3. MİKROŞERİT FİLTRELER
4.1 Kesim Frekansı 1.2 GHz Olan 5. Dereceden Alçak Geçiren Butterworth
Ao perguntar o que o PROUNI significou para o entrevistado em relação à oportunidade de vida, demonstrou que as respostas encontravam-se em harmonia com o que diz Catani e Hey (2007), no qual os autores afirmam que o programa favorece o acesso à educação superior conciliando baixo custeio para o governo, com um impacto popular de forma equilibrada, atendendo às necessidades do setor privado e das classes menos privilegiadas que anseiam por uma educação superior.
E1:“Foi um grande crescimento, assim, tanto pessoal como social. Eu cresci em um ambiente de ter relações com pessoas de nível, assim, que tiverem contato com escola particular e isso também me ajudou, ele significou muito, tive muitas oportunidades quando eu conheci o PROUNI”
As palavras centrais deste comentário são “educação” e “renda”. Demonstrado quando o entrevistado comenta que estudando em uma Faculdade privada se relacionou com pessoas de “nível” o que se percebe no comentário que a renda familiar interfere no estudo, pessoas que tem bons rendimentos consegue pagar pela educação e estas pessoas são consideradas pelo entrevistado como um patamar social maior, o que fez ter relações com pessoas que lhe geraram crescimento pessoal e social.
E4: “Assim, significou muito por que foi a oportunidade que eu tive de ingressar em uma universidade né. Eu morava no interior, então, a minha intenção era de cursar alguma coisa ali por perto e quando eu consegui a bolsa foi um incentivo pra eu mudar de cidade, pra eu ter a condição de fazer uma faculdade de mais respaldo. Ai foi o incentivo que eu tive de mudar de cidade, de ter um futuro melhor né, de cursar uma faculdade em uma universidade mais reconhecida. Foi isso o que significou pra mim e hoje eu tenho uma formação que é muito bem reconhecida, aonde eu chego sou muito bem recebida e todo mundo elogia né. Fala que a faculdade realmente forma pessoas pro mercado de trabalho e eu fico feliz com isso”.
62 Os termos utilizados pelo entrevistado são “reconhecimento” e “formação”. A questão de se estudar em uma faculdade privada bem conceituada, lhe demonstra um motivo de orgulho, quando é relatado que o entrevistado é muito bem recebido quando diz que estuda em determinada faculdade e que esta realmente prepara as pessoas para serem inseridas no mercado de trabalho.
E5: “(...) quando eu vi essa oportunidade de PROUNI e que eu iria conseguir, foi maravilhoso pra mim mesmo, porque eu iria para a faculdade, que não tinha condição, a faculdade era muito cara e essa oportunidade de ter conseguido o PROUNI pra mim foi sensacional por que realmente ela é como... eu tenho uma profissão já né no salão como cabelereira né, mas não é uma profissão que eu quero passar o resto da minha vida, então eu queria essa parte de Fisioterapia, eu queria mudar de profissão e se eu não tivesse conseguido o PROUNI eu teria ficado na minha profissão pelo resto da vida né. Essa oportunidade do PROUNI realmente foi muito importante pra mim, eu quase morro de chorar quando eu consegui porque eu realmente ia parar a faculdade não ia conseguir seguir nela né. Se eu não tivesse conseguido o PROUNI, eu não iria ser uma coisa que eu queria, iria sempre ganhar um salário mínimo, por que na minha profissão se eu me esforçar dá pra eu ganhar bem, mas não era uma coisa que eu queria, não era o que eu queria pro resto da minha vida, então eu iria ficar lá pela falta de oportunidade por que eu não iria ter condição de pagar por que eu até poderia ter condição de pagar, mas eu não teria horário para estudar, se eu trabalhasse o dia todo eu não teria tempo pra estudar, então ou eu trabalhava meio expediente e estudava ou eu trabalhava o dia todo e não teria tempo pra fazer as coisas”.
O discurso do entrevistado demonstra como palavras centrais “profissão” e “estudo”. A mesma é cabelereira, mas não mudava de profissão porque não possuía condições financeiras para tal feito e se trabalhasse o dia todo para pagar seus estudos, não teria condições de estudar. Esse relato chama atenção para a situação de uma grande parcela da população, onde muitos têm que trabalhar para ajudar no sustento da família e não conseguem dá continuidade aos estudos, acomodando-se naquela situação e sem perspectivas para um futuro melhor.
E7: “Pra mim, é... eu vejo o PROUNI em nível do que significou como uma porta de entrada. Por que o fato de eu ter conquistado a bolsa, de ter a oportunidade de
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fazer o curso que eu queria na instituição que eu queria, ou seria a particular ou seria a publica na época que eu passei. Mas o meu objetivo era passar na particular e fazer fisioterapia aqui onde eu estou. E pra mim, o grande significado do PROUNI em relação às oportunidades na minha vida é por que ela abriu portas para que eu pudesse ter oportunidades na minha vida. Tanto na parte acadêmica né, de formação, como eu percebo hoje, no semestre que eu estou, como um futuro também de profissão”.
De acordo com o que os atores envolvidos relatam demonstrar a esperança de mudança de vida com a oportunidade de ter conseguido o PROUNI, alguns falam que agora têm uma profissão, outros que poderão ter melhores salários e outros tecem comentários sobre a questão da melhor qualidade de vida. As palavras que mais se repetem são “crescimento pessoal” e “oportunidade”. Os entrevistados deixam explícito que sem o programa não conseguiriam ter a oportunidade de cursar uma faculdade, e reforçam que essa nova etapa da vida será um crescimento pessoal, um futuro profissional. Chega-se a falar que com um programa está realizando um sonho de infância que seria de ser dentista.
Sposati (2002, p. 6) define o significado de qualidade de vida:
Qualidade de vida: a noção de qualidade de vida envolve duas grandes questões: a qualidade e a democratização dos acessos às condições de preservação do homem, da natureza e do meio ambiente. Sob esta dupla consideração entendeu-se que a qualidade de vida é a possibilidade de melhor redistribuição e usufruto da riqueza social e tecnológica aos cidadãos de uma comunidade; a garantia de um ambiente de desenvolvimento ecológico e participativo de respeito ao homem e à natureza, com o menor grau de degradação e precariedade.
Por meio desta definição de “qualidade de vida” exterioriza-se a vontade do entrevistado de viver com dignidade, que este consiga ter as mesmas condições de outras classes de usufruir da riqueza social e tecnológica, que tenha a oportunidade de ter uma boa moradia, boas condições de saúde, lazer, oferecer boas escolas para os seus filhos, dentre outras oportunidades que apenas com a democratização do acesso se conseguirá. Parece uma ideia distante, mas se o governo exercesse seu papel e assegurasse as garantias previstas na Constituição, teríamos um Brasil com menos desigualdades e mais acessos.
Em uma estatística quanto à relação de trabalho com o jovem no Brasil, o livro Diálogo Nacional para uma Política Pública da juventude (RIBEIRO; LÂNES, 2006) aponta que:
39,3% dos (as) jovens trabalhavam. 60,7% não trabalhavam.
64 22,2% dos (as) jovens entre 15 e 17 anos, ou seja, em idade destinada à
escolarização, trabalhavam.
Dos (as) 39,3% que declararam trabalhar, 30,5% tinham carteira assinada. Dos 60,7% que estavam sem trabalho, 62,9% procuravam trabalho.
64% dos (as) jovens das classes D/E não trabalhavam; desses (as), 69,5% declararam estar procurando trabalho.
18% trabalhavam por conta própria. 6,4% trabalhavam como aprendiz. 1,6% eram bolsistas de projetos sociais.
Estes dados relacionam-se com o que foi dialogado por eles com relação às condições de trabalho x escolaridade (RIBEIRO; LÂNES, 2006, p. 43):
Os (as) jovens relacionam o trabalho e a sua falta com as suas trajetórias escolares e com a produção de cidadania. Expressam que o acesso ao mercado de trabalho está intimamente ligado ao segmento socioeconômico a que pertence o (a) jovem. Os (as) jovens mais pobres apontam suas maiores dificuldades, considerando principalmente suas desvantagens educativas. Dessa forma, acabam por ocupar cargos mais baixos e, assim, têm acesso a poucas oportunidades. A ênfase dos (as) jovens está na necessidade de ampliação da oferta de trabalho, da formação profissional e de estágios remunerados.
Compartilhando os conhecimentos entre os entrevistados neste trabalho e os estudantes na citação acima, verificou-se a questão do subemprego para pessoas com menor escolaridade e que isto também entrelaçasse a condição socioeconômica. Oferecer uma melhor oportunidade de escolaridade é fundamental para que a situação se reverta e o programa em análise vem tentando dirimir esses entraves gerados pelas condições de vida de muitos bastardos que o Brasil possui.
Saraiva e Nunes (2011) narram que o Ministério da Educação (2009) menciona que o PROUNI é uma iniciativa do governo federal que tenciona diminuir as desigualdades sociais abrangendo brasileiros no ensino superior, reduzindo a defasagem de oferta nas universidades públicas. O PROUNI incorpora um misto de expectativas e interesses por parte dos governantes, das instituições e dos estudantes, possibilitando o desenvolvimento do país, por meio da divulgação dos programas sociais criados, tem como objetivo a elevação de brasileiros no ensino superior, e em contrapartida, traz benefícios às instituições de ensino superior particular, por meio da redução da carga tributária, com isenção de impostos e, para os estudantes, a possibilidade de acesso à educação superior.
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Aprile e Barone (2008, p. 7) reiteram sobre a emergência de criação do PROUNI:
A discussão sobre a emergência e implantação do PROUNI no quadro das políticas públicas de educação superior nos conduz a recuperar não apenas questões ligadas à definição, manutenção e/ou (re) direcionamento das políticas em curso, mas possibilita reconstruir, mesmo que parcialmente, suas ligações com as concepções neoliberais. Nesse sentido, é preciso considerar que, desde meados da década de 1970, o quadro sócio-político e econômico do país provocou mudanças na definição do caráter das políticas públicas, na relação entre o público e o privado e nos debates sobre a redefinição do papel do Estado, tocando na problemática do emprego e desemprego. Ao mesmo tempo, esses temas ganharam destaque nos debates e proposições feitas por agências multilaterais e organismos internacionais e permanecem presentes nos debates de diferentes setores e segmentos da sociedade, interagindo com as políticas educacionais, sobretudo nos países em desenvolvimento.
A mesma autora acima citada esclarece que como o Estado reduziu sua capacidade de investimento na educação superior, além de interromper o processo de expansão física da rede federal de ensino superior repercutindo na oferta de vagas, produziu-se um resultado que reforçou a ideia de privatização permeada pela emergência das ações afirmativas.
Cunha (2008) proclama que existem muitas formas de realizar uma avaliação, na qual, uma delas é acadêmica, mais formal, focaliza o estudo da efetividade das políticas, seus impactos e benefícios.
Já Carvalho (2003), comenta que a avaliação de desempenho de programas sociais é um processo contínuo que observa todas as fases da identificação do problema à análise das mudanças sociais ocorridas a partir da intervenção pública: a avaliação se dá ao longo do processo, nos impactos e efeitos causados. Este cita a modificação de vida dos beneficiados por meio do programa, há uma crítica ao governo em relação à qualidade das escolas públicas, pois aduz que o programa aparece como um paliativo em face da não melhoria da educação pública.