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As relações de Portugal com a Guiné-Bissau nos últimos anos parece não constituírem o centro das atenções da política externa portuguesa de cooperação bilateral com os PALOP.

A razão de ser da posição de Portugal relaciona-se, em grande medida, com a instabilidade política na Guiné-Bissau que, consequentemente, cria fragilidades na economia, provocando o incumprimento dos seus compromissos financeiros e, ainda, pela inobservância dos princípios democráticos básicos, cenário acompanhado por actos de xenofobia.

“Ocupando, durante as últimas décadas, um lugar oscilante nas prioridades da política portuguesa de cooperação bilateral dirigida aos PALOP, a Guiné-Bissau passou a preencher o último lugar (6,1% nos anos de 1998-99), posição esta que poderá perpetuar-se num quadro de reformulação política dessas mesmas prioridades”. E “A actual situação política interna da Guiné-Bissau apresenta sinais preocupantes de instabilidade, de desrespeito pelo Estado de direito e pela democracia,

vislumbrando-se manifestações de retorno a uma visão pan-africana xenófoba” 36.

Considere-se, que a solução da situação política da Guiné-Bissau, requer o envolvimento de todas as partes, internas e externas, com responsabilidades diretas e indiretas que têm dado origem e o prolongamento do conflito neste Estado-membro da CPLP. Essas partes são, obviamente, nacionais, tanto as que se encontram no interior do país, como aquelas que vivem na diáspora e a estrangeira. Precisam de se sentarem todas à mesa de negociações, através dos seus representantes legítimos, apontarem todos os problemas que provocam ciclicamente o conflito, identificarem os seus mentores, apresentarem as causas que motivam as suas criminosas ações, e encontrarem, então, um mediador neutro, conhecedor não só dos problemas, como dos usos e costumes tradicionais das partes em conflito, a fim de procurar uma solução equitativa definitiva do problema. Em determinados momentos do decurso das negociações a lei formal pode não ser chamada à colação mas, sim, a lei consuetudinária ou costumeira, frequentemente utilizada com resultados satisfatórios na África Subsaariana.

Nesse processo, a Comunidade Internacional, numa primeira ronda, em dependência da delicadeza e da evolução das negociações, podia ou não participar nas negociações

devendo fazê-lo, sim, nas subsequentes, quando registados progressos na primeira ronda negocial.

Por outro lado, os doadores internacionais precisam de canalizar atempadamente os fundos destinados a esse processo, que deve ser antecipado por uma identificação dos legítimos beneficiários, acompanhado por um registo rigoroso, uma gestão imparcial e isenta dos fundos, e a responsabilização dos gestores.

Sobre a segurança e defesa na Guiné-Bissau, vale realçar algumas das importantes decisões tomadas na XVI Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da CPLP (Luanda, 2011), no capítulo relativo à Resolução sobre a Implementação do Roteiro CEDEAO-CPLP para a reforma do Setor da Defesa e Segurança da República da Guiné-Bissau:

“O Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), reunido em Luanda, na sua XVI Reunião Ordinária, no dia 22 de Julho de

2011; DECIDE: “Aprovar o Roteiro CEDEAO-CPLP para a Reforma do Setor de

Defesa e Segurança na Guiné-Bissau e apela às autoridades, forças políticas e ao conjunto da sociedade civil da Guiné-Bissau a mobilizarem todos os esforços, com vista à concretização das reformas previstas no Roteiro; Convidar os Estados membros a mobilizarem contribuições adicionais para cobrir as atividades prioritárias do Roteiro, no âmbito do Programa de Reforma do Setor de Defesa e Segurança em curso na Guiné-Bissau, de forma integrada e com vista ao pleno cumprimento do Roteiro CEDEAO-CPLP; Exortar a Presidência da CPLP para, em concertação com o Governo da Guiné-Bissau, o Secretariado Executivo e a CEDEAO, encetar diligências visando a realização de uma Conferência Internacional de Parceiros de Desenvolvimento da Guiné-Bissau para a mobilização adicional de recursos financeiros” 37.

Passada sumariamente em revista a situação política, vamos agora, em linhas breves, analisar as relações económicas entre Portugal e a Guiné-Bissau.

3.1. Relações económicas

Como atrás ficou referenciado, com os motivos devidamente fundamentados, as relações económicas entre Portugal e a Guiné-Bissau não ocupam uma posição cimeira. Contudo, há a registar alguns progressos consubstanciados na celebração do Acordo- Geral de cooperação, que permitiu a celebração de outros importantes acordos bilaterais setoriais de ajuda financeira.

Note-se que “os países-membros do CAD da OCDE são os que mais têm contribuído para a ajuda recebida por este país (80%), sendo Portugal o principal doador. A Holanda, a Suécia, a França e a Alemanha situam-se, também, no lugar cimeiro da lista de países doadores à Guiné-Bissau” 38.

3.2. Relações diplomáticas

As relações diplomáticas entre Portugal e a Guiné-Bissau, com base no quadro sombrio atrás reportado, são de depreender que elas caminham, de certo modo, na mesma direcção embora, formalmente, não haja incidentes diplomáticos graves, dignos de registo.

37 XVI Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da CPLP, Luanda, 22 de julho de 2011, págs. 23 e 24 38 MARCHUETA, Maria Regina, A CPLP e seu Enquadramento, Ministério dos Negócios Estrangeiros,

Em resumo, as relações diplomáticas entre Portugal e a Guiné-Bissau, no cômputo geral, podem ser consideradas boas.

3.2.1. Relações no âmbito da Educação e materialização de projetos de promoção e difusão da língua portuguesa

3.2.2. Relações no âmbito da Educação

As relações de cooperação de Portugal com a Guiné-Bissau, no âmbito da Educação, encontram-se circunscritas, prioritariamente, nas áreas da Educação propriamente dita e na da Cultura.

Nestas duas áreas Portugal tem vindo a direcionar as suas atenções com vista a cumprir o seu programa.

3.2.3. Materialização de projetos de promoção e difusão da língua portuguesa Setorialmente, no cumprimento do projeto de difusão da língua portuguesa no solo pátrio guineense visando o seu desenvolvimento, Portugal implantou os projetos da Faculdade de Direito de Bissau e a instalação da Escola Portuguesa, e do Centro Cultural, constituindo estas as principais atividades levadas a efeito por Portugal no domínio em análise.

Refira-se que, na concretização desses projetos, Portugal depara-se com a concorrência da França na promoção e divulgação da língua e, no caso, da língua francesa.

“Sectorialmente, a cooperação portuguesa para o desenvolvimento da Guiné-Bissau dirige-se, em primeiro lugar, para os domínios da educação e da cultura, onde

enfrenta, porém, a concorrência da França na promoção e divulgação da língua” 39.

A concorrência francesa não deve constituir motivo de preocupação para Portugal. Antes pelo contrário, deve servir de alavanca para redobrar os seus esforços, a fim de atingir melhores resultados na divulgação da língua portuguesa. De resto, em relação a França, Portugal leva a vantagem de lidar com os PALOP, em particular com a Guiné- Bissau há séculos e, o Português, está enraizado entre os guineenses, pese embora o crioulo tenha um peso substancial.

Por outro lado, a concorrência, desde que leal, é a força motriz que contribui para o desenvolvimento multissetorial da sociedade.

3.2.4. Relações no domínio da cooperação institucional

“Nas áreas produtivas, o desenvolvimento rural e as pescas constituem, et por cause,

os sectores privilegiados pela cooperação bilateral portuguesa, mediante a formação profissional, a assistência técnica e o apoio institucional”. E “De acordo com os termos de referência adoptados pela comunidade internacional para situações políticas

semelhantes às da Guiné-Bissau (“post-conflict peace building”), a cooperação

portuguesa dará prioridade à consolidação da paz e prevenção de repetição do conflito, a promoção da defesa dos direitos do Homem, e à mobilização de recursos humanos, materiais e financeiros para a reabilitação social e a reconstrução económica” 40.

39 MARCHUETA, Maria Regina, A CPLP e seu Enquadramento, Biblioteca Diplomática, Série A,

janeiro 2003, pág. 78

Em breves palavras, as relações no domínio da cooperação institucional com a Guiné- Bissau, o papel de Portugal traduz-se no apoio à formação de recursos humanos, visando adequar o correto funcionamento das instituições, assim como na consolidação da paz e prevenção da repetição do conflito que vem afetando o país, à promoção da defesa dos direitos humanos, e à mobilização de recursos humanos, materiais e financeiros para a reabilitação social e a reconstrução económica fragilizada pelos sucessivos conflitos violentos.

Benzer Belgeler