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Belgede Kabul ve Onay i (sayfa 45-50)

Outro aspecto considerado nesta análise, a qual está sendo construída, relaciona-se com os “olhares” dos trabalhos selecionados, isto é, sobre o que ou quem, os artigos tratavam, com maior ênfase, com maior “foco”.

Analisar quais são os “focos” desses trabalhos, além de exaltá-los, auxilia na constatação sobre “o que” e “como” o coletivo de pesquisadores pode estar pensando (e/ou querendo) quando trabalha com a AT.

Desse modo, o Quadro 5 sintetiza e apresenta os principais focos de trabalho, observados nos artigos selecionados:

Quadro 5 – O foco dos trabalhos selecionados

Foco Escolha dos

Temas Estudantes da Educação Básica Pressupostos e Articulações entre Referenciais Formação de Professores Trabalho(s) 8 3, 4, 5 2, 6, 10 1, 7, 9, 11, 12, 13

Identificou-se quatro focos distintos: “escolha dos temas”, “estudantes da educação básica”, “pressupostos e articulações entre referenciais”, “formação de professores”. No

14 Há de considerar-se que, no referido evento, possam surgir trabalhos desenvolvidos não apenas pelos “especialistas” em AT, o que talvez explique a diferença evidenciada entre natureza “prática” e “teórica”.

texto que segue, discorre-se sobre cada um deles, para que, por fim, se possa ter uma visão “ampla” e problematizadora sobre esses artigos.

O único trabalho representante e que tem como foco a “escolha dos temas” (trabalho 8) visou identificar quais os aspectos que influenciam a escolha dos temas, na perspectiva da Situação de Estudo (SE) (MALDANER, ZANON, 2001; SANGIOGO, et al, 2013). Para tanto, os autores realizaram um estudo teórico, além de entrar em contato com professores que trabalhavam via SE, através de entrevistas e questionários, podendo discutir os parâmetros associados à escolha dos temas.

Outro foco identificado relaciona-se aos trabalhos com “estudantes da educação básica”, prescrito nos artigos 3, 4 e 5. Neles, foram desenvolvidas ações, a partir da AT, com estudantes do 1º ano do ensino médio (trabalho 3), com estudantes do 2º ano do ensino médio (trabalho 5) e com estudantes da 8ª série do ensino fundamental (trabalho 4). Percebeu-se, como característica comum, a descrição mais detalhada das aulas construídas (em relação a outras práticas do corpus). Ademais, nesses trabalhos, discutem-se as potencialidades (como, por exemplo: maior motivação, tomada de consciência, maior compreensão do conteúdo) e as dificuldades (associadas a algumas resistências, ao currículo escolar, infraestrutura) encontradas com o trabalho a partir da AT.

Já os artigos que têm como foco a discussão de “Pressupostos e articulações entre referenciais” objetivam discutir as possíveis relações entre a AT, outras perspectivas de ensino e currículos escolares. Neste sentido, o trabalho 6 evidencia as interações entre a AT e a chamada Alfabetização Científico-Tecnológica (ACT), repercutindo e problematizando as implicações delas nos currículos escolares. Em outro trabalho que compartilha o mesmo “foco” (trabalho 2), os autores destacam a necessidade de investigar-se as complementaridades entre as etapas da SE e dos momentos pedagógicos, quando eles são usados na perspectiva da AT Freireana (ATF). Também tratando da ATF, no trabalho 10, as autoras visam investigar as articulações epistemológicas e pedagógicas, assim como as possíveis complementaridades entre a ATF e o Ensino de Ciências por Investigação (ENCI).

Observou-se em maior número, entretanto, artigos que tratam sobre a “formação de professores”. Do total dos treze trabalhos, seis (1, 7, 9, 11, 12, 13) têm como foco a discussão neste sentido, de modo que desses seis, dois (9 e 13) versam especialmente sobre a formação inicial de professores. Como similaridade, em ambos os trabalhos, tal formação esteve relacionada com cursos de licenciatura em física.

Ademais, os quatro trabalhos restantes (1, 7, 11, 12), que também possuem como foco a “formação de professores”, relacionam-se com professores que já estão atuando em escolas da educação básica. Nos trabalhos 1, 11, e 12, propuseram-se cursos de formação continuada, todos com carga horária de 40h, para que fosse possível identificar os limites e as potencialidades dos trabalhos desenvolvidos. Já no trabalho 7, também relacionado com professores de física, teve-se como objetivo investigar a concepção dos docentes quanto às questões: por que ensinar na perspectiva da Abordagem Temática? O que ensinar nessa perspectiva?. A partir dos apontamentos construídos, os autores discutem e apontam caminhos para o processo de formação inicial e continuada.

Sendo assim, a partir dessa síntese em relação aos focos dos artigos, pode-se evidenciar e perceber alguns fatos, principalmente, sobre o “olhar” que a área está direcionando em relação à AT.

O primeiro fato que se pode elencar envolve a questão da formação de professores, associada à perspectiva da AT, pois se percebe também que o foco “principal” dos artigos envolve justamente tal formação. Está se evidenciando, portanto, que o coletivo de pesquisadores, o qual se busca identificar, é um coletivo que visa formar novos professores e profissionais da educação, que estejam em sintonia com a proposta da AT. Identificar esse coletivo formador constitui-se tarefa “fácil”, tendo em vista os elementos que estão se sobressaindo nos artigos do corpus. No entanto, abre-se outra questão, a qual necessita ser investigada por outros meios e que está em sintonia com as questões do parágrafo anterior: “quem forma o formador?”.

Atenta a essa questão (de “quem forma o formador”), Hunsche (2015) evidencia a necessidade de que – para a inserção sistemática e orgânica da AT em cursos de licenciatura – haja, além de reestruturações curriculares compatíveis, a constante formação continuada dos profissionais que trabalham nesses cursos. Para a autora, a formação do docente que atua no Ensino Superior

precisa ser enfrentada e assumida por cada instituição. Sinalizo, para isto, o potencial formativo dos projetos de ensino, pesquisa e extensão, desenvolvido pelos próprios docentes. A socialização dos projetos, atividades desenvolvidas e dos resultados obtidos, podem-se configurar como importante instrumento de formação entre os pares, particularmente no viés da abordagem temática (HUNSCHE, 2015, p.291).

Outro fato que possui significativa importância engloba o “potencial epistemológico” da AT, quando ela possibilita o diálogo com outras perspectivas de ensino e, por isso mesmo, de referenciais. Tal asserção associa-se com o descrito por Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2011), quando os autores afirmam que a AT, apesar de pressupor aspectos freireanos (Abordagem Temática Freireana), não se resume apenas a essa perspectiva/modalidade.

Contribuindo com tal análise, destaca-se como outro fator relevante o caráter do componente curricular associado aos trabalhos. Como um adendo a tal evidência, percebeu-se que em nenhum, dos treze artigos do Quadro 3, houve um trabalho em uma perspectiva interdisciplinar, na qual professores de diferentes áreas dialogaram e contribuíram conjuntamente. O que se identificou foi que os trabalhos, de modo geral, indicam a necessidade e sinalizam (alguns até chegam a investigar até onde e como) a contribuição de diferentes áreas que pode auxiliar nessa perspectiva de ensino. Tal fato, no entanto, merece ser aprofundado no diálogo com os autores, no intuito de investigar o que, realmente, interfere neste aspecto interdisciplinar que, como se discutiu no referencial teórico, é uma das características da AT.

Ademais, observou-se – principalmente quando o foco estava na “formação de professores” – que o componente curricular o qual mais se “destacou” foi o de física. Isso, de certa forma, gera algumas outras questões: Será que o CP, formado pelos sujeitos do círculo esotérico, relaciona-se, portanto, com a componente curricular “física”? Percebe-se que, se for esse o caso, há uma íntima relação à origem dessa perspectiva, como já evidenciada por Pierson (1997) e descrita inicialmente no capítulo 1 desta dissertação. Caso essa asserção seja constatada, como ocorreu o contato desses sujeitos com a perspectiva da AT? Por que, então, profissionais de outras componentes curriculares não se apropriaram dessa perspectiva, tal qual os profissionais da componente curricular física?

Belgede Kabul ve Onay i (sayfa 45-50)

Benzer Belgeler