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3. SAYISAL MODEL

3.4 Kimyasal Reaksiyonlar

Salientaremos, em primeiro lugar, com base na análise das entrevistas, a

justificativa encontrada pelos depoentes para responder a questão fundamental da

entrevista, a saber, se há diferença entre brancos e negros na Maranata, e por que. Quando

perguntamos aos nossos colaboradores se eles acreditavam que existia alguma diferença

entre os membros negros e brancos da igreja, a resposta foi quase unânime: dentro da

igreja não existe diferença. Mas ao avaliarmos com mais cuidado os documentos,

percebemos que a diferença certamente é sentida. O preconceito racial pode ser sentido

pelo negro membro da comunidade batista, mesmo que este não queira “pensar nisso”,

como evidencia nosso colaborador Sérgio.

Sérgio é um jovem de 25 anos, solteiro, está no primeiro ano da faculdade de

Gestão em Recursos Humanos. Atualmente está desempregado. Ele é o responsável pelos

instrumentos musicais da igreja, onde trabalha como músico. Em sua narrativa, primeiro

responde que não há diferença entre os negros e brancos dentro da igreja. Porém, logo

depois ele diz que por ser negro precisa realizar sua função dentro da igreja em dobro,

caso contrário poderá ouvir coisas desagradáveis:

Acho que não. Dentro da igreja eu não vejo isso. Pelo meu lado, eu sou

uma pessoa influente na igreja, tenho um cargo há muito tempo e as

pessoas me respeitam por isso, pelo que eu faço. Mas pelo fato de eu ser

negro tenho que mostrar isso em dobro, porque se acontecer algo de

errado as pessoas vão dizer “Ah, aquele neguinho, aquele negro,

fazendo um serviço de porco!” uma coisa assim.

Perguntamos se esse tipo de pensamento preconceituo so é possível dentro da

igreja, mesmo quando ele a julga igualitária. Então, Sérgio, além de confirmar, explica

que pode acontecer de um negro, não possuindo nenhuma função na igreja, ser facilmente

vítima de pensamentos preconceituosos, como por exemplo: ‘não realiza nenhuma

função, só porque é negro.’ E finaliza sua fala dizendo que embora saiba disso, prefere

não pensar sobre essa realidade para não se decepcionar.

Podem pensar assim. Isso já passou na minha cabeça, tenho que provar

em dobro a minha competência para assumir um cargo na igreja que me

foi colocado. Olhando as pessoas que chegou hoje ou está há uns cinco

anos ou até mais e sem fazer nada, só ficam no banco sem fazer nada,

sem dirigir estudos na escola bíblica, sem ser evangelista, sem ser uma

pessoa que organize o culto, ser uma pessoa que só fique no banco,

talvez sim. Talvez as pessoas podem ter essa discriminação “Ah, é um

negro!” não sei se falam nesse tom “um negro”, mas está ali e não faz

nada, talvez possa distinguir isso pela cor da pessoa. Eu já pensei nisso,

mas prefiro não pensar que seja assim. Eu me decepcionaria muito com

a igreja e com as pessoas que ali estão

.

A decepção vem do fato de se acreditar que dentro da igreja todos deveriam

viver em harmonia. Assim, quando a realidade se mostra contrária a isso, a decepção é

certa.

Nesse mesmo sentido observamos a fala de nossa colaboradora Suely Silva, de

43 anos. Ela é pedagoga e diretora de um centro de educação infantil. Muito atuante na

igreja, exercendo o cargo de diretora da Escola Bíblica Dominical

210

. Ela acredita que não

há diferença de tratamento entre os membros, em relação à cor. Inclusive se lembra de um

ex-pastor que era negro, como um exemplo de que não se tem problemas com essa

questão dentro da igreja. Mas, contraditoriamente, admite que já ouviu algumas piadinhas

racistas dentro da igreja. No entanto, conta como um caso isolado, sem muita

importância. A depoente classifica como cultural certa diferença que percebe existir entre

os membros. Nesse caso, há sim diferença entre os membros, mas no que toca a questões

socioeconômicas (roupa, linguagem, nível universitário, etc.).

Olha, eu sinto que não. Algumas épocas atrás eu sentia muitas piadinhas

envolvendo a raça negra e eu achava um pouco desagradável, pejorativa,

até porque na brincadeira e na piadinha você muitas vezes diz coisas que

você pensa só que não tem coragem de dizer para não entrar em conflito

e você diz através de uma piadinha ou brincadeira pejorativa. Mas essa

pessoa que fazia essas coisas e eu não aceitava, não está mais aqui.

Espero em Deus que no lugar que ela esteja, não esteja fazendo mais

isso. Mas eu acredito que não há uma discriminação de raça. Mas

acredito que possa haver uma discriminação cultural. Não vejo isso em

relação à raça e sim à cultura. Assim: aqui é a panelinha dos

universitários, do pessoalzinho de nível superior. Falamos a mesma

língua, temos a mesma cultura mais elevada, então a gente se entende.

Existe algum padrão de pensamento, de comportamento, ás vezes se cria

um certo agrupamento em cima de uma questão cultural. Vamos

imaginar que você não é universitária, não tem nível superior, mas, se

veste assim, no mesmo estilo que eu, consegue se enquadrar no meu

padrão, mesmo que não seja de forma cultural, você tem algo dentro do

meus critérios classificatório, você se encaixa. Mesma faixa etária, se

veste muito parecido comigo, tem algumas falas, apesar de não ser

universitária, tem uma fala assim, como a gente, dá para te encaixar.

Então eu não acredito que é racial, é de cultura. Existem algumas

situações que eu percebo isso, se cria alguns grupos onde entra pessoas

que não tenha nível superior, mas que tenha alguma coisa que dentro do

meu critério é classificatório, e outros que não têm nível superior e

210 Escola Bíblica Dominical é um departamento especifico da igreja batista, onde os membros estudam a

bíblia de acordo com um planejamento preparado pela liderança, o que inclui escolha de material didático e preparo de professores.

nenhum critério classificatório, não fazem parte de minha panelinha,

então não é uma questão da cor da pele, e sim de nível superior.

Quando indagamos se era possível coincidir das pessoas que ela classifica como

diferentes culturalmente, serem também negras, ela responde que é possível, uma vez que

a maioria das pessoas pobres e com pouca escolaridade, são negras:

Se são, é até comum porque se a gente for fazer uma pesquisa, um

levantamento, a maioria das pessoas pobres e com nível de escolaridade

mais baixo, acaba sendo da raça negra, infelizmente, por falta de

oportunidade e pelas pessoas muitas vezes, acreditarem que não são

capazes.

De igual modo, Renata Alves, universitária de 24 anos, compartilha da idéia de

que o preconceito racial não é percebido dentro da igreja, mas sim o preconceito

socioeconômico. Ninguém dentro da igreja discrimina ninguém por ser negro, mas por ser

favelado.

Para mim, um membro branco e um membro negro, não tem diferença.

Para mim, tem outra diferença, de classe social. De cor não, mas de

classe social. (...)Eu sinto que às vezes aqueles irmãozinhos que tem

alguma coisa a mais, eles são mais valorizados do que aqueles que são

mais humildes. É o que eu já falei “os da favela” e os que não são. Não

assim, que seja um preconceito comigo, mas eu sinto que às vezes tem

um pouquinho de diferença.

Quando procuramos saber se a temática do racismo, preconceito, discriminação

racial, é debatida dentro da igreja, o resultado é negativo. Esses realmente não são temas

tocados pela comunidade batista Maranata, pelo menos, não especificamente. O mais

comum é tratar do assunto de forma genérica, do preconceito de forma geral, sem dar

atenção especial para a questão racial. Porém, quando questionamos o porque desse tema

de grande importância não é levantado na igreja, percebemos uma visível confusão por

parte do entrevistado, pois se expressam colocando sua expectativa divina como se fosse

prática real. O argumento de que esse tema tem pouca importância dentro da igreja, é

justificado com a frase: “porque para Deus, somos todos iguais”. O que de fato não

explica o por que de não ser trabalhado tal tema.

Porque pelo que eu te falei, se perante Deus todos somos iguais, porque

teria que pregar uma coisa diferente, que existe uma raça afro, raças

diferente, sendo que na bíblia não existe raça, somos todos iguais. Eu

não vejo diferença, que há uma coisa diferente nisso do que a própria

Palavra disse

211

.

Na próxima fala veremos que a depoente explica que pelo fato de entender que

para Deus todos são iguais, logo, não existe diferença racial na igreja, tornando

irrelevante qualquer discussão nesse sentido.

Não sei se isso seria bom, se fala muito do problema quando se tem ele,

não é verdade? Eu acho que é falado pouco por que a gente não tem esse

problema, esse não é o nosso problema maior. Se existe da parte de

alguém é uma coisa muito pequena que eu nunca percebi. Eu nunca fui

rejeitada, e nunca vi ninguém destratando ninguém. Acaba não sendo

um problema. A gente tem problemas maiores que o racismo. Acho que

é um assunto muito polemico. Talvez fosse bom numa união, numa

quarta feira, sei lá, mas só para falar e o pessoal ouvir, aí sim. Não vejo

como uma necessidade, se tivesse seria mais para acrescentar. Eu penso

que não pode ter isso dentro de uma igreja, se somos todos iguais

perante o Senhor, independente de nossa cor de pele, magro, gordo

enfim, não deve ter isso na igreja. Aos meus olhos não deveria ter, assim

como não deveria ter outros problemas, mas (...) Eu fico pensando que é

até por isso que não se fala, é uma coisa que não tem

212

.

Indubitavelmente, os entrevistados, em grande maioria, acreditam que por

viverem em uma comunidade cujo principio é a igualdade de todos perante Deus, as

pessoas teoricamente convertidas não agiriam com preconceito. Mas isso somente em

relação à questão racial. Uma vez que esses mesmos colaboradores acreditam existir

outros tipos de diferenças no seio da igreja. Ou seja, ter preconceito racial é socialmente

inaceitável para os membros da igreja, porém, a discriminação socioeconômica é

permitida, já que é tratada com mais naturalidade. Essa forma de pensar faz parte de uma

das facetas do preconceito racial à brasileira. Foi Gilberto Freire quem popularizou a

ideologia da democracia racial, mostrando que no Brasil, pelo fato de todos terem, ou na

pele ou no sangue, influência da raça negra, não há problemas com o racismo em si.

Nosso problema é com a questão socioeconômica: discriminamos o outro por ser pobre e

não por ser negro. Esse mito, a muito tempo derrubado, continua presente na mentalidade

de muitos brasileiros.

Nosso colaborador explica que entende que a manifestação do preconceito racial

e do racismo por parte das pessoas da igreja é um problema individual: ou a pessoa não

estuda realmente a Bíblia ou não foi convertida de verdade. Isto é, a conversão é um meio

211 Sérgio Vieira, 25 anos. 212 Luciana Coelho, 35 anos.

de se libertar do mal, se livrar dos preconceitos, ganhar uma mente renovada, ver o

mundo de outra forma.

A pergunta que você fez é até interessante, mas partindo do pressuposto

que existe uma diferença na sociedade entre as raças, mas a igreja não

tem que colocar isso, tem que colocar o que a Palavra de Deus diz, que

somos iguais. E para mim não há diferença, eu não trato ninguém com

diferença porque é amarela, preta, índia, japonês.

Mas que existe o preconceito existe, não vou fechar meus olhos e dizer

que não existe aí fora. A gente vê que existe muito preconceito no

trabalho, na rua, e não só de cor, mas a questão social da pessoa, por que

ele é pobre, por que ela é rica, porque ela é mais ou menos, porque ela

está suja, existe vários outros tipos de preconceito. Mas eu acho que na

igreja não deveria ser tocado esse tipo de assunto porque a partir do

momento que a pessoa está indo na igreja e tem sua vida

transformada, ela vai saber que para Deus não existe diferença, e se

para Deus não existe diferença porque para mim vai existir? Sendo que

Deus é o cabeça da igreja, eu não quero entender que tenha, mas talvez

exista algumas pessoas que tenha, talvez pessoas não transformadas por

Deus, pessoas que não estudam realmente a Palavra de Deus a fundo,

pessoas que tem um bloqueio enorme porque vê muita criminalidade

acontecendo e vê que 70%, não sei se existe um número, mas as pessoas

que fazem algum mal para outras são negras. E começam a associar

isso, é negro é bandido, e todos são maus. Eu quero crer que todos que

estão na igreja e são salvos por Jesus Cristo a visão muda

213

.

Sérgio continua dizendo que, em sua opinião, a função da igreja é estudar a

Bíblia e tudo que saí disso não deve ser falado dentro da igreja.

(...) a igreja está ali para estudar a bíblia o que acontecesse fora (...)

você vê que a igreja não se envolve com a política, não abre palanque

para deputado e senador vir pedir voto. Eu já presenciei muitas vezes

deputado vir na porta da igreja entregar o famoso santinho e querer uns

cinco minutos no púlpito da igreja para falar sobre a campanha, e eu vi

diversas vezes o pastor falar não. A igreja é um corpo fechado de Jesus

Cristo e que não abre para isso. E como não abre para política, não deve

abrir para esses pontos fora que não envolve muito a palavra de Deus,

racismo e outros tipos de assuntos. A partir do momento que as pessoas

são transformadas, elas mudam a visão, tem que mudar, se não mudar a

pessoa não é transformada. Uma coisa que leva dentro de si é que Deus

realmente transforma e a pessoa tem que ver que isso está errado. Agora

acontecer um estudo que não envolve a bíblia dentro da igreja, acho

difícil acontecer. Porque se não você abre espaço para outros estudos

que não envolvem muito a bíblia. Mas se usar a bíblia tudo bem, eu não

tenho muito base teológica para saber se isso é possível, se na bíblia

existe algum ponto para falar sobre isso, eu sei que existem pessoas de

várias etnias na bíblia no tempo das antigas e que um não gostava de

outros, mas se alguém pegar fundo e envolver no meio a coisa do

213 Sérgio Vieira, 25 anos. A palavra em negrito foi marcada pela autora com propósito de chamar a atenção

racismo eu acho que é cem por cento aprovado, que seja falado na igreja

sobre isso, não sobre o negro ou o branco, no geral um apanhado de

todos, e falar o que acontece e por que existe preconceito, porque não

deve mais haver o preconceito, e falar tudo isso junto com a palavra de

Deus.

Finalmente ele reconsidera e diz que falar sobre a questão negra pode ser até

interessante, explicar coisas fundamentais, como: porque existe o preconceito? Porque ele

não deve existir? Quais os males que causa à sociedade? Etc. Esses são pontos centrais e

essenciais sobre a questão da negritude. Mas a reconsideração do depoente é clara: essa

discussão só se torna relevante e legítima se for pautada na Bíblia. Esse é um assunto que

precisa ser legitimado pela Bíblia, sua existência por si só, não é suficiente.

Como veremos a seguir, a opinião do líder da comunidade não é muito diferente.

Ele acredita que o papel da igreja é pregar a Bíblia. Falar sobre questões raciais não lhe

compete. Além disso, deixa claro que esse é um problema individual do homem. Outro

ponto explícito em sua fala é de que tratar do racismo pode ser um meio de criar o próprio

racismo. Como explicamos no capitulo anterior, o professor Kabenguele aclara que faz

parte da mentalidade racista de muitos brasileiros a crença de que falar sobre a temática

racial pode causar racismo, raciocínio que se contradiz, uma vez que o racismo já existe

em nossa sociedade.

De modo que nós não vamos resolver esse problema se não tratarmos o ser

humano. O ser humano precisa mudar. O ser humano só vai mudar quando ele entender

que precisa amar o próximo, e o próximo não é próximo porque ele é rico ou branco, o

próximo é próximo, semelhante, porque ele é igual a você, independente da cor ou não,

do terno ou da camisa rasgada. Ele é teu próximo, rico ou pobre ele é o teu semelhante. E

quando o ser humano não mudar o seu caráter, mudar a sua natureza, você pode continuar

conversando o resto da sua vida sobre isso, não vai mudar. O problema é brasileiro? É. O

problema é racial? É. O problema é desde sempre? É. Se você olhar na palavra de Deus

você vai ver escravos, se você for olhar a história secular você vai ver que os escravos

eram negros na grande maioria do tempo, então não é o problema de tratar esse assunto, o

problema é o ser humano. Todo o ser humano que é tratado no seu interior, ele muda a

sua configuração, ele muda os seus conceitos, os seus valores. Enquanto isso não

acontecer, não teremos solução para esse problema nem para outro. Falar sobre esse

assunto, na minha posição, é alimentar de uma forma até encoberta o racismo

214

.

Pedi que Sérgio me descrevesse como é ser negro no Brasil. Ele deixa claro que

sabe muito bem as limitações que sofre um negro brasileiro. Faz referência ao emprego,

pois passa por um momento difícil com o desemprego. Perceber a desigualdade racial por

meio da empregabilidade não é uma tarefa muito difícil, pois há dados que provam, sem

deixar dúvida, a existência do racismo.

Na fala, se vê claramente a reprodução inconsciente do discurso elitista que é

fortemente reproduzido pela mídia, de que o negro não se dá bem na vida por causa de

pouca inteligência ou lhe falta boa vontade, mas nunca devido às barreiras criadas pelo

racismo. E também a idéia errônea de que o preconceito é culpa do próprio negro. Se

quase 70% dos negros já fizeram muitas coisas erradas, seja no passado ou até mesmo no

presente, por isso as pessoas os olham com preconceito, generalizando, achando que

todos são bandidos. Conceição Lourenço em sua obra Racismo: a verdade dói. Encare,

trabalha a problemática que gira em torno da falsa idéia de que todo negro é bandido e

analisando os dados da população carcerária da cidade de São Paulo – desconsiderando as

cidades africanas, quantitativamente, São Paulo é a maior cidade negra do mundo. Dos 20

milhões de habitantes, 30% são negros, ou seja, 6 milhões. Em termos percentuais, a

cidade que se destaca é Salvador na Bahia, em que, dos dois milhões de moradores, 80%

(1,6 milhões) são negros – que se dividida por etnia, terá proporcionalmente ao mesmo

número de cidadão de bem, isto é, somente 30% dos presos são negros

215

.

Ser negro no Brasil é dureza, você vai fazer uma entrevista para um

emprego e vê que tem três brancos, um amarelo e cinco negros, vamos

supor, tenho certeza que por A+B, que a pessoa que vai selecionar ou

ver os currículos, vai começar a olhar não torto para o currículo dos

negros, mas com desconfiança, “acho que esse não vai passar!” então é

aquilo que eu falo, tem que provar em dobro ou talvez em triplo que

você é competente, que você pode. Não provar para si mesmo, mas para

as outras pessoas, e a gente vê que os cargos de altos executivos são

ocupados por brancos, negros são raríssimas exceções, ou você é muito

inteligente mesmo, muito esforçado, ou te m um padrinho muito

forte que te colocou. A gente tem um exemplo que foi o Celso Pita, o

primeiro prefeito negro de São Paulo, e a gente viu como ele foi

bombardeado pela mídia, pela imprensa, não só pelo fato de ser negro,

214 Pastor Danilo, 38 anos. Líder da comunidade.

215 LOURENÇO, Conceição. Racismo: a verdade dói. Encare. São Paulo: editora terceiro nome; mostarda

mas pelo fato do desvio de dinhe iro e de conduta. E pelo fato dele ser

negro as pessoas bombardearam ainda mais do que outros políticos

brancos que tem mais renome na área política. Então ser negro no Brasil

é complicadíssimo, a gente tem que provar para gente mesmo que a

gente pode e para as outras pessoas também. Matando um leão a cada

dia. Falo isso por experiência própria, a gente vai procurar trabalho e a

pessoa vê que você é negro e duvidam de seu potencial e de sua

capacidade. Talvez por causa da nossa história, os negros fizeram

muitas coisas erradas, assim como os brancos, mas a maioria talvez 70%

fez muita coisa errada. Talvez pelas oportunidades que não tenham sido

dadas e pela falta de confiança ou até é dada à confiança, mas com o pé

atrás, e a pessoa acaba escolhendo o caminho errado. Ser negro no

Brasil é muito complicado

216

.

Na fala de Suely, se repete essa idéia de que é do negro a culpa por não ter

Benzer Belgeler