I. BÖLÜM
2. KİŞİLERARASI İLETİŞİM SÜRECİNDE İZAFİYET TEORİSİ’NİN
2.5. Kişilerarası İletişim Sürecinde İzafiyet Teorisi’nin Rolü
2.5.2. Kişilerarası İletişim Sürecinde Kültürel Görecelik Kavramı
O trabalho doméstico é uma realidade para muitas crianças e jovens do interior. Isto se confirma quando se percebe que apenas 4 delas estavam trabalhando pela primeira vez na vida e que algumas já têm irmãs nessa mesma atividade, demonstrando a tradição entre as mulheres da mesma família. Contudo, não se pode deixar de comentar que é uma tradição muito mais imposta por fatores econômicos, que sociais. Apesar disso, a maior parte das jovens (nove) está entre o primeiro e segundo emprego. Porém há quatro delas que já passaram por mais de seis casas num período de 2 a 4 anos, desde que começaram a trabalhar, apontando para uma alta rotatividade que geralmente ocorre nesse tipo de atividade.
Nove delas desenvolvem suas atividades de manutenção e cuidados com a casa e as cinco restantes cuidam da casa e dos filhos dos patrões. Elas trabalham, principalmente, no turno da manhã, acordando às 7 horas. Arrumam a casa, fazem o almoço, podem ir deixar ou buscar as crianças da casa na escola, lavam a louça do almoço, arrumam a cozinha, fazem o jantar. É no horário vespertino que têm um momento de descanso, período que está localizado logo após lavar a louça do almoço e até a hora de começar a preparar o jantar. Esse tempo de descanso, na maioria das
vezes, é usado para assistir televisão, podendo, algumas, dormir ou estudar neste período.
Nove delas ainda trabalham à noite, lavando uma louça, arrumando a cozinha quando chegam em casa depois da aula, confirmando a carga horária extensa e a presença do trabalho noturno entre menores de dezoito anos, o que, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, art.67, 1994), é proibido por lei. Apenas uma das jovens tem carteira assinada, a qual, curiosamente, trabalha para um fiscal da Delegacia Regional do Trabalho. Esse patrão, a admitiu sob a condição de que estudasse e que, após completar dezoito anos, providenciasse a carteira profissional para a efetuação do registro. A falta da assinatura da carteira de trabalho corrobora com o dado de que no trabalho doméstico os direitos trabalhistas são pouco respeitados. Inicialmente, sete delas estão com a idade inferior a 16 anos e não podem ter suas carteiras de trabalho assinadas, o que revela uma informalidade comum nesse tipo de contratação.
As adolescentes afirmam desconhecer ou conhecer em parte os direitos dos trabalhadores domésticos, porém demonstram um interesse em conhecê-los melhor. Isso torna evidente a necessidade de executar um trabalho de divulgação desses direitos a partir dos órgãos competentes como a Delegacia Regional do Trabalho e sindicato das empregadas domésticas. Assim, uma nova consciência pode surgir, favorecendo a exigência e o cumprimento das leis trabalhistas, mesmo que os direitos dos trabalhadores domésticos sejam bem menores que os dos outros trabalhadores cobertos pela CLT (Sindicato dos trabalhadores domésticos do Recife, 1996).
Dessa forma, quando se faz uma rápida leitura sobre as condições de emprego doméstico, percebe-se uma taxa de jovens que está trabalhando sem carteira assinada, confirmando a ocorrência do trabalho noturno, sem direito às férias e, algumas
delas, até sem direito à folga semanal. Ganham um salário muito baixo (média de R$ 105,00), revelando ter-se muito a se fazer em relação a assegurar os direitos adquiridos por essa categoria de trabalho.
Além disso, doze delas nunca tiveram férias ou porque ainda não completaram o tempo de serviço necessário, ou porque não foram concedidas pelos patrões. Muitas vezes, as condições de contratação são tão obscuras que algumas jovens sequer sabem se terão férias quando chegar o prazo adequado. Oito das jovens têm uma folga semanal ou quinzenal, dependendo do caso e da relação com os contratantes. As outras não têm folgas porque não têm condições de viajar para o interior, solicitando-a quando necessário. É muito complicado separar o horário de folga da trabalhadora doméstica quando ela não sai da casa dos patrões, pois parece estar sempre confundindo os horários de prazer e de trabalho, o que é afirmado por Portela (1993) como algo muito comum de ser confundido para as trabalhadoras domésticas residentes.
A trabalhadora doméstica tem muita dificuldade de inserir-se num trabalho que lhe garanta os direitos trabalhistas obrigatórios. Essa situação parece ficar mais grave quando se percebe quais são as condições de trabalho que a adolescente empregada doméstica está submetida e, ainda mais, quando verifica que o sindicato dessa categoria faz muito pouco pelas trabalhadoras dessa faixa etária.
Ainda, quanto ao salário, seis jovens ganham menos de cem reais por mês e uma delas recebe apenas trinta reais. Apenas duas ganham cento e oitenta reais. Paula (17 anos), que ganha setenta reais, diz que aceita o valor de seu trabalho porque gosta dos patrões e pensa que poderia estar numa casa muito pior, na qual a patroa a maltratasse ou a proibisse de ir à escola, fato já ocorrido em sua vida. Já Adriana (14 anos), consciente que ganha muito pouco (30 reais) e não pode fazer quase nada com
esse dinheiro, aceita tal condição porque quer continuar morando em Natal, tendo em vista que está na capital do Estado, longe do controle dos pais. Na cidade, a jovem tem mais liberdade de sair com quem quiser e voltar a hora que desejar.
Odília (16 anos), ganha 150 reais. Ela diz que a patroa justifica o salário abaixo do mínimo com o argumento de que não se paga a menores de idade o mesmo salário do adulto. Diante disso, curiosamente, revela-se uma justificativa para uma prática comum, a de se pagar menos que o salário mínimo à essa categoria.
- É. Um salário mínimo é cento e oitenta. Ela falou que por ser de menor, eu não sei explicar direito, ela falou que por ser de menor não tem direito ao salário integral. Não sei direito, explicar esse negócio.
- E você acha que existe isso mesmo?
- Não, acho que não. É porque eu não sei explicar. Mas um menor não trabalha do mesmo jeito que um adulto, né?
- E o que você acha disso? Uma pessoa que é menor de idade e que trabalha, e ganha menos. O que você acha disso?
- Injustiça, não tem nada a ver. Eu acho que se o menor faz o mesmo trabalho com a mesma eficiência que um adulto, por que não ganhar a mesma remuneração? Por que não ganhar a mesma quantidade de dinheiro como um adulto? Acho injustiça. É, porque faz a mesma coisa que um adulto, trabalha da mesma forma, no mesmo horário, né? Só porque tem menor idade do que o adulto, por que ganha menos? Acho uma injustiça muito grande.
Apesar de ser injusto, as próprias jovens estão imersas dentro da justificativa de que não precisam ganhar o que um trabalhador adulto ganha, pois não têm a responsabilidade da família, já que ainda não são maiores de idade. Como afirma Nicole (15 anos): “eu acho normal (o que ganha, 100 reais). Assim, para mim que não
tem filho, nem nada, sou solteira, só dá para mim”. Esta frase, além de relatar uma
aceitação das suas condições de trabalho, revela, também, uma forma de demonstrar a pouca ambição nesta etapa da vida.