O local de uma antiga fundição real para canhões foi o prédio que, restaurado – Wesley o chamava de “um vasto e rude monte de ruínas” – proporcionou salas para reuniões dos bands, uma escola, a moradia de Wesley, quarto de hóspedes (para sua mãe e pregadores visitantes), um estábulo e abrigo para os coches. Uma sala grande com bancos rústicos acomodava mil e quinhentas pessoas, tornando-se assim a primeira casa de pregação de Wesley. Ali ele organizou uma sociedade e a Fundição tornou-se um lugar de serviços regulares de pregação duas vezes ao dia, além de atendimento médico na clínica metodista, a fim de dar assistência médica aos pobres.81
O ministério mais eficaz dentro das sociedades era desempenhado pelo sacerdócio dos crentes, pelo serviço e apoio uns aos outros e por alcançarem, por meio das Sociedades Amigos dos Estrangeiros, o próximo não-metodista que passava necessidade. Foram estabelecidos clínicas e dispensários voltados não apenas aos metodistas mas a todos os doentes, os quais eram atendidos com recursos e orçamentos limitados. Por todos esses meios, o espírito do movimento estendia à comunidade um evangelismo baseado não em um trabalho de venda, mas na atração inerente a um interesse holístico pelas pessoas, a partir da necessidade delas. O principal alcance evangelístico, portanto, não se concentrava nos pastores, nem mesmo os mais famosos, dentre eles os Wesley e George Whitefield. 82
A Fundição tornou-se o quartel-general do movimento em Londres e sede de tudo, desde a pregação até a impressão – foi instalada um gráfica para divulgar o pensamento wesleyano a todo o país. A crescente demanda do programa de publicações wesleyanas exigiu um editor de tempo integral. Thomas Olivers foi o “revisor de textos” da conexão metodista até 1776, nomeado para estar junto com Wesley na capital inglesa. A nascente burocracia metodista estava recrutando pregadores para encarregar-se da comunicação e
81 HEITZENRATER, Richard. Wesley e o povo chamado metodista, p. 109-111. 82 RUNYON, Theodore. A nova criação, p. 160.
mídia – Joseph Bradford foi indicado para viajar com Wesley para ser seu escriturário e logo tornou-se responsável pelo empreendimento editorial e venda dos livros.83
Wesley começou a equipar a Fundição para atender a muitas crianças que vagavam pelas ruas, cujos pais não podiam enviá-las à escola. E contratou dois professores para ensinar a ler, escrever, fazer contas. Contribuições voluntárias também cobriam os gastos desse projeto, e membros da sociedade que se reunia na Fundição tomavam conta dessa operação. Eles faziam uma reunião semanal com os pais, sendo as crianças examinadas em conformidade com as regras estabelecidas. No fim de 1748, a escola tinha atendido a sessenta crianças.84 Outra escola em Savanna também foi contruída.
Heitzenrater ilustra o trabalho desenvolvido na escola em Kingswood, para a qual as regras foram revisadas, e o currículo da escola preparado para instruir crianças “em todos os ramos do conhecimento útil”, desde o alfabeto até as qualificações apropriadas para o “trabalho do ministério”. A lista de matérias era impressionante: leitura, escrita, aritmética, francês, latim, grego, hebraico, retórica, geografia, cronologia, história, lógica, ética, física, geometria, álgebra, música. Foi para as aulas de inglês e de cinco outras línguas que Wesley escreveu e publicou gramáticas. Começando na primeira classe, com estudantes de seis a dez anos, o esquema incluía trabalho em línguas, as crianças traduziam e vertiam livros tais como “Instruções para crianças”. Na terceira classe os estudantes liam as “Confissões” de Santo Agostinho; na quarta, “César”. A sétima classe era o nível máximo e nesse ponto esperava-se que repetissem a “Ilíada” de Homero, que fizessem versos em grego e lessem a Bíblia Hebraica. Wesley estava convencido que qualquer estudante que completasse o currículo de Kingswood seria um estudante melhor que noventa por cento dos graduados em Oxford e Cambridge. Ademais, a rotina começava com orações e cânticos às 4 horas da manhã, e seguia até às 8 horas da noite em rigor com a disciplina acadêmica.85
Wesley aprendeu a ler por meio da Bíblia, tendo sua mãe Susana como professora, e afirmou que Deus começa a sua obra com as crianças. A Escola Dominical surge durante o movimento metodista como um espaço conquistado pelas crianças numa igreja cristã. Em 1737 Wesley era missionário em Savannah e se reunia com crianças para ensiná-las no caminho da Bíblia usando palavras compreensíveis ao seu vocabulário, com paciência e
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HEITZENRATER, Richard. Wesley e o povo chamado metodista, p. 268-9.
84 Id. ibid., p, 167-8.
perseverança, até ver os resultados do seu esforço. As crianças se reuniam em classes duas vezes por semana e, aos pregadores que usavam desculpas para esquivar-se da tarefa, Wesley respondia que nesse caso o pregador não havia sido chamado para ser um pregador metodista.
Eu nunca tinha visto nada igual. Que belos hinos cantavam juntos, nenhuma delas fora do tom. A melodia soava melhor do que se pode ouvir num teatro. O melhor de tudo é que elas realmente crêem em Deus e a maioria conhece a verdadeira salvação. Elas são modelo para toda a cidade. Em grupos de 8 ou até 10 crianças juntas elas visitam os pobres e os doentes para encorajar, confortar e orar por eles”. Foi mencionando aquela escola dominical que, em carta a Alexandre Suter, Wesley afirmou : “eu amo muito a Escola Dominical. Ela tem distribuído o bem em abundância. 86
Hanna Ball é a criadora da Escola Dominical no ano de 1769. Ela tornou-se membro do movimento wesleyano depois de ouvir um sermão de Wesley, aos 22 anos e desde então tornou-se uma grande batalhadora da fé. Onze anos mais tarde, um jornalista metodista, Robert Raikes, criou a primeira escola dominical para os meninos de rua, ensinando-lhes, além da Bíblia, aritmética e inglês.