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Kinoa Unu İlaveli Ayran Örneklerinin Kimyasal Analiz Sonuçları . 33

3. BULGULAR ve TARTIŞMA

3.1 Üretimde Kullanılan Hammaddelerin Analiz Sonuçları

3.1.3 Kinoa Unu İlaveli Ayran Örneklerinin Kimyasal Analiz Sonuçları . 33

A primeira iniciativa federal de mapeamento da vegetação, em nível nacional, foi executada entre os anos de 1970 e 1985, pelo Projeto RadamBrasil, com base em imagens de radar e em trabalho de campo. Após esse período, os esforços concentraram-se na Floresta Amazônica e em partes da Mata Atlântica, por meio de interpretação de imagens do Satélite Landsat. 263

Atualmente, como demonstrado anteriormente, o Cerrado é um dos biomas brasileiros mais ameaçados. A conversão do Cerrado para usos alternativos do solo, nas últimas décadas, faz com que a região seja considerada uma alternativa ao desmatamento da Amazônia, com a exploração mais intensa em função de suas características propícias à agricultura, à pecuária e pela demanda por carvão vegetal para indústria siderúrgica, principalmente, em Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Diante do exposto, a proteção efetiva do Cerrado requer o desafio de um sistema efetivo de monitoramento sistemático e operacional para o bioma, tendo em vista, como salientado anteriormente, o ritmo acelerado de conversão das áreas nativas. 264

263 MMA. Mapas de Cobertura Vegetal dos Biomas Brasileiros. Brasília, DF. 2007c.

264 De acordo com Silva, um exemplo de monitoramento para o Cerrado é o Sistema Integrado de Alerta de

Cabe salientar que o monitoramento oficial da cobertura vegetal do bioma Cerrado, assim como nos demais biomas extra-amazônicos, passou a ser realizado somente a partir de 2009, por meio do acordo entre MMA/IBAMA/PNUD 265, tendo por instrumento a interpretação de imagens de satélite CBERS2B e LANDSAT-TM 5. Até então, somente os estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás realizaram seus próprios monitoramentos do Cerrado nos anos de 2005, 2006 e 2009, respectivamente.

Como resultado dos trabalhos de monitoramento foi publicado o “Relatório Técnico de Monitoramento do Desmatamento no Bioma Cerrado, 2002 a 2008: Dados Revisados”. Resta salientar que foram utilizados inicialmente como área de trabalho o “Mapa de Cobertura Vegetal dos Biomas brasileiros, escala 1:250.000, ano base de 2002”, que serviu então como “mapa de tempo zero” para o monitoramento do Cerrado realizado pelo CSR/IBAMA. 266

Observa-se que os resultados do CSR/IBAMA indicam que de acordo com a distribuição do desmatamento no bioma Cerrado, no período entre 2002 a 2008 (Figura 8), a área de vegetação nativa remanescente de Cerrado, em 2002, era de 1.136.521 Km², ou seja, cerca de 55% do total do bioma.

sistematicamente o Cerrado daquele estado, para a busca de instrumentos no controle e redução dos índices de desmatamento. (SILVA et al. Discriminação da cobertura vegetal do Cerrado matogrossense por meio de imagens MODIS. Brasília: Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 45, n. 2, p. 186-194, fev. 2010).

265Apesar do monitoramento nos biomas extra-amazônicos terem inciado em 2002, o monitoramento da

cobertura vegetal do bioma Amazônia já é realizado desde 1988, anualmente pelo INPE.

266 IBAMA. Monitoramento do bioma Cerrado 2002 a 2008. Monitoramento do desmatamento nos biomas

brasileiros por satélite: acordo de cooperação técnica MMA/IBAMA. p.58. Brasília: Centro de Sensoriamento Remoto do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, 2010. Disponível em: <www.mma.gov.br/portalbio>. Acesso em: 21 abr 2010.

Figura 8: Mapa do bioma Cerrado com a distribuição espacial das áreas com vegetação, desmatamento acumulado até 2008 e corpos d’água.

Fonte: IBAMA. Relatório Técnico de Monitoramento do Desmatamento no Bioma

Cerrado, 2002 a 2008: Dados Revisados. Brasília: Centro de Sensoriamento

Segundo o referido levantamento de dados, até 2002, a estimativa do desmatamento ocorrido no Cerrado foi de 890.636 km², ou seja, 43,67% da área total do bioma. Por sua vez, no período de 2002 a 2008 constata-se que foram desmatados 85.074 Km², o que equivale a 4,17% da área total do bioma (2.039.386 km²), e a 7,7% da área de cobertura vegetal nativa 267 remanescente em 2002, e ainda, a uma taxa média de 0,69% ao

ano de desmatamento do bioma. Infere-se dos dados acima que o desmatamento total ocorrido está na faixa de 47% da área original do bioma. O Quadro 11 apresenta os dados de desmatamento do Cerrado. 268

Período Área desmatada (km²) Área desmatada (%)

Até 2002 890.636 43,67

2002-2008 85.074 4,17

Desmatamento total 975.711 47,84

Quadro 11: Desmatamento no Cerrado até o ano de 2002 e entre os anos de 2002 e 2008, tendo como referência a área total do Bioma.

Fonte: IBAMA. Relatório Técnico de Monitoramento do Desmatamento no Bioma

Cerrado, 2002 a 2008: Dados Revisados. Brasília: Centro de Sensoriamento Remoto, 2009.

O “Relatório de Monitoramento do Bioma Cerrado”, publicado em 2009, integrante do “Projeto de Monitoramento do Desmatamento nos Biomas Brasileiros por Satélite”, apresenta o mapa de distribuição da situação atual do desmatamento no Cerrado (Figura 9).

267 O MMA define áreas com cobertura vegetal nativa como aquelas que apresentam vegetação original,

independentemente da existência ou não de algum tipo de uso antrópico. (MMA. Áreas prioritárias para a

conservação, uso sustentável e repartição de benefícios da biodiversidade brasileira: atualização –

Portaria nº 9, de 23 de janeiro de 2007. Brasília: MMA, 2007).

268 IBAMA. Monitoramento do bioma Cerrado 2002 a 2008, Monitoramento do desmatamento nos biomas

brasileiros por satélite: acordo de cooperação técnica MMA/IBAMA. p.58. Brasília: Centro de Sensoriamento Remoto do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, 2010. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/portalbio>. Acesso em: 21 abr 2010.

Figura 9: Mapa do bioma Cerrado com a distribuição espacial das áreas com vegetação remanescente (verde) e desmatamento acumulado até 2008 (rosa).

Fonte: MMA. Plano de ação para prevenção e controle do desmatamento e das

Observa-se, outrossim, que a distribuição das áreas remanescentes de vegetação nativa ao longo do bioma é bastante heterogênea. As áreas mais extensas de vegetação nativa (cor verde) são encontradas na parte norte do Cerrado, o que compreende o oeste do Tocantins e sul do Maranhão e Piauí, enquanto as áreas com maior índice de antropização e desmatamento (cor rosa) concentram-se no sul de Goiás, Triângulo Mineiro, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Por outro lado, nota-se uma tendência de aumento das áreas desmatadas vindas do sul e sudeste (Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás) até 2002, e indo para o norte e nordeste do Cerrado (Bahia, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão), no período 2002-2008.

Assim, o grau de desmatamento acumulado no Cerrado, segundo estudos do MMA, constantes do Informe Nacional sobre Áreas Protegidas, está associado ao uso da terra para produção de carvão vegetal, pastagens e culturas agrícolas.

Os dados indicam que do total de cerca de 9,5 milhões de toneladas de carvão vegetal produzido no Brasil em 2005, 49,6% foram de origem da vegetação nativa. Já as pastagens cultivadas ocupam 54 milhões de hectares e as culturas agrícolas 21,56 milhões de hectares. 269 Klink e Machado 270, em estudos sobre a conservação do Cerrado, apontam que cerca de metade dos 2 milhões de km² originais do Cerrado já foram transformados em pastagens plantadas, culturas anuais, áreas urbanas e outros tipos de uso.

269 MMA. Informe Nacional sobre Áreas Protegidas. Brasília: MMA, 2007.

270 KLINK, Carlos A.; MACHADO, Ricardo B. A conservação do Cerrado brasileiro. Megabiodiversidade.

O Quadro 12 apresenta os principais usos da terra do Cerrado.

Uso da Terra Área (ha) Área total do Bioma (%)

Áreas nativas 70.581.162 44,53 Pastagens plantadas 65.874.145 41,56 Agricultura 17.984.719 11,36 Florestas plantadas 116.760 0,07 Áreas urbanas 3.006.830 1,90 Outros 930.304 0,59 Total 158.493.921 -

Quadro 12: Principais usos da terra no Cerrado, conforme categorias classificadas de acordo com o tipo de cobertura do solo.

Fonte: KLINK, Carlos A.; MACHADO, Ricardo B. A conservação do Cerrado brasileiro.

Megabiodiversidade. v. 1, nº 1, julho 2005, p. 148.

No desmatamento acumulado até 2002, observam-se Unidades da Federação com taxas de desmatamento do Cerrado, tanto em termos absoluto como relativo, bastante elevadas. Essa elevação é apresentada tanto até 2002, quanto no período monitorado de 2002- 2008.

A análise dos dados de distribuição dos polígonos por Unidade da Federação que abrangem o bioma Cerrado, realizado pelo CSR/IBAMA em conjunto com o MMA (Quadro 13), indica que o Cerrado foi o bioma mais desmatado entre 2002 a 2008, e pouco de efetivo tem sido realizado para conter essa situação.

Nome UF Cerrado total (km²) Desmatamento 2002-2008 (km²) % Maranhão MA 212.092 14.825 7,0 Bahia BA 151.348 9.266 6,1 Mato Grosso MT 358.837 17.598 4,9 Minas Gerais MG 333.710 8.927 2,7 Piauí PI 93.424 4.213 4,5 Tocantins TO 252.799 12.198 4,8 Mato Grosso do Sul MS 216.015 7.153 3,3 Goiás GO 329.595 9.898 3,0 Paraná PR 3.742 00,5 0,0 Rondônia RO 452 8 1,8 São Paulo SP 81.137 903 1,1 Distrito Federal DF 5.802 84 1,4 TOTAL - - 85.074 -

Quadro 13: Situação do desmatamento por estado entre 2002 e 2008, tendo como referência a área total original do Cerrado em cada estado.

Fonte: IBAMA. Relatório Técnico de Monitoramento do Desmatamento no Bioma

Cerrado, 2002 a 2008: Dados Revisados. Brasília: Centro de Sensoriamento Remoto, 2009.

Como se pode perceber, para se ter uma noção de como se encontra o avanço da degradação do Cerrado, dados do CSR/IBAMA indicam que as Unidades da Federação que ainda possuem maior área de Cerrado original são: Mato Grosso (17,60 %), Minas Gerais (16,37 %) e Goiás (16,16 %). Por sua vez, as Unidades da Federação, em termos absolutos, com maior área desmatada até 2002 foram: Goiás, Minas Gerais e Mato

Grosso do Sul, e em termos relativos: São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná. Assim, apreende-se que no período 2002-2008, as Unidades da Federação que apresentaram, em termos absolutos, maior área desmatada foram: Mato Grosso (17 598 km²), Maranhão (14 825 km²) e Tocantins (12 198 km²) e, em termos relativos, Maranhão (6,99%), Bahia (6,12%) e Mato Grosso (4,90%). 271 (Quadro 14).

Bioma Área total (km²)* Área desmatada entre 2002-2008 (km²) Desmatamento anual (km²) Taxa de desmatamento anual (%) Cerrado 2.047.146 85.074 14.179 0,69 Caatinga 826.411 16.576 2.763 0,33 Pantanal 151.313 4.279 713 0,47 Amazônia 4.196.943 110.068 18.344 0,42 Pampa 177.767 2.183 364 0,20

Quadro 14: Comparação do desmatamento nos biomas Cerrado, Caatinga, Pantanal, Amazônia e Pampa no período 2002-2008.

Fonte: MMA e Ibama (2010). Extensão dos biomas segundo o Projeto de Monitoramento

dos Biomas Brasileiros (CSR/Ibama).

Dentro desse contexto, o INPE, por meio de monitoramento sistemático, sugere que o total de desmatamento do Cerrado em comparação com os demais biomas brasileiros evidencia o alto grau de ameaça desse bioma. Assim, apreende-se que no período monitorado de 2002-2008, o desmatamento no Cerrado confirma a tendência já verificada para a Floresta Amazônica.

271 IBAMA. Relatório de Monitoramento do Desmatamento no Bioma Cerrado, 2002 a 2008: dados

Ainda com vistas ao monitoramento das informações sobre o desenvolvimento sustentável, o IBGE publicou a série “Indicadores de Desenvolvimento Sustentável: Brasil 2010” 272, em continuidade ao trabalho iniciado em 2002, com o objetivo de disponibilizar à sociedade um conjunto de informações sobre a realidade brasileira, em suas dimensões ambiental, social, econômica e institucional.

Cumpre observar que a dimensão ambiental dos indicadores de desenvolvimento sustentável está relacionada ao uso dos recursos naturais e à degradação ambiental priorizando-se os objetivos de preservação e conservação do meio ambiente, considerados fundamentais ao benefício das gerações futuras.

Ressalta-se que pela primeira vez foi introduzido o indicador de sustentabilidade relativo especificamente ao desmatamento da área remanescente no bioma Cerrado, o que aponta a preocupação atual com o nível de degradação apresentado decorrente do desmatamento.

O Quadro 15 apresenta dados da área total de Cerrado e a quantidade em km2 de área desmatada no período de 2002-2008, bem como a porcentagem de área desmatada naquele período em relação a área total do bioma por Região Hidrográfica.

272 Segundo o IBGE a construção de indicadores de desenvolvimento sustentável no Brasil faz parte do conjunto

de esforços internacionais para a concretização das metas e princípios da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992, sobre a relação meio ambiente, desenvolvimento e informações para a tomada de decisões. IBGE. Indicadores de

Região Área de Cerrado (km²) Área desmatada 2002-2008 (km²) Área desmatada 2002-2008 (%) Tocantins 596.378 26.934 4,5 São Francisco 363.850 16.240 4,5 Atlântico Nordeste Ocidental 124.231 9.740 7,8 Paraná 428.860 7.549 1,8 Paraguai 179.682 7.549 4,0 Parnaíba 155.085 7.393 4,8 Amazônica 156.209 9.301 6,0 Atlântico Leste 33.137 663 2,0 Atlântico Sudeste 1.643 9 0,5 Atlântico Nordeste Oriental 125 3 2,4 Total 85074 4,17%

Quadro 15: Situação do desmatamento no Cerrado no período 2002-2008, por Regiões Hidrográficas.

Fonte: IBGE. Indicadores de desenvolvimento sustentável. Brasília: IBGE, 2010. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br>. Acesso em: 20 set 2010.

A Figura 10, por sua vez, ilustra a distribuição do desmatamento ocorrido entre 2002 e 2008 nas regiões hidrográficas do Cerrado, de acordo com os dados apresentados no Quadro 15 acima.

Figura 10: Distribuição do desmatamento (pontos em vermelho) ocorrido entre 2002 e 2008 nas regiões hidrográficas do Cerrado.

Fonte: MMA. Plano de ação para prevenção e controle do desmatamento e das

queimadas no Cerrado. “Conservação e Desenvolvimento”. Brasília, setembro de 2010.

Diante disso, resta evidente que segundo os dados do desmatamento por região hidrográfica, no período 2002-2008, as áreas mais convertidas estão nas regiões hidrográficas do Tocantins e São Francisco.

Devido à situação alarmante de degradação do Cerrado e na perspectiva de sua proteção, o intitulado “Programa Cerrado” desenvolvido pela Conservação Internacional- Brasil publicou o documento “Estimativas da perda de área do Cerrado brasileiro” no qual conclui que a situação do Cerrado brasileiro é bastante crítica e preocupante, nos seguintes termos:

Mesmo os recentes esforços do Ministério do Meio Ambiente – MMA de identificar áreas prioritárias para a conservação e iniciar um processo de organização do conhecimento sobre a biodiversidade do bioma não tem sido capazes de conter a atual tendência ao desaparecimento do Cerrado. Estimamos que o bioma deverá ser totalmente destruído no ano de 2030, caso as tendências de ocupação continuem causando uma perda anual de 2,2 milhões de hectares de áreas nativas. 273

A Figura 11, a seguir, apresenta de forma bastante ilustrativa a dimensão do avanço do desenvolvimento desordenado no Cerrado. Ressalta-se que as áreas em verde mais escuro representam as áreas de distribuição originais do Cerrado e os principais remanescentes de vegetação nativa de Cerrado em 2002.

273 MACHADO, R.B., M.B. RAMOS NETO, P.G..P. PEREIRA, E. CALDAS, D.A. GONÇALVES, N.S.

SANTOS, K. TABOR E M. STEININGER. Estimativas de perda da área do Cerrado brasileiro. Relatório técnico não publicado. Conservação Internacional, Brasília, DF, 2004. Fonte: Disponível em: <http://www.conservation.org.br/arquivos/Mapa%20desmat%20Cerrado.jpg>. Acesso em: 25 out 2010.

Figura 11: Mapas do desmatamento de Cerrado (original e em 2002).

Fonte: Disponível em:

<http://www.conservation.org.br/arquivos/Mapa%20desmat%20Cerrado.jpg>. Acesso em: 25 out 2010.

Resta claro, como apresentado no “Mapa de Desmatamento de Cerrado” (original e em 2002), o nível de degradação a que vem sendo submetido o Cerrado e a real situação das áreas de distribuição do bioma, bem como a dimensão do avanço da degradação entre a área de distribuição original e os principais remanescentes de vegetação nativa do bioma em 2002. Ressalta-se, por oportuno, que esses dados são do ano de 2002, que não refletem o avanço da degradação do Cerrado de 2002 a 2011, que certamente, está muito maior.

Resta esclarecer, ainda, que não obstante as iniciativas de proteção de determinados espaços territoriais, dados do monitoramento do bioma Cerrado, realizado pelo MMA 274, indicam também a ocorrência de focos de desmatamento em áreas protegidas, como em Unidades de Conservação, Terras Indígenas e Territórios Quilombolas. 275

Assim, de acordo com monitoramento efetuado no período de 2002 a 2008, o desmatamento foi menor nas Unidades de Conservação de Proteção Integral que nas Unidades de Conservação de Uso Sustentável, conforme apresentado no Quadro 16. Segundo o MMA, o fato se deve, principalmente, ao índice elevado de desmatamento nas Áreas de Proteção Ambiental (APA’s).276

274 MMA. Relatório técnico de monitoramento do desmatamento no bioma Cerrado, 2002 a 2008: dados

revisitados. Brasília, MMA, IBAMA, PNUD, 2009. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/estruturas/sbf_chm.rbbio/_arquivos/relatorio_tecnico_monitoramento_desmate_bio ma_Cerrado_csr_rev_72.pdf>. Acesso em: 10 maio 2010.

275 As Terras Indígenas já homologadas ou regularizadas no Cerrado, que totalizam 89.447 km2, ou seja, cerca de

4,39% da área total do bioma, são mais expressivas nos estados de Mato Grosso, Tocantins e Maranhão. Já as comunidades quilombolas oficialmente reconhecidas estão presentes em 61 municípios do bioma. O desmatamento no período 2002 a 2008 nessas áreas foi de 436,99 km2, ou seja, uma perda de vegetação

aproximada em torno de 0,49%. As Terras Indígenas, ainda não homologas, não são monitoradas, mas o MMA estima que apresentam taxa de desmatamento superior às apresentadas nas terras já regularizadas. (MMA. Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado. 2010).

Categoria da UC (km²) Área Proporção da área total das UCs (%) Área desmatada (km²) Área desmatada (%) Contribui ção para o desmatam ento total nas UCs (%) APA Estadual 50 89.126 53,12 3.796,6 4,26 82,16 APA Federal 11 16.464 9,81 479,6 2,91 10,38 Parque Nacional 15 28.925 17,24 132,4 0,46 2,87 Demais UCs de Uso Sustentáve l 227 4.076 2,43 73,5 1,80 1,59 Demais UCs de Proteção Integral 38 3.439 2,05 64,3 1,87 1,39 Parque Estadual 50 14.820 8,83 60,9 0,41 1,32 Estação Ecológica Federal 5 10.927 6,51 13,6 0,12 0,29 Total 396 167.777 100% 4.620,9 2,75 100,00

Quadro 16: Desmatamento nas Unidades de Conservação no período de 2002 a 2008.

Fonte: MMA. Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das

Queimadas no Cerrado. 2010.

Diante do exposto, observa-se, também, que nas Unidades de Conservação de Proteção Integral, no mesmo período (2002-2008), foram desmatados 727 km2, ou seja, 1,25% de área. Enquanto nas Unidades de Conservação de Uso Sustentável, aumenta para 3.893 km2 desmatados, ou seja, aproximadamente cinco vezes mais.

Aliado a esses fatores, outro aspecto que necessita reflexão, como salientado anteriormente, é o significativo grau de endemismo da biota do Cerrado e o pouco conhecimento sobre a distribuição de várias espécies dentro do bioma. Cabe ressaltar também

que tal fato deve ser levado em consideração para o estabelecimento de ações governamentais e de políticas públicas que impactem direta ou indiretamente a biodiversidade, o que raramente ocorre, como se verá a seguir.

Benzer Belgeler