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4. BULGULAR VE YORUMLAR

4.1 Kişisel Bilgiler ve Tercih Formuna İlişkin Bulgular ve Yorumlar

Essa iniciativa foi importante, entre outras razões, porque, ao lado da metropolização, principal característica da urbanização brasileira nas décadas de 1960 e 1970, o país passou por inúmeras transformações urbanas, a partir dos anos 1980, quando cresce- ram e/ou se alteraram, também, os papéis das cidades médias e locais. Tudo isso promoveu a quebra de paradigmas e incitou revisões que dessem conta da complexidade da realidade atual. Indubitavelmente, uma das vias de reconhecimento das mudan- ças é a compreensão de como se processa a produção dos espaços urbanos não metropolitanos, aqui incluídas as cidades médias. Com a generalização do fenômeno da urbanização da sociedade e do território, que o Brasil atingiu no final do século XX, a rele- vância dos estudos sobre essas cidades foi reforçada.

A pesquisa tem8 como objetivos principais: (a) analisar

as diferentes funções desempenhadas pelas cidades médias escolhidas para estudo; (b) avaliar as diferenças entre elas, dis- tinguindo as que mais rapidamente se modernizam daquelas que mantêm papéis regionais herdados de período histórico anterior; (c) consolidar os programas de pós-graduação que a realizam, aos quais pertencem os pesquisadores da rede; e (d) contribuir para o adensamento da reflexão teórica sobre a noção de cidade média e ampliar os conhecimentos sobre os assentamentos urbanos assim denominados, em diferentes regiões brasileiras,

8 Embora esta seja a terceira publicação com os resultados da pesquisa, ela tem continuidade, em função de sua amplitude e das questões levantadas na etapa já realizada, razão pela qual adotamos, em várias passagens desta apresentação, os verbos no presente.

e, consequentemente, ter uma melhor compreensão do Brasil a partir de algumas de suas partes, oferecendo-se, ainda, elementos para compará-lo a outros países do Cone Sul – Argentina e Chile.

De maneira geral, a pesquisa busca: conhecer as dinâmicas de estruturação urbana e regional das cidades e, ao mesmo tempo, compará-las entre si; avaliar os níveis de determinações decorrentes da atuação de novos agentes econômicos; elaborar o pensamento com base não apenas em recortes territoriais (escala cartográfica), mas também a partir das articulações entre diferentes dimensões e níveis de organização espaciais (escala geográfica), verificando os fluxos que articulam as cidades médias aos espaços regionais, nacionais e supranacionais. O recorte temporal considerado compreende o período da década de 1980 até o presente.

Temas, eixos e variáveis

Para que o leitor tenha alguns elementos para avaliar o que se apresenta nesta publicação e nas que lhe sucederão, parece-nos importante oferecer informações essenciais sobre a estrutura do projeto. Como fundamentos de método, impôs-se a escolha dos temas norteadores: (1) difusão do agronegócio; (2) a descentrali- zação espacial da produção industrial; (3) a difusão do comércio e dos serviços especializados; e (4) o aprofundamento das desi- gualdades socioespaciais.

A eleição do primeiro tema, ligado à difusão do agronegócio, como pode depreender o leitor, demonstra a necessidade de se desenvolver um olhar acurado para as novas relações entre o urbano e o rural, indicando que os estudos da rede não se res- tringem às cidades, pois tais relações exigem que observemos suas articulações com o campo. No que tange ao segundo tema, a realização da pesquisa mostrou que as dinâmicas de concen- tração econômica e de centralização do comando e da decisão,

observadas no setor industrial, não oferecem elementos para se reconhecer efetiva descentralização espacial. Com a seleção do terceiro, procuramos analisar a tendência de expansão geográfica dos grandes e médios capitais do setor comercial e de serviços. O quarto e último tema foi escolhido para tratar de dinâmicas que não são exclusivas das cidades médias, mas que têm sido nelas observadas, segundo particularidades e ritmos que lhes são peculiares.

Com os três primeiros temas, pretendíamos cobrir o conjunto das atividades econômicas, tendo como objetivo selecionar, em relação a eles, os ramos de atividades e as dinâmicas que nos pareciam mais significativas para compreender as alterações profundas ensejadas pelos ajustes observados no modo capitalista de produção desde o último quartel do século XX.

Além disso, ao priorizarmos a análise dessas dinâmicas, valorizamos suas dimensões espaciais e buscamos apreender as relações entre elas, pois a difusão do agronegócio, por exemplo, não pode ser compreendida estritamente no âmbito do setor primário da economia. Tampouco a desconcentração da ativi- dade industrial resulta apenas de interesses e determinações restritas ao setor secundário da economia, haja vista a ampliação dos processos de transformação industrial da produção agrícola, bem como dos interesses financeiros e dos entrecruzamentos, por meio da formação dos grandes grupos econômicos, com as atividades de comercialização dessa produção.

No que toca ao terceiro tema, o foco nas atividades econô- micas associadas ao setor terciário da economia também não implica interesse ou possibilidade de estudar todas elas, mas sim de selecionar aquelas que nos pareceram as mais importantes para compreender as dinâmicas atuais, quando seus rebatimentos sobre as cidades médias são mais expressivos.

Esses três temas indicam, de modo muito claro, que nossa escolha recaiu sobre a valorização da dimensão econômica, o que

não significa, no entanto, o seu tratamento sem a consideração de outras dimensões, como a política, a social, a ambiental e a cultural, quando isso se fez imperioso.

As mudanças econômicas que, embora com vetores e inten- sidades diferentes, propiciam maior articulação entre as cidades médias e os circuitos econômicos mais capitalizados das escalas nacional e internacional geraram, por sua vez, transformações significativas nas formas de estruturação dos espaços urbanos, num processo de mão dupla, pois as novas demandas econômicas exigem alterações nas formas e conteúdos do espaço, e as novas morfologias favorecem a atuação dos grandes capitais. A eleição do quarto tema pareceu-nos, assim, imprescindível para tratar da dimensão social, ainda que considerando as determinações econômicas da reestruturação dos espaços urbanos estudados. Por essa razão, demos ênfase à dinâmica de aprofundamento das desigualdades, reconhecendo a íntima relação entre o social e o espacial, quando se trata das cidades.

Definidos os temas, passamos à tarefa de desenvolvimento da metodologia e, para tal, planejamos as atividades de levanta- mento, organização e sistematização das informações e dos dados, segundo quatro eixos, cada um deles composto por diversas variáveis: (1) ramos de atividades econômicas representativas da atuação dos novos agentes econômicos; (2) equipamentos e infraestruturas; (3) dinâmica populacional e mercado de trabalho; e (4) condições de moradia.

No eixo 1, buscamos reunir variáveis que interessassem aos quatro temas, oferecendo elementos para reconhecer quais seriam as empresas e/ou grupos econômicos que já atuavam ou, mais recentemente, passaram a atuar nas cidades médias em estudo, alterando mais ou menos seus papéis e intensificando suas arti- culações interurbanas. O segundo eixo estruturador pautou-se pelo esforço na obtenção de dados que oferecessem um quadro de contextualização aos quatro temas escolhidos. As informações

relativas ao terceiro eixo visavam a organizar as variáveis relati- vas às bases materiais existentes nas cidades estudadas, capazes de apoiar ou denotar o desenvolvimento de mudanças em seus papéis econômicos. Tais variáveis também ofereceriam elementos para tratar do quarto tema da pesquisa. Em relação a ele, o eixo condições de moradia orientou-nos, no que concerne ao conjunto de variáveis selecionadas, para apreender como a atuação dos agentes responsáveis pelas dinâmicas tratadas nos temas 1, 2 e 3 se expressa ou não por meio do aprofundamento das desigualda- des socioespaciais. A moradia foi escolhida tanto para propiciar a apreensão da dimensão social dos processos, conforme já desta- cado, como pelo fato de que é esse uso de solo – o residencial – que ocupa a maior parte da cidade, revelando-se, atualmente, numa divisão social do espaço cada vez mais complexa.9

Esses eixos e suas variáveis compõem o escopo da metodo- logia, que constituiu ponto fundamental para a condução dos investigadores da rede. Como vínhamos de trajetórias de forma- ção diferentes e muitos de nós adotávamos perspectivas teóricas e conceituais diversas, era preciso haver algo que nos articulasse, de modo que não desenvolvêssemos várias pesquisas, mas, sim, uma única sobre o mesmo tema, e que ela obedecesse a um importante princípio, não só da Geografia como de outros campos científi- cos, o da comparação.

Esse ponto de partida pareceu-nos essencial porque se, de um lado, pretendemos denotar o que é particular às cidades médias no contexto atual da urbanização, totalidade que expressa o uni- versal desse processo, de outro lado, temos interesse em revelar suas singularidades, escapando a qualquer nível de generalização que a expressão cidades médias pode sugerir e o enseja.

9 Foram selecionadas cerca de 35 variáveis para serem analisadas em cada cidade. Um maior detalhamento sobre os temas, eixos e variáveis da pesquisa pode ser visto em Sposito (2007).

Esforçando-nos para ter clareza sobre as distinções e arti- culações entre temas, eixos, variáveis e princípio orientador da investigação científica, a ReCiMe pautou-se em dois níveis que embasam nossa organização em rede: o interesse na compreensão das peculiaridades das cidades médias e a metodologia elaborada para a pesquisa.

Temas, eixos e variáveis foram pensados a partir de um con- junto de questões norteadoras que revelavam, no momento da elaboração do projeto, um rol de observações que nos sensibiliza- vam. Foram assim elencados, tomando-se como base, sobretudo, a realidade do Centro-Sul do Brasil, onde estava a maior parte dos que nucleavam a rede. À medida que pesquisadores do Nordeste e da Amazônia, bem como aqueles da Argentina e do Chile, foram se incorporando à rede e colocando em consecução o trabalho, vimos que a presença ou a ausência das variáveis nas cidades estu- dadas, e não apenas a presença maior ou menor delas, tende a ser elemento importante para apreender as diferenças de formação socioespacial e de níveis de articulação das regiões que as cidades médias representam com a economia nacional e internacional.

Essa constatação já indica que ajustes, supressões e amplia- ções no temário e na metodologia têm sido necessários, tanto para dar continuidade às atividades da rede, quanto para permitir a inclusão de outros pesquisadores que tiverem interesse em adotar a mesma perspectiva analítica e procedimentos metodológicos semelhantes.

Benzer Belgeler