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Em janeiro de 2005, o Brasil teve o primeiro contato com a ideia do projeto OLPC, durante sua participação no Fórum Econômico Mundial de Davos na Suíça (FABRIS; FINCO, 2012; ARAÚJO; SILVA, 2012; ALMEIDA; PRADO 2011). De acordo com Araújo e Silva (2012) o então Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, conheceu a proposta de distribuição de laptops de baixo custo a crianças de países em desenvolvimento, com vistas à inclusão social, através dos próprios idealizadores do projeto. Em junho daquele ano, Nicholas Negroponte, Seymour Papert e Mary Lou Jepsen, vieram ao Brasil para expor a ideia com detalhes ao executivo federal brasileiro (FABRIS; FINCO, 2012; ALMEIDA; PRADO 2011; SOUZA; FERRETE, 2012) e no mesmo ano, por ordem da presidência, foi instituído um grupo interministerial que, conforme Araújo e Silva (2012) foi composto pelos

Ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia, incumbidos de avaliar os aspectos técnicos e pedagógicos da proposta da OLPC. Após a análise, modificaram a ideia original, adequando-a à realidade brasileira e priorizando a utilização pedagógica da máquina, de modo que a ideia de um computador por criança passou a ser um computador por aluno, isto é, inclusão digital através da escola, com implementação em escolas públicas municipais e estaduais de todas as regiões do país.

O projeto modificado passa a ser uma proposta inovadora ao articular a utilização de computadores portáteis individuais, denominados em seu escopo como laptops educacionais, na metodologia 1:1, para todos os alunos da educação básica em escolas pré-selecionadas em todas as unidades da federação.

Segundo Warschauer (2006), a utilização de computadores de uso individual por alunos é adotada, na metodologia 1:1, com o intuito de potencializar a sua relação com a tecnologia a partir da imersão tecnológica. Cerqueira (2011) ressalta que, dentro da perspectiva histórica do uso de computadores na Educação no Brasil, tal metodologia remete ao início dos anos de 1980 com projetos como EDUCOM (1984) e FORMAR (1987) anteriormente mencionados.

Conforme apontam Pretto, Coelho e Almeida (2011) desde o início do projeto UCA percebia-se uma forte resistência tanto no ambiente acadêmico quanto em equipes dentro do Ministério da Educação para a sua adoção. O mecanismo utilizado para equacionar essa questão foi a realização de alguns encontros com especialistas brasileiros que, segundo BRASIL (2013a) debateram intensamente sobre os usos pedagógicos deste tipo de tecnologia na educação e, para subsidiar essas discussões, foram elaborados projetos com a Fundação de Apoio a Capacitação em Tecnologia de Informação (FACTI) e a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) para validar a solução da OLPC.

A repartição de responsabilidades na implantação do projeto deu-se da seguinte maneira: o governo federal, por meio do MEC e FNDE, forneceria os computadores enquanto as redes municipais e estaduais fariam a preparação da infraestrutura para funcionamento da internet sem fio e o MEC promoveria a formação dos professores (PRETTO, COELHO; ALMEIDA, 2011).

Ferrete (2012) afirma que o projeto foi iniciado no país com o objetivo de estudar o conceito do laptop como ferramenta de aprendizagem, com adoção de procedimentos para análise técnica dos modelos de computadores portáteis, estudo de alternativas de soluções disponíveis e definição de propósitos pela comunidade científico-educacional.

Durante o ano de 2007, foram iniciados experimentos do UCA em cinco escolas brasileiras, visando avaliar o uso de equipamentos portáteis pelos alunos em sala de aula. A Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação (SEED/MEC) fez várias sondagens a estados e municípios buscando sua adesão. Inicialmente foram pré-selecionadas dez escolas, dentre as quais cinco foram escolhidas (BRASIL, 2013b): Escola Municipal Ernani Bruno no município de São Paulo (SP), Escola Estadual Luciana de Abreu em Porto Alegre (RS), Colégio Estadual Dom Alano Marie Du Noday em Palmas (TO), CIEP Municipal Profª Rosa Conceição Guedes em Piraí (RJ) e Centro de Ensino Fundamental nº 1 do Planalto em Brasília (DF). Ressalte-se que desde 2011, quando a SEED foi extinta, o projeto passou para a competência da Secretaria de Educação Básica (SEB), (VALENTE; MARTINS, 2012).

Nessa fase, três fabricantes de equipamentos disponibilizaram ao Governo Federal modelos diferentes de laptops. A OLPC cedeu 550 unidades do modelo XO (conhecido como o laptop de 100 dólares) desenvolvido pelo MIT (Massachussets Institute of Technology) para as escolas de Porto Alegre/RS e São Paulo/SP. Em setembro de 2006, a Intel lançou o laptop educacional Classmate PC para mercados emergentes, como opção ao modelo XO. A Intel doou ao governo brasileiro 800 laptops, também para um primeiro teste mundial da nova tecnologia (utilizados em escolas de Palmas/TO e Pirai/RJ). E a Encore, empresa brasileira representante de um fabricante indiano, lançou em 2006 o Mobilis, tipo tablet, doando ao governo 40 protótipos para testes na escola de Brasília/DF.

Os experimentos foram acompanhados por universidades federais locais, e revelaram- se importantes para avaliar a qualidade dos equipamentos em termos de hardware, software, durabilidade, facilidade de manuseio, portabilidade, capacidade de armazenamento de dados, performance, dentre outros aspectos, bem como o conjunto de possibilidades no uso dos laptops, não apenas nas atividades diretamente ligadas à mediação, mas também sua capacidade de impulsionar a inclusão digital de alunos, professores e suas famílias.

Ainda em 2007 foi constituída a equipe UCA, por meio de portaria do MEC, com o propósito de estruturar as propostas de formação, acompanhamento, avaliação e pesquisa. A equipe inicial foi constituída por pesquisadores com larga experiência em pesquisa e projetos na área de informática educativa, entre outros. Os experimentos da fase I do projeto foram documentados e, a partir destes, elaboradas as Diretrizes e Princípios do Projeto UCA, bem como o Projeto de Formação Brasil (FERRETE, 2012).

Em dezembro de 2009 o governo lançou a Medida Provisória 472/09 que criou institucionalmente o Programa Um Computador por Aluno e seis meses depois, em junho de

2010, a mesma foi convertida em lei (nº 12.249) pelo legislativo, iniciando dessa maneira uma nova fase do programa. Vale ressaltar que tal lei trouxe em seu bojo a unificação da terminologia relacionada a esse tema, denominando de Programa Um Computador Por Aluno (PROUCA) como termo oficial às diversas nomenclaturas adotadas até então (UCA, projeto UCA, projeto-piloto UCA, etc.).

Ao ganhar o status de programa, o PROUCA entra em sua segunda fase, denominada Fase II ou Fase Piloto com a distribuição de 150.000 laptops educacionais em cerca de 300 escolas públicas pertencentes às redes de ensino estaduais e municipais, em todas às unidades federativas (MENESES, 2011; CYSNEIROS; CARVALHO; PANERAI, 2011). Ressalte-se que o consórcio CCE/DIGIBRAS/METASYS foi o vencedor do processo de licitação no pregão nº 107/2008 (BRASIL, 2013a).

Os critérios utilizados para que as escolas fossem contempladas pelo PROUCA estão resumidos na Figura 02, a seguir:

Figura 02 – Critérios para Seleção das Escolas Participantes do Projeto

Fonte: Adaptado de BRASIL (2013c)

Os citados requisitos foram delineados como forma de contribuir para a garantia do êxito do projeto, uma vez que solicita a existência de infraestrutura mínima, participação das secretarias de educação na execução do programa (incluindo a sua responsabilização) e incentiva o envolvimento dos docentes, na medida em que existe a anuência na participação da escola no programa.

Cada escola deverá ter em torno de 500 (quinhentos) alunos e professores;

A definição do critério de quantidade de alunos e professores levou em conta aspectos técnicos e também financeiros. Técnico do ponto de vista de qualidade e viabilidade dos recursos estruturais tais como a rede de internet sem fio, rede elétrica, armários; e financeiro pelo fato de que prefeituras e estados responsabilizam-se pela aquisição dos equipamentos, ainda que a União, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) tenha disponibilizado uma linha de crédito específica para tais obtenções.

A preferência por escolas próximas a NTE´s e NTM´s relacionou-se à necessidade que essas escolas teriam de receber suporte técnico operacional e de formação, disto decorre que a proximidade com esses núcleos de tecnologia possibilitaria esse apoio sem as dificuldades relacionadas a distâncias geográficas.

Além de sua ação pedagógica e de inclusão digital, a lei 12.249/10 também estabeleceu como finalidade do PROUCA o adensamento da cadeia produtiva comercial no Brasil, nesse sentido, além de objetivos educacionais, o programa direciona suas ações também para o campo do desenvolvimento econômico, visando fortalecer indústria de tecnologias em equipamentos e sistemas de informática do país.

Além das 300 escolas espalhadas pelos 26 estados e o Distrito Federal, o programa foi replicado de modo integral, isto é, em todas as unidades escolares em seis municípios brasileiros, denominados de UCA Total.

Inicialmente foram selecionados os municípios de Barra dos Coqueiros em Sergipe, Santa Cecília do Pavão no Paraná, São João da Ponta no Pará, Terrenos no Mato Grosso do Sul e Tiradentes em Minas Gerais. Num último momento o grupo foi complementado pelo município de Caetés em Pernambuco.

Lavinas e Veiga (2012) chama essa fase de “terceira etapa” do PROUCA, haja vista

sua peculiaridade de atendimento universal das escolas públicas dos citados municípios e consequentemente seus alunos e professores, contudo esse experimento essencialmente não diverge da aplicação do UCA em sua Fase Piloto, a não ser pelo fato de que abrange todas as escolas dos municípios contemplados, isto é, o UCA Total serve também como piloto para outras cidades brasileiras que desejem adotar o uso dos laptops educacionais em todo o seu ensino básico.

A filosofia do projeto estava bem definida: promover uma mudança radical na concepção dos currículos nas escolas públicas, através do acesso à tecnologia, de forma individualizada, de modo que cada protagonista desse processo seja coautor na construção da formação na escola, promovendo uma formação aberta, interpretada como uma construção coletiva (LAVINAS; VEIGA, 2012).

De fato, a concretização do UCA Total gerou grandes expectativas (e também dúvidas) nos municípios contemplados, contudo, a implementação revelou-se demasiadamente demorada, tendo alguns municípios aguardado quase três anos para a sua completa concretização.

Em princípio, após a seleção do município, a primeira etapa do processo de implementação do UCA-Total previa a instalação da tecnologia de conectividade nas escolas e na cidade. Na segunda etapa, privilegiava-se a transformação da infraestrutura física – adequação do espaço escolar para receber laptops individuais em sala de aula e adotar rede wi-fi. A terceira etapa visava assegurar a capacitação e formação dos professores no uso do laptop, seja como ferramenta individual, seja como meio de conexão ao universo da educação digital, com seus conteúdos online e interativos. Por fim, tinha lugar à distribuição dos laptops aos alunos (LAVINAS; VEIGA, 2012).

Após a realização da Fase Piloto, o programa entra na sua fase de expansão (também denominada de operação regular ou simplesmente Programa UCA), momento em que os municípios interessados (independente de sua participação na Fase Piloto) e os estados solicitam a adesão ao programa.

Não há formalmente uma data que determine o término da Fase Piloto e o início do Programa UCA em sua operação regular, uma vez que desde a criação do programa pela Lei 12.249/10, que criou também o Regime Especial de Aquisição de Computadores para Uso Educacional (RECOMPE)11 está posta a possibilidade de que estados e municípios (estes atendidos ou não pelo programa em sua Fase Piloto) possam adquirir novos laptops educacionais para introdução em suas redes de ensino.

Além dos benefícios fiscais proporcionados pela lei 12.249/10 outro estímulo para a aquisição de novos laptops educacionais veio por parte do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que estabeleceu por meio da Resolução FNDE/CD/Nº17 normas e diretrizes para que os municípios e estados se habilitassem ao PROUCA, nos exercícios de 2010 a 2011, visando à aquisição de computadores portáteis novos, com conteúdos pedagógicos, no âmbito das redes públicas da educação básica.

11 Regime de redução de tributos tais como o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição para o

PIS/Pasep e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) com a intenção de diminuir o custo dos laptops educacionais

Benzer Belgeler