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KİNDE KABİLESİ VE KÂDİSİYE SAVAŞINA TESİRİ

4. HZ ÖMER’İN KISA BİYOGRAFİSİ

2.3. KİNDE KABİLESİ VE KÂDİSİYE SAVAŞINA TESİRİ

Entre as diversas atividades dos professores da instituição, uma delas seria colaborar com a Revista Egatea. Tratava-se de um periódico da EEPA cujo objetivo seria difundir o conhecimento produzido através dos trabalhos práticos desenvolvidos por alunos e professores. Embora as aspirações para sua criação já fossem anteriores119, a Revista foi

publicada a partir de 1914 e seu nome foi alvo de curiosidade e especulação por muitos, que atribuíram referência grega. O nome, na verdade, seria uma junção das primeiras letras dos seis institutos que formavam a Escola – Instituto de Engenharia; Instituto Ginasial Julio de Castilhos; Instituto Astronômico e Meteorológico; Instituto Técnico Profissional; Instituto de Eletrotécnica; Instituto de Agronomia e Veterinária – quando a Revista foi fundada.

A ideia seria oferecer uma publicação que não tivesse um caráter estritamente “politécnico”, cheia de fórmulas matemáticas, e que apenas um restrito número de profissionais tivesse acesso. A intenção era que a revista ampliasse a esfera de ação da escola e fosse “[...] em ultima analyse um orgam dos interesses geraes do Rio Grande do Sul”. O objetivo era discutir todas as questões ligadas ao progresso do Estado, divulgar os trabalhos executados pela EEPA e ser divulgadora “[...] das modernas idéas em materia de sciencia e industria.” 120

Para exercer o cargo de redator-chefe da revista foi designado o Engenheiro Chefe do Instituto de Eletrotécnica Vivaldo de Vivaldi Coaracy.121 A intenção era que a revista fosse

publicada a cada dois meses, e para tanto, a EEPA solicitava colaboradores para escreverem artigos e publicarem seus trabalhos. Passado apenas um ano de circulação da EGATEA, nos relatórios da escola já se citavam as diversas dificuldades encontradas para o sucesso da

119Relatório da Escola de Engenharia. Porto Alegre: 1915, p.18 a 20.

120 EGATEA. Revista Egatea: Porto Alegre, Volume1, nº 1, julho e agosto de 1914, p.1

121 Vivaldo de Vivaldi Coaracy tinha experiência na imprensa quando assumiu o cargo de redator-chefe da

EGATEA. Ele nasceu no Rio de Janeiro em 1882 e era filho da jornalista Corina Coaracy. Seguindo os passos da mãe, iniciou sua carreira na imprensa carioca, porém, mudou-se para o RS e trabalhou em jornais de Porto Alegre. Em 1911, já morando no RS, formou-se em Engenheiro Mecânico-Eletricista pela EEPA, instituição na qual passou a trabalhar como professor e tão logo se tornou engenheiro-chefe do Instituto de Eletrotécnica. Sua carreira será mais bem abordada no capítulo seguinte.

publicação. Uma das primeiras queixas é referente ao pequeno número de assinantes e a explicação de que muitos não conseguiam assiná-la por motivos financeiros. Reclamavam ainda pelo fato de não ter se ampliado o número de colaboradores, mesmo sendo feita a convocação aos docentes da escola. No primeiro volume da revista, por exemplo, que era formada por seis números, conta-se sessenta e seis diferentes artigos publicados através de vinte e seis colaboradores. Vivaldo de Vivaldi Coaracy, Umberto Moretti, Ludovico Fin, João Lüderitz e Celeste Gobatto foram os mais frequentes a publicarem seus trabalhos entre 1914 e 1915. Esse último colaborou com sete artigos diferentes no primeiro ano de edição da EGATEA, a maioria deles relacionados à agricultura e viticultura, disciplinas que ministrava na EEPA.

A dificuldade em encontrar colaboradores para a Revista foi tida como um dos fatores que impediam o desenvolvimento do periódico e sua ampla divulgação em outros estados brasileiros. Admitia-se, porém, que a maior parte dos colaboradores eram funcionários da Escola de Engenharia carregados de tarefas inadiáveis e prioritários, impedindo muitos de participarem.122 Como solução, a redação tomava a iniciativa de transcrever e traduzir artigos

de autores diversos, especialmente estadunidenses e ingleses.

O periódico era estruturado de forma a seguir os padrões das revistas modernas, segundo afirmavam seus editores. Buscava interagir com seus leitores, colocando-se à disposição para esclarecimentos de dúvidas sobre os mais diferentes assuntos, tais como: “Alimentação infantil”123, “O pão natural de trigo”124, “Tiram-se as manchas dos tecidos”125,

“Perguntas de algibeira” ou “Receitas a granel” era uma parte da revista destinada à interação com o público leitor. Ou seja, como mostra de sua intenção de não servir apenas a um grupo profissional, a revista publicava dicas domésticas e artigos sobre assuntos de interesse geral. Destinada também à colônia alemã e italiana no Rio Grande do Sul, a coluna “Perguntas e Respostas” era publicada em português, alemão e italiano. Essa coluna tratava-se de um espaço em que perguntas enviadas pelos leitores eram respondidas por professores especialistas da EEPA.

Em dezembro de 1920, Vivaldo de Vivaldi Coaracy deixaria o cargo de chefe de redação e quem assumiria o posto seria Celeste Gobbato, professor da EEPA e colaborador da revista desde seu princípio. Gobbato foi responsável pela remodelação do periódico. Segundo o relatório que apresentou à direção da Instituição, referente àquele ano, ele fala que o

122Relatório da Escola de Engenharia de Porto Alegre. Porto Alegre: 1918, p.196.

123 E.C. Alimentação Infantil. Revista EGATEA. Porto Alegre: Volume 1, nº. 6, maio e junho de 1915, p.295. 124Revista EGATEA. Porto Alegre: Volume 3, nº. 5, março e abril de 1917, p.240.

programa da revista seria reformulado de modo que se priorizaria a prática, isto é, divulgar- se-iam mais trabalhos referentes à agricultura e às indústrias rurais. Ele também falava no crescente aumento de colaboradores, o que possibilitou normalizar a publicação da revista no ano seguinte.

Nos primeiros anos sob sua direção, a revista tentaria ter utilidade mais geral, ampliando os artigos destinados inclusive a donas de casa. Para ampliar a circulação, seria realizada uma forte campanha de propaganda da EGATEA pelo interior do Estado conduzida pelos dirigentes dos estabelecimentos filiais à EEPA. Nesse processo foi relevante o apoio recebido do diretor João Simplício Alves de Carvalho, que somente no Rio de Janeiro angariou 301 assinaturas. 126

Os jornais porto-alegrenses noticiariam sobre as mudanças ocorridas na revista. Segundo O Correio do povo127: “Em sua nova direcção a «Egatea» apresenta excellente

feição tanto material quanto intellectual, que a torna uma revista util para as sciencias applicadas, agricultura, industria e a pecuaria.” Já A Federação128reafirmava que a “«Egatea»

é sem duvida um magazine de utilidade para o estudioso, agricultor, criador, industrialista e commerciante.”

Neste momento os editores da revista assumiriam a necessidade de dar um caráter mais científico129 ao periódico. No olhar de seus novos editores ela não era o tipo de

publicação apropriada para pequenos agricultores e colonos, devido principalmente ao tipo de linguagem, afinal tratava-se de uma classe “[...] menos familiarizada com termos scientificos e com aquelles da lingua elevada e pura [...]”130, linguagem que a Egatea estava

frequentemente usando. Assim, em 1922 sugeriram ao Diretor da EEPA que fosse publicado, junto à revista, um jornal de tiragem mensal com linguagem mais singela, menos páginas, tratando de assuntos mais práticos, destinado aos agricultores. A ideia deste jornal não se concretizou, e com o passar dos anos, cada vez mais a revista se tornava especializada e menos genérica.

A Egatea, enquanto porta voz da EEPA, também vincularia o progresso econômico e industrialização ao ensino técnico e à ciência. Ao se observar o sumário geral de cada exemplar da revista, pode-se perceber que o conjunto de assuntos abordados vão ao encontro da figura do engenheiro como arauto da modernidade. Havia um interesse e necessidade de, a

126 Relatório da Escola de Engenharia de Porto Alegre. Porto Alegre: 1922, p. 5.

127Correio do Povo, 20 de Abril de 1921.

128A Federação, 20 de abril de 1921 apud Revista Egatea. Porto Alegre: Volume VI, nº 4, julho e agosto de

1921.Não há paginação.

129 Relatório da Escola de Engenharia de Porto Alegre. Porto Alegre: 1923, p. 4 130 Ibidem.

partir da Revista, justificar e valorizar a profissão de engenheiro que durante maior parte da história brasileira, foi uma profissão desvalorizada. Os assuntos que o periódico tratava estavam em consonância com as mudanças urbanísticas e econômicas do período. Assim, a Egatea justificava a necessidade de se formar profissionais técnicos e especializados, e justificava, portanto, a própria EEPA.

3.3.4 Cotidiano escolar: as aulas, pesquisas, viagens de estudo e atividades políticas