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Kitabın Adı: Adli Tıp, İstanbul Üni versitesi Tıp Fakültesi Yayınlarından

Tratar dos conceitos de poder, hegemonia, dominação e resistência não é uma tarefa das mais simples, primeiramente porque em diferentes níveis e escalas eles se perpassam e muitas vezes são confundidos dentro de um único pacote de entendimento.

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Em segundo lugar, a dificuldade parte do conceito fundamental de Poder e das relações estabelecidas dentro e a partir de sua mecânica.

Mas o que de fato é poder? Quando esse conceito tange o Império romano – cenário amplo dessa dissertação – logo se tem a tendência de formular essa questão de forma vertical: um indivíduo, nesse caso o imperador, que detém o imperium, ou seja, na acepção mais estrita do termo, alguém que detém a supremacia do Estado. Sujeito que personifica nessa magistratura a hegemonia daqueles que investidos dela têm o poder de levantar tropas e comandá-las; tomar auspícios, mesmo fora do pomerium; apresentar propostas aos comícios; deter e punir cidadãos culpados, entre outros poderes. Na qualificação romana estavam os cum imperium e sine imperium. As magistraturas do consulado, da pretura, da ditadura, do tribunato militar e do consulari potestate eram investiduras cum imperium, sendo as demais sine imperium. O grau de exercício do imperium era simbolizado pelo número de lictores, com bastões enfeitados com fasces de cereais, que constituíam a escolta. Contudo, essa alusão vertical que geralmente vem à mente dos mais afoitos passa ao largo da questão central do que é de fato o poder, onde se localiza e qual sua mecânica, seja no âmbito de análise do Império romano ou no de outras organizações societais.

Para um esboço incipiente do que venha a ser definido aqui como poder, penso ser pertinente lançar mão de uma pontuação básica e necessária: poder é uma ”coisa”! Embora pareça estranho a alguns e óbvio a outros, é necessário que essa constatação inicial seja feita para não incorrer no erro de muito falar e nada dizer, por fim.

A partir do momento em que Michael Foucault trouxe à voga o tema do poder e

de suas relações, tinha em mente as “lutas cotidianas realizadas nas bases com aqueles

que tinham que se debater nas malhas mais finas da rede do poder”– como ele mesmo diz. A temática suscitou aos seus olhos a concretude do poder, sua fecundidade enquanto campo de análise, com o objetivo de dar conta das coisas que até então tinham ficado à margem do campo de análise da política (Foucault 2007: 7)25. Assim, quando

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Foucault se refere ao poder ele reconhece a dificuldade em “conhecer esta coisa tão

enigmática, ao mesmo tempo visível e invisível, presente e oculta, investida em toda parte, que se chama poder” (Foucault 2007: 44).

Seguindo o plano proposto por Foucault, outra constatação pode ser pontuada: poder é um exercício. Ele funciona em cadeia, em rede. Não pode ser localizado aqui ou ali, não se concentra exclusivamente na mão de um só indivíduo ou de alguns, mas está disperso por todo o tecido social. O poder em seu exercício vai além, passa por sutis nuances, de forma mais ambígua, não atende somente à função única de reproduzir relações de produção, como no sentido marxista. Está em distintas redes de dominação que se recobrem, que se amparam e interferem umas nas outras (p.90). Dessa forma não existe poder em si, enquanto propriedade; existem, sim, práticas e relações de poder, onde ele se efetua, onde funciona, onde se exerce. Ninguém é, portanto, titular único e exclusivo do poder, da mesma maneira que não existem aqueles que têm poder e aqueles que não o têm. Logicamente que nesses movimentos de poder ninguém ocupa o mesmo lugar; algumas posições são preponderantes, permitindo produzir efeitos de supremacia e/ou hegemonia. Assegurando uma dominação na medida em que dissociam o poder dos domínios individuas. Entretanto, da maneira como Foucault apresenta:

“(...) o poder não se aplica aos indivíduos, passa por eles. Não se trata

de conceber o indivíduo como uma espécie de núcleo elementar, átomo primitivo, matéria múltipla e inerte que o poder golpearia e sobre o qual se aplicaria, submetendo os indivíduos ou estraçalhando-os. Efetivamente, aquilo que faz com que um corpo, gestos, discursos e desejos sejam identificados e constituídos enquanto indivíduos é um dos primeiros efeitos de poder. Ou seja, o indivíduo não é o outro do poder: é um de seus primeiros efeitos. O indivíduo é um efeito do poder e simultaneamente, ou pelo próprio fato de ser um efeito, é seu centro de transmissão. O poder passa através do indivíduo que ele constituiu (...)” (Foucault 2007: 103)

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Assim, tendo como mérito fugir da óbvia relação vertical que se estabelece muitas vezes entre centro e periferia, macro e micro, Foucault aponta os poderes se exercendo em níveis variados e em pontos distintos da rede social. Não que isso exclua a concepção de periferia, pelo contrário, é a observação dos poderes moleculares e periféricos, ou seja, daqueles poderes exercidos pelos indivíduos, grupos alijados, entre outros segmentos que não foram criados pelo Estado, ou confiscados por ele, que o movimento das forças acontece.

O poder, então, não cumpre somente a função de reprimir os indivíduos, a natureza, os instintos ou uma determinada classe. O que faz com que o poder seja aceito, se mantenha, não é sua qualidade de dizer não, mas o fato de que por permear os indivíduos: produz coisas, induz ao prazer, forma saber, fomenta discurso. Deveria, por conseguinte, conforme propõe o autor, ser considerado como uma rede produtiva que atravessa todo o tecido social. Não somente nos termos de instância negativa e repressão, como geralmente é utilizado (ibidem, p.8).

Com esse encaminhamento, o poder é em si ativação e desdobramento de uma relação de força. É sobre essa base que Foucault lança a hipótese das estruturas disciplinadoras, que cumprem a função de gerir a vida dos homens, controlá-los em suas ações, objetivando o aproveitamento elevado de suas potencialidades e utilizando um sistema de aperfeiçoamento contínuo de suas capacidades. Seguindo essas premissas, ele propõe analisar o poder enquanto combate, confronto e guerra e assevera:

“O problema é ao mesmo tempo distinguir os acontecimentos,

diferenciar as redes e os níveis a que pertencem e reconstituir os fios que os ligam e que fazem com que se engendrem, uns a partir dos outros. Daí a recusa das análises que se referem ao campo simbólico ou ao campo das estruturas significantes, e o recurso às análises que se fazem em termos de genealogia das relações de força, de desenvolvimentos estratégicos e de táticas. Creio que aquilo que se deve ter como referência não é o grande modelo da língua e dos signos, mas sim da guerra e da batalha. A historicidade que nos domina e nos determina é belicosa e não lingüística. Relação de poder, não relação de sentido. A história não tem "sentido", o que não quer dizer que seja absurda ou

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incoerente. Ao contrário, é inteligível e deve poder ser analisada em seus menores detalhes, mas segundo a inteligibilidade das lutas, das estratégias, das táticas. Nem a dialética (como lógica de contradição), nem a semiótica (como estrutura da comunicação) não poderiam dar conta do que é a inteligibilidade intrínseca dos confrontos. A "dialética" é uma maneira de evitar a realidade aleatória e aberta desta inteligibilidade reduzindo-a ao esqueleto hegeliano; e a "semiologia" é uma maneira de evitar seu caráter violento, sangrento e mortal, reduzindo-a à forma apaziguada e platônica da linguagem e do diálogo”. (Foucault 2007: 6)

Se por um lado as observações de Foucault são bem empregadas no sentido das micro-relações de poder e sua disseminação no tecido social; por outro, a crítica que recebe de Tracy L. Sweely (2001) é pertinente quando a autora afirma que tanto nos escritos de Marx, Weber, quanto nos do próprio Foucault, o foco principal está nas formas institucionais, relegando demasiado papel a elas enquanto formadoras da individualidade. Essa conotação cria uma grande diferença entre as estruturas ideológicas – estando inclusas aqui as estruturas sociais, políticas e econômicas – e os indivíduos reais que interagem dentro delas. Nesse sentido, Foucault quando prioriza os sujeitos como produto das instituições culturais incide sobre o mesmo paradigma, ao invés do contrário.

Sweely procura apresentar outro paradigma interpretativo para as relações de poder. Discordando francamente da afirmação de que a linguagem e as estruturas de significado não nos dominam, ela apresenta o referencial de Bakhtin (Bakhtin 1981 apud Sweely 2001) para suporte de suas proposições. Nesse paradigma é a força centrífuga – identificada pela consciência individual – da variação e improvisação em qualquer interação específica que se torna mais importante do que o conjunto de regras

– chamadas de forças centrípetas – que lhes empregam sua forma básica (Sweely 2001:

3). Em outras palavras, é a linguagem e, por extensão a cultura, que determinam num dado momento e num contexto particular as relações de poder. Até que ponto as pessoas concordam em compartilhar uma série de condições ideológicas seria a força que cobre e torna as estruturas sociais secundárias aos indivíduos. A belicosidade é o ponto da

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“não negociação”, onde outros fatores interferem, mas também estes fatalmente passam

pelas relações de sentido e significado.

Na interação entre os indivíduos, entre seus signos e termos estão sendo continuamente criadas as relações de linguagem e a isso Sweely, parafraseando Bakhtin, acrescenta:

“Discurso internamente persuasivo – oposto ao que é externamente autoritário – como é afirmada através da assimilação, intimamente entrelaçada com a "palavra da própria pessoa." Nos arredores do cotidiano de nossa consciência, a palavra internamente persuasiva é meia nossa e meia de outro. Sua criatividade e prodtividade consiste precisamente no fato de que tal palavra desperta novas e independentes palavras que organiza massas de nossas palavras de dentro e não permanecer em uma condição isolada e estática. Não é tão interpretado por nós como está longe, isto é livremente, desenvolvido, aplicado aos materiais, novas condições; entra numa relação de interanimação com novos contextos.” (Bakhtin 1981:346 apud Sweely 2001: 4)26

Esse princípio de polissemia ou heteroglossia como o define Bakhtin, contribui para o fomento da multiplicidade de caminhos na coexistência de contradições ideológicas, elas são as forças centrífugas resultantes dessas intercessões.

Apesar de o princípio da particularidade circunstancial de momentos, a relação de significados no contato com o outro e a relação de movimentos de força27 serem muito úteis nos enunciados de Bakhtin, as relações estabelecidas para o que chama de força centrífuga e força centrípeta, mesmo em relação analógica, são difíceis de conceber em sociedade. Por força centrífuga entende-se um movimento de rotação em

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“Internally persuasive discourse – as opposed to one that is externally authoritative – is as it is affirmed

through assimilation, tightly interwoven with “one‟s own word.” In the everyday rounds of our consciousness, the internally persuasive word is half-ours and half-someone else‟s. Its creativity and productiveness consist precisely in the fact that such a word awakens new and independent words, that it organizes masses of our words from within, and does not remain in an isolated and static condition. It is not so much interpreted by us as it is farther, that is, freely, developed, applied to new material, new conditions; it enters into interanimating relationships with new contexts.”

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relação a um referencial inercial, ou seja, um referencial sem movimento. Já por força centrípeta concebe-se a resultante que atrai o corpo – nesse caso seria o indivíduo – para o centro da trajetória de, mais uma vez, um movimento circular ou quiçá curvilíneo. Não é mais possível conceber as sociedades e as relações entre os agentes sociais enquanto movimentos circulares ou curvilíneos, mesmo que seja de forma figurada. Nem as sociedades nem os indivíduos se movimentam em círculos, embora muitas vezes no âmbito cotidiano tenha-se essa impressão, isto não passa de um senso comum, tanto para indivíduos como para períodos históricos.

O individuo não é um dado sobre o qual se abate poder, é portador de agência e retém poder, como o poder não é passível de doação ou de troca, só existe em ação e numa relação de contato; aí sim, no movimento, na polissemia, nos desejos e nas forças.

Como já aludi, na medida em que alguns indivíduos estão dispostos em determinadas posições preponderantes nessas relações de contato e quando se utilizam delas dissociando o poder dos domínios individuais, os efeitos de hegemonia se estabelecem e podem ser evidenciados de forma mais clara. É importante salientar que a dominação não existe enquanto forma global, mas nas múltiplas formas presentes no exercício da sociedade. Mesmo o imperador em sua posição central está sujeito às várias sujeições que existem e funcionam nos meandros do tecido social, a essas mesmas sujeições todos nós estamos expostos diariamente.

Portanto, não é uma hegemonia global que se cristaliza, desdobra e repercute até uma suposta base social. Antes, de forma desconjuntada, expandida, modificada, essas relações são investidas desse discurso, que nesse caso visa à legitimação do controle hegemônico. Dessa maneira, as inúmeras relações de poder que nos atravessam e que

compõem o social, “não podem se dissociar, se estabelecer nem funcionar sem uma

produção, uma acumulação, uma circulação e um funcionamento do discurso. Não há possibilidade de exercício do poder sem uma certa economia dos discursos de verdade que funcione dentro e a partir desta dupla exigência. Somos submetidos pelo poder à produção da verdade e só podemos exercê-lo através da produção da verdade.” (Foucault 2007: 101).

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A resultante dessa multidão de produção de “verdades” é a percepção de

condições ideológicas distintas e contradições inerentes às interações. Conforme aponta Cohen (1994), as contradições estão consagradas nas interpretações individuais das condições ideológicas e nos termos de tendência à agregação e segmentação. Podendo- se, geralmente, revela-se sob a forma de distinção social (Cohen 1994).

Essas distinções sociais são apresentadas no conjunto diferenciado de relações que, conjuntamente com a intepretação dos indivíduos sobre as ideologias em questão, fornecem as condições, através das quais é permitido exibir afirmações de poder, sempre numa contínua negociação e reinterpretação de significados específicos (Sweely 2001).

Quando Ruth Trocolli (2001) tenta conceituar a noção de poder, a autora discorre sobre aquilo que chama de um continuum, baseado em circunstâncias. Numa extremidade estaria a capacidade de ação e/ou autodeterminação e na outra ponta estaria a capacidade de controlar os outros, por meio do consentimento sancionado. Nesse processo de continuum, as relações seriam multiescalares, da mesma forma que as hegemonias o são.

Pensar as relações de poder, hegemonia e dominação sem falar em resistência

seria uma quimera. De modo geral, “onde existe poder, existe resistência”. Não

entendida como substância ou anterior ao poder, mas na coexistência. A resistência, assim como o poder, é tão invertida, móvel, produtiva e disseminada. Logo:“ a partir do momento em que há uma relação de poder, há uma possibilidade de resistência. Jamais somos aprisionados pelo poder: podemos sempre modificar sua dominação em condições determinadas e segundo uma estratégia precisa” (Foucault 2007: 136). De modo geral, sempre haverá formas e estratégias de escapar das relações tanto de domínio, quanto da hegemonia, e é nesses – algumas vezes ínfimos – intervalos que se engendram e se consolidam as resistências.

Finalizando, se por um lado Foucault apesenta os argumentos de que os homens dominam outros homens e disto emergem as diferenças de valor; classes dominam

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classes e então nasce a ideia de liberdade; de que cada momento da história a dominação se fixa em determinado ritual, impondo obrigações e direitos, constituindo cuidadosos procedimentos, estabelecendo marcas e, desse jeito, gravando lembranças. Por outro, é na manutenção dos discursos de verdade e a forma textual – assim dos sentidos que se figuram em ações – que o discurso permite o armazenamento físico daquilo que se perderia numa cotidiana fala ou reter-se-ia na memória. O discurso engendrado abriga poderes, direta e indiretamente, em relação a outros discursos, ele é interxtual, por excelência, manifestando os mais diversos sistemas classificatórios societais. Até mesmo na ação beligerante o discurso – novamente, interno ou externo – é um dos componentes de tal organização.

Assim, por sistemas classificatórios estão incluídos os traços comuns: a) das noções hierarquizadas dispostas que os grupos mantêm entre si, definidas num conjunto que compõe um todo num dado momento; b) da constituição dos instrumentos de comunicação e conhecimento pelos quais a sociedade confere um sentido à organização social mais ampla em que se insere, ou seja, a forma de se fazer compreender e tornar-se inteligível nas relações existentes entre os agentes; c) das condições sociais das quais ambos dependem, pois as relações sociais entre os agentes servem de base e modelo para as relações lógicas entre as coisas experienciadas (Bourdieu 2002).

Nesse mesmo sentido, Tilley (1995) ressalta a importância dos contextos de produção dos discursos:

“(...) é sublinhado o fato de toda a comunicação ser social. A contextualidade social de ambos os discrsos perite sua construção e simultaneamente coage sua forma de sua aparência. As declarações feitas e os significados das palavras empregadas no contexto (onde) e em relação ao que (outros duscursos, indivíduos ou instituições) elas são relatadas. Discursos são sempre historicamente e socialmente posicionados e constituídos” (Tilley 1995: 40)28.

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“(…) is to underline the fact that all communication is social. The social contextuality of discourse both

permits its construction and simultaneously constrains its forms of appearance. The statements made and the meanings of the words employed depend on the context (where) and in relation to what (other discourses, individuals or institutions) they are to relate. Discourses are always historically and socially positioned and constituted”

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É desses discursos sobre verdade, das declarações de significado e dos posicionamentos sociais de seus agentes que passo a me ocupar no próximo capítulo, abordando as produções cristãs dos Apologistas e Pais Apostólicos nas suas respectivas construções textuais, sob a ótica de relações de hegemonia, domínio e resistência dentro do contexto da paisagem que até aqui apresentei.

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CAPÍTULO 2

Benzer Belgeler