De acordo com Braun e Simonson (2007), as mudanças fisiológicas e psicológicas proporcionadas do período gestacional geram estresse, ansiedade e muito desconforto à gestante. Como mecanismo de combater esses incômodos, a massagem aparece como uma eficiente ferramenta de cuidado e calmaria, podendo proporcionar bem-estar à gestante e seu
bebê, principalmente pelo nível de adequação de atividade e estado emocional da mãe se entrelaçar com os ciclos característicos do filho. Dessa forma, quanto maior a qualidade de vida emocional da mãe, melhor será o vínculo com seu filho.
Apesar de pouco difundida, a massagem direcionada às gestantes vem se tornando cada vez mais frequente em atendimentos específicos, principalmente em clínicas, hospitais e academias. De praxe, os benefícios proporcionados à mãe pela massagem são estendidos diretamente ao bebê. Os resultados obtidos revelam que, no período gestacional, a mulher pode manter sua qualidade de vida e garantir, assim, o equilíbrio entre mente, corpo e espírito (ANDRADE, 2008).
Bavaresco et al. (2011) reforçam que a massagem em gestantes deve ser diferenciada e realizada com seus devidos cuidados. Tem como benefícios: o alivio de dores; relaxamento; redução de edemas; e estimulo para circulação sanguínea e linfática, preparando a grávida para o parto e puerpério.
Mesmo proporcionando benefícios significativos, alguns autores contraindicam a massagem no período gestacional, principalmente nos dois primeiros meses de gestação, pois é um período em que o embrião não se fixou bem no útero. Sendo assim, determinadas manobras realizadas na massagem podem induzir o aborto (ANDRADE, 2008).
Na área hospitalar, exercícios de preparo ao parto auxiliam na respiração e o no relaxamento muscular, constituindo uma importante ferramenta na redução da percepção dolorosa e desconfortos da dilatação e contrações uterinas, garantindo à mulher que esse momento tão especial em sua vida seja humanizado, seguro e satisfatório, desvinculando-se da cultura de dor e sofrimento proposta pela sociedade (BAVARESCO et al., 2011).
Bio (2007) destaca em sua pesquisa a importância em se aplicar exercícios fisioterápicos no trabalho de parto. Na lista “figuras” de seu estudo, o autor destaca imagens que refletem a um momento de automassagem.
Em artigo do Jornal Folha de São Paulo escrito por Collucci (2009), destacam-se os benefícios proporcionados à gestante submetida a massagem durante o trabalho de parto, com ênfase na imagem do esposo massageando a região lombar de sua companheira. Como relevância, essa pesquisa demonstrou que exercícios podem reduzir a dor do parto, o tempo do trabalho de parto, o desuso de fármacos que induzam as contrações uterinas e a redução de cesáreas.
Outra proposta direcionada à gestação é a indução da automassagem, principalmente por essa fortalecer o vínculo da mãe com o filho, amenizando pequenos desconfortos físicos e proporcionando relaxamento e bem-estar. É um verdadeiro treinamento
no que se refere a sentir o próprio corpo e, num momento de autoencontro, percebendo-se e ouvindo suas necessidades (BISCONTI, 2000).
Proporcionar a massagem como um mecanismo essencial de integração entre mãe-bebê numa vivência com gestantes foi uma atividade gratificante e necessária como proposta de cuidado. Esse cuidado se relaciona a uma comunicação íntima e afetiva entre a mãe-bebê, objetivando condicionar uma vida saudável, remetendo a questões que focam o amor materno, a capacidade de amar e os amores calmos e excitados do bebê (LEJARRAGA, 2012).
Mielnik (1993, p. 27) reforça a importância de observar que “o feto existe, no ambiente intrauterino em condições de tranquilidade, calor e aparente inatividade, interrompidas ocasionalmente por alterações passageiras originárias por perturbações do organismo materno”. O mesmo autor destaca a teoria do condicionamento, onde analisa o contexto de como o feto se percebe no ambiente uterino, algo descrito como um momento satisfatório proporcionado pela proteção, calor materno e nutrição.
Mesmo com determinantes favoráveis, esse mesmo espaço pode ser reconhecido como um ambiente de incômodo. Percebendo esse contexto, Mielnik (1993) destaca que o feto capta experiências de suas sensações percebidas e vivenciadas no útero. Através dessa proposta de cuidado, objetivou-se proporcionar à mãe a oportunidade de cuidar e ser cuidada, tanto no momento de massagear a sua barriga e, em outro contexto, perceber os significados de ser massageada, colocando-se no lugar do seu filho e sentindo o que o ambiente uterino pode lhe proporcionar.
Essa capacidade de tocar, sentir-se mãe e colocar-se no lugar de seu bebê instiga outro referencial teórico que fomenta o fortalecimento do cuidado, que é a teoria do apego. Essa teoria está embasada na proposta do vínculo, algo presente em nossa essência e dos animais, pois na realidade nascemos para formar vínculos. Caso esse vínculo não aconteça ou seja rompido, o bebê crescerá com uma pressão exagerada de seus anseios libidinais e com uma propensão para odiar (BOWLBY, 1982).
Lisboa (2011, p. 175) define apego como “um relacionamento ativo, afetuoso,
recíproco, singular, específico e persistente, entre duas pessoas”, mas que ocorre também em
quase todos os animais. Essa relação afetiva entre mãe e filho começa na gestação e, se for adequada até os seis primeiros anos de vida, proporcionará um melhor desenvolvimento físico, mental, emocional e social da criança em todas suas outras fases de crescimento até a vida adulta.
De praxe, o apego é um comportamento que faz parte de nossas vidas, possuindo grande impacto na formação da psique infantil. A teoria do apego vem de uma premissa de que a privação materna, em especial nos primeiros 24 meses de vida, pode trazer danos graves e permanentes à saúde mental do indivíduo. Nos estudos do psicanalista Bowlby, há uma afirmação da existência de uma programação genética que molda os vínculos entre mãe e filho e vice-versa, garantindo, assim, a sobrevivência (COLLIN, 2012).
A polêmica dessa teoria é o fato dos bebês se apegarem sempre a uma figura feminina, sendo a mãe biológica ou alguém do sexo feminino que a substitua. Nela é dada pouca ênfase à figura paterna, sendo alguém sem importância emocional direta para o bebê, exercendo mais a função de provedor. Em virtude dessa teoria, o sentimento de culpa influenciou muitas mães sobre sua ausência no cuidado e apego para com seus filhos. O próprio psicanalista foi contra a institucionalização de crianças em creches, afirmando que a privação materna poderia levar à delinquência juvenil (COLLIN, 2012).
Bowlby (2006) apud Rodrigues; Chalhub (2009) descreve que existe uma forte relação causal de experiências pretéritas do indivíduo com seus pais, principalmente com sua capacidade de fomentar vínculos afetivos em sociedade. Falhas nessa capacidade de se vincular podem ser atribuídas a certas variações comuns na maneira de como os pais executavam seu vínculo com o filho.
Dentre alguns agentes estressores que induzem uma base de ligação ansiosa por medo de perder a figura de relação, temos: “ausência de cuidados e/ou rejeição; descontinuidade da parentalidade; ameaças persistentes por parte dos pais por não amar, como meio de controle; ameaça de abandono, morte ou suicídio e indução de culpa à criança” (BOWLBY, 2006; apud RODRIGES; CHALHUB, 2009, p. 5).
O Manual DSM5 (2014) destaca o transtorno de apego na categoria de transtornos relacionados a trauma e estressores, e transtornos de ansiedade de separação. Indivíduos com esse tipo transtorno apresentam um comportamento apreensivo ou ansioso quanto à separação das figuras de apego, até um ponto específico em que é impróprio para o nível de desenvolvimento satisfatório. Fobia ou ansiedade envolvendo separação de figuras de apego constitui um fator significativo nesse tipo de transtorno.
No contexto da infância, separações ou vulnerabilidades significativas de apego podem induzir na criança comportamentos atípicos de exigência ou agressividade, necessitando de atenção constante. Outras características que surgem como fatores atenuantes são timidez, retraimento social, apatia, tristeza, déficit de concentração, e, dependendo da idade podem apresentar fobias, evasão escolar, dificuldades acadêmicas, isolamento social,
ausência de relações duradouras, raiva, mágoa, ressentimentos e agressão contra o parceiro que quer terminar uma relação. Além disso, podem apresentar uma conduta superprotetora e dependente, com forte tendência a conflitos relacionais e frustações no lar, podendo gerar ressentimentos familiares (DMS5, 2014).