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BU KİTABI NASIL KULLANMALIYIM?

A expressão “siqueirismo” surge na mídia do Tocantins por volta de 2006 relacionando-a com uma forma de dominação no Estado que, naquele momento, estava enfraquecida pelo fato de Siqueira Campos ter perdido a eleição para governador naquele ano. Quando fiz a entrevista com o ex-governador já em 2015, ele declarou que não aceitava, de forma contraditória a uma entrevista de vários anos atrás, “os ismos, como comunismo, coronelismo”, etc. A dominação que os governadores exercem em suas regiões surge no momento em que, segundo José Murilo de Carvalho (1997) “o federalismo criou um novo ator político com amplos

poderes, o governador de Estado”. Desta forma, os poderes locais muitas vezes se aglutinavam em torno dele, visto como o chefe da política estadual e, no caso de Siqueira Campos, isso estava bem definido pela narrativa histórica divulgada em toda a região. Frases como “foi Siqueira que fez!” “quem criou o Estado merece governa- lo”! emergem nas entrevista como algo naturalizado e aceito por todos.

Sendo assim, coloquei esta questão para os entrevistados com o objetivo de compreender melhor o significado do termo siqueirismo que agora era rejeitado por Siqueira Campos. Qual o olhar de cada entrevistado e o impacto que a palavra siqueirismo provocava neles?

Um entrevistado relaciona o siqueirismo como um período de coroamento do trabalho de desenvolvimento do Tocantins tendo Siqueira Campos como o comandante político desse processo, alguém com força, coragem, determinação, mas ao mesmo tempo vê a idade avançado do ex-governador como o provável fim deste período.

O Siqueirismo para mim é um período que eu posso dizer que coroou o trabalho, esse sonho do Siqueira em dividir o Estado é o Siqueirismo. Essa parte que eu posso dizer é esse período de desenvolvimento, de crescimento, de consolidação e sempre conduzido por ele, conduzido por ele. Aí o quê que aconteceu, é a fase boa que o Tocantins pode afirmar que teve, essa de 88 até os dias de hoje. E por que o Siqueirismo? Porque esse período foi todo conduzido por ele, com a liderança que ele sempre teve, com a força de vontade, com a determinação, com a coragem, porque o Siqueira não tinha um centavo para construir a ponte Fernando Henrique Cardoso, ele lançou a obra sem um centavo e conseguiu. Siqueira não tinha nenhuma segurança de dinheiro para criar o lago, fazer o lago e ele conseguiu. E assim foram muitas as ousadias dele e isso marcou essa época como Siqueirismo. Ele sempre no comando desse trabalho e com a sua influência política dominou tudo isso aí. Ele tinha a força de todos os municípios do Estado, de todas as regiões e terminou consagrado como a época do siqueirismo, que eu acredito que se não fosse a idade ia durar mais.

No caso de outro entrevistado, perguntei: “como o senhor vê essa palavra, ela remete o senhor a pensar o quê, quando falamos “siqueirismo”? É uma palavra correta? E a resposta que obtive demonstra que o mesmo confunde a palavra siqueirismo com um adjetivo pátrio (caracterizam a origem de pessoas ou coisas) que permitiria que o ex-governador fosse lembrado por muito tempo, mas ao mesmo

tempo relacionava a palavra siqueirismo com o poder de mando pessoal do ex- governador.

É, eu entendo como um adjetivo pátrio de uma grande político. Um adjetivo pátrio, igual por exemplo, você é da onde, você é cearense, cearense né? Siqueira, siqueirismo. Então o adjetivo pátrio do Ceará é cearense não é isso? Então o do Siqueira é siqueirismo. Eu acho que é um adjetivo pátrio que pega muito bem, soa muito bem pra pessoas lembrar dele. Daqui há 30 anos “Ah, você lembra que falavam do siqueirismo?” Não mistura com coronelismo porque ele não era militar, mas ele não era coronel do jeito que se fala aqui, do jeito que aquele cara descreveu lá não, você tá entendendo? Ele era meio chinchador, ele chegava na pessoa assim e como dizia aquele outro, punha a mão no joelho e batia na boca, entendeu?

Outro entrevistado vê o siqueirismo do ponto de vista da construção do Estado e não como uma “politicagem”, isto é, uso da política para fins escusos. Afirma que as ações do ex-governador foram fundamentais para a construção do Estado.

A meu modo de ver é exatamente o Siqueirismo que resumiria todo esse projeto de criação, todo esse projeto de formação do Estado, né, de dar uma infraestrutura para o Estado, dar condições para que a comunidade progrida, para que a comunidade consiga se desenvolver. Então o Siqueirismo para mim é significa isso, não é, não significa politicagem, não significa política, significa um projeto de construção do Estado, construção de um povo, construção de uma sociedade. Inicialmente começou obviamente nas ações pessoais do Siqueira Campos né? E como eram ações que seriam benéficas, um projeto muito bonito, cada vez mais pessoas foram comungando da mesma ideia e abraçando a mesma ideia e até hoje a gente vê e comprova que ainda tem pessoas que aceitam né e defendem, como eu, completamente as boas ações e tudo que venha a complementar esse sonho de formar uma sociedade melhor aqui nessa região.

O entrevistado Márcio Di Pietro coloca na perspectiva de que “era coisa que a oposição começou a bater para determinar uma linha política que existia, que não era deles, a outra linha política que era o Siqueirismo era capitaneada, que era comandada pelo Siqueira Campos e os Siqueiristas eram as pessoas que o apoiavam”.

Pois é, sobre isso inicialmente eu acho que surgiu como uma coisa pejorativa, o Siqueirismo, os Siqueiristas, coisa que a oposição começou a bater pra determinar uma

linha política que existia, que não era deles, a outra linha política que era o Siqueirismo era capitaneada, que era comandada pelo Siqueira Campos e os Siqueiristas que eram as pessoas que apoiavam e isso surgiu como uma expressão colocada como fala como Marcelista, modebas né, União do Tocantins que chamava o pessoal da oposição de modebas que era o pessoal do PMDB “Ah, eram modebas”.

O entrevistado Lúcio Martins tem um olhar mais técnico e administrativo da questão e descreve o siqueirismo assim: “enquanto gestor eu entendo como esse Siqueirismo é uma forma de governar, é uma forma gerenciar sabe... uma forma de não deixar o Estado ser refém de absolutamente de nada e nem de ninguém”! Ao mesmo tempo, esse entrevistado vê o siqueirismo como uma atitude do ex- governador de cuidar das pessoas.

Bom, primeiro que ele (Siqueira Campos) não reconhece a história de Siqueirismo! Não é por não gostar, eu percebo que ele entende que não existe isso, que não existe o Siqueirismo. Eu acho, eu percebo o seguinte, enquanto servidor, admirador e conhecedor dele, e enquanto gestor eu entendo como esse Siqueirismo é uma forma de governar, é uma forma gerenciar sabe... uma forma de não deixar o estado ser refém de absolutamente de nada e nem de ninguém! De nenhuma empresa, de nenhum servidor, de nenhum... não pôr o estado refém de algumas coisas. Então esse Siqueirismo é colocar o bem estar no Estado, e claro, o cuidar das pessoas, que inclusive é um jargão dele “cuidar das pessoas”, o Siqueirismo é isso, é uma forma de cuidar das pessoas que não é paternalista, que desperta a vontade de fazer alguma coisa e de crescer, mas ao mesmo tempo que não permite que o estado seja refém...

No olhar do entrevistado Vanderlei Barbosa o Siqueirismo foi nominado dessa forma porque o Siqueira foi o líder, e um líder porque o Siqueira era um nome muito forte e a maneira de governar não era ouvindo muito quem estava próximo, as suas colocações eram mais fortes do que o seu governo. Então a imagem do governador era mais forte que o governo!

O Siqueirismo foi nominado dessa forma porque o Siqueira foi o líder, é um líder e ele tinha a maneira dele de governar, então quem estava com ele estava com ele, quem não estava era totalmente antagônico, adversário ele tratava como adversário! Dentro das normas políticas de maneira que nunca aqui não houve denúncia de nenhum sistema de governo mandasse tirara a vida de políticos, isso não aconteceu. Então isso já é um respeito que

tem com as forças contrárias. Então, o quê que eu vejo que aquilo se transformou no Siqueirismo porque o Siqueira era um nome muito forte e a maneira de governar do Siqueira não era ouvindo muito quem estava próximo, as suas colocações eram mais fortes do que o seu governo. Então a imagem do governador era mais forte que o governo. Então eu classifico... aquela época era o Siqueirismo, que eu não tenho nenhuma dúvida que em determinado momento do Estado ou pra história do estado foi super positivo. Alguém tinha que liderar um movimento para criar o Estado. E nós tínhamos vários políticos no congresso nacional como José Freire, e outros políticos como Brito Miranda, colaborou muito como deputado estadual de Goiás e outros colaboraram como o Totó Cavalcante, mas alguém tinha que liderar essa luta no Congresso Nacional e essa missão o ex-governador, o Siqueira Campos incorporou de modo muito sério e criou o Estado. Passou por movimentos sociais, passou por recolhimento de assinaturas, muitas pessoas, a classe estudantil, as pessoas colaboraram colhendo assinaturas, indo pra BR 153, paralisando, fazendo manifesto, protesto, mas foi criado o estado.

Outro entrevistado descreve o siqueirismo como uma força política que se reunia ao lado do ex-governador e aproveitava o carisma e poder de mando do ex- governador para, mantendo uma base aliada, realizar seus projetos políticos particulares, seja de função política, de nomeação para a burocracia do Estado ou de apadrinhamento – daí a expressão “os siqueiristas”! Ao longo do tempo esse grupo político perde força, na medida em que o governador também começa a ser questionado na sua liderança e com o surgimento de outros grupos políticos, a partir da pulverização de partidos, segundo o entrevistado.

Até pode-se admitir que exista realmente um Siqueirismo! Ele formou um grupo forte né? Essa, que o primeiro nome se deu, União de Tocantins... Esse nome a gente criou na primeira campanha, o nome oficial da coligação, como aquele “quem criou merece ter”, “quem criou o estado merece governá-lo”, a gente conseguiu sintetizar, uma agência grande de publicidade... “quem criou merece”. Eu me lembro que alguém colocou uma vírgula [risos]. “Quem criou merece” foi o primeiro slogan! E a União do Tocantins fizeram a união dessas forças, que foi realmente a união dessas forças! O próprio PMDB que era hegemônico, fortíssimo aqui foi se amoldando, foi se amoldando e foi se juntando ao Siqueira. Chegou um momento que o Assis Brandão, que era o Presidente do PMDB veio se juntar ao Siqueira! Depois veio o próprio Brito Miranda, sempre foi figura tradicionalíssima do PSD, de família política do PSD, daqueles moldes antigos.

Quando eu tava no grupo no Siqueira, porque o Siqueirismo levava o povo junto, e você ia junto né! Por isso que eu acho que essa palavra “Siqueirismo” não está tão fora de

propósito não! Existia realmente esse grupo de forças que se reuniu em torno da figura do Siqueira! Enquanto ele deu conta de manter essas lideranças... e manteve isso, tinha um grupo de grandes amigos dele, grandes companheiros, e depois as pessoas não conseguiram se renovar e não renovando terminam se perdendo. O grupo dele hoje tem muita pouca gente né? Depois desse negócio de partido, essa pulverização de partidos. Nos anos 90 Siqueira tinha o poder de eleger qualquer um. Podia botar Vanderlei Barbosa e João Marcelo que elegeria qualquer um nessa época! Que a gente imaginava que o meu candidato, que eu achava que o Siqueira ia colocar, era Leomar, criou ele como candidato a senador, né? Naquela época nós éramos pessoas mais próximas dele e como o Leomar era mais antigo e eu vim de uma área onde a antiguidade essas coisas... antiguidade e conhecimento era posto, merecimento e antiguidade era posto... e eu respeito isso. O Leomar era amigo dele de antes da criação do Estado, bem antes! Eu achei que ele tivesse um certa precedência... porque eu era cristão novo. Eu entrei no grupo dele até por uma, também, fatalidade. Porque depois que o João (Cruz) não quis participar, o João quis ser vice, não quis ser senador, naquele primeiro momento... o João foi senador no segundo momento! Naquele ele não foi. E o pessoal me indicou, eles me indicaram, e o Siqueira aceitou.

Ao transcrever nesta parte deste capítulo as opiniões colhidas nas entrevistas e estruturando categorias de análise, minha intenção foi a de fornecer elementos empíricos que contribuam para as conclusões que pretendo estabelecer ao final desta tese. Ver até que ponto os entrevistados reforçam ou não a consciência da existência de um fenômeno político e social chamado de “siqueirismo” no Tocantins, e a centralidade ou não que o político Siqueira Campos adquire nos eventos que dizem respeitos a criação e ao desenvolvimento do Estado do Tocantins.

No capítulo seguinte procuro destacar as falas da entrevista com Siqueira Campos. A construção de uma consciência a partir de uma narrativa heroica do indivíduo cuja personalidade seria determinante, no olhar de diversos entrevistados, para a criação do Tocantins.

Benzer Belgeler