A tecnologia nipo-brasileira de televisão digital deve impulsionar uma série de mudanças nos programas jornalísticos brasileiros. Diante da evolução por vir, até a forma de se pensar, fazer e arquitetar as notícias passa por modificações. Pode parecer recente, mas a proposta de uma televisão interativa tem sido defendida por alguns autores da comunicação social como um marco para a revolução do conceito de televisão. Colombo (1998, p. 181) já fazia definições de como seria a televisão interativa.
Encontramo-nos, por conseguinte, na vertante da <<banalidade tecnológica complexa>>, diante de algo de manifestamente inútil. Pelo contrário, o lado didáctico, o pedagógico e, se quisermos, o <<político>> da televisão interactiva, podem constituir uma grande novidade. Do ponto de vista do divertimento, é tão importante quanto os famosos óculos do cinema em três dimensões. Tentem imaginar um cômico carismático que lhes oferece a possibilidade de dizer, premindo em casa um botão, um sim ou um não. Inovação talvez fosse a palavra correta para definir o processo pelo qual os telejornais brasileiros devem passar ao fim da transmissão analógica e início da transmissão digital.
O telejornalismo na TVDI ganha novos desafios. O primeiro deles acontece no processo de produção das informações. Com a tecnologia do canal de retorno será possível que o telespectador acrescente novas informações às que já estão disponíveis dentro do programa, opine com relação a determinados assuntos e selecione a reportagem que mais lhe agrada, a partir de um “menu” interativo. A base desse “menu” será composta por hiperlink e hipertexto. Pode-se dizer que a tecnologia digital impulsionará a nova era democrática dentro da televisão. É possível descrever que será o tempo da democracia, no sentido de o telespectador poder participar ativamente do processo de seleção da informação, optando pelo que lhe é de interesse e não o pré-estabelecido pelos produtores, repórteres e editores, como acontece atualmente.
Esse processo delimitará, em alguns aspectos, a conduta do jornalista diante da informação, tanto que algumas funções dentro da redação de uma televisão devem ser revistas e remanejadas com a tecnologia digital. Com o diálogo constante entre telespectador e
emissora, haverá a possibilidade de este sugerir pautas, elogiar ou fazer críticas ao conteúdo divulgado e, ainda, auxiliar na produção das reportagens com dicas e sugestões. A técnica do
on-screen, que significa notícia em tempo real, deve migrar dos meios eletrônicos, como a
internet, para a televisão com a chegada da tecnologia digital. Assim, ao transmitir uma informação aos telespectadores e disponibilizar a visualização das reportagens em outros momentos, através do video-on-demand os jornalistas podem ser informados pela grande massa e não só praticar o ato de informar, ou seja, o telespectador pode postar novas informações, repercussões de determinados casos, conforme a demanda de informação surgir, quase que instantaneamente, na televisão. As ferramentas interativas como o chat, o e-mail e o newsletter possibilitarão ao usuário interação constante não só com os produtores dos programas, mas com outros telespectadores que, às vezes, procuram pelas mesmas informações e têm interesses iguais dentro do programa.
O investimento das emissoras na versão digital dos seus telejornais, em busca do estabelecimento de algum diálogo com os telespectadores, oferece ao telespectador a oportunidade de rever reportagens e se aprofundar em algum assunto, através de chats, e-mails e newsletters. (BECKER; TEIXEIRA, 2008, p. 2)
Alves e Castro (2009) apontam algumas possibilidades de participação do telespectador no telejornal:
1- Envio de sugestões de pauta; 2- Envio de fotos;
3- Envio de vídeos;
4- Participação com dados; 5- Participação como fonte;
6- Envio de matérias prontas elaboradas individualmente ou de forma colaborativa; 7- Perguntas ao vivo;
8- Participação em enquetes; 9- Participação em debates;
10- Possibilidade de agregar mais informação a notícia original; 11- Possibilidade de atualização da informação;
Essas são apenas algumas das possibilidades de interação que podem existir dentro dos programas jornalísticos. Com a interação total, o telespectador passa a ser também um pouco “jornalista”, porque poderá exercer algumas das funções que, atualmente, pertencem a esses profissionais. Essas opções possibilitam novas mudanças no modo de recepção da informação, gerando telespectadores mais críticos com relação aos materiais divulgados no programa. As junções dessas alternativas à tecnologia e adaptadas aos dispositivos móveis possibilitará ao telespectador, em determinada situação, dar o furo de reportagem, ou seja, a notícia em primeira mão aos outros receptores. Pode-se citar um exemplo de uma reportagem que retrate o congestionamento de veículos em uma grande Avenida de São Paulo. O motorista que está no engarrafamento, ao acessar essas informações pelo celular, poderá postar dados complementares como, por exemplo, se a situação melhorou e o trânsito começou a fluir ou se o congestionamento está aumentando. Esse processo de retorno das mensagens é importante porque possibilita aos produtores fazer um levantamento de como as informações são vistas pelos telespectadores e também a ter acesso a novos dados.
A utilização da interatividade através dos recursos digitais poderá estar em qualquer programa. Tudo vai depender da forma como as emissoras vão utilizar essa nova tecnologia. Os outros níveis de interatividade também poderão ser disponibilizados. Neste caso, é possível fazer retornar a mensagem, escolhendo entre várias opções; votando, por exemplo. É interessante que essa possibilidade de retornar a mensagem vai significar também, para as TVs, o recebimento de informações sobre o usuário. (CROCOMO, 2007, p. 119)
Outra perspectiva é de utilizar os Feeds RSS, que, atualmente, existem na internet e adaptá-los para a TV digita; assim, essas informações podem ser transmitidas de tempo em tempo no decorrer da programação, sendo substituídas pelos plantões informativos. Por exemplo: no caso do telejornalismo, um texto curto e objetivo com as informações básicas aparece no vídeo através do hipertexto; se o telespectador se interessar em visualizar, receber informações extras e dados complementares, é só acessá-las através dos hiperlinks em seu dispositivo móvel.
As imagens em alta definição em junção a todo esse aparato tecnológico possibilitará aos receptores sentir e ver o mundo de forma mais real navegando na grade com as opções de conteúdos disponíveis dentro da televisão digital interativa.
Teoricamente, uma das mudanças mais importantes é a transformação da proposta de comunicação, que, pensada desde Aristóteles, requer pelo menos três elementos: fonte, mensagem e destinatário. Com a chegada das mídias
digitais, da convergência e da interatividade, um novo elemento pode ser agregado a esse modelo milenar. Agora passa a existir a possibilidade de quatro elementos no processo de comunicação 1) o campo da produção; 2) a mensagem; 3) o campo da recepção; e 4) o campo do retorno interativo, onde o diálogo entre quem produz ou apresenta e quem está vendo, ouvindo ou lendo em tempo real se torna possível a partir da participação dos públicos com suas diferentes culturas e concepções de mundo.(BARBOSA FILHO; CASTRO, 2008, p. 92).