos Fixos (máquinas, equipamentos, fábricas) eram de grande vulto. A utilização desses ativos (e sua referida depreciação) causava grande impacto sobre o custo dos produtos (e conseqüentemente no seu preço).
Santos et al. (2007) destacam exatamente essa situação:
Com o crescimento dos negócios em tamanho, complexidade e diversidade geográfica, ocorrida no século dezenove, os administradores passaram a aperfeiçoar seus sistemas contábeis para fornecerem informações necessárias às várias decisões gerenciais, incluindo desempenho, avaliação, planejamento e controle. O campo de estudo e de prática chamado de Contabilidade Gerencial foi desenvolvido para produzir esses sistemas e fornecer as informações necessárias para a tomada de decisão gerencial. (p.79)
A Revolução Industrial atinge também o mundo novo e mais especificamente os Estados Unidos. O grande desenvolvimento desse país fez com que alcançasse sua independência no final do século XVIII e a partir daí começasse a se tornar uma
grande nação, reconhecida como a maior potência mundial.
A Administração Científica também prospera e tem no trabalho de Taylor um grande impulso para as empresas. Os Estados Unidos experimentam um grande desenvolvimento econômico e científico que dura até o início do século XX. A Contabilidade, como uma ciência que responde aos anseios da sociedade, adapta- se a esse novo mundo. Ela, que nascera e se desenvolvera em berço latino e com modo de produção agropecuário, enfrentava agora uma realidade industrial e uma influência anglo-saxã.
Como uma conclusão sobre a evolução da Contabilidade ao cabo da Revolução Industrial, Hendriksen; Van Breda (1999) aponta que, ao final do século XIX, várias mudanças haviam feito com que o sistema contábil estabelecido por Luca Pacioli assumisse uma forma mais adequada às necessidades das grandes sociedades anônimas industriais, que caracterizam nosso mundo até os dias atuais.