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Perguntou-se aos pacientes acerca do tipo de dor por eles sentida. As repostas foram agrupadas em função da quantidade de queixas álgicas por eles relatadas. No caso de uma única queixa, referente à afecção de uma única área corporal, os pacientes foram classificados como portadores de dor do tipo Focal. No caso de múltiplas queixas, referentes à afecção de duas ou mais áreas corporais, os pacientes foram classificados como portadores de dor do tipo Multifocal. A distribuição dos pacientes de acordo com esta classificação encontra-se descrita na Figura 4.4, a seguir.

89 62 48 55 38 52 45

Consult. Particulares Consult. Públicos Amostra Total

Dor Focal Dor Multifocal

Figura 4.4. Distribuição, em percentagens, dos participantes em função do Tipo de dor relatado, nas sub-amostras Consultórios Particulares (n=50) e Consultórios Públicos (n=50), e na Amostra Total (n=100).

Estatística: X2(com Correção de Continuidade) = 1,455; G.L. = 1; N. Sig.

Como se pode notar na Figura 4.4, há uma pequena predominância dos quadros álgicos focais na amostra total, a qual se repete no ambiente terapêutico privado. Entretanto, a avaliação estatística não permite concluir pela diferença entre os dois ambientes terapêuticos no que se refere a esta variável, podendo-se então supor uma equivalência entre eles.

Perguntou-se também acerca da intensidade da dor sentida, avaliada através de uma escala numérica de dor, variando de zero (ausência de dor) a dez (pior dor possível). A intensidade da dor variou entre zero e dez, com três pacientes relatando inexistência de dor e quatorze relatando a dor máxima, no momento da entrevista. A média de intensidade de dor obtida foi de 6,7, com um desvio-padrão de 2,45 e uma moda de 8.

Para fins das análises, esta variável foi agrupada em três classes, como descrito na Figura 4.5, a seguir. A intensidade baixa agrupa os pacientes que referiram intensidade da dor até o escore 5; a intensidade mediana agrupa os pacientes que referiram intensidade da dor entre os escores 6 e 7; e a intensidade alta agrupa os pacientes que referiram intensidade da dor entre os escores 8 e 10. Esta divisão tentou aproximar-se de uma distribuição de freqüências correspondente aos tercis, sendo a variabilidade observada na amostra total, na

90 Figura 4.5, decorrente da diversidade efetiva na distribuição dos escores dessa variável na amostra.

Figura 4.5. Distribuição, em percentagens, dos participantes em função da Intensidade da dor relatada, nas sub-amostras Consultórios Particulares (n=50) e Consultórios Públicos (n=50), e na Amostra Total (n=100).

Estatística: χ 2 = 6,671; G.L. = 2; P < 0,05

Como se pode notar na Figura 4.5, há na amostra total uma predominância de pacientes que referem dor com uma intensidade bastante elevada. Se computadas as duas classes superiores de intensidade, perfazem dois terços do total; se considerada apenas a intensidade alta, dois quintos – quase a metade – da amostra. Nota-se ainda que este padrão corresponde apenas ao ambiente terapêutico dos consultórios públicos. Nos consultórios particulares o padrão é exatamente o oposto, com um predomínio das avaliações de baixa intensidade – quase a metade da amostra.

Não que se possa afirmar que os usuários do sistema privado de saúde sentem menos dor que os do sistema público. Provavelmente, existem padrões distintos de uso dos sistemas de saúde e não uma percepção distinta do sintoma álgico. É provável que se esteja lidando de forma diferenciada entre os dois ambientes terapêuticos, com dois padrões de uso dos sistemas de saúde – um uso emergencial e eventual, correspondente às ocorrências mais intensas dos sintomas álgicos, e um uso mais recorrente e continuado, correspondente a um tratamento regular e um gerenciamento permanente e adequado do processo álgico. É

44 20 32 24 32 28 32 48 40

Consult. Particulares Consult. Públicos Amostra Total

91 provável também que o primeiro padrão corresponda, predominantemente, ao ambiente público, enquanto o segundo padrão corresponda predominantemente ao ambiente terapêutico privado.

Os três pacientes que relataram uma intensidade zero são pertencentes ao ambiente terapêutico privado, o que torna estes resultados mais interessantes.

Pode-se supor também que pacientes com melhores condições socioeconômicas – aqueles usuários do sistema privado, tanto recebem melhor atenção por parte do sistema de saúde, como podem permanecer e completar o tratamento, de modo a experimentarem um gerenciamento mais eficiente do processo álgico. Além disso, fatores como escolaridade – que neste estudo difere entre os dois ambientes terapêuticos, rede de apoio social, adesão ao tratamento, e outros mais, poderiam influenciar esse resultado, mas sua abordagem fugiria ao escopo deste trabalho.

Serão analisadas agora as patologias e problemas de saúde associados apresentadas pelos participantes deste estudo. Essas patologias foram bastante variadas. Entretanto, na maioria dos casos, corresponderam às patologias mais características e frequentes nas respectivas especialidades médicas às quais se vinculavam os consultórios em que se fez a coleta de dados – reumatologia, neurologia, acupuntura, dor e fisioterapia. As patologias menos específicas às especialidades médicas desses consultórios foram referidas pelos pacientes como associadas àquelas mais específicas e frequentes.

Como exposto mais acima, na parte do Método, foram excluídos da amostra aqueles pacientes que apresentaram patologias que poderiam gerar algum déficit cognitivo, como Alzheimer, Parkinson, Lupus, etc.

Dentre os problemas mais frequentemente encontrados foram apresentados os seguintes quadros: problemas de coluna, lombalgia, cervicalgia, hérnia de disco, escoliose, fibromialgia, síndrome dolorosa miofascial, gota, tendinite, tenosinovite, bursite, artrose,

92 ruptura do manguito rotador, capsulite adesiva, síndrome do túnel do carpo, esporão calcâneo, menisco, ciatalgia, cocixalgia, enxaqueca, etc.

Foram apresentados também quadros menos específicos às especialidades médicas dos ambientes terapêuticos incluídos na coleta de dados, tais como: diabete, hipertensão, estenose, hepatite, HTLV I, problema renal, cardiopatia, labirintite, síndrome da fadiga crônica, hérnia de hiato, ulcera gástrica, hipotireoidismo, cálculo renal, hipertireoidismo, sinusite, refluxo, linfedema, microderrames cerebrais, insônia, fibrose pulmonar, rinite alérgica, depressão, hemorróida, entre outras.

As patologias apresentaram-se de modo bastante disperso, sem que se pudesse perceber um padrão de resultados ou uma tendência que permitisse alguma análise além da mera descrição dos dados. Sendo assim, essas informações foram usadas apenas para possibilitar a aplicação do critério de exclusão amostral, como exposto acima.