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3. İSTANBUL SİLİS KUMU

6.6. Kesme Üniteleri

No contexto nacional, assim como houve o aumento da produção de condomínios verticais na década de 1970, sob o apelo da violência, surgem também os condomínios horizontais. Os primeiros condomínios dessa natureza no Brasil datam da década de 1970, tendo como destaque

108 inicial a implantação destes empreendimentos na Região metropolitana de São Paulo. Um dos mais antigos e conhecidos é o condomínio Alphaville São Paulo, baseado no modelo das edge cities17 norte-americanas, criado em 1974 nos municípios de Barueri e Santana em São Paulo. Considerado precursor e referência simbólica deste tipo de habitação no país, o Alphaville São

Paulo não utilizou, a princípio, o fator “segurança” para a promoção de vendas dos seus lotes, até

por que neste período ainda não constituía um problema de grandes proporções.

A sua intenção era promover um melhor padrão de qualidade de vida, a partir de um “novo estilo de vida” enaltecida pelas vastas áreas verdes, longe da vida agitada da cidade, mas

localizado próximo aos principais eixos viários. Inicialmente, o empreendimento não logrou êxito. Isso ocorreu apenas em meados dos anos 1980, quando no entorno do condomínio começaram a ser instalados estabelecimentos de serviços como escolas, bancos e comércio em geral.

A proliferação de condomínios horizontais murados, em São Paulo, se deu de forma limitada, destinando-se às famílias de alta renda, devido à infraestrutura diferenciada e ao local onde foram instalados, gerando um preço do solo não acessível para grande parcela da população. Porém a partir da década de 1990, este tipo de habitação começa a atender outro tipo de demanda do mercado, se adaptando a locais menos sofisticados e acessíveis para a população de menor renda. Os empreendedores de loteamentos fechados buscavam terrenos mais baratos em áreas periféricas da grande metrópole como os municípios de Barueri, Santana de Parnaíba e Cotia, criando áreas de extensão que eram povoadas por famílias de baixa renda.

Os empreendedores de condomínios horizontais se interessavam pelas áreas estritamente residenciais (Zona R1) com restrições de ocupação, onde não podiam construir prédios e que coincidiam também com os setores mais nobres da cidade. Houve um considerável crescimento destes conjuntos a partir da década de 1990, sobretudo a partir da Lei das Vilas de 1994, que flexibilizou a implantação de condomínios fechados em todas as zonas residenciais da cidade de São Paulo.

A proliferação destes empreendimentos foi se disseminando gradativamente nas maiores cidades brasileiras. As cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Goiânia apresentaram os primeiros condomínios também no final da década de 1970. Nos anos seguintes, começaram a surgir em cidades como Salvador, Porto Alegre, Curitiba, entre outras. Nas últimas duas décadas, os

17Segundo Joel Garreau (1991), criador do conceito, as “Edge Cities” ocupam áreas gigantescas, do tamanho de

cidades de médio porte e têm, inclusive, a mesma função de uma cidade, com residências, comércio, prédios de escritório e serviços.

109 condomínios horizontais começaram a se proliferar de forma intensa em cidades de porte médio, como é o caso da cidade em estudo, João Pessoa.

No Nordeste, desde a última década, percebe-se um aumento na demanda do setor imobiliário residencial, sobretudo, no segmento de imóveis de luxo. Esta procura aqueceu tal mercado, desencadeando a valorização crescente e acelerada dos imóveis e influenciando diretamente na proliferação de empreendimentos residenciais fechados.

De regra, o processo acima citado ocorre em várias capitais nordestinas, inclusive em cidades de porte menor, que em geral, configuram-se como pontos turísticos ou são municípios circunvizinhos de capitais. Apesar de existir escassas pesquisas com caráter científico direcionadas às cidades nordestinas, observam-se dados empíricos que indicam a proliferação de condomínios horizontais em quase todo o Nordeste. O grupo Alphaville Urbanismo, por exemplo, já implantou nesta região 28 condomínios.

Em Recife, pesquisas realizadas por Lopes (2008) baseadas em anúncios de jornais da década de 1970 – período que surge os primeiros condomínios nesta cidade - aos dias atuais, mostram que a expansão desses empreendimentos passou por processos diferentes, variando de acordo com os anseios da população e as estratégias imobiliárias de cada época.

Os primeiros condomínios horizontais, na década de 1970, atraíram a população através de anúncios relacionados ao padrão arquitetônico, como os materiais, o conforto e o luxo do imóvel. Outro momento foi constatado em 1980, quando a atração passa a ser o valor e a forma de financiamento dos imóveis. Na década seguinte, 1990, as características ressaltadas passam a ser relacionadas à segurança. Foi a partir deste período que houve uma maior procura por condomínios horizontais, justamente por causa do discurso da segurança e da alternativa de morar em espaços isolados. Desde então, começaram a surgir anúncios de empreendimentos fechados no bairro conhecido como Aldeia, localizado no município de Camaragibe, região metropolitana de Recife. Tal lugar foi bastante apreciado pela população de classe média e alta, pois apresentava clima mais ameno, por se tratar de uma região mais elevada e com maior tranquilidade por estar localizada distante da área central - local do “caos urbano e da insegurança cotidiana”. (Lopes, p.49, 2008).

Em Salvador, conforme Arantes (2009), os primeiros condomínios horizontais surgiram no final da década de 1970. A princípio, não eram efetivamente condomínios horizontais, mas conjuntos habitacionais construídos por cooperativas destinados às classes médias que englobavam pessoas de uma mesma ocupação como funcionários públicos, profissionais liberais e funcionários das próprias cooperativas. Tais conjuntos foram construídos pelo INOCOOP (Instituto de Orientação

110 às Cooperativas Habitacionais) e financiados pelo BNH (Banco Nacional de Habitação) ou pelo SFH (Sistema Financeiro de Habitação)18.

Assim como em Recife, percebem-se motivações distintas relatadas pelos antigos e novos moradores. A princípio, a opção de morar em conjunto habitacional horizontal era motivada, fundamentalmente, pela busca de uma melhor qualidade de vida, por maior contato com a natureza, por locais mais tranquilos e com maior liberdade quando comparados aos bairros repletos de edifícios de apartamentos. Segundo Arantes (2009), tais conjuntos que futuramente se transformariam em condomínios, não representavam uma estratégia de distinção ou de auto segregação em função do medo da violência.

Com a valorização imobiliária crescente neste setor de Salvador, os antigos conjuntos que comportavam a classe média, começaram a englobar novas características, interesses e novas necessidades. Assim, são modificadas tanto a estrutura física, jurídica, como o perfil do morador, transformando-se em condomínios horizontais de fato, abrangendo agora moradores com maior poder aquisitivo e outros interesses. Com efeito, alteram-se não apenas seu formato e seu público, mas também o modo como surgem, originando-se atualmente a partir da iniciativa do mercado imobiliário e não através de cooperativas.

Como visto, os condomínios horizontais vêm se proliferando em diversas regiões do Brasil e países afora. Na maioria dos casos, são alternativas habitacionais destinadas às classes sociais mais ricas, que buscam além da segurança, entretenimento, homogeneidade e prestígio social. Os motivos e o grau de manifestação variam de acordo com cada país. Mas, comumente, sobretudo nos países do continente americano, ocorrem em resposta às deficiências encontradas na cidade, como a busca por maior proteção patrimonial, maior segurança para circular com seus filhos, por amenidades ambientais e pela intenção de obter melhor qualidade de vida.

De regra, os condomínios brasileiros que perfazem o perfil do fenômeno da “condominização”

horizontal, independentemente de sua região, apresentam características gerais semelhantes. Quando comparados aos empreendimentos precursores (as gated communities), os condomínios brasileiros resguardam a maioria das principais características, como a localização distante do

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Conjuntos habitacionais e condomínios horizontais são fenômenos bastante distintos. Os conjuntos habitacionais surgiram, a partir de ideais do urbanismo moderno, devido à necessidade da produção habitacional em larga escala, para atender à massa trabalhadora. Geralmente são financiados por órgãos públicos ou instituições mistas. Já os condomínios horizontais surgiram na tentativa de responder aos anseios da camada social que já possuíam alternativas de moradia. São empreendimentos desenvolvidos a partir da iniciativa privada, com o “aval” do setor público e ampla divulgação publicitária pelo setor imobiliário.

111 centro urbano, unidades familiares em formato de sobrados isolados no lote, inexistência de cercas internas, homogeneidade social, apelo paisagístico, endógeno e por segurança.

Porém, algumas divergências podem ser percebidas. Por exemplo, apesar de ambos localizarem nas franjas urbanas, os subúrbios americanos são mais infraestruturados, homogêneos e ricos, enquanto que os subúrbios brasileiros onde estão inseridos os condomínios são extremamente heterogêneos e pobres.

Outra divergência bastante marcante é que, no Brasil, a grande maioria dos condomínios residenciais, ao contrário das gated communities, já é concebida e projetada em áreas privadas, não necessitando de intervenção jurídica para instalação em área pública. Há, porém, como foi relatado no primeiro capítulo, alguns casos de associações de moradores que fazem o fechamento de ruas públicas, por intermédio de requerimento legal.

No Brasil, os condomínios se caracterizam pela possibilidade de distinção e personalização dos projetos arquitetônicos residenciais, opondo-se ao modelo americano que constrói as residências em série. Isso ocorre, talvez, por que a percepção coletiva de parte da sociedade brasileira entende a padronização de casas como um conceito para produção de casas populares.

Benzer Belgeler