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A sexta e mais recente miniteoria da Autodeterminação diz respeito às formas de envolvimento e às relações pessoais que acontecem entre os indivíduos. A Teoria Motivacional de Relacionamentos foi incorporada à Teoria da Autodeterminação recentemente, e busca entender como os relacionamentos interpessoais podem influenciar na satisfação da necessidade psicológica básica de pertencimento. Segundo a TAD, os relacionamentos interpessoais podem acontecer entre familiares, parceiros românticos e/ou em grupos, e são de boa qualidade aqueles que promovem a satisfação das necessidades psicológicas básicas (autonomia, competência e pertencimento).

Pertencimento, o que tem a ver com o desenvolvimento e manutenção de relações estreitas pessoais, tais como melhores amigos e parceiros românticos, como também pertencentes a grupos, é uma das três necessidades psicológicas básicas. A Relationships Motivation Theory (RMT), sexta miniteoria, está ligada à estas e outras relações, e postula que uma certa quantidade de tais interações não é só desejável para a maioria das pessoas, mas é de fato, essencial para

a sua adaptação e bem-estar, porque as relações proporcionam a satisfação da necessidade de pertencimento. No entanto, a pesquisa mostra que para haver relacionamentos de alta qualidade, é preciso que além da satisfação do pertencimento, a necessidade de autonomia, mesmo que em menor grau, e a necessidade competência, também possam ser satisfeitas. De fato, as relações pessoais de alta qualidade são aquelas em que os parceiros apoiam a autonomia, a competência e a necessidade de pertencimento do outro (Tradução nossa, SELF-DETERMINATION THEORY2).

A Teoria Motivacional de Relacionamentos está relacionada ao desenvolvimento e manutenção de relações entre namorados, amigos e grupos em geral. Entendo que, segundo essa teoria, manter diversas relações pessoais tanto é desejável como essencial para o bem-estar dos indivíduos, pois podem proporcionar a satisfação da necessidade de pertencimento. No entanto, para que relacionamentos tenham boa qualidade, as necessidades de autonomia e de competência também precisam ser satisfeitas.

Há investigações que tratam a dimensionalidade das necessidades psicológicas básicas que buscam explorar o domínio das relações, e entender que o conceito dessas necessidades nos possibilita uma explicação sobre seu mecanismo (COSTA, NTOUMANIS; BARTHOLOMEW, 2015). Assim, buscam compreender como as experiências de relacionamento e vínculo estão diretamente ligadas ao bem-estar pessoal e ao funcionamento das relações.

Outra pesquisa trouxe uma mostra de casais de namorados e afirmou que um maior processamento das emoções internas, revelação emocional ao parceiro e uma maior consciência emocional resultam em uma maior satisfação da necessidade de pertencimento (LA GUARDIA, 2009). Para Leak e Cooney (2001), que também apoiam os resultados de La Guardia (2009), dentro dos relacionamentos, a satisfação da necessidade de autonomia resulta em uma maior satisfação com o compromisso e com o relacionamento.

2 Relatedness, which has to do with the development and maintenance of close personal relationships

such as best friends and romantic partners as well as belonging to groups, is one of the three basic psychological needs. Relationships Motivation Theory (RMT), the sixth mini-theory, is concerned with these and other relationships, and posits that some amount of such interactions is not only desirable for most people but is in fact essential for their adjustment and well-being because the relationships provide satisfaction of the need for relatedness. However, research shows that not only is the

relatedness need satisfied in high-quality relationships, but the autonomy need and to a lesser degree the competence need are also satisfied. Indeed, the highest quality personal relationships are ones in which each partner supports the autonomy, competence, and relatedness needs of the other.

Portanto, é importante percebermos o quanto as relações pessoais e a satisfação da necessidade psicológica básica de pertencimento são indispensáveis para o desenvolvimento saudável das relações de vínculo e para o bem-estar de todos os indivíduos. A motivação se torna um fator importante a partir do momento que esclarece as condições que promovem motivação intrínseca e as formas autodeterminadas da motivação extrínseca. Visualizo, também, a importância das formas de interação do professor, regente ou líderes de grupos musicais e de Teatro Musical como uma das principais fontes de influências sobre os alunos e participantes, pois suas crenças podem refletir diretamente nas orientações motivacionais autodeterminadas, podendo ser conhecidas e buscadas para maior promoção da motivação autônoma.

A literatura sobre a TAD tem aumento relevantemente nos últimos anos. A Teoria da Autodeterminação tem despertado um crescente interesse em pesquisadores, o que resultou em estudos nacionais e internacionais (CERESER; HENTSCHKE, 2009). Essa fundamentação teórica fornece uma base de dados capaz de gerar novas possibilidades que representem fenômenos observados na avaliação da motivação em diferentes tarefas de diversos contextos.

No próximo capítulo, abordo os seguintes pontos: as contribuições de pesquisas que foram desenvolvidas no Brasil e em outros países com a temática de Educação Musical e Motivação; uma breve apresentação da trajetória histórica do Teatro Musical no Brasil e de trabalhos desenvolvidos dentro dessa temática, como também a sua perspectiva educacional e a carência de pesquisas no campo do Teatro Musical e, ainda, a motivação nesse contexto.

3 CONTRIBUIÇÕES TEÓRICAS: EDUCAÇÃO MUSICAL, TEATRO MUSICAL E MOTIVAÇÃO

Neste terceiro capítulo, apresento as principais contribuições teóricas que fundamentam esta pesquisa, buscando abordar e esclarecer conceitos que permeiam o estudo, assim como apontar os autores e ideias que nos possibilitam uma reflexão teórica acerca do objeto escolhido. Portanto, este capítulo tem por objetivo explicitar as ideias que introduzem e envolvem a pesquisa, como também mostrar a inter- relação entre Educação Musical, Teatro Musical e Motivação.

Benzer Belgeler