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Kişisel Gelişim Eğitimi Alma Değişkeni İçin Yapılan Karşılaştırmalar

5. BULGULAR

6.1. TARTIŞMA-SONUÇ

6.1.6. Kişisel Gelişim Eğitimi Alma Değişkeni İçin Yapılan Karşılaştırmalar

Dos gregos, herdamos as duas primeiras e mais influentes concepções de cientificidade: o racionalismo, que poderíamos associar aos nomes de Pitágoras e Platão

e o empirismo alinhado à medicina grega e relacionado aos nomes de Empédocles e Aristóteles; principalmente e, durante muito tempo na história da ciência, prevaleceu a ideia de que ela se baseava somente nesses pressupostos (Chalmers, 1994: 41-42).

No entanto, a partir dos anos 1930, as abordagens dos estudos da área de história e filosofia da ciência começaram a considerar outros aspectos igualmente importantes no processo de construção da ciência, entre esses, os fatores sociais e políticos do contexto histórico em que atuavam os cientistas. Uma das questões que motivou a revisão dos estudos sobre ciência foi a capacidade de interpretação dos dados por parte da comunidade científica, bem como os limites do experimentalismo.

Como era possível que a ciência, uma atividade racional não apresentasse unanimidade e homogeneidade? O que levava diversas comunidades científicas a elaborarem explicações teóricas diferentes entre si, apesar de partirem dos mesmos dados? (Gavroglu, 2007: 210). Assim, para compreender a história do desenvolvimento cientifico era imprescindível investigar outros fatores presentes no processo de formulação de teorias científicas.

Por um lado, a historiografia passou a analisar como a sociedade, a política e a economia de uma determinada época atuaram sobre a ciência. Conhecidos como estudos “externalistas”, podemos aqui destacar os trabalhos de Robert Merton (1984) sobre a relação entre a ética protestante e a Revolução Científica do século XVII. O autor escreveu um estudo pioneiro sobre as relações sociais e a ciência, as diferenças no recrutamento de profissionais das ciências e das humanidades e as peculiaridades do momento histórico em que ocorria o processo de institucionalização do conhecimento científico (Merton, 1984).

Outro estudo importante nessa área foi As bases metafísicas da ciência moderna, de Edwin Burtt (1991), cujo principal objetivo foi esclarecer os pressupostos filosóficos da ciência moderna, estabelecidos nos séculos XVI e XVII, com Galileu e Newton. A principal contribuição do autor é sugerir, ainda em meados dos anos 1930, em oposição ao Círculo de Viena,97 que a própria ciência é metafísica, ou, pelo menos, é       

97 O Círculo de Viena surgiu nas duas primeiras décadas do século XX, sendo responsável pela criação de uma corrente de pensamento intitulada positivismo lógico, que tentava buscar nas ciências a base de fundamentação de conhecimentos verdadeiros. Esse movimento surgiu na Áustria, como reação à

“contaminada” pela metafísica. No intuito de investigar o contraste entre o pensamento medieval e o moderno com respeito as suas concepções da relação do homem com seu ambiente natural, Burt concluiu que, apesar de a ciência moderna se fundamentar em pressupostos racionais e objetivos, elementos metafísicos ainda definem seus aspectos. Segundo o autor:

Os fundadores da filosofia da ciência [moderna] estavam absortos no estudo matemático da natureza. Tendiam a evitar cada vez mais a metafísica, até onde podiam; quando não puderam evita-la, ela tornou- se um instrumento para a sua ulterior conquista matemática do mundo. Qualquer solução das questões fundamentais que continuaram a aflorar, não importando quão superficiais e inconsistentes, que servisse para acalmar a situação, para dar uma resposta plausível às suas indagações nas categorias com quem estavam agora familiarizados e, acima de tudo, para abrir diante deles um terreno livre para sua exploração mais completa da natureza, tendia a ser prontamente aceita e guardada com uma confiança que dispensava críticas. (Burt: 1991, 241)

Por outro lado, estudos empreendidos por historiadores como Rupert Hall98 e Alexandre Koyré, denominados “internalistas” passaram a ser cada vez mais recorrentes. Apesar de não levarem em conta a influência dos fatores sociais, políticos e econômicos sobre o desenvolvimento das ideias científicas, os estudos dessa geração trouxeram novas perspectivas para os trabalhos de história e sociologia da ciência. Esses pesquisadores estavam interessados na história intelectual da ciência. Dessa forma, procuravam investigar a influência das ideias advindas do contexto cultural mais amplo (filosofia, religião, astrologia, magia), sobre as ideias científicas.

Merece destaque o livro Do mundo fechado ao universo infinito, de Alexandre Koyré (1979), cujo principal objetivo foi traçar as etapas da revolução entre os séculos XVI e XVII a partir das análises dos grandes textos clássicos de Nicolau de Cusa, Bruno e Copérnico, Kepler e Galileu, Descartes, Leibniz e Newton. A escolha desses textos foi definida principalmente por terem eles modificado os fundamentos e os       

filosofia idealista e especulativa que prevalecia nas universidades alemãs. O objetivo do grupo era demonstrar que o conhecimento possui valor de verdade devido à sua vinculação empírica, isto é, o conhecimento científico é verdadeiro na medida em que se relaciona, em alguma dimensão, à experiência. Contudo, esses filósofos compreendiam que não se pode abandonar a lógica e a matemática, com o avanço que elas obtiveram na virada do século. Seus principais representantes foram Philipp Frank (1884- 1966) e Rudolf Carnap (1970- ). Em 1929, Carnap e seus colegas publicaram um manifesto intitulado A concepção científica do mundo: o círculo de Viena.

próprios quadros de pensamento, inaugurando o que ficou conhecido como ciência moderna. A obra trata da "destruição do Cosmos", isto é, do mundo concebido como um todo finito e bem ordenado, de acordo com a concepção aristotélica do espaço, e a sua substituição pela concepção da geometria euclideana, que considera o espaço como extensão necessariamente homogénea e infinita. Para Koyré, a destruição do cosmos deve ser entendida como:

[...] a destruição do mundo concebido como um todo finito e bem ordenado, no qual a estrutura espacial encarnava uma hierarquia de valor e de perfeição, mundo no qual, "acima" da Terra pesada e opaca, centro da região sublunar da mudança e da corrupção, se "elevavam" as esferas celestes dos astros impoderáveis, incorruptíveis e luminosos, e a substituição deste por um universo indefinido, e até mesmo infinito, não suportando já nenhuma hierarquia natural e unido apenas pela identidade das leis que o regem em todas as suas partes, assim como pela dos seus componentes últimos, colocados, todos eles, ao mesmo nível ontológico (Koyré, 1979: 11).

Segundo o autor, a nova cosmologia no século XVII provocou a substituição do mundo geocêntrico dos gregos por um universo descentrado. O homem passou então de espectador da natureza a seu mestre e possuidor, sendo, portanto, obrigado a modificar e adaptar as suas concepções fundamentais e as próprias estruturas de pensamento.

Apesar de tratarem de maneira crítica a ciência, muitos desses estudos não se dedicaram à análise da metodologia da atividade científica, ou melhor, sobre o fazer ciência.

A partir da década de 1960, com o trabalho pioneiro de Thomas Kuhn,99 A estrutura das revoluções científicas (2006), a história da ciência passou a se dedicar a       

99 Thomas Samuel Kuhn (1922-1996). Doutor em física pela Universidade de Harvard, acabou se tornando um importante teórico sobre epistemologia da ciência. Após obter o doutorado, em 1952, Kuhn ministrou um curso sobre ciências da natureza para estudantes da área de ciências humanas. O curso foi fundamental para a elaboração da obra Estrutura das revoluções científicas, pois precisou analisar diversos casos da história da ciência no intuito de transmitir aos estudantes uma visão sobre o modo como as teorias científicas surgem, e, ao longo dos anos, acabam sendo substituídas por outras. Começou, então, a constatar que a história tradicional não era um processo contínuo, linear e progressivo como a historiográfica clássica sobre o assunto determinava. Outro fator que influenciou seu trabalho foi o período no qual atuou como pesquisador convidado em um centro de pesquisa em ciências humanas na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Foi nesse período que formulou o conceito do paradigma. Por fim, Kuhn dialoga com outros autores já citados aqui tais como Alexandre Koyré e Imre Lakatos. Cf. Kuhn, Thomas, 2012.

narrativas históricas concretas e ao processo dinâmico pelo qual o conhecimento científico é adquirido, avaliado, reconhecido e substituído. De forma mais ampla, o trabalho de Kuhn preocupou-se em analisar o processo de institucionalização da ciência. A obra provocou discussões não só em âmbito teórico como também foi decisiva para a formação de novas características da linguagem das comunidades dos historiadores e filósofos da ciência (Gavroglu, 2007: 208).

Em linhas gerais, Kuhn concebe o desenvolvimento da ciência como uma sucessão de períodos de ciência normal, em que o desenvolvimento é cumulativo, intercalados por períodos de crise–revolução. Nesses períodos, os repetidos esforços de se ajustar os fatos à teoria vigente, ou de se refiná-la, de forma a assimilar os fatos, revelam-se infrutíferos. A busca de uma solução acaba por promover mudanças conceituais tão profundas que assinalam uma ruptura com a antiga teoria, configurando a chamada revolução científica. A “ciência normal” é compreendida por Kuhn como

[...] a pesquisa firmemente baseada em uma ou mais realizações científicas passadas. Essas realizações são reconhecidas durante algum tempo por alguma comunidade científica específica como proporcionando os fundamentos para a sua prática posterior. (Kuhn, 2006: 29).

Para o autor, portanto, o desenvolvimento das ciências tem se caracterizado a partir de duas situações. Na primeira, o empreendimento científico se dá sob a previsão de um paradigma, isto é, conjunto de definições, conceitos, leis, modelos, teorias, instrumentais e valores compartilhados pelos praticantes de uma determinada comunidade científica. Durante algum tempo, um determinado paradigma define o campo de pesquisa e orienta a investigação científica. Ainda de acordo com o autor, os períodos de ciência normal são caracterizados por uma profunda adesão da comunidade científica a um paradigma. Sendo, portanto, considerados momentos em que prevalece uma atividade científica demasiadamente conservadora, marcada por uma adesão incondicional e dogmática àquele paradigma. Ainda segundo o autor essa rigidez da ciência normal é necessária e fundamental para o desenvolvimento científico.

Assim, quando um paradigma é aceito pela comunidade científica, ele é usado “em grande parte [como] uma promessa que pode ser descoberta em exemplos selecionados e ainda incompletos” (Kuhn, 2006: 44). Cabe, então, à ciência normal

atualizar essa promessa. A teoria de Copérnico, por exemplo, segundo o autor, foi refinada e ampliada pelos trabalhos de Kepler. Contudo, pode ocorrer, ainda no período de desenvolvimento da ciência normal, um significativo aumento de diversas anomalias que os profissionais já não conseguem mais explicar. Nesse momento, os cientistas deixam de se basear no paradigma dominante para solucionar os problemas-puzzle (Kuhn, 2006: 79). Esse período, intitulado de crise ou pré-ciência, geralmente antecede e conduz a uma revolução científica.

As revoluções científicas são episódios extraordinários nos quais ocorre uma alteração de compromissos. Segundo o autor, isso ocorreu com Copérnico, Newton, Lavoisier e Einstein. “Cada um deles forçou a comunidade a rejeitar a teoria científica anteriormente aceita em favor de uma outra incompatível com aquela” (Gavroglu, 2007: 211). Como consequência, cada um desses episódios produziu uma alteração nos problemas e nos padrões pelos quais aquele paradigma determinava o que deveria ser considerado como um problema ou como uma solução de um problema legítimo. A nova teoria necessariamente implica uma mudança nas regras que governam a prática anterior do paradigma que prevalecia na intitulada ciência normal.

Por isso uma nova teoria, por mais particular que seja seu âmbito de aplicação, nunca ou quase nunca é um mero incremento ao que já é conhecido. Ela não é um acréscimo às teorias anteriores. Ao contrário, necessita de novas reformulações e hipóteses adversas às que existiram antes, na medida em que partem para explicar as inúmeras anomalias reconhecidas. Começa, portanto, um novo processo de análise dos materiais, de criação de novas teorias precedentes, novos instrumentos para mensurar os dados. Daí vem, segundo o autor, a dificuldade em determinar as origens desse processo revolucionário, pois ele não ocorre de maneira rápida, articulada e programada. Esse processo, inclusive, pode ser longo.

A obra de Kuhn exige que os historiadores da ciência fiquem mais atentos para os procedimentos e métodos da ciência, em especial para o estudo das diversas práticas dos cientistas quando esses funcionam no quadro da ciência normal. Contudo, cabe lembrar que o modelo de Kuhn fundamenta-se basicamente na concepção de que os períodos de ciência normal e ciência extraordinária se alternam e que, somente nos momentos pré-paradigmáticos, a ciência é praticada sem que haja consenso entre os

cientistas. Esses momentos, segundo Kuhn, são marcados por intensa competição entre as diversas concepções estruturantes da prática científica. Porém, ao contrário do que afirma o autor, veremos mais adiante que, na chamada ciência normal, também há controvérsias e conflitos. E, mais, que os modelos de explicação dos fenômenos da natureza podem coexistir em um mesmo período histórico.

Um importante crítico dos modelos conceituais criados para explicar o processo de constituição da ciência foi Feyerabend100. Inserida em um amplo diálogo com Popper (1902- 1994)101, Imre Lakatos (1922-1974) 102 e outros filósofos da ciência, a obra Contra o método propõe uma reflexão acerca do estatuto do conhecimento       

100 Paul Karl Feyerabend (1924-1994) ficou conhecido mundialmente como importante crítico da validade epistemológica da metodologia científica. Quando estudante de física na Universidade de Viena, teve contato com alguns físicos que influenciaram seus trabalhos, entre esses Felix Ehrenhaft (1879-1952). Suas experiências de medição de cargas elétricas não coincidiam com as teorias existentes até então e, justamente por isso, Ehrenhaft tinha muita dificuldade em convencer a comunidade científica sobre a veracidade de seus experimentos. Anos mais tarde, em 1948, foi ao primeiro encontro do seminário internacional de verão da Austrian College Society, em Alpbach, onde conheceu Karl Popper. Em 1955, recebeu sua primeira indicação acadêmica para a Universidade de Bristol, Inglaterra, onde ocupou-se de leituras sobre filosofia da ciência. Mais tarde trabalhou como professor em Berkeley, Yale, Londres e Berlim. Durante este período, desenvolveu uma visão crítica da ciência, a qual mais tarde descreveria como "anarquista" ou "dadaísta” para ilustrar sua rejeição ao uso dogmático das regras.

101 Karl Popper (1902-1994), austríaco naturalizado britânico, estava preocupado com as delimitações entre ciência e pseudociência. Ficou conhecido pela ideia de "racionalismo crítico" para descrever a filosofia da ciência e rejeitar a ideia do empirismo e observacionalismo-indutivista da ciência. Popper argumentou que não era possível confirmar a veracidade de uma teoria pela simples constatação dos resultados de uma previsão efetuada. O que a experiência e as observações do mundo real podem e devem tentar fazer é encontrar provas da falsidade daquela teoria. Esse processo de confronto da teoria com as observações poderá provar a falsidade da teoria em análise. Em outras palavras, uma teoria científica pode ser falsificada por uma única observação negativa, mas nenhuma quantidade de observações positivas poderá garantir que a veracidade de uma teoria científica seja eterna e imutável. Alguns consideram este aspecto fulcral para a definição da ciência, chegando a afirmar que "científico" é apenas aquilo que se sujeita a este confronto. Por isso a ideia de que ciência deve se enquadrar em determinados modelos. Sua principal obra é A lógica da descoberta científica, escrita em 1934 (Chalmers, 1994:15-16). 102 Imre Lakatos (1922-1974) foi um filósofo da matemática e da ciência. Nasceu na Hungria e foi membro da resistência à ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Depois da guerra, trabalhou na política e foi preso por três anos por comunistas. Saiu da Hungria, foi para Inglaterra e acabou, em Londres, trabalhando com Popper; elaborou a teoria da metodologia de programas de pesquisa científica em contrapartida às ideias de Kuhn. O objetivo de Lakatos era determinar as condições universais sobre as quais uma teoria é científica. Lakatos classifica os programas de investigação em progressivos (que prometem mais resultados, cobrem maior conteúdo, apresentam soluções mais simples) ou degenerativos (que parecem levar a poucos resultados e, finalmente, à estagnação), mas isso não impede que alguns cientistas prefiram permanecer num programa degenerativo. Além disso, um programa degenerativo pode se tornar progressivo com alguns rearranjos. Uma falsificação demanda a existência de várias alternativas (proliferação de teorias) e nunca é exatamente definitiva, pois os cientistas podem simplesmente modificar as teorias auxiliares, substituí-las por outras, ou fazer uma adaptação ad hoc. A única racionalidade advogada é que é preferível (mais racional) pesquisar por um programa progressivo. Todas essas manobras são compatíveis com a história das ciências e, não sem razão (acrescida de uma certa dose de ironia), Feyerabend trata a proposta de Lakatos por “anarquismo disfarçado”. Cf. Chalmers, Alan. op. cit. p. 16 e Feyerabend, Paul, 2007.

científico. Ele é contrário a toda epistemologia que procura não só descrever, mas também prescrever uma única metodologia para a ciência.

Há, é claro, uma diferença muito notável entre as regras de teste “reconstruídas” por filósofos da ciência e os procedimentos que os cientistas usam na pesquisa real. Essa diferença fica aparente com o exame superficial. No entanto, o mais superficial exame também mostra que determinada aplicação de métodos de crítica e prova, que se diz pertencerem ao contexto da justificação, eliminaria a ciência como a conhecemos – e jamais teria permitido que surgisse (Feyrabend, 2007: 208).

Nessa breve citação fica evidente a censura que o autor dirige a certas regras metodológicas, com o intuito de liberar os cientistas das exigências de filósofos da ciência. Também atenta ao fato de que outros fatores culturais e ideológicos podem interferir no processo de produção de uma teoria. Assim, para o autor, a história da ciência está repleta de momentos nos quais as metodologias determinantes foram deixadas de lado em prol desta mesma ciência. E mais, segundo o autor, o progresso científico ocorreu nos momentos em que houve uma violação da regra geral que movia aquele saber. Ele afirma que “uma ciência que paute pelo bem ordenado só alcançará resultados se admitir, ocasionalmente, procedimentos anárquicos (Feyrabend, 2007: 30)".

Para o autor, um procedimento anárquico vincula-se à extrapolação dos pressupostos e conceitos circunscritos a um modelo científico, o que é bem diferente de abandonar a regra metodológica. O propósito, portanto, é mostrar que na ciência “Tudo vale!”. Ou seja, todas as metodologias possuem suas limitações, o que implica afirmar que elas não podem ser tomadas sempre como princípio válido e correto.

No intuito de demonstrar que o conformismo e a metodologia única, baseada, por exemplo, no racionalismo têm seus limites, o autor realizou uma extensa análise do julgamento de Galileu no século XVII promovido pela Igreja Católica sobre suas posições em relação à teoria de Copérnico e demonstrou que o genovês “desarmou” e não refutou o sistema antigo utilizando-se de artimanhas, apelos e analogias.

Para começar a refutar a tese estabelecida, Galileu precisou mudar o sentido e a observação referencial sem alterar o que estava em voga – o objetivo era provar para as

pessoas que os sentidos não podem ser tomados como realidade. Galileu também alterou as sensações que pareciam ameaçar a teoria de Copérnico. Para tanto, utilizou o telescópio para demonstrar que as coisas ali vistas se ajustavam perfeitamente à teoria copernicana, ao passo que contradiziam a experiência antiga (Feyrabend, 2007: 153). Assim, para submeter a nova teoria de Copérnico, foi necessário e imprescindível que se abandonasse as concepções de astronomia previstas até então. E, mais, utilizando outros métodos que não os argumentos racionais que existiam até aquele momento. Ainda, segundo o autor, as novas ideias de Copérnico só foram aceitas, pois representavam progresso em outras áreas, como, por exemplo, poderiam representar uma sociedade livre e pluralista.

Finalmente, o julgamento de Galileu levanta importantes questões sobre o resultado dos trabalhos de especialistas e a sua relação com o racionalismo dos métodos científicos, diz ele, “se levados de volta ao início do século XVII, esses defensores da racionalidade teriam julgado Galileu como os aristotélicos então o julgavam” (Feyrabend, 2007: 185). Ou seja, a Igreja, para o autor, não foi a grande vilã no processo de julgamento de Galileu, ao contrário, as posições adotadas por ela foram, em muitos aspectos, as mesmas adotadas por diversas epistemologias científicas. De maneira geral, a Igreja tentou evitar que uma teoria científica possível, mas não provada fosse apresentada como verdadeira e causasse polêmica ideológica desnecessária.

As críticas de Feyerabend sobre o status da ciência e a crença isenta nas

Benzer Belgeler