a) Fundo Penitenciário Nacional (FunPen)
O Fundo Penitenciário Nacional (FunPen) é um fundo financeiro, gerido pelo Departamento Penitenciário Nacional, criado pela Lei Complementar nº 79, de 7 de janeiro de 1994. Seu principal objetivo é subsidiar financeiramente as diversas atividades e programas de melhoria e fortalecimento do sistema penitenciário em todo o país.
Os recursos que o compõem, de acordo com o art. 2º, da Lei de criação, são oriundos de diversas fontes, tais como: orçamento da União; doações e contribuições de entidades nacionais e estrangeiras; recursos provenientes de convênios e outros acordos; recursos confiscados ou provenientes de bens perdidos em favor da União; multas decorrentes de sentenças; fianças quebradas ou perdidas; 50% de custas judiciais; frações de valores advindos de loterias; etc.
No art. 3º são definidas as destinações, de forma genérica, do recursos disponíveis no Fundo, voltados para a implantação de novas unidades penitenciárias, melhoria da gestão, inovação de práticas, qualificação técnica do pessoal penitenciário e custeios. Tais recursos deverão ser repassados por meio de convênios e acordos, baseados na Lei 8666, de contratos e licitações para a administração pública, e fundamentados em resoluções e decretos específicos e termos de referência técnico-metodológicos, atualizados e publicados a cada tempo pelo órgão federal.
O Decreto nº 1093, de 3 de março de 1994, regulamentou o FunPen, incorporando ao texto legal original diretriz para aplicação dos recursos também na formação, aperfeiçoamento e especialização de pessoal penitenciário.
Anualmente são estabelecidas diretrizes para concessão de recursos financeiros do FunPen, estabelecendo critérios técnicos e metodológicos que
norteiam a elaboração e o encaminhamento de projetos por parte dos proponentes (Estados, municípios e entidades de direito privado e sem fins lucrativos).
Tanto o Departamento Penitenciário Nacional, quanto, o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, deliberam e oferecem orientações pertinentes à aplicação dos recursos do FunPen e definem um traçado a ser seguido pelas instituições proponentes, que buscam apoio junto ao Ministério da justiça.
Entre 2002 e 2006, o FunPen financiou ações e programas, em âmbito nacional e nos Estados e no Distrito Federal, que contemplaram a reestruturação de unidades penais, construção de novas penitenciária, qualificação de pessoal em serviços penais, implantação de programas para atendimento a egressos, implantação de programas de acompanhamento às penas e medidas alternativas e custos de manutenção. Nesse período houve um investimento, em valores liquidados, de cerca de R$ 625.000 milhões, como pode ser visto na tabela a seguir:
Tabela 3 - Execução orçamentária do FunPen, destinado à reestruturação e à modernização do Sistema Penitenciário Nacional Exercício Valor orçado Valor empenhado Valor liquidado
2002 204.805.760 126.544.567 126.544.567
2003 217.519.757 121.397.744 121.397.744
2004 202.149.835 146.103.513 146.103.513
2005 271.982.827 158.534.718 158.534.718
2006 143.208.213 201.660.301 72.239.194
Fonte: Departamento Penitenciário Nacional – Adaptado dos relatórios das Leis Orçamentárias Anuais de 2002, 2003, 2004, 2005 e 2006.
Em relação ao biênio 2004-2005, em especial, o FunPen destinou, aos Estados, o valor total de R$ 268.449 milhões (R$ 134.076 milhões para 2004; R$ 134.373 milhões para 2005), para a construção e a ampliação de estabelecimentos penais, representando 88% do valor total empenhado. Já os valores destinados à assistência ao condenado, à família, ao egresso e àquele que cumpre pena alternativa, ficou em R$ 82.083 milhões (R$ 78.998 milhões para 2004; R$ 3.085
milhões para 2005), representando 27% do valor total empenhado para aquele período.
Verificou-se, pelas informações disponíveis no InfoPen, que houve um crescimento de cerca de 76000 condenados (29%) no sistema em todo o Brasil, entre 2004 e 2006, em função do investimento feito em ampliação e construção de unidades.
A resolução nº 4, de 9 de maio de 2006, do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, determinou, para o exercício de 2007, que as solicitações re recursos do FunPen que não obedecem aos critérios estabelecido em seu art. 2º, poderiam não ser aprovados, como a seguir: criação de patronatos e a reintegração social de egressos do sistema; criação de Conselhos de Comunidade em todas as Comarcas; criação de Escolas de Administração Penitenciária nos Estados; criação de Ouvidorias e Corregedorias; criação de planos de carreiras para o sistema; elaboração de planos diretores para gestão dos recursos humanos do sistema; aquisição de computadores e implantação do InfoPen nas unidades penitenciárias; elaboração de estatutos e regimentos aplicáveis aos estabelecimentos penais.
A Portaria nº 38, de 16 de março de 2007, do Departamento Penitenciário Nacional, estabeleceu os procedimentos, critérios e prioridades para a concessão de financiamento de projetos, ações ou atividades, com recursos do Fundo Penitenciário Nacional, para o exercício de 2007, priorizando: construção, ampliação ou reforma de estabelecimentos penais; implantação, aparelhamento e
re-aparelhamento de escolas penitenciárias; capacitação de servidores penitenciários; aparelhamento e re-aparelhamento de estabelecimentos penais;
reintegração social do preso, interno ou egresso; integração ao InfoPen; fomento às penas e medidas alternativas à prisão; pesquisa, produção e difusão de dados e informações relativos à execução penal; fortalecimento e aprimoramento institucional dos órgãos que compõem o Sistema Penitenciário e de Justiça brasileiros.
b) Fundo Penitenciário Estadual
O Fundo Penitenciário Estadual, em Minas Gerais, foi instituído pela Lei 11402, de 14 de janeiro de 1994, com objetivo semelhante ao FunPen, que é a obtenção e a concessão de recursos financeiros destinados ao sistema penitenciário do Estado, bem como para a construção, manutenção, reforma e ampliação de unidades destinadas ao cumprimento de medida sócio-educativa de internação, para adolescentes em conflito com a Lei.
Segundo o art. 2°, são considerados beneficiários dos recursos do Fundo, a Secretaria de Estado de Defesa Social, a Defensoria Pública, o Tribunal de Justiça, a Procuradoria-Geral de Justiça; diversos órgãos e entidades públicos; e a entidades de direito privado, constituídas no Estado, sem fins lucrativos, de utilidade pública, dedicadas à assistência à população prisional. O seu texto não estabelece critérios e prioridades para concessão de recursos.
A Lei 15289, de 4 de agosto de 2004, que altera a Lei 11402/94, estabelece a seguinte destinação dos recursos: 55% para a Secretaria de Estado de Defesa Social; 15% para a Defensoria Pública; 10% para o Tribunal de Justiça; 10% para a Procuradoria-Geral de Justiça; e 10% para as entidades não governamentais, que poderão acessar aos recursos mediante projetos, por convênios e acordos.
Os critérios e as prioridades, segundo a Lei, na aplicação dos recursos em projetos de entidades da sociedade civil, deverão ser analisados por um Grupo Coordenador (art. 7º), que deverá analisá-lo e “enquadra-lo”, contingencialmente.