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Na área da Educação algumas pesquisas relacionadas à literatura de autoajuda foram produzidas por autores como Asbahr (2005); Romão (2009); Lopes (2012) e Silva, J. de S. (2012), sendo que realizaram uma reflexão em torno dos professores.

Silva, J. de S. (2012) inicia sua dissertação destacando o sucesso de vendas dos livros de autoajuda no meio educacional, indicando que eles tornam-se mais comuns a cada dia, tratando de temáticas distintas, que tanto se relacionam ao espaço escolar, como ao trabalho docente em si.

Asbahr (2005) também ressalta que esse setor do mercado editorial cresce rapidamente, sendo que os livros de autoajuda marcam as vitrines das livrarias, mas não só

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delas, pois são vendidos em diferentes lugares: bancas de jornal, supermercados, locadoras e até em farmácias. Um dos exemplos ocorre com o autor Gabriel Chalita, que tem suas obras vendidas nas mais diferentes mídias e formatos:

Até revendedoras da Avon vendem livros de Chalita. Centenas de milhares de unidades também foram negociadas via telefone ou internet por meio do ‘call Center’ da comunidade Canção Nova. Mas o grosso mesmo vem das livrarias. As obras de Chalita compreendem os universos didático, jurídico, infantojuvenil e filosófico (SILVA, J. 2012, p. 41).

Tais estratégias de vendas certamente são decisivas para o sucesso dos livros de autoajuda, já que parecem ser facilmente encontrados, além da variedade de designs e formatos que atendem a um público mais variado. Há versões mais econômicas e versões mais elaboradas, o que atrai pessoas de camadas sociais distintas (SILVA, J., 2012).

Entretanto, para além dos recursos publicitários, editoriais e mercadológicos, os autores procuram pontuar características dos livros que possivelmente atraiam os professores leitores. Lopes (2012) e Silva, J. de S. (2012) trazem à tona algumas das temáticas desenvolvidas por esses, sendo que essas são sempre pertinentes aos problemas atuais e, muitas vezes, buscam oferecer estratégias práticas para lidar com eles.

Lopes (2012) explica que, geralmente, esses livros funcionam como receitas que buscam explicar como educar as crianças dos dias de hoje. Silva J. (2012) salienta que esses livros buscam proporcionar a formação dos professores por meio de temas que podem ser subjetivos ou mais concretos e objetivos, como, por exemplo, a organização do espaço da escola, metodologias de ensino, procurando orientar o trabalho docente e auxiliar na formação de representações sobre a profissão:

[...] os livros de autoajuda para professores são entendidos como textos que aconselham os profissionais e norteiam o seu trabalho, bem como, divulgam conhecimentos educacionais ao se utilizarem de nomes considerados referência na área e, ao possibilitarem o acesso a esses conhecimentos tentam empreender novas formas de pensar e tratar a profissão e o papel docente (SILVA, J. de S., 2012, p.53).

Para além das temáticas abordadas, os autores vão pontuando algumas estratégias que marcam o conteúdo e o modo como os livros são escritos, sendo que essas parecem ter a preocupação de aproximar-se do leitor, relatando um contexto que seja semelhante ao seu, falando sobre problemas que também lhe dizem respeito:

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2) Usam de histórias que tratam de conflitos que fazem parte da sala de aula, de modo que um professor detentor da missão de ensinar chega à escola e é capaz de mostrar aos alunos e aos professores quão grande e importante é o potencial da educação, sensibilizando a todos (SILVA, J. DE S., 2012);

3) Trazem conselhos aos professores, mostrando como agir e se posicionar perante os alunos (ASBAHR, 2005; SILVA, J. de S., 2012);

4) Usam biografias (ou trechos dessas) de personalidades para ressaltarem sua boa conduta e seu exemplo de vida (SILVA, J. de S., 2012);

5) Buscam apresentar soluções consideradas inovadoras pelos autores, mesmo que esteja tratando de um tema já bastante discutido e desenvolvido na área (ROMÃO, 2009; SILVA, J. de S., 2012).

6) Utilizam pensadores consagrados na área, proporcionando maior credibilidade ao seu discurso. Alguns exemplos das referências utilizadas na área da Educação são: Rosseau; Vigostski, Paulo Freire, Piaget (SILVA, J. de S., 2012).

7) Valorizam a dimensão afetiva da educação (ROMÃO, 2009; SILVA, J. de S., 2012).

Como se vê, as estratégias 1, 2, 3, 4 e 6 já faziam parte da primeira geração de livros de autoajuda, sendo consideradas na primeira obra de Smiles. Isso indica, em primeiro lugar, que a literatura de autoajuda atual ainda carrega resquícios da origem do movimento; e, em segundo lugar, pode sinalizar que essas estratégias realmente envolvem e ensinam o leitor, pois continuam a serem utilizadas como recurso pedagógico.

Lopes (2012) mostra que esses livros buscam motivar os docentes ao demonstrarem sua importância, como o que ocorre em Pais Brilhantes Professores Fascinantes, pois Augusto Cury afirma que os professores são os profissionais mais importantes da sociedade e precisam ser valorizados, ressaltando que os professores leitores podem se tornar professores

fascinantes. Aqui se vê o recurso da motivação aliado à ideia de auxílio a si mesmo ou de faça por si só, veiculando a ideia de que a partir da leitura, os professores poderão passar por uma

transformação de si mesmos.

Lopes (2012) também demonstra que as histórias de vida ajudam na identificação do leitor, já que muitos dos problemas apresentados nos livros são semelhantes aos que os docentes enfrentam. O fato dos livros trazerem um desfecho positivo e de superação das dificuldades, auxilia os professores a lidarem com sua insegurança e acreditarem em seu

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potencial: “Segundo Augusto Cury, ser uma professora fascinante é possível, assim como tornar real a Escola dos sonhos” (LOPES, 2012, p. 156).

Outro aspecto para se refletir é se os livros voltados à Educação estão mais próximos da primeira geração de livros de autoajuda do que os livros de autoajuda voltados a outras áreas. Como foi visto, a partir do final do século XIX a valorização do caráter e o compromisso com o trabalho que eram propostos por Smiles já começaram a ser substituídos pelo compromisso com o sucesso individual, com o bem-estar e a conquista de melhores posições sociais.

Entretanto, as características descritas acima, principalmente nos itens 2 e 4, ressaltam o valor do trabalho dos professores – ao indicarem a importância da educação, e a necessidade de se ter uma boa conduta profissional – ao elencarem exemplos que agiam dessa maneira. Assim, cabe refletir se os livros voltados à área educacional ainda não foram totalmente submetidos aos valores de mercado, por resgatarem valores morais e uma ética profissional; ou se essas são apenas estratégias que, no fundo, veiculam outros valores – valores que correspondem às necessidades da ordem social vigente.

O quinto item, por exemplo, já se diferencia dos demais ao aproximar-se mais do contexto atual, assuma vez que as inovações ganham destaque em um mundo que muda rapidamente (BAUMAN, 2007; SÁ, 2013).

O sétimo item parece ser bastante específico dos livros voltados à educação, de modo que Silva, J. de S. (2012) indica que autores como Gabriel Chalita e Augusto Cury pontuam a existência de uma crise na sociedade e na educação, e que essa só poderá ser superada na medida em que as pessoas valorizarem o amor e carinho pelo próximo. Romão (2009), que possui uma visão contrária aos livros de autoajuda, indica que ao colocarem o afeto e o amor como centrais na sala de aula, os livros acabam deixando em segundo plano o saber científico e as políticas públicas que organizam o sistema educacional e a formação de professores.

Diante de todas essas estratégias que constituem os livros de autoajuda voltados para os professores, Silva, J. de S. (2012) salienta que autores como Augusto Cury e Gabriel Chalita veem em seus livros uma possibilidade de influenciar e transformar práticas educacionais, destacando a dimensão afetiva que perpassa a educação.

Já Asbahr (2005) corrobora ao trazer quatro principais motivações e contribuições que levam os professores a buscarem os livros deste gênero, mostrando que eles são usados: como alternativa à solidão; como forma de adquirir conhecimento; como ferramenta profissional e como propósito terapêutico. A autora destaca que ao falarem sobre os livros, os professores

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confundem os aspectos que os motivam e suas contribuições, sendo que por isso eles foram organizados de maneira conjunta. Os quatro pontos anunciados emergiram dos dados coletados, ou seja, do que dizem os professores sobre os livros de autoajuda.

Asbahr (2005) pontua que o livro de autoajuda é visto como alternativa à solidão porque é considerado por muitos como um amigo, com o qual é possível dialogar e trocar ideias. Muitas vezes as professoras buscam tais leituras porque foram provocadas por determinada situação que aconteceu em sua vida, algo que as deixou inquietas. Nesse caso,

realizam inclusive releituras do livro, retornando aos conselhos ali prescritos e assim

encontrando o conforto e o diálogo necessários para lidar com determinadas perturbações. No que se refere à busca de conhecimento, Asbahr (2005) entende que esse possui um caráter mais superficial e utilitarista, de modo que os livros se utilizam de conselhos para isso.

Esse conhecimento muitas vezes está relacionado à aquisição de técnicas que auxiliam na resolução de situações objetivas e subjetivas.

O fato de serem vistos como ferramenta profissional relaciona-se a maneiras mais simples que as professoras encontram de lidar com determinados temas referentes à profissão. As professoras mostraram utilizam os livros para formular estratégias para as reuniões de

pais ou para lidar com os alunos difíceis.

A leitura também ajuda a dar força àqueles que passam por doenças como depressão, stress, síndrome do pânico; ou a perdas muito intensas, como a separação conjugal ou o falecimento de pessoas queridas. Isso porque a literatura de autoajuda não incentiva o ambivalente e o misterioso, que são difíceis de compreender. Mostra e incentiva o que é

possível, além de oferecer conselhos e sugestões para lidar com as dificuldades.

Assim, esses autores, além de pontuarem sobre o sucesso de vendas de tal literatura, elencarem temáticas desenvolvidas, estratégias que constituem os recursos literários utilizados e suas contribuições. Os autores tecem algumas opiniões sobre os livros, embasadas em sua própria reflexão, nos resultados de suas pesquisas ou em outros estudiosos do assunto, nos levando ao apontamento de algumas das críticas que foram encontradas:

 Muitos autores não possuem formação específica na área da educação, mas sim na área da psicologia ou psiquiatria. Muitos transitam também por campos religiosos e políticos (SILVA, J. de S., 2012; LOPES, 2012);

 Muitos livros não consideram a diversidade existente entre as famílias, as crianças, as infâncias e as culturas, sendo que não levam em conta que essa diversidade

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influencia muito no modo e no ritmo de aprendizagem de cada aluno (LOPES, 2012);

 Os autores parecem sempre ‘inventar a roda’, apesar de justificarem que suas teorias trazem eficientes formas de solucionar as crises dos dias de hoje (ROMÃO, 2009);

 A dimensão política é silenciada, pois há grande ênfase nos aspectos psicológicos e biológicos, colocando o professor no centro do processo educacional (ROMÃO, 2009);

 A teoria é escrita de maneira simplificada, o que para o autor contribui com o sucesso de vendas (ROMÃO, 2009).

 Os livros envolvem o leitor em um cenário de sonhos, mostrando que ele possui uma grande potência para lidar com seu cotidiano (ROMÃO, 2009).

Apesar das críticas apontadas é importante destacar que esta dissertação não tem a pretensão de criticar ou elevar a literatura de autoajuda, mas sim de reconhecer contribuições ou defasagens reais que estão influenciando os professores. Contudo, considera-se relevante conhecer o que estudiosos da área pensam sobre este processo inverso nas apropriações que se faz dessas leituras, bem como o que os professores fazem com o processo de leitura de uma forma geral, pois esses aspectos poderão nos ajudar a refletir sobre tal literatura.

3.4. Da Literatura de Autoajuda às leituras docentes – Processos de autoformação?

Benzer Belgeler